Hall of Fame Class of 2016

Paulo Pereira 8 de Fevereiro de 2016 NFL Comentários Desligados
Pro Football Hall of Fame

Hall of Fame Class of 2016

Começa a cair o pano sobre a temporada de 2015, com as portas a fecharem-se e aquele ar de fim de festa a recordar-nos que, agora, são longos 7 meses de travessia de deserto. A NFL gosta, na noite antes do Super Bowl, de premiar os seus jogadores. Fá-lo num espectáculo invejável, uma espécie de produção hollywoodesca, colocando os holofotes sobre quem, dentro das quatro linhas, ou cá fora, no estudo/ensino do jogo, o leva a patamares de excelência.

No Sábado foi desvendado, com pompa e circunstância, mas com previsibilidade, que o MVP da temporada foi Cameron Newton. Prémio justo para quem, numa competição dura, repleta de playmakers, conseguiu elevar o seu jogo e, com ele, carregar às costas uma franquia rumo ao jogo mais desejado por cada atleta. Despachados todos os outros troféus individuais, esperava-se a definição de quem seria imortalizado, em Canton, esse panteão terreno destinado à perene adoração dos que mais se destacaram na NFL. Dos 15 nomes (modern-era finalists), apenas 5 seriam seleccionados, adicionando a este momento a pitada de drama, emoção e thriller que tornou a noite memorável.

1. Brett Favre e Mais Quatro

No seu primeiro ano como elegível, Favre era uma decisão no-brainer. O 3 vezes MVP, detentor de um anel de campeão graças ao Super Bowl de 1997, granjeou uma reputação de Iron Man, não falhando um jogo e, pelo meio, encantando gerações, com as suas jogadas milagrosas, o seu estilo de gunslinger e o sorriso franco no rosto. Com ele, na classe de 2016, os detentores de votos deram permissão à entrada de Kevin Greene (linebacker), Tony Dungy (treinador), Marvin Harrison (wide receiver) e Orlando Pace (offensive tackle).

Greene e a sua longa cabeleira loura viu a entrada facultada, depois de já ter sido finalista 3 vezes anteriores. Ele e os seus 160 sacks, número quase obsceno, mostram a intemporalidade do jogo, um pass rusher temível numa era em que o jogo aéreo não tinha a predominância dos tempos actuais.

Dungy, que levou os Colts – e Peyton Manning – ao triunfo no Super Bowl, foi premiado por ter sido o primeiro African-American a erguer, em triunfo, o Vince Lombardi Trophy.

Harrison, com laços umbilicais a Manning e Dungy, detentor do recorde de mais recepções numa temporada (143, no ano de 2002), aguardava já há alguns anos pelo chamado.

Pace, um dos mais brilhantes OTs da história da competição, tornou-se, a par de Jonathan Ogden, um dos percursores na difícil posição de left tackle.

2. No T.O.?

Uma das surpresas da classe de 2016 foi a não escolha do irreverente Terrell Owens, um dos mais prolíficos wide receivers da história, ainda hoje em 2º lugar nas jardas recebidas e 3º em touchdowns. Owens acabará, eventualmente, por ser escolhido para o Hall of Fame e a votação deste ano, em relação aos 15 finalistas, praticamente colocava Owens num duelo particular com Marvin Harrison. Os votantes elegeram Harrison, possivelmente premiando dois factores: o maior período de espera de Harrison para ser eleito (Owens apenas se tornou elegível este ano) e o seu estilo low profile que, quando comparado com o do enfant terrible de Owens, fica melhor na fotografia do futebol asséptico que a NFL tanto gosta. Se no campo Owens era mais dinâmico e explosivo, Harrison era mais consistente e um profissional melhor. TO terá o seu lugar reservado, mais cedo ou mais tarde…

