A View From the Bay: O Fim de Uma Era

Hugo Taxa 22 de Novembro de 2015 Equipas NFL, NFL Comentários Desligados
Colin Kaepernick

O Fim de Uma Era

A notícia de hoje é que Kaepernick foi colocado em IR, efectivamente terminando a sua temporada, e quiçá, a sua carreira como QB dos 49ers. Esta movimentação não deixa de ser curiosa – se é verdade que o contrato de Kaepernick permite que os 49ers libertem o jogador no final de cada temporada com um impacto mínimo em termos de salary cap, esse mesmo contrato torna-se garantido caso Kaepernick esteja lesionado no início de Abril de cada ano. A admissão de que Kaepernick vai ser operado ao ombro do braço esquerdo não utilizado para passes – quando anteriormente não foi revelado qualquer problema – a 4 meses da data em que os 49ers terão que tomar a decisão, pode ter duas interpretações possíveis: esta “jogada” pode ser uma forma de os 49ers fazerem um pouco de bluff, indiciando que ele se irá manter na equipa (devido à lesão) e desta forma tentar fazer subir o seu preço numa possível troca (uma vez que a capacidade negocial para exigir alguma coisa por Kaepernick era praticamente nula, face às suas mais recentes prestações ou à sua demoção para back-up), ou, mais provável, esta é a forma de garantir que ele não se lesiona até ao final da temporada, e portanto, que os 49ers o poderão dispensar antes de Abril.

Este último acto da recente tragédia de Kaepernick, embora surpreendente, é na sequência dos acontecimentos das últimas semanas. Após o jogo com os Rams, foi de imediato anunciado que Gabbert iria ser titular, de modo a permitir a Kaepernick “respirar”. A sua resposta foi muito má (ver vídeo), e poderia ter sido explorada pela imprensa de modo a criar mais ruido ainda dentro da equipa.

 

Uma vez mais Kaepernick demonstrou a sua imaturidade quando comparado com, por exemplo, Alex Smith.

Sobre a performance de Gabbert contra os Falcons falarei mais à frente, mas para já basta dizer que foi o suficiente para não se envergonhar, nem envergonhar a equipa. No entanto, após o jogo com os Falcons, os 49ers iriam ter a sua semana de bye, o que poderia potenciar uma espiral de especulação sobre quem seria o titular contra os Seahawks, equipa que no passado manietou sistematicamente Kaepernick. Esta espiral de especulação poderia ter sido utilizada a favor dos 49ers, ao deixar os Seahawks sem a certeza de quem jogaria contra eles. No entanto, logo na segunda-feira dia 9, Tomsula cortou o mal pela raiz anunciando que Gabbert seria titular contra os Seahawks, sem no entanto se comprometer com Gabbert como titular para o restante da temporada. Ora, isto deixou de ser verdade depois de Kaepernick ter ido para IR.

O Futuro de Kaepernick

Tenho para mim que Kaepernick não mais será QB dos 49ers, sendo uma decisão que na minha opinião apenas peca por tardia. A Kaepernick não deveria ter sido entregue a titularidade na sequência da lesão de Alex Smith, sem efectivamente ganhar o lugar numa batalha no training camp, e continuo convencido que com Alex Smith ao comando, o resultado do Super Bowl teria sido outro, e que a trajectória mais recente – quer a nível de resultados, quer a nível de convulsões no plantel ou na equipa técnica – teria sido evitada. Kaepernick – um grande atleta – jogou na faculdade numa uma equipa e contra equipas que não eram de elite. Assim, o atleticismo de Kaepernick era o suficiente para lhe assegurar sucesso como QB. Ao chegar à NFL, Kaepernick deixou de ser automáticamente o melhor atleta em campo. A NFL não perdoa neste aspecto, e portanto a única forma de se ser consistentemente um QB ganhador na NFL é tornar-se um jogador mais cerebral, capaz de “ler” defesas, explorar os pontos fracos do adversário (ao invés de impôr o seu ponto forte), e antecipar o jogo. Nunca tal tinha sido pedido a Kaepernick. E a realidade é que Kaepernick é, para todos os efeitos um QB que entrou para a liga em 2011 já relativamente “velho”, com 24 anos. Comparativamente, Gabbert – que entrou para a NFL no mesmo ano de Kaepernick – é dois anos mais novo e Alex Smith entrou para a NFL com apenas 21 anos. Nessas idades, três anos podem fazer uma grande diferença em termos de maturidade, e se Kaepernick deveria exibir um nível de maturidade superior, a realidade é que tal não se verificou, se atentarmos todas as polémicas de off-season em que esteve envolvido. Nas primeiras duas temporadas em que foi titular, Kaepernick respondeu ao insucesso sempre da mesma forma – a única que um atleta conhece – comprometendo-se com duros programas de melhoramento de condição física durante o defeso, publicitando devidamente a decisão. Pelo contrário, nunca houve registo de notícias em que Kaepernick declarava que iria passar dez horas seguidas por dia a estudar filme do seu jogo ou dos adversários, tal como Manning, Brady, Rodgers, ou antes deles, Favre, Aikman, Young, Montana, etc. passaram, e que é, efectivamente, a única forma de um QB progredir e compensar a sua natural perda de velocidade/atleticismo decorrente da aumento da idade. Portanto, em vez de evoluir, Kaepernick estagnou, para sempre agarrado a um modelo de jogo que não tem hipóteses de sucesso a médio prazo na NFL. A decisão de este ano trabalhar com Kurt Warner, foi “too little, too late”, e mesmo assim, o trabalho assentou essencialmente em termos de “fundamentals” (postura, posição de corpo, trabalho de pés), aspectos que já deveriam ter sido trabalhados exaustivamente no passado.

