A View From the Bay: Who’s next?

Hugo Taxa 29 de Novembro de 2015 Equipas NFL, NFL Comentários Desligados
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Who’s next?

No dia a seguir à passagem surpresa de Colin Kaepernick para IR, Trent Baalke mostrou-se surpreso com a interpretação generalizada que essa movimentação significa o fim de Kaepernick em San Francisco. Baalke, na temporada passada, também se mostrou surpreso quando os rumores de que Jim Harbaugh estaria de saída no final da temporada surgiram, e todos sabemos o que se passou …

Entretanto começaram a surgir rumores que Jim Tomsula poderá não continuar como treinador principal … com Kaepernick fora de cena é natural que comecem a surgir mais rumores sobre outros elementos da estrutura, no sentido de evitar que a pressão recaia nos verdadeiros responsáveis – Baalke e Jed York. Resta acompanhar o desenrolar das 6 semanas em falta para perceber quantos nomes da lista que aqui deixei à umas semanas atrás ainda irão “saltar” …

Para já, a seguinte foto do plantel do ano transacto – onde estão marcados os jogadores que já não estão com a equipa – não deixa de ser reveladora:

 

- em 53 jogadores de active roster, 41 já não estão na equipa …

A verdadeira questão para a entrada da semana 11 era constatar como é que Gabbert – jogando pela primeira vez como QB em Seattle – se comportava. O score de Kaepernick em Seattle é francamente negativo, 0-3 (0-4, contando com a final de conferência de 2014), evidencia da sua dificuldade em lidar com o ruído e com a defesa dos Seahawks:

Ano Jogo Cmp Att Cmp% Yds TD Int QB Rate Rsh Att Rsh Yds Rsh TD
2012 – RS SF,13-SEA,42 19 36 52,80% 244 1 1 72.0 7 31 0
2013 – RS SF,3-SEA,29 13 28 46,40% 127 0 3 20.1 9 87 0
2014 – PO SF,17-SEA,23 14 24 58,30% 153 1 2 56.4 11 130 0
2014 – RS SF,7-SEA,17 11 19 57,90% 141 0 0 81.2 9 46 0

Uma média de 14 passes completos em 27 tentados, para 166 jardas, 1TD e 2 INT por jogo, para um QB Rating equivalente de 52.4. A média de jardas em corrida por jogo é elevada – 74 – mas inconsequentes, pois não conseguiu nenhum TD em corrida.

Será que Gabbert conseguiria apresentar um registo superior?

Sem placar é difícil

Jogo em Seattle que não seja contra 19 (11 jogadores + o público (1) + a equipa de arbitragem (7)) nem é jogo, e este, para variar, não fugiu à regra. No entanto, neste caso nem se pode verdadeiramente dizer que a arbitragem tenha sido decisiva: aquilo que tornou a tarefa de sair do Century Link Field com uma vitória algo de impossível foi o facto da defesa de corrida dos 49ers ter ficado em San Francisco … ou coisa que os valha …

O mais impressionante é que isso aconteceu precisamente depois de a defesa dos 49ers ter estado particularmente bem contra os Falcons, que apresentavam o leading rusher da liga. Temo que a semana de Bye tenha feito mais mal que bem a San Francisco.

Já se sabe que os Seahawks são uma equipa muito forte fisicamente, sendo que qualquer equipa que se furte ao contacto físico, está efectivamente a desistir de ganhar. Portanto, quando na terceira jogada de Seattle, Tramaine Brock tentou bloquear Thomas Rawls com os olhos, viu-se logo que ia ser uma tarde muuuuuuuuuuuuito longa. Quatro jogadas depois, Russel Wilson faz um passe descaído para o lado direito, Jimmie Ward fica nas covas e Locket marca um TD fácil. Na drive seguinte de Seattle, o front-seven dos 49ers continuou a demonstrar uma enorme apatia, em especial em corridas pelo meio, com Ahmad Brooks a chegar sistemáticamente atrasado, ou a desinteressarem-se da jogada quando Wilson era obrigado a sair do pocket. A drive terminou com uma corrida de Rawls para TD, arrastando Tony Jerod-Eddie para dentro da end-zone. Pelo meio, uma placagem de Jaquiski Tartt – está a revelar-se um bom Strong Safety – a Jimmy Graham que o fez retroceder 2 jardas, e uma lick de Eric Reid a Doug Baldwin impedindo-o de marcar touchdown. O problema é que não podem ser só dois jogadores em 11 a placar!

Na primeira drive do segundo quarto, Wilson faz um curto para o meio, e Tyler Lockett, após receber o mesmo, desembaraça-se facilmente de Kenneth Acker, e rodeado por 3 jogadores dos 49ers – Reid, Tartt e Dontae Johnson, já contagiados pela apatia geral – consegue marcar quase sem ser tocado. Mas desaprenderam a placar?

