College Football 2015: Week 6

Paulo Pereira 12 de Outubro de 2015 Análise Jogos College, College Comments
Oklahoma Sooners vs Texas Longhorns

College Football 2015: Week 6

Oh, well, just another day! Semana a semana, os Sábados são recebidos com empolgamento, cá por casa. É aquela altura da semana em que o College começa a sua procissão de suspense, grandes jogadas, momentos inolvidáveis e, invariavelmente, com uma grande surpresa pelo meio. E houve uma, gigantesca, que pode representar um marco para o futuro. Se ainda não adivinharam, falo da derrota dos Sooners às mãos dos Longhorns, naquilo que à partida parecia um confronto desequilibrado. Mas já lá vamos, falar desse escaldante Oklahoma versus Texas. Antes, vamos lá dissecar alguns momentos importantes, na jornada 6:

  • Muito se tem falado dos méritos – ou falta deles – de Ohio State. Os seus detractores apontam o dedo ao calendário fácil, à ausência de uma vitória contundente, às dificuldades existentes, quase todos os encontros, para conseguirem extrair o triunfo. São verdades. Meias-verdades. Logicamente que a concorrência que os Buckeyes enfrentaram, até agora, não se equivale à que qualquer equipa da SEC West é obrigada a encarar, quase semanalmente. Mas os actuais campeões em título, mesmo longe do fulgor do ano passado, têm feito pela vida, frente a adversários bons, mas não grandiosos. Foi o caso de Virginia Tech, na week 1, de Maryland, este fim-de-semana. E será assim, nos próximos tempos, com jogos contra Penn State, Michigan State e Michigan. E, para o que importa, Urban Meyer tem um roster pejado de talento e qualidade insuspeita. Contra Maryland, mesmo que a defesa tenha titubeado algumas vezes, o ataque demonstrou ter um número apreciável de playmakers. Ainda não foi o jogo supremo de Cardale Jones, mas o quarterback conseguiu, desta feita, evitar os turnovers, liderando a equipa para o triunfo por 49-28. A vitória mostrou que existe um equilíbrio quase perfeito entre o passe e a corrida. No passe, Braxton Miller tornou a aparecer, marcando um TD, mas revelando acima de tudo aquela capacidade de explosão que ainda não foi totalmente explorada. Com ele e Michael Thomas, a equipa tem uma dimensão extra pelo ar, contrabalançada por Ezekiel Elliott no solo. Numa altura em que os cabeçalhos na posição de running back são roubados por Leonard Fournette, Elliott continua a corresponder solidamente. Ele, que foi instrumental nos playoffs de 2014, já leva 800 jardas corridas e 10 touchdowns. Mas, se tivéssemos que apontar uma estrela no encontro, provavelmente o prémio iria para JT Barrett. O quarterback, que foi destronado da titularidade por Cardale Jones, continua a revelar-se demasiado precioso para ficar no banco. Meyer sabe disso, e sabe igualmente usar aquela capacidade dual-threat como ninguém. Barrett fez companhia a Elliott, no jogo corrido, onde amealhou 62 jardas em 12 corridas, marcando por 3 vezes. Os Buckeyes, independentemente dos haters, continuam solidamente à procura de novo título.
  • Já que comecei a falar de candidatos, que tal TCU? A universidade não pode, nesta altura, apanhar ninguém de surpresa. Já tinham avisado no ano passado qual o valor que possuíam, tendo namorado com os playoffs quase até final da competição. E, em 2015, TCU continua a querer mais do que abrir apenas algumas bocas de espanto. Para já, pese toda a qualidade que possuem, são suportados numa estrela com caminho ascendente. Trevone Boykin é fantástico, um daqueles raros jogadores que consegue levar a equipa às costas, resgatando-a de situações complicadas. TCU sobreviveu, na semana passada, a Texas Tech, vencendo de forma quase fortuita. Este fim-de-semana, em novo teste difícil fora de portas, amealhou nova vitória, por 52-45, contra Kansas State. Sim, foi um jogo equilibrado. Sim, podia ter acontecido um upset. E sim, TCU sofreu a bom sofrer. Mas, quando se tem um lote de jogadores de qualidade inegável, a equipa está sempre mais perto de vencer do perder. Com o jogo na linha, naquela altura em que o cronómetro se transforma no derradeiro obstáculo, Boykin emergiu. Ele, que até então tinha misturado os grandes momentos com alguns erros (2 intercepções e 1 touchdown no solo), encontrou uma nesga de espaço. Foi o suficiente. A 6 minutos do fim, com o jogo empatado, o quarterback tem uma jogada soberba, correndo 69 jardas para um TD. Kansas ripostou e empatou. Nada disso abalou a férrea convicção de TCU. Novamente Boykin, desta feita no passe, encontrando a sua arma de destruição maciça preferida. Josh Doctson foi a outra parte num touchdown de 55 jardas, a 1 minuto do final. Depois, na tentativa desesperada de comeback de Kansas, a defesa resolveu dizer presente. Porque também há playmaker do outro lado da bola, como o linebacker freshman Montrez Wilson, que forçou o fumble que encerrou a contenda. Sim, TCU é para valer e podem contar com eles. Mais do que destacar individualmente alguém, no jogo, ficam as stats do último período, quando o “monstro” despertou. 17 jogadas, 203 jardas, 3 touchdowns, 11 jardas de média por jogada e 16 pontos de deficit recuperados. Chega?
