College Football: Week 3

Paulo Pereira 19.09.2013 Análise Jogos College, College Comentários
College Football

College Football: Week 3

Mais uma semana repleta de emoção, grandes espectáculos e momentos hilariantes. A week 3 trouxe o jogo mais aguardado do ano, num embate que não defraudou expectativas, entre Texas A&M e o fenómeno mediático Johnny Manziel, contra Alabama, o campeão em título e principal favorito nas bolsas de apostas. Transcendente, épico, de elevada qualidade. Todos os elogios cabem na definição do jogo. A SEC continua, paulatinamente, a mostrar um distanciamento qualitativo em relação às outras conferências. Mas não se deixem ludibriar. Existem contendores, fora da SEC, que aguardam serenamente por uma oportunidade de mostrar o seu valor. Stanford. Clemson. Ohio State. Todas elas estão prontas e aptas a colocar um ponto final naquilo que se julga ser o reinado perpétuo de Nick Saban. Três jornadas já lá vão, mas muitas mais faltam jogar, com implicações directas nos lugares cimeiros dos rankings. Como sempre, vamos ver o que se passou de relevante, em 10 pontos:

  1. E pronto. O jogo mais esperado do ano acabou. Valeu a pena? Sem qualquer ponta de dúvida, a resposta é um rotundo SIM. Valeu. Que jogo. Uma verdadeira celebração da intensidade do College. Uma partida vibrante, num cenário de excitação, redundando num espectáculo que perdurará para a memória. Felizmente, no nosso blogue e na página que o acompanha, no facebook, temos leitores. Atentos. Um deles, o André Leite, quase profetizou o que aconteceria, ao comentar sobre o Texas A&M versus Alabama. Observador atento, tinha já descortinado o calcanhar de Aquiles dos Aggies. A defesa. Isso foi desnudado no Sábado, quando a unidade se revelou totalmente impotente para suster o ataque da equipa de Nick Saban. O front seven nunca conseguiu impor-se à linha ofensiva. A mesma que, na week 1, tinha fraquejado perante Virginia Tech. Sem pass rush consistente (a falta que fez Damontre Moore), sem agressividade assinalável, o front seven foi presa fácil, permitindo mais de 240 jardas no solo (149 delas de TJ Yeldon), numa média obscena de 6,3 por jardas. Se no solo Alabama feriu os Aggies, no passe destruiu a resistência. AJ McCarron não sofreu um único sack, levando a equipa em sucessivas drives com êxito, após um início demolidor de Johnny Manziel, que coloca A&M a liderar por 14-0. Foi um sucesso prematuro. Depois, Alabama começou a carburar, marcando 35 pontos sem resposta e abrindo um fosso pontual que, mesmo assim, ainda chegou a ser ameaçado pelo esforço dos Aggies, no quarto período. Destaques: Muitos, de cada lado. Nos vencedores, AJ McCarron deu mostras de maturidade elevada, num ano importante para si, antes de entrar no draft. Beneficiando dum trabalho meritório da sua OL, apenas falhou 9 passes ao longo do jogo, não sofrendo qualquer sack nem pressão. Terminou com 334 jardas e 4 passes para TD, dinamizando o ataque com passes longos. No jogo corrido, TJ Yeldon colocou 149 jardas no chão, em apenas 25 corridas, tendo marcado o TD da praxe. Na defesa, que teve uma tarde para esquecer, Vinnie Sunseri teve o highlight da unidade, interceptando um passe de Manziel e retornando-o para TD, numa louca corrida de 73 jardas que, na altura, colocou o marcador favorável à sua equipa em 35-14. Nos Aggies, Manziel esteve no melhor e no pior. Cometeu o pecado de ter 2 INTs, em alturas cruciais e em drives que pareciam ir terminar em sucesso. A falta de maturidade ou o excesso de confiança podem ajudar a perceber os erráticos passes, sobretudo aquele cometido bem perto da end zone adversária, lançando de forma relaxada e permitindo a intercepção de Cyrus Jones. Mas Manziel foi o jogador esperado. Empolgante. Notável. Mais experiente no passe, não usando a corrida como principal meio. O QB terminou com 464 jardas passas, mais 98 corridas e 5 passes para TD. Teve ainda um dos momentos do ano quando, num 3-and-8, se escapuliu, como Houdini, a vários defendores de Bama para, de forma milagrosa, efectuar um passe de mais de 30 jardas. Manziel é assim. Um jogador à parte, terrivelmente excitante de ver jogar. Termino com uma vénia. Mike Evans, unanimemente considerado um dos melhores wide receivers da competição, tem vivido na sombra do mediatismo de Manziel. Mas acompanhou o seu QB no épico esforço de recuperação, terminando com 7 recepções, 279 jardas (recorde da escola) e 1 TD. Amazing!
