College Football: Week 8
Mas que raio se anda a passar? O que é isto? Já não se pode ter um Sábado sem sobressaltos, vendo futebol inócuo, sem surpresas? O College está a saque. Na jornada deste fim-de-semana os astros convergiram todos, num sinal evidente da proximidade do fim do Mundo, para provocarem um terramoto de proporções assinaláveis. Clemson, nº 3 no ranking, foi desmantelada de forma humilhante. O culpado? O rival de sempre, habitual besta negra dos pretensões dos homens que vestem de laranja. Florida State não se limitou a demonstrar que é a mais forte equipa da ACC. Fê-lo, mostrando uma supremacia evidente, que a pode catapultar para outros voos. Mas esta era uma partida entre equipas de topo, com o resultado, mais ponto, menos pontos, a não poder ser considerado surpreendente. Mas, se vos disser que o nº 6 do ranking perdeu? E o 7? Tal como o 8 e 9? Percebem agora as ramificações dos resultados? O power ranking ficou virado do avesso. Johnny Football, também conhecido como Manziel, foi incapaz de novo comeback, com Texas A&M a perder um jogo caseiro e a hipotecar uma mão cheia de possibilidades de atingir a final da SEC e, quem sabe, o jogo da final nacional. LSU seguiu pelo mesmo caminho, perdendo contra uma renovada Ole Miss. A SEC East está a saque, numa enorme confusão para se saber quem emergirá como potencia reclamante do direito de estar, em Dezembro, na final. No College, a única coisa imutável é Alabama, que funciona como um relógio suíço, desfazendo adversários semanalmente. Tudo seria melhor, mais imprevisível, se a equipa de Nick Saban mostrasse indício de fraqueza. Mas não. Ano após ano, mesmo perdendo peças importantes para a NFL, a equipa parece uma fénix renascida, impondo de forma brutal a sua vontade. Tudo aponta para nova caminhada triunfal, rumo ao título. Haverá alguém que os faça tropeçar?
A semana, em 10 apontamentos com laivos de surpresa, espanto, heróis caídos em desgraça e ídolos nascidos do nada.
- Louisville tem vivido do hype criado em redor de Teddy Bridgewater, putativo candidato a nº 1 no próximo draft. Daí até uma sussurrada candidatura ao título foi um curto passo. O calendário de Louisville, na AAC, não permitia, numa análise racional, qualquer veleidade ao jogo maior da prova. Adversários fracos, fora do ranking, numa schedule acessível. Restava à universidade ir vencendo os seus jogos e esperar por um cataclismo dos outros candidatos, de forma a poder ser vista como um underdog, à imagem de Boise State, na última década. Ironicamente, num Sábado em que vários contendores tropeçaram de forma inacreditável, Louisville fez o mesmo. Em casa, perante UCF, o nº 8 do ranking perdeu. De forma dolorosa, a apenas 2 segundos do apito final, num apertado 38-35. A drive de UCF aumentou a tensão, à medida que se aproximava da red zone de Louisville. E, quando Jeff Godfrey recebeu um curto passe do seu QB e marcou o TD, um enorme manto de silêncio cobriu o estádio dos Cardinals. Mérito enorme para a equipa de UCF que nunca baixou os braços, mesmo quando o avanço no marcador parecia irresolúvel. A meio do 3º período, a perderem por 28-7, a equipa conseguiu marcar 3 touchdowns num espasmo temporal de 4 minutos. A reacção de Louisville, através duma corrida de Dominique Brown, parecia sentenciar novamente o encontro. Até aquela drive final. Tensa. Enervante. E cruel estilhaçadora de sonhos. Game over, Louisville. Highlights: http://espn.go.com/video/clip?id=9846539
- South Carolina, envolta na novela em redor de Jadeveon Clowney, ia navegando em águas plácidas, na SEC, aguardando pelo desenrolar da competição para assumir uma potencial candidatura, no lugar 11 do ranking. Num jogo contra o rival de conferência Tennessee, com as defesas a mostrarem-se num estado de implacabilidade, os Gamecocks foram abatidos com dois field goals, no 4º período, sucumbindo por 23-21. Com boas prestações de Mike Davis (o RB somou mais 137 jardas ao seu total da temporada, marcando um belo TD corrido) e de Damiere Byrd (o wide receiver teve um dos seus melhores jogos da sua carreira, conseguindo 121 jardas e 1 TD), a que se juntou a da mega-estrela Clowney, brutal contra o jogo corrido, South Carolina pode queixar-se da sorte, quando perdeu Connor Shaw, o seu QB, já no 4º período. Este tinha sido instrumental na recuperação, liderando a equipa em 2 TDs no 3º período, que lhes permitiu a vantagem no marcador. Também aqui se assistiu a um dramático desfecho, com o FG decisivo, de 19 jardas, a ser marcado no último segundo. Tennessee marchou para field goal range num dos melhores momentos individuais do jogo, com o WR Marquez North (freshman) a conseguir uma fantástica recepção, com uma mão, de 39 jardas, num lançamento desesperado de Worley.