Com 28 anos, após uma subida meteórica, e uma queda mais abrupta ainda, Kaepernick está numa encruzilhada na sua carreira. Se a sua próxima equipa o contratar para uma posição de backup, e se tiver tempo, paciência e um bom QB coach para trabalhar com ele, Kaepernick ainda poderá vir a tornar-se num QB regular e ter uma carreira com sucesso moderado – não me parece que reúna condições para alguma vez vir a ser um QB de elite. Se pelo contrário, Kaepernick escolher uma equipa que lhe permita ser titular ou lutar para um lugar de titularidade de imediato – e que me parece a solução para a qual Kaepernick tenderá – acredito que dentro de um espaço de dois anos poderá estar definitivamente fora da NFL, para sempre uma promessa não concretizada.

Dirty Birds

A última vez que os 49ers receberam os Falcons foi no último jogo em casa da temporada de 2013, que foi simultâneamente o último jogo no antigo Candlestick Park. Após ter permitido que os Falcons tivessem recuperado um on-side kick, e com os Falcons com um 2nd-and-1 na linha de 10 jardas de San Francisco, a perder por 3 e com 1m32s para jogar, Matt Ryan lança um passe curto para a sua esquerda na direcção de Harry Dougles, e após Tramaine Brock discutir a posse de bola, Navorro Bowman intercepta a mesma e devolve a intercepção 89 jardas para TD, fechando assim com chave de ouro um dos estádios mais emblemáticos na história da NFL:

Após assistir às the Catch (1, 2 e 3), ao “Young Gets Away”, ou à comeback de Montana de 28 pontos, Candlestick terá sempre também na sua história a “Pick at the Stick”.

Havia bastante curiosidade para ver como Gabbert se iria comportar na sua primeira titularidade desde Outubro de 2013, bem como seria o ataque dos 49ers sem Anquan Boldin, Vernon Davis (despachado para Denver na semana anterior) e com Shaun Draughn como novo RB, por lesão de Carlos Hyde. Do lado da defesa, e face ao 6º melhor ataque da liga, havia interesse em ver como os 49ers iriam conter Devonta Freeman, que se apresentava antes do jogo como leading rusher da liga, com 709 jardas; bem como os dois novos CBs – Cromartie e Johnson, por lesão de Brock e Acker iriam conter o perigoso ataque aéreo de Atlanta. O jogo começou práticamente com mais uma daquelas penalties inacreditáveis que ultimamente têm sido assinaldas contra os 49ers: o center foi penalizado por ter “deslizado” a bola antes de fazer o snap. Basicamente, aquilo que acontece em *todas* as jogadas na NFL foi neste caso, uma falta contra os 49ers. Adiante.

Após duas trocas de bola, e já com Atlanta em vantagem no marcador 3-0, Gabbert pega na sua equipa com 5m01s para jogar e consumindo 6m22s com eficiência e paciência leva os 49ers ao seu primeiro TD em 9 quarters ou 131 jogadas. Durante a drive, duas jogadas chamaram a atenção, nomeadamente as duas últimas jogadas do primeiro período, com Gabbert a sair de uma situação complicada e, mantendo os olhos “downfield” a encontrar Quinton Patton para 9 jardas, e a decisão de Tomsula a arriscar ganhar uma jarda num 4th down na jogada subsequente. Aliás, dois dos aspectos positivos do jogo foram precisamente a capacidade demonstrada por Gabbert de escapar a algumas situações complicadas mantendo os olhos nos seus receivers, e um play-calling mais agressivo por parte dos 49ers, arriscando dois 4th downs.

Os receivers de San Francisco não tiveram uma tarde particularmente feliz, com Torrey Smith e Jerome Simpson a deixarem cair pelo menos dois passes cada um – quiçá já estavam desabituados a receber passes, visto terem jogado nas semanas anteriores com Kaepernick. Um dos passes que Simpson deixa escapar no terceiro período foi mesmo interceptado por Atlanta, pelo que Gabbert não tem qualquer culpa nessa intercepção.

Já dentro dos dois últimos minutos da primeira metade, Gabbert consegue mais um TD, com um bom passe para Celek, debaixo de cobertura. Um dart!