  2. Uma semana depois de ter sido o principal protagonista na vitória sobre Notre Dame, Devin Gardner conheceu o reverso da medalha. Ou, pelo menos, quase. O quarterback de Michigan, jogando perante o seu público, foi vitimizado pelas sucessivas blitzes de Akron, revelando enorme inconstância no passe, sobretudo quando em fuga do pocket. 16/30, 248 jardas, 2 passes para TD e o pecadilho maior: 3 intercepções! Uma delas, retornada para TD, colocou Akron à frente do marcador, por 24-21, a pouco mais de 4 minutos do final. Foi aí que apareceu Fitzgerald Toussaint. O running back senior dos Wolverines marcou, com Michigan a retornar para a frente do marcador. O final foi impróprio para cardíacos. Akron, numa drive bem sucedida, chegou a 1 jarda da end zone. Uma mísera jarda, com 29 segundos para jogar. O nervosismo era palpável, dentro e fora de campo. Num esforço épico, a defesa de Michigan conseguiu parar o adversário, em 4 downs, conseguindo importante vitória. Curiosamente, Devin Gardner esteve num dos melhores momentos do jogo. O QB, que é uma dual-threat, correu 103 jardas em apenas 10 corridas, tendo marcado um touchdown, numa fuga de 36 jardas.
  3. Pode existir um jogo com duas faces? Pode. Nebraska versus UCLA foi uma dessas partidas. Jogo perfeito dos Cornhuskers, até ao intervalo. A equipa de Bo Pelini, catapultada pela sua principal estrela, o quarterback Taylor Martinez, foi impiedosa no ataque e magnífica na defesa, asfixiando o ataque dos Bruins. Brett Hundley, que realizou uma temporada de estreia soberba, em 2012, não tendo tido o mediatismo esperado apenas pelo fenómeno Johnny Manziel, parecia caminhar para uma exibição menos conseguida, com uma INT e apenas 55% de acerto no passe. Mas tudo se transformou na 2ª metade, com os Bruins a marcarem 38 pontos consecutivos.  Hundley ainda se redimiu, passando para 3 TDs. Na defesa, foi valendo a experiência do linebacker Anthony Barr, para anular as sucessivas investidas de Nebraska. Fortemente penalizados por uma defesa jovem, impreparada (a defesa cedeu mais de 600 jardas na week 1, a Wyoming), nunca encontraram o antídoto para os Bruins. Nestes, parece descoberto o sucessor de Johnathan Franklin (agora nos Packers), com Jordan James a assumir as despesas do jogo corrido (105 jardas e 1 TD).
  4. Visualizem um daqueles típicos caterpillars. Amarelo. Enorme. Poderoso. A equipa de Oregon usou um, contra Tennesse. O embate, que parecia prometedor, colocando os Ducks a defrontar os renascidos Vols, terminou quase antes de começar. Os Vols de Tennessee ainda lideraram. 7-0. Marcus Mariota, QB de Oregon, estava com 2/8 no passe. Ducks are in trouble, pensou-se. A precisão de Mariota é um mito finito, sentenciou-se. Mas, depois…KABOOM! Os Vols foram literalmente varridos do mapa pelo ataque de Oregon. O QB dos Ducks foi quase perfeito no passe, conseguindo 456 jardas (máximo de carreira) e 4 TDs, com mais um no solo. Os principais beneficiários desta avalanche ofensiva foram John Huff, wide receiver com 125 jardas e 1 TD, no seu último ano na equipa, e o neófito John Mundt, que marcou por 2 vezes, conseguindo o seu primeiro jogo acima das 100 jardas (121). Highlights: http://espn.go.com/video/clip?id=9674338
  5. Texas x Ole Miss foi um jogo de extremos, quase como se fosse um combate de boxe, com um dos contendores a ser uma jovem promessa, vibrante de entusiasmo e arrogância, e o outro a ser um veterano, deprimido após várias batalhas perdidas. O jovem contendor arrogante, já devem ter percebido, é Ole Miss. A universidade da SEC, após uma travessia de deserto, conseguiu na offseason um recrutamento agressivo, com vários prospects interessantes a mudarem-se para os Rebels. Quanto aos Longhorns, ainda lambiam as feridas da humilhante derrota frente a BYU, onde cederam mais de 500 jardas no solo. Depois de ter assistido a esse vídeo, vezes sem conta, Ole Miss fez o quê? Pergunta retórica. Colocou a bola no chão e aproveitou as debilidades na run defense dos Longhorns. Uma e outra vez, a bola foi colocada na mão do running back Jeff Scott, que se encarregou de fazer o resto. Conseguir first downs, acrescentar jardas e ajudar a vencer. 