Mock Draft 1.0: Parte I

Paulo Pereira 22 de Novembro de 2013 Draft, NFL Comments
Mock Draft 2014

Mock Draft 1.0: Parte I

What? Já? Exclamarão alguns, ao verem o teor do artigo. Outros, em sinal de desacordo, limitar-se-ão a abanar a cabeça, consternados. Eu sei. É precoce. Mas a falta de inspiração e/ou a ausência de assuntos relevantes levou-me ao exercício que se segue, habitualmente realizado nos sensaborões meses de Março e Abril, quando o futebol americano é uma saudade. Sim. Eu fiz um mock draft. Porquê? Apenas como mero exercício de análise, tentando descortinar qual a principal carência em cada roster e adaptá-la à oferta existente. É, logicamente, um exercício especulativo, desde logo porque pega na tabela classificativa actual, ditada pelos resultados até à week 11. Muita coisa ainda irá mudar, até final da regular season. E, mesmo depois, o mercado de free agents, em Março, servirá para as franquias atenuarem as fraquezas, abrindo os cordões à bolsa. O draft não contempla, por exemplo, trade ups ou downs, habituais nos frenéticos dias em que ocorre. Acima de tudo, como todos os artigos, este serve para lançar um debate. Concordam com as escolhas? Os vossos clubes de eleição, ficaram bem servidos? Ou, se fossem vocês os general managers, optariam por outra solução? Estas são as primeiras oito picks…

1. Jacksonville Jaguars – Teddy Bridgewater, Quarterback, Louisville

Parece-me consensual a opção pela posição, senão pelo jogador. Tem sido um 2013 difícil – e longo – em Jacksonville, com o novo GM David Caldwell e o novo head coach Gus Bradley a terem vida difícil. A reestruturação da franquia tem sido custosa, com os Jaguars a terem apenas uma vitória, recente, contra os Titans. A pick nº 1 não constitui, neste caso, qualquer dor de cabeça. Será em redor do esperado franchise quarterback que se tentará criar uma equipa mais competitiva. Bridgewater é visto, pela maioria dos scouts, como um prospect completo, NFL ready. Numa classe de QBs rica em talento, Bridgewater apresenta as características tão do agrado das equipas técnicas: equilíbrio no pocket, capacidade atlética para, em caso de pressão, se furtar aos sacks, mas mantendo sempre os olhos downfield, procurando finalizar a jogada. Braço forte e um lançamento rápido são outras características importantes apontadas ao ainda jogador de Louisville.

2. Minnesota Vikings – Johnny Manziel, Quarteback, Texas A&M

Outra decisão no-brainer. O tempo de Ponder acabou, em Minnesota. Três anos de aposta (quase) contínua, com o ainda QB dos Vikings a ser uma montanha-russa exibicional, relevando enorme irregularidade. Se jogando em play-action ou num pocket clean ele revelava as qualidades que o elegeram na 1ª ronda do draft, as suas dores de crescimento nunca cessaram, continuando a padecer dos mesmos problemas. Teremos novo QB nas twin cities. Facto. Mas…pode não ser aqui, nesta pick. Rick Spielman, GM dos Vikings, não se importa de arriscar, como comprova o trade up do ano passado, para escolher Cordarrelle Patterson. Nessa subida no draft, os Vikings cederam várias picks. Spielman pode aproveitar a posição excelente para descer uns lugares e, com isso, amealhar mais umas picks, que estão deficitárias. A aparente qualidade da classe de QBs permitiria, neste caso, que os purple & gold elegessem outro QB, suprindo essa carência. Mas, como disse acima, optei neste mock por mantê-lo puro, na sua essência. E assim, neste mundo virtual, os Vikings elegeriam Johnny Football, o mais empolgante jogador da actualidade. A sua evolução, desde a campanha Heisman, no ano passado, tem sido notória. Mais preciso no passe, continua a fazer da imprevisibilidade a sua principal arma. Fisicamente parecido a RG3, sobretudo pelos contínuos scrambles, terá que adaptar o seu jogo ao mundo profissional, sob pena de ser duramente castigado, nas suas corridas. Mas tem um enorme upside e a sua evolução, nas mãos certas, pode ser enorme.

3. Houston Texans – Anthony Barr, Outside Linebacker, UCLA

De Super Bowl contender a um bust total, eis o percurso de 2013 dos Texans. O que fazer? Por onde começar o reset da equipa? A posição de quarterback não estará fora de cogitações, mesmo com o aparecimento de Case Keenum, celebridade local. A recente decisão de Kubiak de sentar o jovem atleta, no jogo com os Raiders, mostra bem a incerteza que domina todos os sectores da equipa. Mas, no crescente jogo de passe em que se transformou a liga, dotar a defesa de pass rushers nunca será considerado desprezível. Barr é considerado o melhor outside linebacker do College, extremamente atlético e impressionante nos seus movimentos. A sua adesão à defesa levaria a preocupação adicionais aos adversários, agora unicamente preocupados com JJ Watt.

