Indianapolis Colts: A Temporada à Lupa

Paulo Pereira 26.02.2014 Análises, NFL Comentários
Indianapolis Colts

Indianapolis Colts: A Temporada à Lupa

Maior Surpresa

Robert Mathis. O veterano respondeu dentro de campo às dúvidas surgidas quanto ao mérito na produção mantida. Era essa produção produto do sack-machine Dwight Freeney do outro lado? Mathis respondeu. De forma rotunda. Um categórico não. Mathis provou que pode ser um jogador impactante, no jogo da equipa, sem a presença do carismático Freeney por perto, liderando a liga num dos seus rankings mais acompanhados e importantes: o de sacks. Mathis terminou a temporada com 19,5, sete deles strip-sacks, numa equipa que esteve longe de o ajudar, nesse quesito. A produção dos Colts, se retirarmos a de Mathis, foi minimalista, com apenas 23 sacks produzidos.

Maior Desapontamento

Ryan Grigson, general manager da franquia, cultivou desde cedo um estilo diferente na abordagem. Não lhe chamaria excêntrico, mas Grigson tornou-se notado por pensar fora do lugar-comum, não se cingindo a estereótipos ou preconceitos. Umas vezes isso funciona. Outras, nem por isso. O que o GM dos Colts idealizou, quando formalizou um contrato de 4 anos e 24 milhões com LaRon Landry, é que o safety tivesse o mesmo impacto na secundária que o retirado Bob Sanders, nos seus tempos áureos na equipa. Landry, na fase terminal da sua carreira, não emendará a sua forma de jogar. Que é de risco, procurando sempre a big play, o grande hit ou o tackle salvador. O pior, nessa forma de actuar, é que o jogador fica exposto. À falha. A um lance mal calculado. Esses começaram a amontoar-se, fosse ao falhar o tackle a Jamaal Charles, permitindo um touchdown deste, ou a LeGarrette Blount, em situação similar. Para além disso, Landry cedeu a vários contratempos físicos, tendo perdido 4 jogos e nunca parecendo totalmente saudável.

Maior Necessidade

Nas várias necessidades, umas mais prementes do que outras, os Colts dirigirão a atenção, na offseason, para o reforço de ambas as linhas. Na defensiva, um defensive tackle vinha a calhar, com capacidade para ser disruptivo. Na OL, Anthony Castonzo, como left tackle, e a contratação na free agency de 2013, Gosder Cherilus, supriram as debilidades nos tackles. Donald Thomas, que perdeu grande parte da temporada na IR, deverá regressar, o que conferirá algumas garantias de solidez nos guards. Mas a equipa terá que ir às compras, reforçando e dando alguma profundidade à unidade.

MVP

No-brainer. Andrew Luck que levou, em grande parte da temporada, a equipa às costas. Sim, ele claudicou nos playoffs, no embate contra os Patriots, cometendo demasiados erros, que já tinham sido repetidos na eliminatória contra os Chiefs. Mas Luck, apenas no seu 2º ano como profissional, foi capaz de sobreviver, mesmo tendo perdido cedo na temporada o seu melhor receiver, Reggie Wayne e a dupla de RBs, Ahmad Bradshawn e Vic Ballard. Luck manteve sempre os Colts na liderança da divisão, diminuindo as suas intercepções e mostrando evolução na percentagem de passes completos. É um jogador que faz jus ao epíteto de franchise QB e em redor de quem se constrói uma dinastia.

Posição a Posição

Quarterbacks

7 intercepções nos playoffs…que não devem significar grande coisa. Os Colts foram sempre obrigados, nos dois jogos a eliminar, a correr atrás do prejuízo, levando Luck a correr riscos, que ele costuma limitar, com decisões acertadas e ponderadas. Luck é um quarterback que inspira confiança nos seus receivers, a maioria dos quais bastante jovem. Sendo um pocket passer, não se coíbe de usar a corrida, como meio para atingir o fim. Luck correu 377 jardas, curiosamente apenas menos 81 do que a grande contratação Trent Richardson. Os Colts estão bem servidos na posição, para a próxima década, provando que existe vida para além de Peyton Manning.

Running Backs

As intenções da preseason, de dotar a equipa de um maior equilíbrio, entre o passe e a corrida, sofreram um duro revés, com as lesões de Bradshawn e Ballard. A trade com os Browns, por Trent Richardson, parecia poder solver o problema, mas o ex-Alabama foi uma tremenda decepção, com uma média medíocre de 2.9 jardas por corrida e apenas 32,7 jardas por jogo. O jogo corrido não bateu totalmente no fundo, devido ao aparecimento de Donald Brown, que ajudou a camuflar a insuficiência na posição. Notoriamente, um dos piores sectores do ataque.