Após um 3-and-out do ataque dos 49ers, Bradley Pinion faz um punt de 60 jardas. Tyler Lockett, sem sinalizar Fair Catch, recebe o mesmo e é imediatamente placado com violência por Quinton Patton. É assim que se placa! Mais eis que voa uma flag, e uma INACREDITÁVEL falta por Unnecessary Roughness é marcada a Patton, oferecendo 15 jardas a Seattle, e permitindo-lhes começar a drive da sua linha de 40 jardas. Os comentadores de serviço, Chris Myers e Ronde Barber não vislumbraram qualquer motivo para a falta … apenas porque não ele não existe! Só para efeitos de comparação, no jogo da semana 7 em San Francisco, num punt no quarto período e apesar de Reggie Bush ter sinalizado a Fair Catch, Ricardo Lockette placa Reggie

Bush e os árbitros nada assinalam. Aqui, sem sinalizar, e com uma placagem dura mas limpa, lá veio a flag “caseira” do costume …

Se a defesa dos 49ers já estava com muitas cerimónias para placar, depois desta jogada, ficou óbvio que não se podia “bater nos meninos”, e no resto do jogo a defesa dos 49ers limitou-se a não desobedecer a esta “nova regra”, não fossem por lá ser penalizados outra vez. O resultado final é miserável, com Thomas Rawls a conseguir correr para mais de 200 jardas – 209, para ser exacto – algo que nenhum outro jogador tinha conseguido.

A new hope…

E quanto a Gabbert? Os seus números finais, embora nada assombrosos, conseguem mesmo assim ser superiores à media de Kaepernick: 22 para 34, 264 jardas e 1 TD, aos quais acrescem 22 jardas em 4 corridas, para um rate de 98.2. Num jogo, onde rápidamente se viu com 3 scores de diferença, a forma como Gabbert pegou na bola na sua linha de 8 jardas e em 11 jogadas conseguiu levar os 49ers a um TD no final da primeira parte foi impressionante. Destacam-se nesta drive as três últimas jogadas, que renderam 46 jardas: um passe pelo buraco da agulha para Anquan Boldin de 17 jardas (que jogou bastante condicionado devido a uma lesão na perna); uma scramble de Gabbert para 10 jardas; e um passe de 19 jardas para TD para Vance McDonald, seu primeiro TD na NFL. No início do terceiro período, após os 49ers conseguirem o único 3-and-out a Seattle, Gabbert dirigiu uma drive onde os 49ers ganharam 56 jardas, mas que infelizmente “empancou” na linha das nove jardas de Seattle e rendeu apenas 3 pontos. Nesta drive Gabbert teve hipótese de demonstrar o seu atleticismo, ao escapar a Michael Bennett “ligando o turbo”, quando Bennett já estava literalmente em cima de Gabbert. Após um field-goal de Seattle, os 49ers voltaram a pegar na bola, e conquistaram 61 jardas em 11 jogadas, mas uma vez mais quedaram-se por um field-goal, deixando o score em 13-23, à entrada para o último período. Seattle agarrou na bola e Thomas Rawls voltou a contar com a displicência da defesa dos 49ers, para marcar mais um TD, e a partir daí o jogo estava definido.

De registar o facto de, pela primeira vez em muito tempo a jogar em Seattle, San Francisco ter menos penalties de False Start que os Seahawks – o que não deixa de ser um sinal de um maior controlo da linha/cadência por parte do QB dos 49ers, bem como sinal de maior concentração da linha.

O que se segue?

San Francisco tem agora duas oportunidades para evitar a dúbia distinção de não conseguir ganhar nenhum dos seus embates divisionais pela primeira vez desde 1978.

Nesse ano, o primeiro com uma época regular de 16 jogos, os 49ers tinham como parceiros de divisão os Los Angeles Rams, os Atlanta Falcons e os New Orleans Saints, e terminariam a temporada com o score de 2-14. O lendário Bill Walsh tornar-se-ia o treinador da equipa no defeso seguinte, dando o pontapé de saída para o início da época gloriosa dos 49ers, mas não me parece que a equipa tenha algum génio em vista para assumir o controlo da equipa já a partir de Janeiro …

About The Author

Hugo Taxa

Em meados da década de 80, e após ver vários episódios do "Eight is enough" na televisão (onde o filho mais novo aparecia no genérico com um capacete dos 49ers) tornei-me fã dos 49ers. A partir de 1990 tive a sorte de ter um vizinho de origem americana que recebia a Sports Illustrated, e que me dava as revistas após acabar de ler as mesmas. Segui assim as temporadas de 90, 91 e 92 pelas revistas (com de cerca de 3 meses, entre o jogo acontecer e eu ler a crónica sobre o mesmo na revista) até ver o meu primeiro Super Bowl na SIC em 1993, em directo. Tinha um teste na terça-feira seguinte, mas a antecipação era tanta que não me consegui concentrar no estudo durante o fim--de-semana ... e chumbei - tive que ir a exame!

Em 1996 acedi ao meu primeiro site na internet - espn.com. O objectivo era apenas seguir a NFL; e com o aparecimento da DSF no alinhamento da TV Cabo finalmente comecei a ver a Regular Season na TV - com comentários em Alemão!
20 anos depois me ter estreado a ver Super Bowls, acho que me posso gabar de apenas ter perdido o de 2000, e de ter visto em directo alguns dos momentos emblemáticos da NFL: Dan Marino a obter o recorde de jardas; Barry Sanders e Terrell Davis a correrem para 2000 jardas; Emmitt Smith a quebrar o recorde de Walter Payton; John Elway a "fazer de helicóptero" para ganhar o seu primeiro Super Bowl; e o melhor jogador de sempre - Jerry Rice - a dinamitar defesas adversárias.
A NFL pauta-se pelo equilíbrio, o que se traduz em todas as equipas terem os seus momentos altos e baixos. No entanto, mesmo em épocas difíceis como 2003 ou 2004 a fé nunca esmorece - 49ers Faithful!