19 corridas, 164 jardas e 1 TD foram o pecúlio amealhado. Bo Wallace, QB de Ole Miss, teve um jogo seguro. Contido no passe, conseguiu mesmo assim 2 TDs, ajudando depois no solo, onde ele se sente como peixe na água, com mais 57 jardas e um TD excelente, furtando-se a vários tackles. Nos Longhorns pouco há a acrescentar ao que foi escrito no rescaldo da week 2. O reinado de Mack Brown está perto de conhecer o seu epitáfio. Se a derrota frente a BYU custou o emprego ao coordenador defensivo, que carta sairá da cartola, para suster a crescente insatisfação dos fãs? Highlights: http://espn.go.com/video/clip?id=9676180
  6. Vamos falar um bocadinho de hype. E de quarterbacks. Geralmente, andam intimamente ligados no College. Aparecem fenómenos de um dia para o outro. Passe o exagero, o constante fluxo e renovação de jogadores é impressionante, com cada nova temporada a dar-nos prodígios, substituindo os anteriores. Apontem dois. Um, na sua época junior, tem visto crescer as expectativas, em seu redor. Joga na universidade de Utah State. Chama-se Chuckie Keeton e acabou o jogo contra Weber State com 5 passes para TD, elevando o total na temporada (3jogos) para 12, com apenas uma INT. É certo que muitos torcerão o nariz à conferência onde Utah State joga (MWC Mountain). É fraca. Facto. Mas isso não impede a excelência. E Keeton merece o benefício da dúvida. Deixem-se de coisas e arranjem um stream, para o próximo jogo de Utah State. Os outros quarterbacks de que vos vou falar têm pedigree. Teddy Bridgewater joga na mais conceituada Louisville. E se têm estado atentos aos blogues/sites da especialidade, ele aparece como provável top-10 no próximo draft. Bridgewater não teve um jogo excepcional, na vitória deste fim-de-semana contra Kentucky. Os seus números são algo pedestres, quando comparados com colegas de posição. Mas nos Cardinals, ele tem sabido resguardar-se de erros, factor primário de sucesso na NFL, seu próximo passo. 10 TDs em 3 jogos, apenas uma INT e um rating sempre elevado, demonstram que ele é jogador em crescimento, claramente experiente (tal como Keeton, está no seu ano junior)e que tem tudo para vingar, ao mais alto nível. Last, but not the least, Jameis Winston, QB de Florida State. Antes de chegar ao College, Winston era já um nome reconhecível pelos fãs de futebol americano. Fez furor no high school, chegando ao recrutamento para o College catalogado como prospect de 5 estrelas, distinção máxima a esse nível. A sua estreia não defraudou contra Pittsburgh. Nesse jogo, o primeiro de sempre no College, Winston falhou apenas 2 passes, passou para 356 jardas e para 4 touchdowns, acrescentando mais um no solo. Ou seja, colocou a fasquia para exibições futuras num nível estratosférico. Com bye na week 2, Winston regressou aos relvados esta semana, contra Nevada. Florida State venceu, de forma concludente (62-7), com clara predominância no jogo terrestre (o ground & pound rendeu 377 jardas), retirando algum brilho à performance do QB. Mesmo assim, sem exagerar no passe (15 certeiros em 18 tentativas), amealhou mais 214 jardas e 2 TDs, tendo cometido o seu primeiro erro, com uma INT. Equilibrado no pocket e já detentor de um braço com força assinalável, Winston é, ao contrário dos seus parceiros nesta coluna, um produto ainda cru. Falta a moldagem e a experiência, que o tornarão em algo apreciável de assistir. Para já está no bom caminho…
  7. Ohio State ultrapassou mais um obstáculo, na perseguição do sonho: chegar ao título nacional. No 4º lugar do ranking, Ohio State tinha um duro teste, on the road. Jogava na California, sem a sua principal estrela, o quarterback Braxton Miller. Nem isso fez vacilar a equipa de Urban Meyer, o lendário treinador que levou os Gators de Tim Tebow à glória. Liderados por Kenny Guiton, o backup de Miller, os Buckeyes venceram por 52-34, com Guitton a assumir as despesas no ataque. Terminou com 21/32, 276 jardas passadas e 4 TDs, acrescentando mais 92 jardas corridas, numa evidente mostra de qualidade. Secundando-o, Jordan Hall, o principal running back da equipa, colocou mais 168 