Denver Broncos: First Look 2014

Paulo Pereira 18 de Junho de 2014 Análises, NFL Comments
Denver Broncos

Denver Broncos: First Look 2014

Com a offseason a caminhar a passos largos para o seu fim (GRAÇAS A DEUS), como estarão os Broncos, depois da free agency e draft? A equipa, ávida de conquistas e sabedora que a janela de oportunidade se reduz gradualmente, a cada ano, devido à idade de Peyton Manning, terá recuperado o ânimo, após o descalabro no último Super Bowl?

Esse jogo final demonstrou que a diferença entre a franquia de Denver e a de Seattle era bem maior do que se supunha. O resultado de 43-8 não foi fruto do acaso ou motivado por um dia menos bom. O ataque de Denver, exuberante ao longo de praticamente toda a temporada, estabelecendo um novo recorde com 606 pontos, mostrou-se impotente perante a agressiva defesa dos Seahawks. As ilações estavam lá, para serem tiradas. E John Elway, que tem gerido os destinos da franquia nos últimos anos, sabia que tinha que efectuar ajustamentos, para aumentar os índices competitivos. Se o conseguiu só o futuro imediato poderá responder, mas o sonho acalentado de erguer o Lombardi Trophy dependerá da resposta a essa questão…

Desde logo existiu a óbvia intenção de dotar o roster de qualidade acima da média, com a free agency a ser atacada de forma cirúrgica, numa evidente caça às grandes estrelas. De lá vieram DeMarcus Ware, um nome de peso que poderá solucionar os problemas no pass rush, Aqib Talib, um corner que pertence ao lote restrito dos melhores na posição e TJ Ward, um reforço de peso para a secundária, tentando limitar a fragilidade do sector. As sonantes contratações serviram igualmente outro desígnio: passar uma subliminar mensagem aos outros contendores. Gerir um roster, na NFL, é sempre um exercício delicado de equilibrismo, numa constante luta com o cap space, reforçando um sector ou posição em detrimento de outros, considerados menos vitais. Nesta luta constante, a filosofia/estratégia da cada clube assenta em dogmas diferentes. Há quem prefira construir o plantel via draft, maturando os novos talentos numa curva evolutiva que dá maior segurança no médio/longo prazo e aqueles que optam por jogar as cartas todas no imediato, aproveitando a conjugação de peças ao dispor para vencer. JÁ. Este último caso é o dos Broncos, que parecem um jogador de poker num evento milionário, impacientes e apostando no all in. Pode correr bem. Mas também pode resultar num fiasco com repercussões futuras.

A Melhor Aquisição: DeMarcus Ware

O castigo e posterior lesão de Von Miller, em 2013, desnudou o calcanhar de Aquiles da equipa. O pass rush, nos playoffs, foi incipiente, tornando-se um não-factor, que penalizou fortemente a equipa e a sua performance. Shaun Phillips, elemento mais destacado nesse quesito, saiu como jogador livre e os Broncos trouxeram um upgrade, que lhes caiu no colo de forma quase acidental e fortuita, com a surpreendente dispensa dos Cowboys. Com Ware, o front-seven ganha um novo elemento agressivo, capaz de aterrorizar as linhas ofensivas contrárias, agora obrigadas a dividirem a atenção entre o novo recruta e Von Miller, numa cópia evidente da lição recebida pelos Seahawks: uma DL disruptiva e massacrante. Se no papel a escolha de Ware é consensual (7 idas ao Pro Bowl) a contratação não deixa, no entanto, de encerrar uma dose de risco. Ware, com 31 anos, teve algumas mazelas físicas em 2013, que abrandaram o seu ritmo e levaram à sua pior performance na NFL, com apenas 6 sacks conseguidos.

