Minnesota Vikings Report: As Vitórias Morais Não Contam!

Paulo Pereira 13 de Dezembro de 2015 Análise Jogos NFL, NFC North, NFL Comentários Desligados
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As Vitórias Morais Não Contam!

Dei por mim sentado em frente ao ecrã do computador. É. O modernismo tomou conta do espírito de Natal. Antes, rabiscava-se num qualquer pedaço de papel os desejos para a noite mágica, ansiando pelas 12 badaladas para se perceber se o senhor de barbas brancas nos tinha presenteado com aquilo que mais desejávamos. Sim, foi um choque quando descobri que o gordo barbudo, de ar ternurento mas algo manhoso, não existia. Mas nem assim perdi o vício compulsivo de, entrado em Dezembro, começar a elaborar a lista do que mais queria. O que querem? Sou uma criança, eternamente encerrada num corpo de adulto.  Fast-forward para não vos maçar com uma história que não interessa a ninguém. Abri uma folha de word e comecei, por ordem de preferência, o que mais queria para este Natal:
a) A Jessica Alba. De bikini. Ou sem ele. Não sou esquisito;
b) A Charlize Theron, caso a Alba esteja ocupada. Se esta vier, pode ser vestida de Mãe Natal. Fetiches de gajo com 44 anos;
c) Um novo tablet. De topo. Preferencialmente, de gamming puro;
d) Um drone. Máquina fotográfica de [semi] topo já tenho. Só falta o zénite do voyeurismo. Ia ser um gajo feliz com aquela maquineta, sobrevoando os ares, fotografando lugares inacessíveis;
e) Super Bowl Gold. O novo album [de babar] da Sports Illustrated, profusamente ilustrado, com fotos e artigos, relembrando as finais todas, até à data. E sim, estão lá as quatro perdidas pelos Vikings.

Acabado o árduo trabalho de passar, para palavras, os desejos latentes, recostei-me na cadeira, analisando o resultado. Se isto fosse à antiga, numa máquina de escrever, teria arrancado a folha de forma intempestiva, e atirado a mesma para o lixo. Amarfanhada, claro. Assim, nos tempos de hoje, limitei-me a seleccionar tudo e a carregar, sem segundos pensamentos, no botão delete. No imenso espaço em branco, com o cursor a pulsar, escrevi a minha mais profunda aspiração:
QUERO QUE OS VIKINGS GANHEM EM ARIZONA. SE ESTIVERES BEM DISPOSTO, JÁ AGORA, QUE VENÇAM OS PACKERS, NA ÚLTIMA JORNADA.
E pronto. Despi a alma, libertei-me das vontades supérfluas, para escolher a única coisa que importava, nesta quadra. Isto. Um triunfo no deserto, levando a equipa a um 9-4, mantendo-a na luta pela NFC North e a garantir, quase automaticamente, um lugar entre os eleitos que jogarão nos playoffs.

O Pai Natal não existe. Ou, se existe, é um velho rezingão, bêbado, com um sentido de humor perverso. Quase que o consigo visualizar, barbas desgrenhadas, sentado na sua cadeira predilecta, rindo-se alarvemente ao ler o meu email, enquanto coçava a farta cabeleira. A voz tonitruante, rompendo o silêncio do Ártico, rindo guturalmente. Deve-se ter cuidado com o que se deseja, não é o que dizem?
Não recebi, antecipadamente, o que pretendia. Em sua vez, 60 minutos de suspense, empolgamento, culminados de forma cruel, dramática, estilhaçando  o coração. Os Vikings, debilitados na defesa, a contas com lesões em jogadores nucleares, foram bravos. E briosos. Depois de um dos mais horríveis jogos que disputaram, nos últimos anos, contra os Seahawks, a equipa soube reagir, realizando uma exibição plena de confiança, com qualidade no ataque, criativa no plano de jogo, colocando inúmeros e inesperados problemas aos Cardinals, uma das melhores equipas da prova. E, quando o coração bombeava o sangue, a alta velocidade, com o nervosismo e ansiedade a consumirem as últimas reservas de civilidade, veio o golpe. Duro. Brutal.

Um fumble, nos derradeiros instantes, quando o prolongamento parecia já por si um castigo demasiado pesado. Foi um murro no estômago, que me deixou à beira do nocaute moral. Seria fácil descarregar a bílis na equipa. Nos jogadores. Na equipa técnica. Mas isso seria apenas o reflexo da amargura, da frustração. Como punir um conjunto que, no meio das fraquezas, soube encontrar uma forma de ser competitivo? Como criticar quem, durante 59 minutos e 55 segundos, me manteve esperançado, crente, confiante?
Eu. Os fãs. A equipa. Abanamos? Sim. Mas não caímos. Ainda. Faltam 3 jogos. Derradeiros, intensos, imprevisíveis. Se disputados com a mesma intensidade posta neste confronto, independentemente do resultado final, apenas poderemos, quem venera o purple & gold, aplaudir o esforço. De pé. Porque os heróis, quando deixam a pele em campo, merecem uma standing ovation.