- É duma das sensações da temporada. Falo, claro, de Missouri que, no seu 2º ano na SEC, tem sabido contradizer o estigma que lhe colaram à epiderme, no ano I. Invicta, a equipa vivia este fim-de-semana o seu mais importante jogo, desde que mudou de conferência. Jogava contra os Florida Gators, adversário directo na SEC East, sem a sua principal estrela, o quarterback James Franklin, lesionado na semana passada e perdido para o que resta da competição. O jogo colocou frente-a-frente duas equipas com várias semelhanças. Se Mizzou se pode queixar da ausência de Franklin, os Gators lamentam ainda a perda de Jeff Driskell que não jogará mais este ano. Assim, com dois QB’s neófitos a liderarem os ataques, Mizzou destacou-se, merce do bom jogo de Maty Mauk (o substituto de Granklin) e da precisão do seu kicker Andrew Baggett, que converte 5 field goals. Se existiam dúvidas quanto à real valia de Mauk, elas cedo se dissiparam. Na primeira jogada do desafio, Mauk lançou uma bomba de 41 jardas, num arco perfeito, depois de ter congelado o safety no fundo do campo, olhando na sua direcção, enquanto o receiver corria uma rota vertical. Depois, mais uma bomba de 22 jardas, para um touchdown, que deu o mote ao resto da partida. Nota de destaque para o bullying praticado pela defesa de Missouri contra a OL dos Gators, obtendo 6 sacks e forçando três turnovers, mais uma quantidade enorme de hits, nunca dando descanso nem tempo para que Florida encontrasse o ritmo no ataque. Highlights: http://espn.go.com/video/clip?id=9849569
- Na Pac-12 Stanford tornou a fazer uma declaração pública. Carregada ao colo pelo RB Tyler Gafnney (36 corridas, 171 jardas e 2 TDs), mais um par de intercepções do safety Jordan Richards, acabou com a invencibilidade da boa equipa de UCLA, vencendo por 24-10. A defesa de Stanford apagou o explosivo ataque da universidade californiana, durante a primeira parte, permitindo apenas um mísero FG. Agora, até final, jogando em casa, Stanford tem um calendário com elevado grau de exigência: Oregon Oregon State, Notre Dame e USC. Ufa. Por falar em USC, depois do despedimento de Lane Kiffin, parecia que a equipa estava prestes a encontrar-se. Foi sol de pouca dura. Ainda esteve a vencer Notre Dame, ao intervalo, por 10-0, depois duma drive de 94 jardas, culminada num TD, e duma heróica defesa em cima da goal line, impedindo em 4 downs que os Fighting Irish marcassem. O pior é que o jogo tem 4 períodos. Nos dois restantes, USC não mais pontuou, terminando as suas 10 drives em 6 punts, um FG falhado, uma intercepção e duas tentativas de conversão dem 4º down falhadas. Notre Dame aproveitou o apagão e venceu, por 14-10. A vida continua dura em Los Angeles. Resta saber quem será o big name escolhido para gerir uma das mais famosas universidades, em 2014. O último nome especulado é o de Lovie Smith, ex-coach dos Bears. Highlights: http://espn.go.com/video/clip?id=9848815
- Ainda estou a carpir mágoas da derrota de Texas A&M. Doeu. Desenvolvi uma daquelas irracionais ligações com Johnny Manziel, jogador que considero o mais empolgante na NCAA. Depois da derrota contra ‘Bama, em que os Aggies jogaram imenso, esperava a continuação das boas exibições…e vitórias. O jogo contra Auburn foi espectacular. A universidade apostou forte em Guz Malzahn, de quem já falei nos artigos anteriores. E, para o que importa, é que ele fez a equipa renascer das cinzas, dotando-a de personalidade e competência. Auburn está aí novamente, vencendo e sendo um adversário digno de crédito. Contra Texas, jogando fora, a vitória assume foros de enorme importância. Não só pelo resultado (45-41), mas pla exibição atacante. 45 pontos. Fora. 615 jardas totais. Um adversário no top-10. E um QB, Nick Marshall, que foi impressionante. 236 jardas passadas com 2 TDs, mais 100 jardas no solo…e mais 2 TDs, roubando o show e o mediatismo a Johnny Football. Este, por sua vez, começou mal, com duas intercepções. Mas, mostrando enorme resiliência mental (sim, eu sei, sou um exagerado nos elogios a Manziel), passou para o habitual espectáculo cénico: 454 jardas e 4 touchdowns, mais 48 corridas e um score no solo. Se Manziel esteve on fire, na 2ª parte, também agravou uma lesão no ombro, quando fazia um scramble, numa situação perto da end zone adversária. O hit sofrido impediu-o de lançar, posteriormente, denotando fortes dores sempre que tentava usar o braço. No jogo destaque para um dos wide receivers que receberá um contrato da NFL, no próximo draft. Mike Evans, dos Aggies, é espantoso. Mais uma exibição para mais tarde recordar, com 11 recepções, 287 jardas e 4 touchdowns. Soberbo!
