WildCard Weekend: Pittsburgh Steelers vs Cincinnati Bengals

Paulo Pereira 13 de Janeiro de 2016 Análise Jogos NFL, NFL Comentários Desligados
Pittsburgh Steelers vs Cincinnati Bengals

WildCard Weekend: Pittsburgh Steelers vs Cincinnati Bengals

Wild Card Weekend não seria o mesmo sem a parte do wild, certo? Os Bengals, no confronto recheado de rivalidade com os Steelers, levaram o termo selvagem bem a peito. Tanto, que deitaram tudo a perder, averbando nova derrota nos playoffs, a 7ª consecutiva na era Marvin Lewis.

O encontro teve, como quase tantos, histórias e estórias para contar, num daqueles habituais espectáculos de emoção, drama e suspense que fazem a competição ter um aspecto hollywoodesco. O matchup entre dois rivais de divisão que se detestam augurava um jogo intenso, duro, quezilento, onde o bad blood poderia fluir, relembrando confrontos anteriores entre estes mesmos Steelers e os Ravens, outra franquia repleta de meninos do coro.

Pese os Bengals terem vencido a divisão e jogarem em casa, com o conforto e amparo do seu público, os 3 primeiros períodos do encontro foram controlados inequivocamente pela equipa de Pittsburgh, que entrou nos derradeiros 15 minutos finais do encontro a vencer por 15-0. O jogo estava enérgico, com o tempo inclemente a conferir ainda uma maior dose de dramatismo. As defesas sobressaiam, punindo os jogadores atacantes, várias vezes para além do limite legal, como atestam as 11 penalidades e as 104 jardas de punição totais…apenas na primeira parte.
Se se interessam pela competição, sabem que os Steelers prevaleceram, por 18-16, num jogo que será recordado pelos minutos finais…e não por bons motivos. Porquê?

Cronologicamente, será sempre difícil definir onde tudo começou. Se é que começou com o apito inicial. O que sei é que os Bengals tiveram o pássaro na mão…e deixaram-no fugir, numa sequência grotesca de erros primários, estupidez natural, raiva incontrolada, tornando Vontaze Burfict o herói e vilão do encontro, num espasmo de segundos. Talvez se possa traçar virtualmente uma linha na areia, uma espécie de antes e depois. Sim, já sabemos que os jogadores/público/staff técnico não morrem de amores, uns pelos outros. Essa crispação era visível e deu início à primeira altercação do jogo. Mike Munchak, o coordenador da linha ofensiva de Pittsburgh, abriu as hostilidades, ao ser punido com uma flag – e consequentes 15 jardas – após ter atingido, já na sideline, o safety Reggie Nelson. O incidente parecia não ter tido grande repercussão até que…

Um dos momentos do jogo. Os Bengals endossaram a bola a Giovani Bernard. Este foi atingido brutalmente por Ryan Shazier, que puniu o running back com um tackle vicioso, embatendo com o topo do seu capacete no de Bernard, provocando-lhe um fumble, recuperado pelos Steelers. O hit, visivelmente ilegal, foi benevolentemente tratado pela equipa de arbitragem. Incompreensivelmente, o critério arbitral, que tinha punido – e bem – o safety Shawn Williams por um hit em Markus Wheaton, na 1ª parte, considerando o receiver dos Steelers um defenseless player, deixou passar em claro a jogada, que levou à saída de cena de Bernard, com uma concussão. Compreensivelmente, mas não justificadamente, os ânimos, já de si em turbilhão, ficaram ainda mais efervescentes. E o caldo ficou entornado.

Jogador emocional, um daqueles que vive com o coração bem perto da boca, Burfict procurou logo de imediato reivindicar justiça para o lance. Como? Aproveitando o sack que conseguiu sobre Ben Roethlisberger, o linebacker dos Bengals mimoseou o grandalhão quarterback com uma joelhada, propositada e indigna, no ombro, levando Roethlisberger a abandonar temporariamente o jogo. Com o jogo em polvorosa, o público resolveu presentear, quem assistia no conforto do lar, com um habitual comportamento de massas estupidificadas, atirando tudo o que tinham à mão para cima de Big Ben, enquanto este era levado de maca, para a zona lateral. Naquele momento, aquilo apenas se assemelhava vagamente a um jogo de futebol americano, com o palco tomado por uma violência já não latente. A ausência de Roethlisberger equilibrou a contenda, com os Bengals a produzirem dois touchdowns, um por Jeremy Hill, numa curta corrida de 1 jarda, e o outro na habitual catch elegante de AJ Green. Mesmo falhando a tentativa de conversão de 2 pontos, Cinccinati parecia que ia colocar um ponto final na sua seca de vitórias na postseason, que durava desde 1990. A vencer, por 16-15, a menos de dois minutos do final, o triunfo estava seguro. Aparentemente.

