A View From the Bay: Ao Ataque Desde o Primeiro Instante…

Hugo Taxa 23 de Outubro de 2015 Análises, NFL Comentários Desligados
Baltimore Ravens vs San Francisco 49ers

Ao Ataque Desde o Primeiro Instante…

A escolha de receber a bola de imediato, ao invés de deferir a recepção para o ínicio do terceiro período é uma escolha atípica, mas compreende-se: San Francisco sabia que não podia correr o risco de estar uma vez mais a correr atrás do prejuízo, e portanto queria desde logo ter a possibilidade de se adiantar no marcador. Adicionalmente, queria alavancar a boa (?) exibição de Kaepernick contra os Giants, e tentar apagar o amargo de boca que ficou desse jogo, ao cederem um touchdown já no último minuto. A primeira jogada – designer play – com um passe curto para Boldin, bastante semelhante à primeira jogada da semana passada deu o signal sobre o que se seguiria.

Mas eis que na terceira drive dos 49ers a defesa – ou melhor, a sua ausência – de Baltimore decide entrar em cena. Com 3rd-and-one da linha das 22 jardas de San Francisco, Kaepernick tem a opção para passar não para um, mas para dois jogadores – Bruce Miller e Torrey Smith – completamente libertos de marcação no meio do campo. O passe segui para Miller, que, mesmo apesar da sua limitada velocidade, ainda conseguiu ganhar 52 jardas, antes de ser apanhado por detrás. 6 jogadas depois, Phil Dawson converte um field-goal de 31 jardas, e os 49ers passavam a liderar o marcador por 6-0. No entanto, não é difícil defender o cenário de que na eventualidade da bola ter seguido na direcção do número 82 de vermelho, o pontapé de Dawson seria para colocar o score em 10-0. Na drive seguinte, play-action fake, Torrey Smith faz um double-move do lado direito, e sem nenhum Safety por perto, bastou Kaepernick na sua primeira leitura ver esta falha (mais uma!) dos Ravens para atirar a bola para um Torrey Smith completamente desmarcado para este anotar 76 jardas e um TD. Na drive seguinte, com Kamar Aiken estacionado a 6 jardas de linha de scrimmage, e com Wilhoite e Bowman a uma distancia de Aiken que lhes permitia ler a etiqueta com as intruções de lavagem do jersey de Aiken sem dificuldade, Flacco tenta fazer um passe na  direcção de Aiken. O resultado é obvio: quando Bowman se aprestava para roubar a bola, Wilhoite foi mais lesto e antecipou-se. Bola dos 49ers nas 29 jardas de Baltimore que não redundaram em mais do que 3 pontos – contra equipas mais fortes é proíbido não juntar 7 pontos ao pecúlio na sequência de um turnover com uma field position destas. Até ao intervalo, apenas a registrar um passe que Steve Smith Sr. (com espaço, e na end-zone) não consegue segurar (na realidade, durante o primeiro período, na jogada que antecedeu o field-goal do Baltimore, tinha ocorrido uma situação semelhante). Steve Smith Sr. não costuma perdoar neste tipo de jogadas, pelo que a justificação se encontra no facto – notório – que este não se encontrava 100% em termos físicos. Ambas as jogadas terminaram com um field-goal em vez de TD, pelo que os Ravens deixaram 8 pontos em campo na primeira parte. Ao intervalo as estatísticas não enganavam: 38 rushing yards para Baltimore – 22 delas numa só jogada – o que era manifestamente pouco para uma equipa que nos dois jogos anteriores tinha conseguido uma média de 186 por jogo; e 3 three-and-out em 6 drives. A run-defense de San Francisco – 19ª – é um “luxo” quando comparada com a defesa de passe – a pior da liga.