  • Um dos jogos mais interessantes da jornada aconteceu em Utah, colocando frente-a-frente duas revelações da prova, até então invictas. Num confronto da conferência PAC-12, Utah e Cal deram motivos para o espectador se manter fielmente sentado em frente da TV. Utah é reconhecida por ter uma defesa dura, agressiva, uma das melhores da nação. Jared Goff, o mais badalado quarterback do momento, sentiu isso mesmo na pele, lançando pela primeira vez na sua carreira 5 intercepções. Os Utes, com um roster repleto de jogadores vindos da Polinésia, terra do haka e afins, não escondem de ninguém os seus predicados. A defesa, já falada, que raramente permite grandes números aos adversários, e o jogo corrido, habitualmente contrabalançado por um quarterback sereno. Contra Cal, Travis Wilson esteve longe do seu melhor, apenas com 170 jardas no passe e 2 INTs. Mas, sem jogo aéreo, Devontae Booker resolveu os problemas. O running back já merece algum reconhecimento nacional. Voltou a passar a barreira das 200 jardas (222, em 34 corridas, com 2 TDs), mostrando valor fora do backfield (4 recepções para 45 jardas). Utah é agora a única equipa sem derrotas, na PAC 12, mas sendo ainda prematuro dizer que vencerão a conferência, merecem pelo menos que os próximos jogos (Arizona State e USC) tenham outro tipo de atenção dos media.
  • Território de excelência. É aquilo em que entramos quando falamos de Leonard Fournette. O running back de LSU é um prodígio, um jogador fenomenal, um daqueles que aparece uma vez, em cada década. Exagero? Não. Não nesta fase e com os indicadores que possuímos. Fournette não era um desconhecido quando foi recrutado por LSU. Era já um novo emergente, um prospect de 5 estrelas afamado, vindo do high school. Só que não se esperava um impacto assim, tão grande. No seu ano freshman Fournette foi excelente. Agora, apenas no seu 2º ano no college, elevou a fasquia, de forma impressionante. Contra South Carolina ultrapassou as 1000 jardas, em apenas 5 jogos, sendo apenas o 5º jogador na história da competição a obter tal feito. Atrevo-me a dizer que Fournette é o melhor running back que o College vê, depois de Adrian Peterson, nos últimos 10 anos. Contra South Carolina, voltou a fazer o habitual número de prestidigitação, num touchdown intocado de 81 jardas. É sempre um prazer vê-lo jogar. E os Tigers podem sustentar uma candidatura ao título suportada, grandemente, nele. Chegará? Os próximos jogos ajudarão a responder a essa questão…
  • E o que dizer dos Wolverines? Jim Harbaugh chegou…e colocou Michigan relevante, quando ninguém exigiria isso ao antigo treinador dos 49ers, logo no seu 1º ano. Muito do sucesso no competitivo mundo universitário é feito pela qualidade no recrutamento, e Harbaugh não teve ainda possibilidade de começar a criar as fundações para o regresso à notoriedade do programa futebolístico. Iniciar o ano com uma derrota, em Utah, parecia apenas o sinal de que os Wolverines teriam imensas dores de crescimento, neste ano 1. Mas, desde esse encontro, Michigan tem estado imparável, mostrando alguns dos predicados tão do agrado do técnico, sobretudo a nível defensivo, com a universidade a ser uma das melhores da prova, nesse quesito. Aguardava-se com expectativa o embate frente a Northwestern, ainda invicta, também ela uma perita em termos defensivos e ranqueada no 13º lugar. Michigan venceu. Concludentemente. 38-0, num shutout que estava fora das previsões gerais e que representa a 3ª vez consecutiva que mantêm os adversários a zeros (BYU, Maryland e agora Northwestern). Os Wolverines terão já no próximo sábado a principal prova de fogo do ano, quando defrontarem Michigan State, actualmente nº 4 no ranking. Já que se destaca o óptimo trabalho efectuado por Harbaugh em Michigan, o mesmo deve ser feito para Jim McElwain, o treinador de 1º ano dos Gators. Florida continua invicta e tem agora nas mãos a zona este da SEC, com duas vitórias de avanço do favorito da offseason, Georgia. Depois de terem batido no fundo, no reinado de Will Muschamp, os Gators voltam a ser relevantes e podem, pasme-se, disputar a final de conferência.
