Fantasy. Um Simples Jogo que Vale Milhares de Milhões de Dólares

Filipe Paiva Cardoso 7 de Setembro de 2015 Fantasy Comentários Desligados
Football Fantasy Money

Fantasy. Um Simples Jogo que Vale Milhares de Milhões de Dólares

Agora que chegou (finalmente) a semana dos drafts mais decisivos da história da NFL – os das nossas equipas de Fantasy -, nada melhor que olhar um pouco para a realidade do universo Fantasy além dos pontos e das estatísticas que nos vão deixar agarrados aos ecrãs nos próximos meses. É que se o apetite (vício) pelas ligas de Fantasy é grande, muito maior é o dinheiro que esta indústria gera todos os anos.

Com mais de 40 milhões de jogadores só nos Estados Unidos – e devendo superar os 50 milhões esta época -, a Fantasy Sports Trade Association calcula que cada um destes gaste em média 465 dólares por época com a sua equipa, seja nos fees de entrada cobrados por alguns sites, seja a comprar revistas ou apps para dar aquela ajuda extra aquando da hora de escolher o roster ou as trades. Vendo o big picture, falamos em qualquer coisa como 18,6 mil milhões de dólares por ano (16,6 mil milhões de euros ou 71,4 bilhões de reais).

Este valor, já enorme, refere-se apenas aos Estados Unidos e às despesas directas dos jogadores com as suas ligas. A Forbes, por exemplo, vai mais longe nas contas e chega a um total de 70 mil milhões de dólares (62MM de euros ou 268,8B reais). A revista dedicada ao mundo dos negócios inclui nos seus cálculos os montantes gerados pela publicidade em sites especializados – NBC, Yahoo, etc.. -, os investimentos feitos pelos sites em tecnologia e o valor das horas investidas pelos jogadores nas suas equipas – 3h/semana, que depois multiplica pelo valor médio de uma hora de trabalho nos EUA, 24 dólares. E isto são cálculos de 2013.

Mas há muito mais a dizer da Fantasy além dos números. Primeiro, a questão legal do jogo: com os jogos online sob ataque cerrado desde há muito, foi a partir de 2006 que as Fantasy conseguiram afastar-se da categoria de “jogo de azar” à qual o Poker, por exemplo, continua condenado nos EUA. Em 2006, a nova legislação para o jogo online passou a categorizar os jogos tipo-Fantasy como de conhecimentos e estratégia (“game of skills”) e não de azar, libertando a explosão de sites, ligas e jogadores a que hoje ainda assistimos – olhando para o gráfico que aqui vos trazemos, é notório o impacto da lei de 2006.

Crescimento anual do número de jogadores de Fantasy

Crescimento anual do número de jogadores de Fantasy

Se esta batalha legal permitiu este tipo de jogo disparar, uma outra batalha foi igualmente decisiva para a explosão: A Major League Baseball tentou proibir que outros sites tivessem acesso a nomes, logos, estatísticas e demais informação necessária para montar uma liga de Fantasy, sem sucesso. A decisão, de um caso que foi até ao Supremo norte-americano, foi aplicada a todas as ligas e levou à multiplicação de empresas dedicadas a estes jogos.

E como se “não os podes vencer, junta-te a eles”, a multiplicação de empresas de Fantasy levou ao aparecimento de pequenos impérios empresariais, impérios esses que passaram a interessar às próprias ligas, mesmo que para ganhar dinheiro à custa das outras ligas. Como assim? Vejamos: a FanDuel é uma destas empresas dedicadas à fantasy da NFL e abriu recentemente o capital em bolsa, angariando 70 milhões de dólares. Entre os novos investidores que captou, duas capitais de risco e uma empresa de seu nome “National Basketball Association”. Se não os podes vencer…

“Ter uma liga como a NBA como accionista foi de um valor incalculável em termos da nossa legitimidade, da nossa marca e do nosso posicionamento no mercado”, disse na altura Nigel Eccles, CEO da FanDuel. Só por curiosidade, o jogo mais procurado desta FanDuel chama-se “Sunday Millions” e distribui um total de 2,25 milhões de dólares por semana(!), com o vencedor a levar 250 mil dólares e oferecendo um prémio mínimo de 50 dólares – distribuído por mais de 20 mil participantes.  Não admira que a FanDuel tenha registado um crescimento de 300% no ano passado.

Para terminar, uma referência ao vício. Não bastasse aquela vontade de ganhar, também o dinheiro que alguns sites oferecem como prémio tem potenciado o problema do vício em Fantasy nos Estados Unidos. E não pensem que é piada ou que é uma questão pouco importante: São já cinco os Estados que aprovaram leis a proibir os residentes de jogar em ligas diárias – Arizona, Iowa, Lousiana, Montana e Washington. Portanto, nada de levarem isto demasiado a sério… é só um jogo.

O retrato de quem joga:

  • 66% Male // 34% Female
  • Average Age: 37
  • College Degree or More: 57%
  • Have a household income of $75k+: 47%
  • Have full-time employment: 66%
  • Average Annual Spending Per Fantasy Player: $465
  • Favorite Fantasy Sport: Football (73%)
  • Fantasy Sports Players that Pay League Fee: 60%

About The Author

Filipe Paiva Cardoso

O meu interesse pela NFL foi crescendo gradualmente ao longo dos últimos 15 anos. Não sei identificar o momento específico em que percebi que iria começar a seguir o desporto como um verdadeiro fã. Primeiro foram os Super Bowl que esporadicamente eram transmitidas em Portugal, depois começaram a ser transmitidos alguns jogos da regular season, entretanto surgiu a ESPN e daí dei o salto para o Game Pass e agora não vivo sem o Football. Nasci no maravilhoso ano de 1978 e nunca tive a sorte de acompanhar um jogo da NFL ao vivo, sendo aliás esse um dos meus objectivos para os próximos 2/3 anos - numa ida a Londres ou aos States mesmo, no cenário ideal. Confesso-me adepto dos Indianapolis Colts, pela simples razão de terem sido a equipa que me "draftou" da primeira vez que joguei Madden, e fã do Peyton Manning, ainda que tenha mudado de cores. Por fim, acho que daria um bom WR ou um daqueles RB que vão variando corridas com passes recebidos. Ou então não.