- Depositava grandes esperanças em LSU. E o tempo verbal está correcto. A derrota, por 3 pontos, contra Ole Miss coloca agora uma carga extra de pressão sobre os pupilos de Les Miles, obrigados a irem vencer…a Alabama. Ole Miss melhorou. É um facto. Está mais competitiva, tentando recuperar os pergaminhos do programa. Num jogo típico da propalada rivalidade da SEC, a defesa dos Rebels cedo deu a perceber que estava ali para incomodar, mesmo que órfã de Serderius Bryant, o seu líder em tackles e alma da unidade. E de que maneira. Zach Mettenberger cometeu vários lapsos, sempre sob pressão, lançando 3 intercepções, que permitiram a Ole Miss construir uma vantagem confortável de 17 pontos. Mas os Tigers são resistentes e lançaram um frenético ataque, conseguindo igualar a contenda a 3 minutos do final, numa drive finalizada com um belo passe de Mettenberger, empatando o jogo e lançando a incerteza. Mas Bo Wallace revelou enorme maturidade, com uma metódica drive de 14jogadas, esgotando o tempo a avançando lentamente no terreno, até culminar num FG, com o tempo a esgotar-se, de 41 jardas. Foi um doce momento para os jogadores de Ole Miss, penalizados na semana passada em circunstâncias idênticas (perderam com Texas A&M no último segundo, num FG). Destaque para o bom jogo de Jaylen Walton, que correu 105 jardas (máximo da carreira), marcando 2 TDs. Pela negativa, Zach Mettenberger, que liderava a SEC em jardas lançadas, com 1890, e apenas 2 intercepções, teve uma primeira-parte desastrada. As suas 3 intercepções foram em alturas cruciais, duas delas na end zone adversária. Highlights: http://espn.go.com/video/clip?id=9852851
- Número 3 no ranking contra o número 5? Parecia um bom cartaz. Clemson versus Florida State, numa rivalidade crescente nos últimos anos. Os Seminoles, aliás, são uma espécie de besta negra de Clemson. Este ano, contudo, parecia diferente. Na jornada inaugural, Clemson conseguiu um triunfo meritória contra Georgia, numa vingança da ACC sobre a SEC. Ficou ali lavrada uma eventual candidatura ao título, suportada pelas exibições posteriores. A SEC não tem o monopólio do bom futebol. E este encontro era a prova viva disso. O que se passou ultrapassou qualquer perspectiva optimista dos fãs dos Seminoles. Ir ao Death Valley, um dos míticos redutos do College e marcar 51 pontos, dilacerando a equipa da casa, não está ao alcance de qualquer um. O colectivo dos Seminoles foi impressionante, mas tem que se destacar Jameis Winston, o seu quarterback, acabado de entrar para a restrita galeria dos fenómenos. 444 jardas passadas num ambiente de hostilidade, no seu ano de entrada na competição, ultrapassa tudo o que ele já fez. E, paraos mais desatentos, ele já fez muito, nos 7 jogos que realizou. Cometeu um turnover, é um facto. Mas redimiu-se com 4 touchdowns totais, colocando a sua marca nos 51-14 finais. Mais do que isso, permitiu-se entrar na antecâmara dos nomeados para o Heisman Trophy. É freshman? Sim, mas qual o problema? Johnny Manziel desmistificou isso, no ano passado, ao tornar-se o primeiro novato a vencer o reputado prémio. Se muitos aguardavam com curiosidade o duelo entre QBs, saíram defraudados. Winston esteve em grande. Tahj Boyd realizou uma das suas piores exibições, com duas picks e um evidente desconforto pela pressão a que foi sujeito, que resultaram em 4 sacks (destaque, neste campo, para o trabalho de sapa de Mario Edwards Jr, que foi um pesadelo constante para a OL de Clemson). Capitalizando o extraordinário jogo de Winston, estiveram os seus receivers. Nick O’Leary obteve 161 jardas recebidas e Rashad Greene conseguiu 146, com dois TDs. E agora? Bem, agora Florida State tem que ser levada a sério. Não pela vitória, que por acaso foi a melhor da temporada. Mas pela forma como foi obtida, num domínio inesperado. Temos pretendente.