17-6, San Francisco a liderar e 1m09s para jogar, sabendo que Atlanta com apenas um Timeout iria ter a bola no início da segunda metade, impunha-se que a defesa dos 49ers impedisse Atlanta de marcar. Infelizmente, logo na primeira jogada a defesa dos 49ers conseguiu borrar a pintura, pois com Julio Jones a ser coberto por Navorro Bowman, Eric Reid e Jaquiski Tartt, estes dois últimos desinteressam-se da jogada e Jones, valendo-se da sua velocidade consegue receber um passe de 54 jardas. Duas jogadas depois, Matt Ryan faz um passe de 17 jardas para Devonta Freeman, reduzindo a desvantagem para 4 pontos, e voltando a colocar a vitória ao alcance de Atlanta.

O marcador não registou mais alterações até à parte final do último período, onde Atlanta, com a bola na linha de uma jarda de San Francisco, com 3 minutos para jogar, e num 4th down, é excessivamente conservadora e decide ir para o field goal. Esta atitude incompreensível de Atlanta – não aproveitando a possibilidade de, mesmo eventualmente falhando a conversão, encostar San Francisco à sua própria end-zone, veio a revelar-se fatal. De seguida, e quando se esperava que Atlanta voltasse a fazer um on-side kick, tal como em 2013, Atlanta opta por um kick-off normal que acaba na end-zone de San Francisco. Gabbert, que na drive anterior tinha sido interceptado pela segunda vez, tinha que provar que não estava afectado pelo seu erro. Assim, com 2m56s para jogar, tenta esgotar o relogio até ao two-minute warning, com duas corridas seguidas que renderam 6 jardas, obrigando no entanto Atlanta a queimar dois timeouts. Com 2m11s num 3rd-and-4 da sua linha das 36 jardas, Gabbert simula que entrega a Kendall Gaskins, mas mantém a mesma e executa um bootleg para o seu lado direito para cinco jardas, tendo o cuidado e a presença de espírito de escorregar para o chão dentro de campo, mantendo assim o relógio a correr. A vitória já não iria escapar.

Apesar de não ser um jogo brilhante, foi um jogo esforçado, com paciência, e com erros à mistura, mas que demonstrou uma certa resiliência de Gabbert, ao ultrapassar os drops dos seus receivers, e os seus próprios erros (em especial a segunda intercepção). Shaun Draughn fez um bom jogo – correndo para 58 jardas em 16 corridas, e Gabbert, mesmo com as duas intercepções e com os drops, registou 15 passes completos em 25 tentados para 2TDs e 185 jardas, aos quais acrescentou 32 jardas em 7 corridas. Quinton Patton foi o melhor dos receivers com 70 jardas em 3 recepções.

A defesa portou-se à altura, com Devonta Freeman a ganhar apenas 12 jardas em 12 corridas, e os dois CBs estreantes mostraram estar à altura pois apesar dos 45 passes de Matt Ryan, para 303 jardas (motivados em grande medida pelo facto da defesa dos 49ers ter mitigado por completo o jogo de corrida dos Falcons), em nenhum momento ficou a sensação que os receivers teriam capacidade de virar o jogo a favor dos Falcons.

Segue-se o jogo contra os Seattle Seahawks. Que esperar? Bem, embora me pareça que a vitória será quase impossível, tudo o que não seja como as duas últimas miseráveis exibições contra Seattle será um passo positivo.

About The Author

Hugo Taxa

Em meados da década de 80, e após ver vários episódios do "Eight is enough" na televisão (onde o filho mais novo aparecia no genérico com um capacete dos 49ers) tornei-me fã dos 49ers. A partir de 1990 tive a sorte de ter um vizinho de origem americana que recebia a Sports Illustrated, e que me dava as revistas após acabar de ler as mesmas. Segui assim as temporadas de 90, 91 e 92 pelas revistas (com de cerca de 3 meses, entre o jogo acontecer e eu ler a crónica sobre o mesmo na revista) até ver o meu primeiro Super Bowl na SIC em 1993, em directo. Tinha um teste na terça-feira seguinte, mas a antecipação era tanta que não me consegui concentrar no estudo durante o fim--de-semana ... e chumbei - tive que ir a exame!

Em 1996 acedi ao meu primeiro site na internet - espn.com. O objectivo era apenas seguir a NFL; e com o aparecimento da DSF no alinhamento da TV Cabo finalmente comecei a ver a Regular Season na TV - com comentários em Alemão!
20 anos depois me ter estreado a ver Super Bowls, acho que me posso gabar de apenas ter perdido o de 2000, e de ter visto em directo alguns dos momentos emblemáticos da NFL: Dan Marino a obter o recorde de jardas; Barry Sanders e Terrell Davis a correrem para 2000 jardas; Emmitt Smith a quebrar o recorde de Walter Payton; John Elway a "fazer de helicóptero" para ganhar o seu primeiro Super Bowl; e o melhor jogador de sempre - Jerry Rice - a dinamitar defesas adversárias.
A NFL pauta-se pelo equilíbrio, o que se traduz em todas as equipas terem os seus momentos altos e baixos. No entanto, mesmo em épocas difíceis como 2003 ou 2004 a fé nunca esmorece - 49ers Faithful!

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