  • Uma das conferências que merece uma olhadela casual – ou mais do que isso – é a American (AAC), onde uma série de equipas teima em desafiar a lógica. É o caso de Temple, Memphis e Houston. Estes últimos, ainda invictos, apresentam garantias de bom espectáculo, com Tom Herman, o head coach, a instalar um programa similar ao de Ohio State. Compreende-se. Herman, que já passou por vários locais, foi convidado por Urban Meyer para ser o coordenador ofensivo e o treinador de quarterbacks dos Buckeyes. Até surgir este convite. Um novo desafio é aliciante e representa, quase sempre, um estímulo para criar algo de novo no programa futebolístico. Herman tem instalado, com sucesso, o ataque dual-threat que era a imagem de marca dos Buckeyes, com Braxton Miller. Não existindo Miller em Houston, trata-se de arranjar um espécime igual. O Braxton Miller dos Cougars chama-se Greg Ward Jr. e era um receiver. Ainda em estado cru, Ward tem dado nas vistas, quer no passe, quer essencialmente com os pés. Esta semana, contra SMU, fora de portas, foi mais do mesmo. Um show particular de Ward, quase perfeito no quesito do passe (16 em 18, 243 jardas), e mortífero na corrida. Foram 14, para 82 jardas e 4 touchdowns, que resolveram o encontro (resultado final favorável de 49-28).
  • Um dos resultados surpreendentes – ou talvez não – foi a nova derrota de USC, desta feita em casa, perante Washington, naquilo que representou uma dose suprema de ironia. É que o treinador dos Trojans, Steve Sarkisian, era o antigo treinador de Washington, abandonando os Huskies para aceitar o nobre convite de orientar um dos programas futebolísticos mais famosos da América. Mas a fama não tem encontrado eco nos resultados, desde que Pete Carroll abandonou a universidade e esta, depois submersa em castigos da NCAA, ter mergulhado no caos. Esperava-se bem mais de Sarkisian, neste seu 2º ano na equipa. Mas os Trojans acumulam desaires, sobretudo nos jogos a “doer”, contra equipas da mesma conferência. Esta derrota é a 5ª na era Sarkisian, na PAC-12 e pode representar o fim da relação profissional entre treinador e equipa. Perder 17-12 em casa é mau. Sempre. Mas fazê-lo perante uns Huskies que tinham um freshman como quarterback (Jake Browning) e um roster que perdeu vários jogadores para a NFL, é ainda pior. A jovem defesa de Washington conseguiu suster Cody Kessler (apenas miseráveis 156 jardas passadas e 2 INTs) e, com o jogo na linha, a 3 minutos do fim, o próprio treinador ajudou à festa, numa decisão surreal. USC perdia por 17-12 (o resultado final) e enfrentava um 3-and-9. A jogada foi parada. O que fazer? Eis as opções: a) tentar um field goal de 46 jardas, confiando num kicker sem precisão (como muitos no colege) ou b) optar por uma última hipótese, e ir para um 4-and-9. Sarkisian ordenou o field goal. Falhado. E acabou o jogo, com o firts down conseguido depois pelos Huskies. Falamos de um treinador que, pese estar na cadeira de sonho de muitos, tem dado tiros consecutivos no próprio pé, como o discurso embriagado no banquete de preseason e a admissão posterior de que precisava de tratamento para corrigir o vício do álcool. Se nos lembrarmos que Lane Kiffin, o antecessor de Sarkisian no posto de treinador de USC, foi despedido em pleno parque de estacionamento do aeroporto, após uma derrota embaraçante, podemos estar a assistir aos últimos minutos de vida de Sarkisian, enquanto técnico em Los Angeles.
  • Destaque final para algumas performances notáveis. Comecemos este raide por Washington State, território profícuo para o jogo de passe. Era assim nos tempos de Connor Halliday, continua assim agora, com outro nome como quarterback. Washington State venceu Oregon, num thriller que meteu dois prolongamentos pelo meio. O herói? Luke Faulk, que lançou impressionantes 74 vezes, acertando 50 passes, para 505 jardas e 5 touchdowns. O sophomore leva já um belo rácio de 15 TDs e apenas 2 INTs. A acompanhar, futuramente. Já aqui falei, anteriormente, de Matt Johnson, que descobri num zapping de um jogo de Bowling Green. O quarterback continua a encher-me as medidas. Mais uma exibição portentosa contra Massachusetts, com um 33 em 39, 405 jardas e 5 TDs, elevando o total da época para 19-3. Finalmente, Tennessee venceu. Os Vols, que eram apontados como potenciais candidatos à SEC East, têm desiludido bastante, mas venceram Georgia, num comeback de 21 pontos. Nome grande no jogo foi Joshua Dobbs, dual-threat quarterback, com 312 jardas no passe (e 3 TDs) e 118 no solo (com mais dois scores). Num roster bastante novo, este pode não ser ainda o ano dos Vols, mas a equipa tem talento e continua a demonstrá-lo, mesmo que de forma intermitente. Num jogo que se tornou já um clássico de rivalidade, Florida State voltou a vencer Miami, pelo 6º ano consecutivo. Tal como no ano passado, os Hurricanes lideravam no último período, até Dalvin Cook dar a volta ao marcador. O running back de Florida State é um potencial candidato ao Heisman, e mostra a cada semana a sua importância na equipa. Foram 22 corridas, 222 jardas e 2 touchdowns, incluindo o final, a 5 minutos do termo do encontro, que passou os Seminoles para a frente. Cook marcou ainda mais um, numa recepção, mostrando uma capacidade tremenda de quebrar tackles. Enorme coração, jogando inferiorizado por conta duma lesão na coxa.