O terceiro período começa com uma drive de Baltimore onde Flacco, após recuar quase 15 jardas após receber um snap e debaixo de pressão, decide fazer um passe apoiado no seu pé traseiro e para onde não estava ninguém … senão Kenneth Acker, que apanha a bola e galga terreno até ser derrubado na linha das 38 jardas de Baltimore. Mesmo com esta posição privilegiada, em 6 jogadas Kaepernick apenas conseguiu ganhar 6 jardas, pelo que o resultado foi mais um pontapé aos postes. Não se pode efectivamente dizer que ficaram 4 pontos em campo pois os 49ers não estiveram efectivamente em posição de marcar. 6-19 para os 49ers. Na drive seguinte, Flacco atira mais uma bola comprida na direcção de Steve Smith e este com uma grande recepção relança o jogo – 13-19.

Os 49ers respondem com o seu primeiro three-and-out da partida, logo na pior altura possível … queres ver? Na sequência, Bradley Pinion faz um punt miserável de 36 jardas que dá a posse de bola a Baltimore em cima da sua linha das 45 jardas … queres ver? E gastaram os 49ers uma 5th-round pick, e na sequência despacharam o Andy Lee para ficar com este artista?

Baltimore Ravens: Na Corda Bamba

À entrada da semana 6, todos os jogos dos Ravens tinham sido decididos por menos de 6 pontos (e por 17 pontos no total). Outra curiosidade é que os primeiros 5 jogos foram jogados contra equipas comandadas por treinadores que já tinham passado por Baltimore. Jogos renhidos … disputados até ao último minuto … Flacco, desde a intercepção para Acker, completa 8 passes consecutivos e só não faz 9 em 9 (e passa para a frente do marcador) porque Brock faz uma cobertura impecável a Kamar Aiken na end-zone, impedindo o touchdown. E eis senão quando, pela primeira vez desde que foi inaugurado, o Levi Stadium funciona como “casa” e dá uma vantagem aos 49ers: o relvado – famoso pelas piores razões – não aguenta e Justin Tucker escorrega e falha a conversão. Uff! Escapámos de boa!

Quando Kaepernick volta a tocar na bola, com 13 minutos para jogar, o panorama não era muito animador: 13 jardas de ataque desde o início do terceiro período. Kaepernick é sacked, e de seguida com a confusão instalada, San Francisco pede um time-out. Na jogada seguinte uma corrida de 3 jardas de Hyde é apagada por uma falta ofensiva, e eis senão quando o “mágico” tira um coelho da cartola: com a defesa de Baltimore a ver Boldin passar, Kaepernick tem um pouco de tempo e consegue fazer um grande  passe para Boldin – a sua terceira leitura – que se encontrava liberto do lado esquerdo. Três jogadas depois, o “infiltrado” Shareece Wright (que tinha sido despedido pelos 49ers no fim-de-semana passado e contratado por Baltimore – em desespero – dado a quantidade de lesões na secondary a meio da semana), volta a ficar mal na figura e escorrega, deixando Quinton Patton completamente sozinho na end-zone para uma recepção para TD. A tentativa de conversão de 2 pontos não tem sucesso, 13-25 e Baltimore volta à carga.

Flacco marcha as suas tropas 76 jardas em pouco mais de 5 minutos, terminando com um passe para Marlon Brown que Kamar Aiken decide “interceptar” com um salto enorme. TD Baltimore, 20-25 e 5:14 para jogar.

Kaepernick tem agora uma drive fulcral – se conseguir fazer 3 pontos o jogo estará práticamente ganho. Mais um passe a atacar Shareece Wright e Patton faz uma boa recepção para 17 jardas – parece que basta atirar para o receiver coberto por Wright para assegurar a vitória. Mas eis senão quando o playcalling entra em modo super-conservador, com seis corridas consecutivas, e a drive resulta em nada. Punt e Flacco tem 1m06 para chegar à end-zone: sofre coração! Flacco consegue levar a sua equipa até à linha de 35 jardas de San Francisco e faz um último passe em desespero para a end-zone, com Eric Reid a desviar a mesma para o chão … foi por pouco! O suficiente para não perder …

