College Football 2015: Week 8

Paulo Pereira 26 de Outubro de 2015 Análise Jogos College, College Comentários Desligados
Tennessee vs Alabama

College Football 2015: Week 8

Semana 8 encerrada. Tinha tudo para ser um sábado aborrecido, sem grandes jogos programados e apenas um confronto entre equipas ranqueadas. Mesmo esse Ole Miss versus Texas A&M colocava frente-a-frente duas equipas vindas de derrotas. Mas há sempre algo que acontece, fora do guião programado. Como um invicto que cai. Ou deveria colocar isto no plural? São assim as jornadas do college. Plenas de emoção, imprevisíveis no resultado, sem existir uma equipa que se destaque, mostrando não ter falhas. Utah, a recente menina bonita da imprensa, claudicou no seu embate mais importante, até à data, perdendo em Los Angeles perante uns renascidos Trojans. Lá se foi a invencibilidade e a conversa de ver os Utes nos playoffs. Quem viu igualmente diminuir a janela de oportunidade de atingir esse lote restrito de 4 finalistas foram os Seminoles. Florida State perdeu…e de forma dramática. Se na semana passada tínhamos assistido aquele surrealista final entre Michigan e Michigan State, desta feita fomos também apanhados de surpresa nos derradeiros instantes do jogo entre Florida State e Georgia Tech. Apesar disso, o lote de candidatos potenciais aos playoffs começa a ganhar forma. Há vários e para todos os gostos. Baylor, TCU, Clemson, que dão a imagem refrescante de programas com um óptimo trabalho de base, capazes de subirem a pulso a hierarquia estabelecida na secular competição, desafiando os eternos nomes como Ohio State, Alabama, Stanford.