jardas corridas e 3 TDs, acabando com a resistência de Cal, que foi um adversário valoroso no ataque, graças ao bom desempenho do freshman quarterback Jared Goff, com 371 jardas e 3 passes para TD. Voltando a Guiton: é senior, mas apenas neste fim-de-semana conseguiu a sua primeira titularidade. Comemorou-a com pompa e circunstância, colocando o seu nome no livro de recordes da universidade. Lançou 3 dos seus 4 TDs nos primeiros 6 minutos dejogo, incluindo um passe de 90 jardas, para Devin Smith (o receiver voltou a ser um dos destaques dos Buckeyes, com 149 jardas em apenas 3 recepções, marcando por 3 vezes),tudo feitos novos na já longa história de Ohio State. Os Buckeys obtiveram a 15ª vitória consecutiva. A caminho do título? A equipa denota ter armas para isso. Sem Braxton Miller e sem Carlos Hyde, o seu mais elusivo running back, continua a vencer.  Highlights: http://scores.espn.go.com/ncf/recap?gameId=332570025
  8. Paulatinamente, Washington vai cimentando o seu lugar no top-25. Entrando neste fim-de-semana em 19º lugar, a equipa liderada por Keith Price obteve valorosa vitória, fora de portas, contra Illinois, até agora invicta. Existia enorme curiosidade em ver em acção o QB de Illinois, Nathan Scheelhaase, até agora perfeito na liderança da equipa. O jogo foi equilibrado, mas as armas de Washington serviram para decidir o encontro. Depois de ter conseguido mais de 500 jardas contra Boise State, na week 1, o ataque voltou a ser uma máquina demolidora, com 615. A vitória por 34-24 assentou em 3 vectores: Keith Price, sólido e eficaz no passe (28/35, 342 jardas, 2 TDs), Bishop Sankey, um dos mais efectivos running backs da competição (35 corridas, 208jardas e 1 TD, mais 3 recepções, 63 jardas e 1 TD)e Josh Shirley, defensive end, imperial com 3 sacks e disruptivo todo o jogo. Com Kevin Smith a ter novo jogo acima das 100 jardas, Washington sufocou a defesa contrária. A sua própria defesa tornou a vida miserável a Scheelhaase, com o jogo menos conseguido da temporada (9/25, 156 jardas, TD e INT). A destacar a presença, nos espectadores, do mítico Dick Butkus, Hall of Famer e antigo aluno de Illinois.
  9. Auburn ganhou a um adversário da SEC. Isso é uma notícia. Após 11 jogos consecutivos a perderem, frente a adversários da mesma conferência, parece que o estigma está ultrapassado. A chegada de Gus Malzahn a Auburn tem sido uma história (ainda curta) de sucesso. O antigo coordenador ofensivo, que levou a universidade ao título, na era Cameron Newton, tem sabido dar uma identidade diferente a um grupo que, após esse título, desceu aos infernos. Frente a Mississípi State apostou…e ganhou. A confiança dada a Nick Marshall, QB da equipa, valeu o prémio final. O atleta lançou para um máximo de carreira de 339 jardas, com dois TDs e duas intercepções. Mostrando resiliência mental, soube ultrapassar os momentos menos bons para, com menos de 2 minutos no cronómetro, liderar a drive final de sucesso. A perder por 20-17, Auburn assistiu a uma drive de 88 jardas, com Marshall a completar 6 passes em 8 tentativas, incluindo o final, de 11 jardas, que sentenciou o encontro.
  10. Lane Kiffin sentiu na pela, no decorrer da semana, a ira dos adeptos de USC. Grafitis de “Fire Kiffin” fizeram manchetes, enquanto a equipa se preparava para novo embate. No hot seat, Kiffin venceu este round, com um categórico triunfo sobre Boston College, por 35-7. Com Cody Kessler a assumir o cargo de QB (Kiffin tem andado, até agora, a rodar Kessler e Vittek, sem resultados práticos), falhando apenas 2 passes e passando para 2 TDs, coube a Tre Madden dar expressão ao jogo corrido, como habitualmente, em novo jogo acima das 100 jardas. Com dois dos melhores receivers da competição (Marqise Lee e Nelson Agholor)apartados dos jogos, pela inutilidade do jogo aéreo, Kessler conseguiu-os envolver no ataque, com Lee a terminar com 90 jardas e 1 TD. Sem entusiasmar por ai além, o jogo mostrou alguma evolução, depois dos mínimos históricos da semana passada (a equipa conseguiu apenas 54 jardas no passe). Na próxima semana, novo embate decisivo. E interessante, com Utah State a visitar Los Angeles. Com o crescente hype em redor de Chuckie Keeton, vai ser um encontro digno de acompanhar.

