A View From the Bay: San Francisco 49ers vs New York Giants

Hugo Taxa 18 de Outubro de 2015 Análises, Equipas NFL, NFL Comentários Desligados
San Francisco 49ers vs New York Giants

San Francisco 49ers vs New York Giants

O Standard de Quarterback Play em San Francisco

No dia do aniversário de Steve Young, os Niners não tiveram a prenda que se esperava. Steve Young, detentor de três anéis de SuperBowl (sendo que apenas foi titular num deles), é ainda detentor do recorde de maior número de passes para TD num só SuperBowl (6), e começou, tal como Kaepernick, como um QB que era tão ou mais perigoso com as suas pernas, do que com o seu braço.
Apesar de todo este talento, o seu modo indisciplinado de jogar traduzia-se em múltiplas perdas de bola, algumas delas absolutamente desastrosas. Assim, após ingressar nos 49ers, passou 5 anos a refinar o seu jogo e a aprender como ser um QB, quer através dos ensinamentos de Bill Walsh, quer através da convivência e da aprendizagem diária resultantes de ter Joe Montana como colega. Mesmo assim, nos primeiros três anos como titular (1991-1993), levou os adeptos dos 49ers à beira de um ataque de nervos, sendo necessário a saída de Montana para os Chiefs no final de 1992 para que os adeptos finalmente aceitassem (ainda que com relutância) que aquele seria o novo QB da equipa. Isto tudo verificou-se enquanto Young coleccionava dois MVPs, três anos consecutivos como o melhor QB da liga, e uma progressão e evolução sistemática e notória nas suas performances – não é a toa que a sua quarta temporada termina uma vez mais com Young a apresentar o melhor QB rating na liga – e o melhor de sempre até à altura, sendo actualmente, ainda o 7º melhor – e uma vitória e um MVP no SuperBowl, onde desmantelou os Chargers. Em comparação, em três anos de Kaepernick temos a registar um SuperBowl perdido, o recorde de rushing yards de um QB num só jogo, e performances que em vez de denotarem uma melhoria sistemática, apontam em sentido contrário.

Já sei, nós adeptos dos 49ers fomos “estragados” no que diz respeito a QBs, mas isso só me deixa contente, pois poucas equipas podem gabar-se de ter tido durante quase 20 anos consecutivos 2 QBs Hall Of Fame na sua equipa, a espalhar magia pela NFL.

Sinais de Melhoria?

Num jogo onde Eli Manning esteve em plano elevado, tendo inclusive estabelecido dois novos recordes pessoais, a defesa nem sempre esteve ao seu melhor nível. Manning fez de Joe Montana na última drive dos Giants, e com uma calma olímpica conseguiu fazer 3 passes curtos para Shane Vereen, para que este, em corrida (de 11, 16 e 24 jardas) ganhasse outros tantos first-downs. Estando OBJ e Rueben Randle lesionados e fora do jogo nessa última drive (se bem que OBJ tenha entrado para as três últimas jogadas), e sabendo-se que face aos receivers de recurso  que estavam em jogo – Dwayne Harris e Geremy Davis – Shane Vereen seria o receiver de eleição de Manning, não deixa de ser surpreendente, pela negativa, a forma como o deixaram “à solta”.

No entanto, os problemas da defesa de passe não se limitaram à última drive. Tramaine Brock – um habitual por aqui, e nem sempre pelas melhores razões – logo a abrir o jogo ficou a ver Odell Beckham a passar por ele como se fosse montado num foguete, e o resultado foi um ganho de 49 jardas. Apesar de no final do segundo período Brock ter evitado que o jogo ficasse logo decidido ao interceptar um passe de Manning na end-zone, logo perdeu “a embalagem” e no início do terceiro período, escorregou sozinho e foi batido uma vez mais, desta vez por Dwayne Harris, numa jogada que rendeu 24 jardas aos Giants. Kenneth Acker também não esteve muito melhor, pois deixou cair uma intercepção que podia ter praticamente selado o encontro, e cometeu uma falta de pass interference grosseira na última drive dos Giants, oferecendo um first-down.

Em contraponto, e apesar de o front-seven apresentar apenas 2 jogadores titulares do ano passado – Wilhoite e Ian Williams, a run-defense ainda continua sólida. E apesar de ser notório que está definitivamente mais lento, e escaparem-lhe jogadores que anteriormente não escapariam, ainda é bonito ver Navorro Bowman a apanhar OBJ por detrás …
Quanto ao ataque, ficou uma vez mais patente que os 49ers vão até onde Carlos Hyde os conseguir levar. Apesar de Kaepernick, em termos estatísticos, ter tido um jogo bom, foi notória ainda a sua incapacidade de lidar com aspectos básicos do jogo. A maioria dos seus passes foram de curta distância, e as jogadas de passe que resultaram em ganhos consideráveis de jardas foram todas em jogadas “desenhadas”, ou seja, jogadas onde Kaepernick não teve que fazer nenhuma leitura da defesa, sabendo desde o momento em que a jogada foi escolhida qual o receiver que iria receber o passe. Isso é notório em dois passes com Boldin como destinatário, que resultaram precisamente da mesma jogada: no terceiro período, 11m52s para jogar, 3rd-and-2 bola nas 19 jardas de San Francsico, os 49ers apresentam uma formação com 4 receivers, com Patton no lado direito, Boldin no slot, Celek na seam e Torrey Smith do lado esquerdo.