Maior Perda: Eric Decker, Wide Receiver

Ponto prévio. É fácil ser um receiver quando se tem um quarterback da estirpe de Decker. Mas isso não invalida que, mesmo com números inflacionados por jogar um esquema de ataque que privilegia o aerial attack, Decker seja um elemento importante, cuja perda pode fazer alguma mossa. Em duas temporadas com Manning, Decker teve uma média de 86 recepções/ano, com 12 TDs e 1176 jardas. Perfeito conhecedor do intrincado playbook, poderá ser facilmente substituído por Emmanuel Sanders, saído dos Steelers? Louve-se a rápida reacção de Elway, suprindo a perda de Decker (o receiver mais destacado em termos de produção no ano de Tim Tebow, provando que é consistente em qualquer situação) com a introdução do veloz e talentoso Sanders. Mas, pese isso, mais a vinda dum intrigante rookie (Cody Latimer), o processo de aprendizagem do novo ataque pode provocar algumas dores de crescimento e a criação de necessária empatia com Manning sofrer um atraso.

O Que Tem que Ser Concertado: Linha Ofensiva

No actual jogo moderno, proteger o quarterback não é apenas prioritário. É crucial, imperativo e, muitas vezes, a linha ténue que separa o êxito do fracasso. Tornou-se, por isso, uma verdadeira obsessão dos estrategas ofensivos encontrar formas de proteger o seu bem mais valioso, juntando à sua frente uma parelha de 5 guardas pretorianos. Os Broncos não fogem a esse desiderato, sabendo que qualquer hit mais violento pode originar uma lesão devastadora em Peyton Manning, já com várias operações ao pescoço no currículo. O próximo training camp ajudará a definir a titularidade desse quinteto, que perdeu Zane Beadles na free agency (assinou pelos Jaguars). Para o lugar de Beadles está a ser equacionado Orlando Franklin, actualmente right tackle. A mudança dele para left guard parece óbvia, pois muitos scouts consideravam-no talhado, pela envergadura física e habilidades naturais, para a posição de guard, quando foi eleito no draft de 2011. Franklin, efectivamente, parece poder dar, no interior da OL, mais poder e massa corporal, impedindo de forma mais eficaz o inside rush dos adversários. Essa alteração, aliada ao regresso do left tackle Ryan Clady, permite equacionar um lado esquerdo bem mais sólido do que no ano passado, oferecendo um pass protection eficiente e uma ajuda crescente no jogo corrido. No campo teórico, com a presença garantida de Louis Vazquez como right guard, vindo duma temporada exibicionalmente sólida, os Broncos ficam com um par de guards de elevado gabarito, podendo almejar uma reedição do ataque demolidor que, durante grande parte de 2013, fascinou plateias. No centro, quer Manny Ramirez ou o resgatado Will Montgomery (vindo dos Redskins) são opções fiáveis, que não colocam em causa a estanquicidade do conjunto. O único senão, neste quadro, é saber quem assumirá a posição de right tackle, após a saída de Franklin para left guard. Chris Clark parece ser muma hipótese confortável, depois de no ano passado ter substituído com algum sucesso Ryan Clady, quando este se lesionou. Clark, no entanto, tem o forte do seu jogo como pass-blocker, pouco auxiliando o jogo corrido. Foi aliás pelo lado direito que, preferencialmente, as defesas contrárias atacavam com o seu pass rush, sobretudo nos playoffs, provocando estragos. Existe a possibilidade, algo remota, de ver em acção o rookie Michael Schofield, escolhido no 3º round do último draft, mas parece menos especulativo achar que o quinteto responsável pela zona nevrálgica do terreno sairá dos nomes acima apontados. E é sobre os ombros destes homens que cai o grosso da responsabilidade sobre o sucesso da próxima época. Manning não é um quarterback que sofra muitos sacks. Em 2013 sofreu apenas 18 sacks, em 659 tentativas de passe tentadas, o que é suficientemente esclarecedor quanto à rapidez usada para se livrar da bola e endossa-la em condições. Mas nem é isso que está em causa. A redoma em redor do quarterback tem que ser mais consistente do que noutros casos, pelos motivos enunciados: 38 anos, histórico recente de operações e a possibilidade crescente que o próximo sack cedido seja o último. Os Broncos ainda não esqueceram o susto do ano transacto, quando Robert Mathis atropelou Manning na regular season. Temeu-se o pior…

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Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.