  • Um dos jogos mais interessantes da jornada aconteceu na noite de 5ª feira, colocando frente-a-frente duas equipas da PAC 12. UCLA contra Cal, naquilo que representava uma espécie de reivindicação pelo espaço geográfico. Os Bruins são um contendor ao título de conferência, enquanto Cal procura vencer estigmas e desafiar as potências da zona. A curiosidade não se limitava a isto, logicamente. Os scouts salivavam perante a perspectiva de assistir a um duelo entre Jared Goff, o quarterback de Cal, um dos mais sólidos na posição a entrar no draft de 2016, e a provável next big thing, a contraparte de UCLA, o freshman Josh Rosen. Já sabem, se não viram o jogo, que os Bruins prevaleceram por 40-24 e que, nesse aguardado duelo, Rosen venceu. O miúdo foi impressionante, liderando a equipa em várias drives, sem cometer erros. Terminou com um 34 em 47, 399 jardas e 3 passes para TD, curiosamente tantos quantos Goff conseguiu, se bem que o rating de ambos tenha sido, também, favorável a Rosen. Ah, e algo mais que merece destaque. Um kicker, no college, a meter um field goal de 60 jardas? Sim, aconteceu, colocando alguns dos kickers da NFL a corarem de vergonha. A honra é de Ka’imi Fairbairn, de UCLA.
  • Não há dia em que não fale da AAC e dos seus jogos viciantes. Temple continua invicta. Houston idem aspas. E Memphins segue-lhes as pisadas. Não são jogos. São guerras sem quartel, em que as defesas são deixadas em casa e tudo se resolve em tiroteios insanos. Paxton Lynch, quarterback de Memphins, é a nova coqueluche cá de casa. Um monstro no pocket, com os seus 6’7’’, com um braço potente, que realiza todos os lançamentos. Esta jornada, na deslocação a Tulsa, vitória por 66-42. Lynch divertiu-se, como se o campo fosse o seu recreio particular, expondo e explorando fraquezas. Um 34 em 44, 447 jardas e mais 4 passes para TD. Impressionante, mesmo que alguns continuem a desdenhar os feitos da pequena universidade. Ole Miss, se calhar, também não os levou a sério, na semana passada, com os resultados conhecidos.
  • Comecemos a dissecar os favoritos. Ohio State, campeão em título, ainda sem derrotas na nova temporada e com o vislumbre, no futuro próximo, de dois jogos transcendentes, contra Michigan e Michigan State. Até lá, falta a Urban Meyer encontrar a combinação perfeita para o posto de quarterback. Depois da experiência que foi Cardale Jones, sem efeitos práticos, no jogo fora de portas contra Rutgers foi a vez de JT Barrett ser testado, como titular. O dual-threat foi explosivo, voltando aos tempos áureos da época passada, quando soube suportar o peso de substituir Braxton Miller, então lesionado. O sophomore foi criterioso no passe, com um 14/18, para 293 jardas e 3 passes para TD, mostrando a sua real dimensão no solo onde, com a companhia de Ezekiel Elliott, dizimou a defesa adversária. Barrett conseguiu 101 jardas em apenas 13 corridas, marcando por duas vezes. Os Buckeyes deram uma ideia daqueles que, na preseason, viram neles o roster mais completo do college. A equipa tem soluções para a posição de quarterback, possui um jogo corrido ao nível dos melhores da competição (Elliott amealhou mais 142 jardas e 2 scores para o seu pecúlio) e tem Michael Thomas e Braxton Miller (este usado como uma espécie de jack of all trades) para elevarem o jogo de passe. Na defesa existe Joey Bosa, com notável exibição, um grupo excelente de linebackers e uma secundária que, liderada por Gareon Conley, soube frustrar os intentos adversários. O triunfo por 49-7 é tão mais impressionante que a equipa não cometeu uma única penalidade, ao longo de toda a partida. Grande exemplo de disciplina!
  • Tempo para o final electrizante da jornada, a versão kick-six da ACC. Lembram-se dessa jogada, apelidada de kick-six, certo? Alabama versus Auburn, uma das rivalidades mais apimentadas da NCAA, que terminou com um field goal falhado e retornado para TD, já com o tempo expirado? Pois bem, Georgia Tech, os Yellow Jackets, copiaram o feito, dando-lhe doses de dramatismo em igual. A equipa é uma das grandes desilusões da temporada, falhando os prognósticos que a viam a lutar pelos playoffs. Numa dura série de 3 derrotas consecutivas, a equipa resolveu reagir, perante o seu público, oferecendo-lhes uma vitória saborosa, face à rivalidade existente na conferência. Os Seminoles, em 9º lugar do ranking, ainda não tinham conhecido o travo amargo da derrota, acalentando expectativas de repetirem a ida aos playoffs, como no ano passado. Num jogo em que os ataques estiveram desinspirados, quer no passe quer na corrida (Dalvin Cook, por exemplo, correu apenas 82 jardas contra uma das piores run defense da prova), o que importa é mesmo resumir o que se passou, nos instantes finais. Marcador num teimoso 16-16. Os Seminoles viram a drive parada. 6 segundos para o fim do tempo regulamentar. Field goal de 56 jardas. Parece muito, para o college, mas os Seminoles têm um dos kickers mais fiáveis da competição. Um pontapé certeiro e a invencibilidade mantém-se. Isso e os 28 jogos consecutivos a vencer, na conferência. O field goal é bloqueado, para gáudio da multidão que enche o estádio. Lá dentro, no relvado, o caos. Uns comemoram o feito, vendo ali a possibilidade de ainda vencer o jogo, no prolongamento. Lance Austin, de Georgia Tech, apercebe-se que a bola ainda está jogável. Apanha-a. O cronómetro mostra que falta apenas um segundo para o final. Austin é rápido na decisão e felino na rota seguida, acompanhado por um comboio de colegas, que servem de blockers. 78 jardas impressionantes, cavalgadas no limite, até à end zone de Florida State. What.a.finish! É um lance para ver. E rever. Um que nos ilustra, em pouco tempo, o que é o college.
