A View From the Bay: Green Bay Packers vs San Francisco 49ers

Hugo Taxa 11 de Outubro de 2015 Análises, NFL Comments
Packers vs 49ers

A View From the Bay: Green Bay Packers vs San Francisco 49ers

16 passes completados em 29 tentados, para 121 jardas, duas intercepções e um passer rating de 36.7. Não, não foram os números de Kaepernick no passado domingo, mas esses (13 para 25, 160 jardas, uma intercepção e passer rating de 55.4) não andaram longe. Os primeiros números traduzem a performance de Kaepernick no jogo de Thanksgiving do ano passado contra os Seahawks. O que há de comum e de diferente entre estes dois jogos? De comum, a total inabilidade de Kaepernick em liderar os 49ers à vitória contra adversários fortes, em jogos onde a defesa fez o que lhe competia ao limitar o poder ofensivo dos adversários. De diferente, falta-nos o Tweet de Jed York a pedir desculpas aos fãs por um jogo – à falta de melhor palavra – vergonhoso. Para quem não se recorda, este Tweet foi o primeiro forte sinal exterior que as coisas estavam muito complicadas para os lados de Santa Clara, o que viria a culminar no despedimento (sim, na realidade Harbaugh foi despedido) de Harbaugh e uma off-season onde a equipa perdeu vários dos seus esteios, quer defensivos – Pat Willis, Chris Borland, Justin Smith, quer ofensivos – Frank Gore, Mike Iupati, Anthony Davis.

Os Problemas de Colin Kaepernick

Mas será que os problemas de Kaepernick começaram neste jogo? Não, na realidade se atentarmos aos números, Kaepernick não conseguiu uma performance digna de registo desde a semana 7 da temporada transacta, onde os Niners foram desmantelados 42-17 pelos Broncos, antes de irem para a Bye Week.

Season

Opp.

Att

Cmp

Yds

TD

INT

Sks

Outcome

2014

@Broncos

24

39

263

1

1

6

L

2014

Rams

22

33

237

1

0

8

L

2014

@Saints

14

32

210

1

0

4

W

2014

@Giants

15

29

193

1

0

1

W

2014

Redskins

20

29

256

1

1

2

W

2014

Seahawks

16

29

121

0

2

4

L

2014

@Raiders

18

33

174

1

2

5

L

2014

@Seahawks

11

19

141

0

0

6

L

2014

Chargers

15

24

114

1

0

2

L

2014

Cardinals

15

26

204

2

0

1

W

2015

Vikings

17

26

165

0

0

1

W

2015

@Steelers

33

46

335

2

0

5

L

2015

@Cardinals

9

19

67

0

14

2

L

2015

Packers

13

25

160

0

1

6

L

Considerando esse jogo, e desde essa altura, os Niners apresentam um score de 5-9, com  242 passes completados em 409 tentados, para um total de 2640 jardas, 11 TDs e 21 INTs, um passer rating agregado de 65.9, e um total de 53 sacks. Nesses 14 jogos, e descontando as jardas perdidas para sacks, apenas por 3 vezes (Broncos, Redskins e Steelers) Kaepernick conseguiu passar para mais de 200 jardas, sendo que em dois desses jogos o fez quando os Niners já se encontravam claramente em desvantagem no marcador (Broncos e Steelers), e as defesas deixaram de ser tão agressivas. Nas vitórias, (Saints, Giants, Redskins, Cardinals e Vikings já este ano), e com a excepção do jogo com os Redskins, Kaepernick nunca foi decisivo – se contra os Saints, Crabtree completamente desmarcado teve que recuar mais de 10 jardas para receber um passe curto (mais um!) num 4th-down crucial, e Brooks conseguiu um Fumble providencial já em Overtime; contra os Giants, Borland, sozinho, aniquilou o ataque de Manning e companhia; e os Cardinals estavam a jogar com o seu 17º QB (ou coisa semelhante) em 2014. Se isto não é uma crise, o que é que será?

Só para efeitos de comparação, deixo os números de Blake Bortles durante a mesma janela temporal:

Att

Cmp

Yds

TD

INT

RTG

Colin Kaepernick

242

409

2640

11

21

65.9

Blake Bortles

268

488

2900

13

13

70.4

O que se terá passado nessas duas semanas fatídicas? O que quer que terá sido, para mim foi notório durante a segunda metade da temporada passada que de uma forma progressiva a equipa se tornava menos criativa em termos ofensivos, quase como se estivesse em quebra de confiança para com Kaepernick. Tenho para mim que Harbaugh (que bem que se deve estar a rir em Ann Harbor) se apercebeu que efectivamente Kaepernick tinha atingido o seu tecto, derivado de as defesas terem aprendido a defender a read-option (como se viu no domingo, até Green Bay já aprendeu), e que a partir desse momento, a trajectória do QB seria necessáriamente descendente. Forçando um pouco a barra, Harbaugh conseguiu sair por cima no meio de toda esta confusão, apesar de – convenhamos – ter sido ele que efectivamente trocou Alex Smith por Kaepernick.

No entanto, a responsabilidade deste panorama miserável não pode ser só assacada a Kaepernick, ou Harbaugh/Tomsula. Como veremos nas próximas semanas, Baalke e Jed York também têm responsabilidade na forma como se chegou à situação actual.