- Já não há muito para escrever sobre Alabama. É um rolo compressor, dominador e temível, massacrando adversários e dando a sensação de candidato permanente e imutável. Isso é mau para a competição, mas mostra a inegável qualidade de Nick Saban, capaz de resistir a sangrias anuais dos seus atletas rumo à NFL e, mesmo assim, manter o patamar competitivo elevado. Contra Arkansas o resultado de 52-0 fala por si só. Quem se destaca, num caso destes? A defesa, que não permitiu veleidade ao adversário? Ou o ataque, que deu a conhecer uma nova estrela, o sophomore running back Kenyan Drake, com o 2º jogo seguido acima das 100 jardas? A robusta vitória, no entanto, veio com um custo acrescido, dado que o safety Vinnie Sunseri se lesionou com alguma gravidade. Nada que deva tirar o sono ao head coach, que já contou com o regressado, após castigo, Ha Ha Clinton Six. Para além de ter um dos mais curiosos e excêntricos nomes no panorama futebolístico, Ha Ha tem qualidade. Acima da média.
- Já que falamos de máquinas imparáveis, Oregon merece umas linhas escritas. O 62-38 contra Washington State mostra bem o poder imenso do ataque, com Mariota a ter a companhia, neste jogo, de Byron Marshall. O running back foi impressionante, com 191 jardas no solo, 52 recebidas e um total de 3 TDs. Tudo parece afinado, quer no solo, quer no jogo aéreo, mas falta algo. Uma vitória importante, de forma a reivindicar um estatuto que tem escapado aos Ducks. Ela pode surgir, quando defrontarem Stanford. Até lá, os massacres irão continuar. Neste jogo, nota de destaque para algo que considero inédito. Connor Holliday, quarterback de Washington State, na ausência de alternativas no jogo corrido, lançou 89 vezes. 89! Conseguiu 557 jardas, mas a previsibilidade do jogo levou a que Oregon se preocupasse unicamente com os lançamentos, enchendo o campo de defensive backs. Resultado? Holliday até conseguiu passar para 4 TDs, mantendo a equipa na corrida pelo jogo, mas foi interceptado igual número de vezes. Há dias assim…
- Como sempre, com dezenas de jogos, existem exibições memoráveis. Umas mais do que outras, é certo, mas que demonstram a capacidade regeneradora do College, fabricando atletas de eleição, um após outro, numa fábrica com certificação de qualidade. Aqui ficam algumas, espantosas:
- Stephen Morris, QB de Miami. Atleta notável, com boa progressão na sua carreira, tem sido um dos rostos do ressurgimento dos Hurricanes, que procuram recuperar das sanções que, mais do que limitarem o crescimento da equipa, a amputou de ambição. Ainda invicta, Miami teve um duro teste on the road contra North Carolina. Surpreendentemente, num jogo decidido por 27-23, Morris desequilibrou…para o lado do adversário, no jogo mais aziago da sua ainda curta carreira. 19/35 em passe, 322 jardas e 4 intercepções, numa exibição desastrada;
- Brendon Kay, QB de Cincinnati. Kay parece pertencer, por mérito próprio, à recente linhagem de bons quarterbacks fabricados pelos Bearcats. Depois de Tony Pike, com passagem fugaz pela NFL, e de Zach Colaroos, actualmente na CFL, nos Toronto Argonauts, Kay tem sido o digno sucessor desse duo, estando num estágio de maturação evidente na sua carreira. Contra Connecticut chegou às 300 jardas passadas, a que juntou 4 mortíferos passes para TD. Nada mau para quem está no seu ano senior e tem que demonstrar evolução e qualidade aos inúmeros scouts da NFL;
- Jeremy Gallon, WR de Michigan. Que noite, meus senhores. Que noite! Gallon, no seu ano senior, realizou o jogo de uma vida. Não fez o máximo pessoal. Apenas. Realizou uma das mais espantosas performances de um receiver, no College. 14 recepções, obscenas 359 jardas e 2 TDs.
- Quem acompanha de forma fiel e regular o College não é estranho ao nome de Jordan Lynch. Ele é quarterback e lidera a equipa de Northern Illinois, uma modesta universidade que, em 2012, conseguiu atingir uma das Bowls mais importantes. No duelo contra Central Michigan, Lynch esteve modesto no passe, com 20/30, 155 jardas, um TD e uma INT. Mas Lynch é um daqueles atletas, de forte compleição física, que se torna uma ameaça quando corre. E ele fê-lo, como se não houvesse amanhã. Correu 32 vezes (reafirmo, ele é QB), colheu 316 jardas (número impressionante e que estabelece o novo máximo para um QB) e marcou por 3 vezes.
Top Plays de Sábado
Enjoy. E atenção à jogada nº 3, candidata a catch do ano.
http://espn.go.com/video/clip?id=9853124&categoryid=2378529