  • 90 anos de história. Produção de atletas notáveis, alguns já no Hall of Fame da NFL. Um dos programas futebolísticos mais conceituados da NCAA. E, perante Clemson, o ponto mais baixo de sempre. Uma derrota, em casa, por inacreditáveis 58-0. Falo, claro, de Miami e dos seus outrora orgulhosos Hurricanes, que vivem agora um período sombrio. Perante Clemson, actual nº 6 do ranking, esperava-se a mostra de alguma qualidade, a abnegação transmitida por diferentes gerações de jogadores, como Frank Gore, Sean Taylor, Michael Irvin, Andre Johnson, Bernie KosarReggie Wayne, Vinnie Testaverde, Warren Sapp, Ed Reed, Jim Kelly ou Ray Lewis. Mas nada disso aconteceu, numa aparição patética e que deverá sentenciar o contestado Al Golden, o head coach dos Hurricanes. Sabemos que a equipa bateu no fundo do poço quando as vaias irrompem das bancadas, já de si despidas, ainda no 1º quarto. Ou quando os cânticos de “fire Al Golden” massacram os ouvidos, no 2º período. Ou, ainda, quando de forma irónica os adeptos da equipa aplaudem, de pé, um punt na linha de 1 jarda. Mas será Al Golden o principal culpado? O treinador, contratado em 2010, foi o 1º que teve que lidar com as consequências das sanções impostas à universidade, no rescaldo do escândalo de regras quebradas. Os castigos, impostos na redução significativa de bolsas escolares que podem ser oferecidas a novos recrutas, teve – e ainda tem – um impacto tremendo no recrutamento, impedindo que Miami consiga alguns dos nomes mais sonantes vindos do high school, tentados por outras paragens. O caminho trilhado, e ainda por desbravar, é feito de obstáculos, alguns já ultrapassados, mas demorará ainda algum tempo, com ou sem Al Golden, para a equipa ocupar o lugar que é seu por direito. Até lá, tardes como as de Sábado, podem tornar a acontecer. No fundo, escrever estas linhas e não der o devido mérito a Dabo Swinney, o head coach que tem trazido paulatinamente Clemson para a ribalta, não parece justo. A equipa que usa o laranja nas suas vestes tornou-se um nome mil vezes repetido, quando falamos de programas que atingiram um patamar de eleição. Produzindo a sua quota parte de jogadores de qualidade, nas épocas mais recentes (Sammy Watkins, Andre Ellington, Martavis Bryant, DeAndre Hopkins), os Tigers parecem sempre a um mero passo de lutar pelo título. Este ano é apenas a repetição dos anteriores. Clemson parece ter tudo para ser um dos 4 finalistas dos playoffs. Falta “apenas” um pormenor. Vencer aquela que se tornou a sua besta negra. Florida State.
  • É uma das histórias da temporada e uma equipa em crescendo. Stanford iniciou a época com uma derrota, frente a Northwestern, tendo sido logo condenada pela fraca prestação e colocada fora de cogitações. Até começar a vencer. De forma compulsiva e convincente. Os sucessivos triunfos colocaram a universidade novamente no trilho da PAC 12. Mais, fizeram com que os olhares caíssem sobre a equipa, agora novamente tida em conta para os playoffs. É possível a uma equipa, com uma derrota, merecer o beneplácito do júri? Tudo depende da forma como a carreira dos Cardinals seja analisada. E aqui entram as notas de estilo, sempre preciosas. Vencer por esmagamento, demonstrar ter um ataque e defesa sem grandes pontos fracos e suplantar adversários difíceis. Este sábado, Stanford fez isso, ao derrotar Washington por 31-14. Ok, não foi um triunfo por muitos. Mas Washington era, antes desta partida, a melhor defesa da conferência. E foi devastada, pelo ataque controlado e equilibrado de Stanford. Drives longas, martelando com o jogo corrido, com novamente Christian McCaffrey determinante, e ferindo com o jogo de passe. Kevin Hogan tem sido criterioso na condução do ataque, mantendo a eficiência do costume, 478 jardas atacantes depois, há muito para elogiar. O que ressalta à vista é a disciplina da equipa, a sua estabilidade, a sua coesão. E, claro, ajuda bastante ter um sophomore como McCaffrey, notável no ground game, mas também eficaz fora do backfield. Foram 109 jardas corridas, 79 em retornos e 112 recebidas, ameaçando, pelo ritmo em que vai acumulando jardas, o recorde vigente de all-purpose yards, pertença de Barry Sanders, com 3250, estabelecido em 1988. McCaffrey leva já 1818, em 7 jogos.
  • As lesões fazem, infelizmente, parte do jogo, mas dá sempre enorme pena quando um jogador talentoso sai de cena, de forma forçada. E, quando assim é, a lesão pode inclusive fazer descarrilar a temporada da sua equipa. Baylor venceu novamente, com o registo de sempre, anotando demasiados pontos. Isso era expectável, dada a supremacia frente a Iowa State. O problema é que Seth Russell, o seu notável quarterback, foi tirado do jogo, com uma lesão no pescoço que o pode manter indefinidamente na sideline. A Big 12 é um confronto entre Baylor e TCU, com Oklahoma a tentar intrometer-se. E logo nesta fase, em que os próximos jogos são perante Kansas State, Oklahoma, Oklahoma State, TCU e Texas, é que acontece isto. Baylor pode, legitimamente, reivindicar um lugar entre as 4 melhores equipas da competição. No ano passado esteve quase. Este ano esse sonho pode ser novamente adiado, se Russell não jogar nas próximas partidas. A esperança que reside, mesmo que Russell fique ausente, é que nunca foi um problema substituir um QB, em Baylor. Art Briles parece ter o segredo para colmatar a perda de Robert Griffin III, Bryce Petty e outros. Na calha, o freshman Jarrett Stidham, que aparenta ter qualidade mas será lançado às feras.