O Jogo Contra os Green Bay Packers

Relativamente ao jogo em si, que dizer? Basicamente, há alturas em que a Lei de Murphy aparece em todo o seu esplendor. Se Michael Wilhoite não tem feito falta logo na terceira jogada, apagando um sack a Aaron Rodgers e negando um three-and-out para abrir o jogo, ao oferecer desta forma um primeiro down de bandeja que foi aproveitado por Rodgers para liderar os Packers até à end-zone, será que o jogo poderia ter corrido de outra forma? Ou, se os árbitros não têm assinalado uma falta absolutamente inacreditável a Kaepernick na primeira série de San Francisco, o passe para Bush no third-down teria sido suficiente para prolongar a drive? [Aliás, a este respeito, não é preciso olhar para muito longe para ver que há equipas que merecem sempre o benefício da dúvida – caso dos Seahawks, que desde que foram prejudicados no SuperBowl XL parecem ter uma “mão invisível” a protegê-los, seja no Fail Mary, em várias situações na final da Conferência em 2013 ou mesmo no SuperBowl XLVIII, ou ainda este passado domingo. Mais vale cair em graça do que ser engraçado, e no caso dos Niners, claramente, no que diz respeito a arbitragem, este não estão em estado de graça.] Ou, se Vance McDonald não exibisse uma vez mais as suas mãos de manteiga com 52 segundos para jogar no primeiro quarto, deixando cair um passe para primeiro down, estando completamente desmarcado, depois de Kaepernick se desembaraçar duas vezes de Clay Matthews e escapar a uma Sack quase certa? Ou se McDonald, no segundo período, não tem agarrado HaHa Clinton-Dix, negando uma  corrida de Kaepernick de 10 jardas para primeiro down?

Provavelmente não … pois mesmo com Jimmy Ward a impedir (às vezes agarrando ostensivamente sem ser penalizado) Randall Cobb de manter a sua série de 7 jogos com uma recepção para TD ou 100 jardas em recepções, e a defesa a impedir que Green Bay pela primeira vez nesta temporada ultrapassasse a barreira dos 20 pontos, Kaepernick voltou a demonstrar as suas limitações:

  • ao fazer um passe atrasado para Garett Celek (o tal problema dos passes “in stride”) no final do terceiro período – que quase resultou numa intercepção;
  • ao fazer, na intercepção que sofreu, um passe para Boldin ficou – que mais? – curto;
  • e com pouco menos de 5 minutos para jogar, e após um bom passe para Torrey Smith que valeu 47 jardas (ou seja, quase um terço do total no jogo), Kaepernick já na Red-Zone, tentou uma corrida sem grande resultado (5 jardas), seguido de um autêntico “knuckle-ball” para Reggie Bush, onde este liberto de marcação e em posição para conseguir o primeiro down, vê um passe de 5 jardas aterrar no chão duas jardas atrás da sua posição.

O play-calling também deixa a desejar: ao abrir o terceiro período, num 3rd-down-and-11, read-option com bola entregue a Reggie Bush … agora Reggie Bush é um power-back? Esta jogada consegue ser pior do que a da semana passada onde entregaram a bola a Carlos Hyde na end-zone com a equipa alinhada em shotgun.

Para finalizar, nem as special teams conseguiram trazer alguma centelha de esperança: os Packers demonstraram respeito por Jarred Hayne, direccionando todos os seus punts para a linha lateral na tentativa de evitar as suas devoluções; e Bradley Pinion não parece estar à altura de Andy Lee, que, nestes jogos renhidos era fundamental para tentar encurralar o adversário (uma vez que o ataque raramente, por si, consegue ganhar o jogo de posição).

A 5 jogos da Bye Week, e com jogos agendados contra Giants e Rams (fora) e  um bando de pássaros (Ravens, Falcons e Seahawks) em casa, chegar à semana 10 com um score de 1-9 começa a figurar-se como bastante provável. Para já, esta semana contra os Giants já não há Chris Borland e parece que também não vai haver Joe Staley para proteger (???) Kaepernick …

About The Author

Hugo Taxa

Em meados da década de 80, e após ver vários episódios do "Eight is enough" na televisão (onde o filho mais novo aparecia no genérico com um capacete dos 49ers) tornei-me fã dos 49ers. A partir de 1990 tive a sorte de ter um vizinho de origem americana que recebia a Sports Illustrated, e que me dava as revistas após acabar de ler as mesmas. Segui assim as temporadas de 90, 91 e 92 pelas revistas (com de cerca de 3 meses, entre o jogo acontecer e eu ler a crónica sobre o mesmo na revista) até ver o meu primeiro Super Bowl na SIC em 1993, em directo. Tinha um teste na terça-feira seguinte, mas a antecipação era tanta que não me consegui concentrar no estudo durante o fim--de-semana ... e chumbei - tive que ir a exame!

Em 1996 acedi ao meu primeiro site na internet - espn.com. O objectivo era apenas seguir a NFL; e com o aparecimento da DSF no alinhamento da TV Cabo finalmente comecei a ver a Regular Season na TV - com comentários em Alemão!
20 anos depois me ter estreado a ver Super Bowls, acho que me posso gabar de apenas ter perdido o de 2000, e de ter visto em directo alguns dos momentos emblemáticos da NFL: Dan Marino a obter o recorde de jardas; Barry Sanders e Terrell Davis a correrem para 2000 jardas; Emmitt Smith a quebrar o recorde de Walter Payton; John Elway a "fazer de helicóptero" para ganhar o seu primeiro Super Bowl; e o melhor jogador de sempre - Jerry Rice - a dinamitar defesas adversárias.
A NFL pauta-se pelo equilíbrio, o que se traduz em todas as equipas terem os seus momentos altos e baixos. No entanto, mesmo em épocas difíceis como 2003 ou 2004 a fé nunca esmorece - 49ers Faithful!