3. Terrell Davis Out

Se de 15 finalistas só se podem eleger 5, há 10 casos que ficam por explicar, uns mais compreensíveis do que outros. Terrell Davis é um desses casos que considero inexplicáveis. O running back, eleito na 6ª ronda do draft de 1995, jogou apenas 7 anos e isso, provavelmente, levanta algum cepticismo quanto à sua real importância no jogo, de forma a entrar no Hall of Fame. Mas, deverá essa questão ser tida em conta, quando se avalia a performance de um jogador? Ou será a sua produção relativizada, por ser um dos running backs de Mike Shanahan, cujo sistema os fazia brilhar, quase indiferenciadamente? Terrell Davis, carinhosamente apelidado pelos fãs de “TD”, pode ter sido meteórico na carreira, mas deixou marca. Três idas ao Pro Bowl. Três vezes eleito para a equipa ideal da NFL. Dois anéis de campeão. O all-time leader, nos Broncos, nas jardas corridas. MVP em 1998. Duas vezes – 1996 e 1998 – considerado o jogador ofensivo do ano. MVP do Super Bowl 32. And so on. Se isto é de um running back de “sistema”, como dizem os seus detractores, não sei o que o homem poderia ter feito mais para ser imortalizado em Canton.

4. Ken Stabler – Antes Tarde do que Nunca

Acabou-se o histerismo dos fãs dos Raiders, que clamavam, cada vez mais intransigentemente, contra o aparente esquecimento na escolha do seu quarterback para o panteão dos melhores. The Snake, carreira universitária feita em Alabama, aterrou na NFL no início da década de 70, começando aí a cimentar o seu estatuto de lenda, uma espécie de rebelde que rompia com as amarras do conservadorismo, alguém que se adequava, às mil maravilhas, ao espírito contestatário, com reminiscências de gangs, dos Raiders. Em Oakland, Stabler começou a travar intensos duelos com outros geniais quarterbacks: Bob Griese, Roger Staubach, Fran Tarkenton e Teddy Bradshaw. MVP em 1974, vencedor do Super Bowl 11, foi um dos únicos quarterbacks a conseguir, na altura, uma época com um passer rating acima de 100. No entanto, viu em vida todos os seus rivais serem escolhidos, um a um, para a o Olimpo da NFL, enquanto ele permanecia no limbo. A sua entrada chega tarde. Demasiado tarde. 8 meses, para ser mais exacto. Stabler foi vencido por um cancro no cólon, tendo falecido em Julho de 2015, com essa mágoa de nunca ter ouvido o seu nome, pronunciado com reverência e aplaudido pelos seus pares, naquele momento único. Felizmente, de forma póstuma, a honra foi-lhe atribuída. E lá, onde quer que ele esteja, comemorou da única forma que sabia: a fazer um passe impossível.

5. E, Daqui a Um Ano…

Antes, corrigiram-se mais duas injustiças, depois da ascensão de Stabler à imortalidade. Eddie deBartolo, look capilar a fazer lembrar um qualquer filme de mafiosos, foi homenageado, por ter mostrado, em tempos idos, como se geria uma franquia e se criava uma dinastia. Em S.Francisco, beneficiando da presença de Joe Montana, Bartolo viu a equipa – e a cidade – comemorarem cinco vezes. Cinco vitórias no Super Bowl, conseguindo a proeza de arranjar anéis para todos os dedos de uma mão. Nenhuma competição consegue frutificar se esquecer o seu passado. Esse legado, que fará sempre a ponte entre o antes e o depois, deve ser preservado, relembrando homens que, desafiando costumes, ajudaram a cimentar o estatuto da competição. Dick Stanfel, um antecessor de Orlando Pace, recebeu a notícia no Além. Tal como Stabler, um dos offensive tackles que mudou a história do jogo, morreu no último Verão, mas nem por isso deixará de morar, em Canton, junto das outras lendas. E, agora, para o ano, rufam os tambores…

LaDainian Tomlinson | Kurt Warner | Terrell Owens. Again | Brian Dawkins | John Lynch | Jason Taylor | Bob Sanders | Dnovan McNabb | Hines Ward

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.

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