Minnesota Vikings Report: Desfeito o Enguiço!

Paulo Pereira 27 de Outubro de 2015 Análises, NFC North, NFL Comentários Desligados
Minnesota Vikings vs Detroit Lions

Minnesota Vikings Report: Desfeito o Enguiço!

Vou tentar colocar isto em perspectiva, mas apetece-me gritar aos sete ventos que somos Super Bowl contenders. Sim, a expressão é claramente fruto do entusiasmo de ver os Vikings vencerem um jogo, on the road, contra um adversário da NFC North. Um observador casual pode olhar de soslaio para a divisão e esboçar um trejeito trocista, ao ver o nome dos Bears e dos Lions. Mas a verdade é que desde a temporada de 2009, em que todos os sonhos pareciam possíveis com Brett Favre na equipa, o recorde purple & gold era medíocre. Uma vitória, 16 derrotas e um empate, contra Bears, Packers e Lions. E mesmo esse mísero triunfo datava de 2012, curiosamente obtido em Detroit. Não sei se é um fetiche, mas os Vikings gostam de triunfar no território dos Lions…

A vitória, frente a uns Lions que estavam com um 1-5, parecia um mero pró-forma. Mas isso era no papel. A NFL habituou-nos a ser uma competição que se auto-regula, com as suas regras em termos de draft, free agency e salary cap a manterem uma saudável competitividade. Apesar disso, continua a existir um elemento diferenciador. O calendário. Num exercício especulativo, peguem nos adversários que os Lions enfrentaram até à data e troquem-nos pelos dos Falcons, por exemplo. Não é muito difícil imaginar estes mesmos Lions com 3 ou 4 triunfos, lutando pelos playoffs, e os Falcons longe do actual 6-1 que apresentam. Não é assim tão difícil de ver isso acontecer, ou sou eu que estou a tentar dar maior importância ao triunfo dos Vikings? Whatever!

Vencemos. Era um daqueles jogos em que era proibido falhar. Uma vitória daria um 4-2 que abre excelentes possibilidades futuras. Mas tudo pareceu soçobrar, quando a defesa entrou a dormir e permitiu dois touchdowns nas duas primeiras drives do adversário. Parecia que ia ser uma tarde longa e penalizadora. Matthew Stafford encontrava com facilidade alvos abertos, como Calvin Johnson, na primeira drive, ou Eric Ebron, na 2ª incursão. Mas, estranhamente, no imaginário recente Viking, algo aconteceu…

Não sei o que terá estado na génese da reacção. Nem sei sequer se existiu um ponto definidor, que se possa apontar e dizer, “foi ali”. O que é certo é que, a partir do 2º TD dos Lions, a defesa acertou as marcações e manteve-os fora da end zone o resto do dia. O ataque começou a progredir, com critério, encurtando distâncias. Sim, continuaram os problemas de finalização na red zone. Torna-se exasperante ver uma boa drive, com big plays pelo meio, parecer fadada para o sucesso, apenas para depois não se conseguir as últimas jardas. Mas até isso é perdoável, quando se assiste em directo a um dos melhores momentos do ano. Qual? É já a seguir…

Os melhores Purple & Gold

Stefon Diggs: Another day at the office. Mais um jogo acima das 100 jardas e o seu primeiro touchdown. O miúdo, vindo de Maryland, tem sido o melhor receiver nos jogos recentes. Possui aquela capacidade de playmaker, uma mistura de explosividade e velocidade, que o tornam um caso único no roster. E, se era para marcar um TD, pela primeira vez na sua carreira profissional, nada como o fazer em grande estilo, tipo memorando que fica impresso a relevo na mente de quem o viu. Uma bomba de Teddy Bridgewater para o fundo do campo, com Diggs, em esforço, a lançar-se no ar para receber o esférico, caindo depois na end zone. As palavras banalizam o acto, não lhe conseguindo dar a devida espectacularidade, reivindicada pelas imagens. A sua acção não se limitou a isso, obviamente. Diggs esteve sempre presente no sistema ofensivo, constituindo um quebra-cabeças para a defesa contrária. Poderá ser algo precoce afirmar isso, mas calhou a lotaria aos Vikings, no último draft.