Os Melhores Purple & Gold

Teddy Bridgewater: Adoro o ar cool do miúdo, mesmo quando é punido vezes sem conta pelos defensores contrários. Mantêm-se imperturbável, como se levar 5 sacks, sentir o corpo dorido, os ossos a gritarem de dor, os tendões retorcidos, fosse apenas mais um dia no escritório. Teddy não tem tido vida fácil, neste 2º ano em Minnesota. A sua guarda pretoriana, aquela que o deveria proteger, como se fosse o bem mais precioso à face da terra, tem claudicado. E muito, deixando-o indefeso, à mercê de predadores. Pode parecer irónico louvar o quarterback, quando o que fica a passar na mente, em loop contínuo, é a última jogada. Teddy não poderia sofrer aquele strip sack. Mas entende-se a necessidade de esticar, um pouco mais, a jogada. Os Vikings estavam em field goal range, mas isso apenas nos colocaria no prolongamento, sem garantia de qualquer vitória. Teddy perscrutou o campo, à procura de um alvo. Demorou um segundo a mais, tempo que o veterano Dwight Freeney aproveitou para ultrapassar a resistência da OL e conseguir um fumble. Acontece. Antes disso, no resto do jogo, Teddy foi o franchise quarterback desejado. Sereno, equilibrado no pocket, lendo as jogadas. Libertou-se. Finalmente. Usando vezes sem conta a play action, passou como nunca, na sua carreira profissional. 25 em 36, para um máximo de carreira de 335 jardas e um touchdown. Teve alguns lançamentos primorosos, mas nenhum melhor do que o laser para MyCole Pruitt, de 30 jardas, encontrado o rookie tight end para um grande ganho.

Adrian Peterson:  Às vezes, sinto pena de All Day. A sério. Não uma piedade que lamente o infortúnio da vida dele, mas uma que apenas lhe deseja o melhor, para a sua carreira. Ele merecia sair da NFL e, um dia, orgulhosamente, poder exibir um anel de campeão. Não será esta a mais alta forma de altruísmo de um fã, desejar que o seu atleta preferido ganhe um Super Bowl, mesmo que com outras cores? Os Vikings estão no bom caminho. Uma equipa pejada de juventude talentosa, em crescendo, que poderá, se continuar a dar os passos correctos, ser uma força na NFC, a médio prazo. Mas aí, pressinto, será tarde para o running back. Peterson está naquele momento definidor da sua carreira. Confiante, pujante, ávido. Não conseguiu, frente aos Cardinals, números de abrir a boca. Foram 70 jardas no solo, um pecúlio que não abre bocas de espanto. Mas todas elas foram elusivas, intensas, corridas com abnegação. Foi instrumental no início do jogo, mantendo a equipa na corrida e fazendo as drives fluírem. Marcou um TD, o seu 100º na NFL e sacrificou-se, como só os grandes sabem fazer, pela equipa. Mais do que a corrida para o touchdown, o mais impressionante foi vê-lo a participar, como blocker, usando a sua força para impedir os pass rushers de atingirem Teddy.

Rhett Ellison:  Ele não é um tight end talhado para grandes recepções ou contributos assinaláveis no jogo de passe. É um soldado, daqueles anónimos, que lutam arduamente nas trincheiras. Faz o serviço a que ninguém liga, usando a sua estampa física para auxiliar a OL, como pass protector ou run blocker. É um perito nisso, um mestre nos confrontos individuais. Mas, de vez em quando, empolga. Como na sua única recepção no jogo, transformando um screen pass num ganho de 41 jardas. Pareceu, naquela jogada, uma locomotiva desgovernada, atropelando tudo à frente. Grande momento, galvanizante! 

Dannielle Hunter:  Tem nome de miúda, mas joga como um guerreiro. O rookie defensive end tem vindo, aos poucos, a reivindicar protagonismo. Usado de forma comedida, tem aproveitado os poucos snaps para marcar território, mostrando ter skills interessantes. Numa noite em que a defesa mais parecia uma enfermaria, em tempos de guerra, com inúmeras baixas, suportou um papel mais activo, adicionando um sack e uma série de disrupções que mantiveram Carson Palmer intranquilo.