Surpresa da Semana

Arizona State, 32, Wisconsin (20º lugar no ranking), 30, num final bizarro. Arizona State, suportada pelo jogo de Marion Grice, o seu running back, tinha passado para a frente do marcador, com o 4º TD do dia de Grice. Na última e desesperada drive, Wisconsin avançou no terreno, desde as suas 17 jardas, com 1 minuto e 36 segundos para jogar, até às 13 jardas do adversário. Joel Stave, QB de Wisconsin, recebe o snap, correu para a esquerda e começa o movimento de se ajoelhar, parando a jogada e colocando a equipa em posição de field goal. O que se seguiu foi uma enorme confusão. Stave, que poderia simplesmente ter recebido o snap e ajoelhado, optou por correr para uma zona mais central, permitindo um remate fácil ao seu kicker. Quando se prepara para colocar um joelho em terra, choca com um dos seus offensive linemen e, confuso, coloca a bola no chão, só depois colocando o joelho em terra. Os jogadores de Arizona State mergulham para a bola, enquanto os árbitros dão indicação de que é uma dead ball. O cronómetro continua a funcionar. 8.7.6.5.4. Stave apercebe-se que tem que formar junto do scrimmage e ter um último snap. 3.2.1. E assim se perde um jogo, de forma inglória.

Jogador da Semana

AJ McCarron, quarterback de Alabama. Visto como uma encarnação de Alex Smith, McCarron tem vivido com o estigma de game-manager colado à pele, como se isso fosse algo de tóxico. Num evidente processo evolutivo, ele tem sabido crescer dentro da equipa, potencializando as suas qualidades, cada vez mais refinadas. Se ser game-manager é sinónimo de alguém que evita riscos, refugiando-se em passes curtos e em ganhos mínimos, esqueçam o estereótipo. McCarron arriscou como nunca, bombardeando a secundária de Texas A&M sem dó nem piedade. Vários passes de mais de 20 jardas, perfeitamente executados, aproveitando as skills dos seus receivers, num exemplo perfeito de conforto dentro do ataque. Ele é o mestre daquela armada de Nick Saban. Conseguiu crescer, ao longo destes anos, erradicando os erros do seu reportório, refinando-se como atleta. Belíssimo jogo, disputado num ambiente hostil e sob enorme pressão mediática.

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.