Wide Receivers

A lesão de Reggie Wayne e a sua falta no ataque ainda estão por quantificar. Sem a presença do excelente veterano, a equipa ficou praticamente reduzida a TY Hilton, com Luck a sentir dificuldades de conexão com os restantes membros do grupo. Darrius Heyward-Bey foi, mais uma vez, uma decepção. O espaço deixado livre pela lesão de Wayne levou ao aparecimento de Da’Rick Rodgers, um rookie undrafted e de Griff Whalen, um conhecido de Luck dos tempos de Stanford. Com o regresso esperado de Wayne, em 2014, o grupo parece sólido e com soluções variadas.

Tight Ends

O vírus das lesões não deixou incólume o sector. Quando Luck foi escolhido, no draft de 2012, a intenção clara foi a de dotar o ataque de peças suficientes para ele se sentir confortável. Do mesmo viveiro de talentos vieram dois tight ends, Coby Fleener e Dwayne Allen. Este último lesionou-se, ainda no início da época, deixando a equipa órfã. Coby Fleener, chamado a um papel de actor principal, sentiu dificuldades iniciais, com alguns drops comprometedores, mas depois arrancou para uma temporada sólida. Em 2014, a dupla, quando reunida, poderá fazer furor.

Linha Ofensiva

Sentimentos contraditórios, quando se analisa a linha ofensiva. O trabalho de restauro, que Ryan Grigson encetou, deu resultados parciais. A escolha de Gosder Cherilus, para right tackle, e a ascensão exibicional de Anthony Castonzo, no lado oposto, permitiram solidificar essas posições. O problema foi mesmo o interior da linha. Os Colts tiveram 7 diferentes combinações na OL, durante a época, prova evidente da insatisfação com as exibições, nomeadamente dos guards e center – Samson Satele, Hugh Thornton e Mike McGlynn. É aqui que deverá residir o cerne das preocupações, para 2014. Como Grigson já mostrou que sabe encontrar talento, a OL em 2014 poderá ser uma unidade bastante forte.

Linha Defensiva

Um problema. Dos grandes. A DL sentiu sempre enormes dificuldades em parar a corrida, terminando a época num modesto 26º lugar na NFL. Os titulares – Cory Redding, Aubrayo Franklin e Ricky Jean François – combinaram para números pedestres, com apenas 53 tackles e 7 sacks. É, igualmente, uma área que terá que sofrer ajustamentos, na offseason de 2014. Maior agressividade e consistência contra a corrida são os requisitos necessários para aumentar a produtividade da unidade.

Linebackers

Um dos melhores sectores da equipa, com a apreciação a ser alavancada por Robert Mathis e a sua época extraordinária, e por Jerrell Freeman, que realizou uma notável temporada. Erik Walden mostrou alguns flashes, mas faltou-lhe consistência.

Secundária

Acima, já se falou de LaRon Landry, com o sector a ser igualmente penalizado pelos problemas físicos de Greg Toler. O jogador, vindo da free agency, revelou solidez competitiva, mas perdeu demasiado tempo de jogo. Vontae Davis revelou um problema na coverage, cedendo demasiadas big plays, enquanto Antoine Bethea, um dos históricos da equipa (8 anos de permanência nos Colts) começa a revelar a passagem do tempo.

Special Team

Adam Vinatieri deverá ter um lugar reservado no panteão que celebra os melhores na posição. Pese a idade, o veterano não revela sintomas de abrandamento. Fez 34 em 34, nos extra points e 35 em 40, nos field goals. Tem 41 anos? Não parece e é um exemplo para todos os kickers, com o seu profissionalismo e dedicação. Pat McAfee teve um ano menos bom, nos punts.

Coaching

Depois de um ano de 2012 difícil, com a equipa a ter que superar a doença de Chuck Pagano, o ano de 2013 foi mais suave, mas nem por isso pejado de facilidades. Pelo contrário. Pagano, sem Bruce Arians, mas confortavelmente escudado em Pep Hamilton como novo coordenador ofensivo, teve que traçar estratégias que minimizassem o efeito das lesões, após a perda de Reggie Wayne na week 7. E Wayne, na altura, foi o 5º titular que os Colts perderam para a temporada. Manter a equipa unida, numa situação destas, conseguir vencer a divisão, ascender aos playoffs pelo 2º ano consecutivo e, aí, levar de vencida on the road os Chiefs, merece crédito. E muito. Excelente prestação de toda a equipa técnica.

Inspirado no original de Mike Wells | ESPN.com

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.

Comentários

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