Anthony Harris:  Foi o next man up na equipa e, por isso, merece a devida vénia. Sem Harrison Smith, Andrew Sendejo ou Antone Exum, Zimmer recorreu à practice squad e meteu Harris a titular. A titular, contra um dos ataques mais explosivos da competição. Tinha tudo para correr mal, um daqueles pesadelos que marcam uma carreira. Harris não se intimidou com o desafio, mostrando enorme disponibilidade e participando activamente em todas as fases do jogo. Não comprometeu, pode bem ser o maior elogio que já lhe fizeram.

Os Piores Purple & Gold

Trae Waynes:  Os cornerbacks são como os melões. Só depois de abertos percebemos se fizemos uma boa compra. Waynes tem sido uma desilusão e isto até é um eufemismo para quem, escolhido na 1ª ronda do draft de 2015, tem sido relegado para meras intervenções no special team. Nesta altura apenas nos resta sonhar com uma realidade alternativa, uma que nos levasse a essa noite de glamour, na eleição dos jovens vindos do college, e que, na altura da escolha dos Vikings, o nome mencionado aos microfones por Roger Goodell, fosse o de…Marcus Peters. É doloroso saber que Peters, escolhido depois de Waynes, vinga todas as semanas nos Chiefs, transformado em playmaker semanal, enquanto nós continuamos deficitários na secundária. A forma como Waynes foi batido por Michael Floyd, no 2º TD dos Cardinals, é de um amadorismo confrangedor.

Matt Kalil:   Em 2012 parecia fadado ao sucesso, um lef tackle soberbo, que apenas precisava de melhorar como run blocker. Depois, vieram as lesões. Várias. Seguidas. O crescimento esperado abrandou. As exibições foram vítimas da irregularidade. Kalil começou a parecer perdido dentro de campo, uma inutilidade grande e gorda. Ele desmoronou psicologicamente, parecendo um náufrago agarrado desesperadamente a uma boia. As convulsões na OL não o ajudaram, fazendo-o perder a pouca autoconfiança. A equipa nunca desistiu dele, dando-lhe uma e outra oportunidade. Lenta, mas paulatinamente, Kalil começou a reerguer-se. Para trás, doi anos horríveis, duas aberrações estatísticas que se pretendiam fazer parte de um passado esquecido. 2015, não sendo primoroso, até à data, mostrou um Kalil mas batalhador. Mas aquele último lance vai persegui-lo. A ele e a mim. Teddy procurav desesperadamente um alvo, na end zone, a quem lançar abola para a vitória. Kalil lutava contra Dwight Freeney. O veterano come jogadores como Kalil, ao pequeno-almoço. Um spin move, uma ultrapassagem do obstáculo, e ei-lo à caça do quarterback, sem ninguém para o suster. Kalil ainda procurou reagir, mas foi lento. Como quase sempre. A mão de Freeney [apenas mais uma belíssima aquisição d Steve Keim, um dos melhores general managers do ramo] tocou no braço de Teddy  provocou o fumble. The end. Continuo resignado à minha sorte de adepto sofredor. E continuo a sonhar com uma linha ofensiva como a dos Cowboys, por exemplo. Não me acordem nos próximos minutos, por favor.

O Freguês que se Segue

Minnesota. Jogo decisivo. Contra os Bears. Não é preciso escrever mais nada, certo? Não é um jogo de vida ou de morte. É mais do que isso. É um confronto de intensa rivalidade. Uma partida que nos pode, em caso de vitória, colocar a salvo de surpresas de última hora, garantindo praticamente a 6ª seed na NFC. Já os vencemos, na cidade ventosa. Mas estes Bears são resilientes. Mais do que o próprio recorde demonstra. Sim, são limitados em termos de talento no roster, mas têm um dos melhores staffs técnicos da competição. Adam Gase é um guru ofensivo, capaz de colocar Jay Cutler nos trilhos certos. Vic Fangio é a sua contraparte, no lado defensivo. Não são esperadas facilidades. Matt Forte está de volta. Alshon Jeffery adora estraçalhar a nossa secundária. Na defesa, Willie Young é um underrated pass rusher, alguém que consegue, de forma regular, colocar pressão sobre as linhas ofensivas contrárias. E a nossa, habitualmente a viver no arame, vítima da mediania geral, será confrontada com pressão. Imensa, vinda de Pernell McPhee ou Jarvis Jenkins. A secundária, com Tracy Porter a atravessar um bom momento, conta ainda com a experiência de Antrel Rolle. Em suma, será uma batalha. Não de proporções bíblicas, mas desagradável, rancorosa, extremada. São assim os jogos divisionais. E, quando num deles o resultado interessa tanto, esperem por um aumento exponencial da testosterona.

Só se pode vencer. Ou vencer.

Artigo publicado originalmente na página de Facebook Minnesota Vikings Portugal

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.

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