4. Atlanta Falcons – Jadeveon Clowney, Defensive End, South Carolina

Se os Texans eram Super Bowl contenders, o que dizer dos Falcons? A sua abrupta queda apanhou todos desprevenidos. Franquia preparada minuciosamente para o sucesso, foi trepando degrau a degrau, abalando primeiro o domínio dos Saints na divisão, tornando-se de seguida crónica presença nos playoffs e, depois, atingindo a final de conferência. O passo seguinte parecia ser lógico: atingir o SB. Thomas Dimitroff, GM que cresceu, enquanto scout, bebendo da influência de Bill Bellichick e Scott Pioli (ex-GM dos Browns), foi buscar a arma que aparentemente faltava à equipa. Um running back, que substituísse o amorfo Michael Turner. A adição de Steven Jackson parecia dar à equipa a dimensão no jogo corrido que ela já tinha no passe. No papel, tudo parecia encaminhado para o sucesso. A realidade, no entanto, pregou uma partida, e os Falcons têm sido horríveis este ano. No ataque e defesa. A sua posição no draft permite, no entanto, escolher um playmaker. Jadeveon Clowney tem visto o hype em seu redor descer de forma algo acentuada. Algumas lesões e dúvidas quanto à ética de trabalho não esmorecem, no entanto, o que foi visível em 2012: ele é uma “besta”, do ponto de vista físico, capaz de ter um impacto tremendo e imediato em qualquer front 4. O upgrade no pass rush dos Falcons (patético, depois da saída de John Abraham) seria imediato.

5. Tampa Bay Buccaneers – Marcus Mariota, Quarterback, Oregon

Escolhi o Mariota para os Bucs baseado apenas num factor: nova equipa técnica. Greg Schiano é um técnico no hot seat, à beira do despedimento. Que pode, até, nem acontecer, se a equipa de Tampa continuar a vencer, como fez nas duas últimas semanas. Esse cenário, face ao calendário restante, não parece exequível. Um novo head coach não teria laços emocionais com a maioria dos jogadores, não se sentindo obrigado a nenhuma fidelização. Mike Glennon, lançado às feras após a trade de Josh Freeman, tem sido imperfeito. Tem dado para os gastos, dentro da mediania que tem imperado na franquia, mas não é, ainda, uma aposta consensual. Mariota, estando num patamar “embrutecido”, precisa de cuidados para ser lapidado. Não é um passer tão preciso como Bridgewater, nem tem a capacidade para as pré-snap reads, mas a sua margem de evolução é potencialmente assustadora. Dual-threat, com um braço canhão, é excitante do ponto de vista atlético, trazendo uma ampla gama de utilizações, que os Bucs não conseguem ter com Glennon.

6. St. Louis Rams (via Washington Redskins) – Jake Matthews, Offensive Tackle, Texas A&M

Polivalente é o mínimo que se pode dizer de Matthews, que tanto jogou com sucesso como RT, nos Aggies (quando Luke Joeckel era o left tackle), como assumiu sem qualquer problema a difícil posição de LT. Coeso, com excelente jogo de pés, consegue ser estanque, aumentando o nível da OL. Forte fisicamente, mas mantendo a agilidade, conseguiu manter Manziel a salvo, nos últimos dois anos. É igualmente um auxiliar precioso no jogo corrido, se bem que é um quesito que carece ainda de algum treino.

7. Buffalo Bills – CJ Mosley, Outside Linebacker, Alabama

A defesa dos Bills está entre as melhores da prova, com aquele front 4 a ser o responsável por muita da pressão e asfixia sobre os ataques contrários. A escolha de um linebacker aqui surge como escolha lógica, não só adicionando mais talento à unidade defensiva, como complementando o trabalho de Kiko Alonso, uma das grandes revelações da época. Mosley aparece com o pedigree de Alabama, uma forte presença física no campo, tackler certeiro. Os scouts gabam-lhe, sobretudo, a sua defesa no passing game, quando actua em man coverage, mas é um atleta que não descura a defesa contra o jogo corrido.

8. Pittsburgh Steelers – Taylor Lewan, Offensive Tackle, Michigan

É o calcanhar de Aquiles dos Steelers, incapazes de rejuvenescerem a linha ofensiva, nos últimos anos, à excepção de Maurkice Pouncey, o seu center. Mike Adams parece um bust e David DeCastro recupera ainda da grave lesão sofrida no seu ano rookie. Lewan aparece na maioria dos rankings como o 2º melhor OT do College. Bastante agressivo, tem melhorado o seu auto-controlo, não sendo tão penalizado com penalidades. 2013 tem revelado algumas (surpreendentes) dificuldades no pass coverage, mas mantém intacto o seu status, auxiliado pela suprema capacidade como run blocker.

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About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.