Landry Jones, o backup de Roethlisberger, era visivelmente um jogador pouco confiante, em qualquer uma das suas acções. E isso notou-se quando, forçando um lançamento, já pressionado pelo cronómetro, foi interceptado por…Burfict. O linebacker foi um monstro omnipresente, ao longo de todo o jogo e, comemorando o lance que se pensava ser um dos últimos do encontro, liderou um comboio de jogadores, efusivamente correndo para a zona dos balneários. Mas, como qualquer fã casual da NFL sabe, os jogos só terminam…no final. A expansividade dos atletas dos Bengals teve contraste do lado contrário. Com um punhado de descontos de tempo e 1:47 no relógio, os Steelers sabiam que ainda podiam ter uma chance, mesmo com a óptima posição de campo que os Bengals herdaram da intercepção, em field goal range. Mas, inexplicavelmente, os Bengals claudicaram, numa sucessão de erros quase inacreditáveis. Primeiro, Jeremy Hill. Quando se pedia que o running back segurasse a bola, como forma de obrigar o adversário a gastar os timeouts para parar o cronómetro, Hill teve um fumble, novamente forçado por Ryan Shazier (o linebacker dos Steelers foi instrumental no triunfo, com uma exibição portentosa) e recuperado pelo cornerback Ross Cockrell. Bastaria aos Bengals abortarem cada um dos seus downs, colocando um joelho no chão, forçando o uso dos referidos descontos de tempo e marcando, depois, o field goal, para colocar o resultado em 4 pontos de diferença e pressionando, na posse de bola seguinte, os Steelers a jogarem sob stress. Mas, não fazendo isso, os Bengals abriram uma pequenina janela de oportunidade para o rival vencer o encontro. Ben Roethlisberger, debilitado, entrou para a os instantes finais, aumentando o climax e prendendo todos aos acontecimentos seguintes. O quarterback, incomodado pela lesão no ombro, completou mesmo assim passes para Fitz Toussaint, Martavis Bryant e Antonio Brown, colocando os Steelers na linha de 47 jardas dos Berngals. A 22 segundos do fim. Demasiado longe para um field goal, mas ainda com algumas balas para gastar, Roethlisberger procurou, de seguida, o seu alvo mais fiável, lançando para o centro de campo, à procura de Antonio Brown. O passe foi incompleto, mas a jogada não morreu ali. Burfict, corpo impulsionado pela corrida, acerta visivelmente em Brown, com o capacete, já muito depois da bola ter passado. O hit brutal deixou o receiver dos Steelers caído no relvado, pretensamente inanimado. A unnecessary roughness deu 15 jardas preciosas aos Steelers…e destemperou o que ainda restava de sanidade. Com Brown caído no solo, Joey Porter, treinador dos linebackers dos Steelers, entrou em campo, atraindo a ira de vários jogadores dos Bengals. O mais vocal foi Adam Jones que, confrontando os árbitros face à presença (não permitida) de Porter em campo, foi punido com nova flag. E mais 15 jardas. Num abrir e fechar de olhos, os Steelers passaram das 47 para as 17 jardas, tornando o field goal de Chris Boswell redutor, tamanha a facilidade. O pontapé, de 35 jardas, deu o triunfo à franquia de Pittsburgh, mas levantou uma série de questões e alguma indignação face à arbitragem.

Se é um facto que os juízes erraram (no 1º forced fumble provocado por Shazier e na não punição a Joey Porter pela entrada intempestiva em campo), o que ressalta para o público foi o destempero, atitude de thugs e a falta de disciplina da [excelente] equipa dos Bengals. E isso é inqualificável. Num jogo que deveria ser recordado pela estreia nos playoffs de McCarron, pelo regresso doloroso de Big Ben, mesmo lesionado, pela excelência do jogo corrido dos Steelers, com 167 jardas a cargo de dois perfeitos desconhecidos (Jordan Todman e Fitzgerald Toussaint), ou pelas impressivas exibições de Shazier ou Burfict, a perda de compostura dos dois lados tornou-o uma espécie de material tóxico. Um daqueles para colocar de lado e fugir a sete pés.

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.

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