O plano de jogo: 274 jardas cedidas ao adversário, o total mais baixo da temporada. Metade delas veio nas duas primeiras drives, o que torna ainda mais espectacular o trabalho da defesa, no resto do jogo. 7 sacks, infernizando a vida a Stafford e nunca lhe dando tempo, nem conforto, para manter um ataque ritmado. Quando Zimmer foi contratado, o seu background defensivo foi o principal responsável. Via-se nele uma mente inteligente, criativa, capaz de não só engendrar intrincados esquemas defensivos, mas também de melhorar e fazer progredir a secundária purple & gold, que era o calcanhar de Aquiles. O ano 1 foi positivo, deixando uma aragem de esperança no ar, como há muito não se sentia. Este ano 2 é apenas a continuação de um trabalho que, não sendo notável, revela profissionalismo a rodos. Estamos, FINALMENTE, bem entregues.

Blair Walsh: Belisquem-me, para ver se isto é um sonho. Aquele que já foi um dos mais fiáveis kickers da liga entrou, em meados de 2014, numa espiral descendente que parecia prenunciar um fim litigioso com os Vikings. Neste jogo, Walsh pareceu o kicker que encantou, em 2013. Preciso, sereno, confortável, meteu 5 field goals em 5 tentativas, duas delas acima das 50 jardas, algo que parecia impossível semanas atrás. Nem tudo foi cor-de-rosa, com Walsh a desperdiçar um ponto extra, agora na linha de 33 jardas. Foi uma mácula, pequenina, mas suficiente para manter o bicho da desconfiança alerta. Pode ser que o mau tempo tenha passada, como atestam os 10 field goals certeiros, em igual número de tentativas. Pode ser, mas ainda bato na madeira, três vezes, com medo de um falhanço decisivo, nos próximos jogos.

Teddy Bridgewater: Mais um excelente jogo do quarterback, com um 25/35, 316 jardas e 2 passes para touchdown, numa partida em que foi fortemente pressionado e nem sempre devidamente protegido pela OL. Sofreu 4 sacks, mas manteve sempre a compostura, evitando os lançamentos forçados e sabendo carregar a equipa às costas, quando o jogo corrido começou a claudicar. Excelente na conexão com Kyle Rudolph, ao lançar numa curta janela de oportunidade e suportando a investida de um adversário, para o 1º TD da partida, e perfeito na leitura para o TD de Diggs (se bem que a bola tenha saído ligeiramente alta demais). Continua a evoluir e é, decididamente, o nosso franchise quarterback.

Jogada inteligente: Poderá ter parecido incompreensível que os Vikings, de forma ponderada, tenham cedido 2 pontos aos Lions, ao sofrerem um safety, mas essa jogada revela alguma sagacidade de quem controla os destinos da equipa. Os Lions procuravam, num último estertor, reduzir a vantagem e beneficiaram de 4 downs, colados à end zone dos Vikings. Num misto de esforço e sorte, as 4 tentativas foram paradas pela defesa de Minnesota, que ficou com a posse de bola numa situação desconfortável. Sem espaço de manobra, e jogando com o cronómetro, na altura o melhor aliado, os Vikings gastaram os seus 3 downs em tentativas fúteis de arranjar algum espaço, para saírem daquela camisa-de-forças. Em vez de fazerem um punt, com Jeff Locke enterrado fundo na própria end zone, dando a bola a seguir aos Lions numa óptima posição de campo, ou mesmo correndo o risco de verem o punt bloqueado, os Vikings optaram por ceder um safety, com Locke a receber a bola e a sair pela end zone com ela. Com isso, mesmo ofertando 2 pontos aos Lions, queimou-se algum tempo no cronómetro e ganhou-se espaço, com o kick a ser efectuado na linha das 35 jardas, empurrando os Lions para o seu próprio terreno, obrigados a iniciarem a drive longe da end zone dos Vikings e com menos de um minuto no cronómetro. Jogada de mestre!