Tennessee, 14 @ Alabama, 19

Um dos poucos jogos de sábado que despertava real interesse, pelo talento que a jovem equipa de Tennessee possui, ainda não totalmente explorado. O roster, que deverá ser mantido quase na totalidade para a próxima temporada, tem apresentado algumas dores de crescimento, frustrando as expectativas de quem assumia que os Vols estavam já preparados para disputar a SEC. Mas, num dia bom, poderiam expor as fraquezas de Alabama, já pressionada pela derrota caseira que ostenta, perante Ole Miss. ‘Bama teve um jogo complicado mas, no final, arrecadou mais um precioso triunfo, que a mantém senhora do seu próprio destino. A equipa de Nick Saban começou lenta, com apenas 7 pontos na primeira parte, obtidos em grande parte pela persistência do jogo corrido de Derrick Henry, mas soube mostrar resiliência, com uma grande drive no último período, culminada no TD que os colocou à frente do marcador. E, depois, a defesa deu o necessário passo em frente, com um forced fumble que evitou a reacção dos Vols.

Mérito para as alterações que Lane Kiffin, coordenador ofensivo de Alabama, introduziu ao intervalo, tornando a equipa mais equilibrada. Se na primeira parte Henry, o melhor jogador ofensivo da equipa, apenas tinha tido 9 snaps, a 2ª parte mostrou um regresso ao ground game, misturado com períodos de intenso uso do passe. Para a história, Henry fez o do costume: desequilibrou. 28 corridas, 143 jardas e 2 scores. No ataque, o freshman Calvin Ridley voltou a dar nas vistas, com 7 recepções e 88 jardas, numa luta intensa com o seu marcador directo, o excelente corner Cameron Sutton. Num bom jogo dos Vols, em ambiente adverso (e com Peyton Manning, ex-jogador na universidade, a ver o jogo na sideline), a equipa mostrou ter qualidade, mas ainda é incapaz de fechar jogos como este, perante adversário de elite. Os 3 field goals falhados – 43, 51 e 51 jardas – pesaram bastante no resultado final, tanto como a introdução de dois rookies na OL, devido a lesões. A inexperiência dos jogadores, perante um feroz front 4 de ‘Bama, colocou sempre em sobressalto Joshua Dobbs.

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.

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