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Com o snap, a combinação de rotas faz com que a jogada funcione na perfeição: Patton dá meia dúzia de passos e pára de modo a abrir o lado direito. Celek corre 5 jardas e vira-se para Kaepernick, o que faz com que o S Collins suba de modo a cobrir Celek, deixando o CB Trumaine McBride isolado com Boldin. Craig Dahl tenta auxiliar na cobertura a Boldin, mas quando lá chega Boldin já tinha recebido o passe.

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Quarto período, 3m49s para jogar, bola nas 45 jardas de San Francisco, e 1st-and-10, a mesma formação.

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e o mesmo resultado.

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Podem ver a explicação com mais detalhe em inglês aqui.

Na penúltima drive dos 49ers, antes deste segundo passe para Boldin, Kaepernick completa um passe curto que Torrey Smith converte num ganho de 25 jardas que é uma variação da segunda e terceira jogada dos 49ers (passes para Bruce Ellington, estas sim, cópias fieis uma da outra).

Se por um lado, é bom ver Kaepernick registar jogadas positivas (o que, face às duas últimas semanas é uma evolução), o facto de serem jogadas “desenhadas” demonstra que um dos principais problemas de Kaepernick – a incapacidade de fazer múltiplas leituras – não está debelado, e como tal, não se augura grande futuro – na NFL de hoje um QB que não consiga ler defesas não está em condições para se bater com de igual para com os Rodgers, os Mannings e os Bradys.

No jogo foi ainda notório que os receivers de San Francisco parecem desinteressar-se das jogadas quando chegam ao final da sua rota, em vez de se tentarem desmarcar, como se vê noutras equipas. Se por um lado isto passa uma má imagem dos receivers de San Francisco, a verdade é que a explicação para esta atitude pode estar no facto destes terem a noção que Kaepernick é incapaz de procurar soluções alternativas, como é patente nestes três exemplos:

  • Com 2m52s para jogar no segundo periodo Kaepernick tem 7 segundos para decidir o que fazer à bola, faz a primeira leitura – opção coberta – vai para a segunda leitura e positivamente entra em pânico (perfeitamente visível pela forma como se movimenta). Na jogada são visíveis pelo menos 3 opções de passe – Hyde na flat do lado direito, Celek na flat do lado esquerdo, e a 25 jardas do lado esquerdo, Anquan Boldin. A opção tomada por Kaepernick é simples: atirar a bola para fora.
  • Com o jogo a acabar, com 17s e dois timeouts (um tinha sido queimado no final do terceiro período), ao verificar que a primeira opção de passe se encontra coberta, Kaepernick começa a correr em direcção à linha lateral desperdiçando um total de 13 desses 17 segundos, em duas jogadas. Ao contrário dos Giants, não se vislumbra nenhuma opção no meio do terreno para check-down, e percebe-se porque: uma vez que Kaepernick começa a correr, o seu olhar foca-se exclusivamente no lado para onde corre, pelo que essa opção é irrelevante.
  • Na segunda jogada do quarto período, Kaepernick após receber o snap, fixa o olhar em Boldin, e com este coberto, nem sequer vê que ligeiramente mais para diante estavam Celek e Bell estavam com alguma separação dos seus defensores mais próximos. Após sair do pocket, Kaepernick fixa o olhar em Hyde na flat do lado direito, e com este coberto, acaba por atirar a bola para fora.

A questão da precisão também ainda é premente – na jogada seguinte ao primeiro exemplo anterior, num slant para Torrey Smith o passe sai atrasado (e para o outside shoulder onde estava o Linebacker) forçando Torrey Smith a rodar o corpo e perder o equilíbrio, num momento em que este já se encontrava isolado e com espaço para correr, limitando o estrago que este podia fazer na defesa dos Giants a 17 jardas.

Para finalizar, os problemas de gestão de relógio que pareciam ter sido ultrapassados, voltaram a surgir: ao terminar o terceiro periodo Kaepernick deixa inacreditavelmente passar o tempo sem se inteirar que o play-clock terminava dois segundos depois do final do terceiro período, e já com o relógio do período a chegar ao 0, pede um Timeout, desperdiçando-o.
O Hayne “Plane” só teve autorização de descolagem uma vez – é notório que na “torre de controlo” dos Giants havia uma certa apreensão em colocar-lhe a bola nas mãos.