O Futuro Imediato

2-4 é melhor que 1-5, mas desde 1994 apenas quatro equipas conseguiram chegar aos play-offs após terem começado a temporada 1-4. O que mudou nas últimas duas semanas para Kaepernick de repente parecer um quarterback de topo? Rich Gannon na emissão disse que ele não mudou, e eu concordo. Quiçá a razão resida no facto de ter jogado contra a 31ª (Giants) e 28ª (Ravens) piores defesas de passe da liga. Vernon Davis continua a “não contar” (e daí se afigurar como cada vez mais provável ele vir a ser trocado ainda esta temporada) e Hayne fez mais um fumble num punt return (felizmente sem consequências, visto a bola ter sido recuperada). Pela positiva, o facto de a defesa de corrida ter limitado Forsett a 62 jardas – quando ele nos dois jogos anteriores contabilizou 271, e o número relativamente reduzido de faltas cometidas pelas duas equipas – 7 no total – num ano em que se tem vindo a assistir a um número recorde de faltas.

Contabilizando os pontos “deixados em campo” por Baltimore – 11 – dá para perceber que foi uma vitória por uma unha negra, pelo que não há muitos motivos para ficar contente.

O fantástico é que apesar de todas estas carências, e essencialmente devido à falta de competência dos seus rivais de Divisão, San Francisco está neste momento apenas 2.5 jogos atrás do primeiro lugar na Divisão, e na corrida aos playoffs. Que se segue? Um semana “curta” e um jogo na quinta-feira com os Seahawks. O score de Kaepernick contra os Seahawks regista apenas uma vitória em seis confrontos, sendo que a defesa de Seattle costuma fazer gato-sapato de Kaepernick. No entanto, essa celebrada defesa demonstrou-se incapaz de conservar uma vantagem no marcador à entrada do último período em 5 dos últimos 7 jogos: desde o kick-off do Superbowl, o score no último período é negativo em 48 pontos para Seattle. Será que vamos assistir ao renascimento da defesa de Seattle, ou à afirmação de um “novo” Kaepernick?

About The Author

Hugo Taxa

Em meados da década de 80, e após ver vários episódios do "Eight is enough" na televisão (onde o filho mais novo aparecia no genérico com um capacete dos 49ers) tornei-me fã dos 49ers. A partir de 1990 tive a sorte de ter um vizinho de origem americana que recebia a Sports Illustrated, e que me dava as revistas após acabar de ler as mesmas. Segui assim as temporadas de 90, 91 e 92 pelas revistas (com de cerca de 3 meses, entre o jogo acontecer e eu ler a crónica sobre o mesmo na revista) até ver o meu primeiro Super Bowl na SIC em 1993, em directo. Tinha um teste na terça-feira seguinte, mas a antecipação era tanta que não me consegui concentrar no estudo durante o fim--de-semana ... e chumbei - tive que ir a exame!

Em 1996 acedi ao meu primeiro site na internet - espn.com. O objectivo era apenas seguir a NFL; e com o aparecimento da DSF no alinhamento da TV Cabo finalmente comecei a ver a Regular Season na TV - com comentários em Alemão!
20 anos depois me ter estreado a ver Super Bowls, acho que me posso gabar de apenas ter perdido o de 2000, e de ter visto em directo alguns dos momentos emblemáticos da NFL: Dan Marino a obter o recorde de jardas; Barry Sanders e Terrell Davis a correrem para 2000 jardas; Emmitt Smith a quebrar o recorde de Walter Payton; John Elway a "fazer de helicóptero" para ganhar o seu primeiro Super Bowl; e o melhor jogador de sempre - Jerry Rice - a dinamitar defesas adversárias.
A NFL pauta-se pelo equilíbrio, o que se traduz em todas as equipas terem os seus momentos altos e baixos. No entanto, mesmo em épocas difíceis como 2003 ou 2004 a fé nunca esmorece - 49ers Faithful!