A corrida de All Day: Doente ou não, o dia não estava a correr nada bem a All Day, sistematicamente parado pela DL contrária, e com uma stat atípica, em determinada altura do jogo, com 11 corridas e perto de 20 jardas conquistadas. Mas de AP espera-se sempre o golpe de génio, a jogada fantástica. E ele raramente defrauda expectativas, tendo tido uma galopada de 75 jardas, apenas parado a meras duas jardas do TD por Ezekiel Ansah. A forma felina como Adrian Peterson se esquivou dos tackles, na linha de scrimmage, o seu poder de aceleração, quando se apanhou em open field, os seus cuts que partiram os rins aos adversários, são um dos momentos do jogo. Foi uma jogada crucial e quiçá decisiva na manutenção do triunfo!

Os Piores Purple & Gold

Andrew Sendejo: É o elo mais fraco na secundária e da própria defesa, o patinho-feio da equipa. E ele raramente produz algo de relevante para afastar esse estigma de si, parecendo perdido em campo, como no lance de touchdown de Ebron, em que falhou a marcação, num lance esperado e que devia ter merecido outra leitura – e agilidade – por parte do jogador.     Harrison Smith merecia melhor – bem melhor – ao seu lado.

Eric Kendricks: Aparece aqui apenas pelas dores de crescimento que a aprendizagem lhe tem dado. Kendricks é um atleta soberbo, fisicamente dotado, com apetite para defender a corrida. É comum vê-lo, nas zonas interiores do campo, a efectuar tackles com precisão. O seu atleticismo é usado nas blitzes, onde tem acumulado alguns sacks. Matthew Stafford sentiu na pele isso mesmo, ao ser derrubado por duas vezes, com Kendricks a aparecer veloz e furtivamente à sua frente. O problema em Kendricks é a sua completa inabilidade para a cobertura, no jogo de passe, sendo várias vezes apanhado em contra-pé, fora de posição e sem perceber bem o que se passa. Cedeu 55 jardas numa jogada que poderia ter sido crucial para o desfecho da partida, quando Eric Ebron ludibriou a sua marcação numa crossing route e ele ficou a ver navios. Felizmente, a coverage é um processo de aprendizagem rápido e Kendricks melhorará nesse quesito mas, até lá, poderemos assistir a mais lapsos mentais deste calibre.

O Freguês que se Segue

Agora, on to Chicago, num jogo onde é proibido perder, face ao que temos que defrontar de seguida (Packers, por duas vezes, Cardinals, Seahawks, Rams e Raiders). Jogo de rivalidade divisional, terá um opositor que ainda não se dá por vencido. Com um 2-4, os Bears sabem que pode residir num triunfo a última possibilidade de serem relevantes na NFC. Jay Cutler tem estado mais preciso e cirúrgico do que o habitual, a que não será estranha a convivência com o coordenador ofensivo, Adam Gase, o mesmo que criou um ataque em redor de Tebow, em Denver, e gizou a ida ao Super Bowl, com Peyton Manning. Já com Alshon Jeffery recuperado, o ataque ganha nova e perigosa dimensão, com o receiver a ser um mismatch tremendo para a secundária dos Vikings. Jeffery e Martellus Bennett são igualmente predatórios na red zone. O que é que os Vikings podem explorar? Claramente, alguma debilidade na linha ofensiva, onde o rookie Hroniss Grasu tem evidenciado algumas dificuldades e pode ser uma presa fácil para o pass rush interior purple & gold.

Artigo publicado originalmente na página de Facebook Minnesota Vikings Portugal

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.

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