Próximo domingo, os 49ers recebem os Ravens. Este ano não há reedição de Harbowl, uma vez que Jim está em Michigan, mas não deixa de ser interessante constatar que estas duas equipas, ambas 1-4 e a necessitar urgentemente de uma vitória para tentar evitar a derrocada completa da temporada, se defrontaram no SuperBowl há apenas três anos. Vários comentadores disseram que com esta performance Kaepernick afastou o perigo de ser relegado para o banco por troca com Gabbert. Pessoalmente acho que se devia avaliar futuras performances de Kaepernick – a começar já este domingo – com o mesmo standard que foi utilizado para aferir a performance de Matthew Stafford – no jogo com os Cardinals, Stafford, com 20 passes completos em 32 tentados, para 188 jardas, 1 TD e 3 INTs (nenhuma delas devolvida para TD) foi parar ao banco …

On This Given Sunday

  • Carson Palmer conseguiu um jogo quase perfeito, do ponto de vista de passing rating: 154.3, conseguidos através de 11 passes completos em 14 tentados, para 161 jardas e 3 TDs.
  • Charles Woodson começou a sua carreira em 1998, no mesmo ano que Peyton Manning. No entanto, apesar de um pecúlio assinalável de 62 intercepções em 18 anos, nunca tinha conseguido interceptar um passe de Peyton Manning. Este domingo conseguiu quebrar a malapata e interceptar duas bolas de Peyton Manning.
  • Eli Manning estabeleceu um novo máximo pessoal de passes completados e tentados num jogo – 41 em 54.
  • Com a bola nas 48 jardas de Chicago, a perder por 17-18 e com dois segundos para jogar, Andy Reid decide enviar Cairo Santos para tentar um pontapé de 66 jardas. Cairo Santos já demonstrou ser um kicker consistente, mas é preciso ter em mente que o recorde de 64 jardas, foi conseguido em Denver, onde, devido à altitude e ar rarefeito, as bolas enfrentam menos resistência na sua trajectória. Ora, eu não sei qual é a distância maxima de Cairo Santos nos treinos, mas para alguém cujo máximo pessoal é de 53 jardas, 66 é um incremento considerável. Snap, chuto e a bola bate no chão uma jarda dentro da end-zone – muitíssimo curto. Alex Smith não é conhecido por ter um braço canhão, mas estou certo que a probabilidade de conseguir colocar a bola na end-zone era superior à probabilidade de conversão deste pontapé …
  • Durante quase 3 anos – desde Dezembro de 2012 e ao longo de 586 passes, Aaron Rodgers não tinha registado nenhuma intercepção a jogar em Lambeau Field. Este domingo, foi interceptado duas vezes.
  • Com um 1m52s para jogar, bola dos Raiders e Derek Carr lança um passe em que a bola viajou 60 (!) jardas no ar (desde a linha de 10 jardas dos Raiders até à linha de 30 jardas dos Broncos) na direcção de Amari Cooper com precisão. Cooper só não conseguiu receber o passe porque sofreu pass interference de Bradley Roby.

About The Author

Hugo Taxa

Em meados da década de 80, e após ver vários episódios do "Eight is enough" na televisão (onde o filho mais novo aparecia no genérico com um capacete dos 49ers) tornei-me fã dos 49ers. A partir de 1990 tive a sorte de ter um vizinho de origem americana que recebia a Sports Illustrated, e que me dava as revistas após acabar de ler as mesmas. Segui assim as temporadas de 90, 91 e 92 pelas revistas (com de cerca de 3 meses, entre o jogo acontecer e eu ler a crónica sobre o mesmo na revista) até ver o meu primeiro Super Bowl na SIC em 1993, em directo. Tinha um teste na terça-feira seguinte, mas a antecipação era tanta que não me consegui concentrar no estudo durante o fim--de-semana ... e chumbei - tive que ir a exame!

Em 1996 acedi ao meu primeiro site na internet - espn.com. O objectivo era apenas seguir a NFL; e com o aparecimento da DSF no alinhamento da TV Cabo finalmente comecei a ver a Regular Season na TV - com comentários em Alemão!
20 anos depois me ter estreado a ver Super Bowls, acho que me posso gabar de apenas ter perdido o de 2000, e de ter visto em directo alguns dos momentos emblemáticos da NFL: Dan Marino a obter o recorde de jardas; Barry Sanders e Terrell Davis a correrem para 2000 jardas; Emmitt Smith a quebrar o recorde de Walter Payton; John Elway a "fazer de helicóptero" para ganhar o seu primeiro Super Bowl; e o melhor jogador de sempre - Jerry Rice - a dinamitar defesas adversárias.
A NFL pauta-se pelo equilíbrio, o que se traduz em todas as equipas terem os seus momentos altos e baixos. No entanto, mesmo em épocas difíceis como 2003 ou 2004 a fé nunca esmorece - 49ers Faithful!

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