Oklahoma Sooners, 17 @ Texas Longhorns, 24

É um jogo entre contendores históricos. É um jogo de enorme rivalidade, no imenso estado do Texas. Mas este foi um jogo diferente dos anteriores. Talvez como nenhum outro, na já longa cronologia de duelos. Porquê? Os Longhorns bateram no fundo e Charlie Strong, no seu 2º ano como head coach, parecia estar a caminho do cadafalso. Com 1-4 e o pior início de prova dos últimos 60 anos, Texas enfrentava uns Sooners revigorados, que acalentavam sonhos de atingirem os playoffs. Com Samaje Perine no jogo corrido e Sterling Shepard na unidade de receivers, mais uma defesa sólida, parecia um mero pró-forma para Oklahoma conquistar mais um triunfo e permanecer invicta. Mas o college é feito disto. De um público entusiasta, que lotou o estádio. De alma. Coração. Provavelmente, daqui a uns anos, apontaremos este jogo como o início do ressurgimento dos Longhorns. A vitória, conquistada de forma merecida, assentou no domínio da linha de scrimmage, nos dois lados da bola. A OL foi instrumental para dar a Jerron Heard, o quarterback, tempo  para este poder decidir a melhor jogada, sem pressão. A DL, por sua vez, foi asfixiante, parando totalmente o jogo corrido (Perine teve apenas 36 jardas), e conseguindo suster os estragos no jogo aéreo. Mas tudo se pode resumir a uma jogada quando o momentum do jogo parecia estar a mudar. Os Longhorns ainda lideravam, mas tinham a vantagem encurtada para apenas um score. Estavam acantonados na linha das próprias 10 jardas. Até que D’onte Foreman, running back, recebeu a bola, quebrou 3 tackles e correu para um score de 81 jardas. Foi também aqui, no jogo terrestre, que se escreveu a história do jogo. Foram 336 jardas contra apenas 67. Se este foi o highlight do ataque, a defesa também tem direito ao seu. Antes deste encontro, os Longhorns tinham 7 sacks. Em 5 jogos. Frente aos Sooners, conquistaram 6, 3 deles nos últimos 5 minutos do encontro, em jogadas decisivas. Sejam bem aparecidos, senhores Longhorns. A competição precisa de vocês!

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Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.