Mock Draft 1.0: Parte III

Paulo Pereira 29 de Novembro de 2013 Draft, NFL Comments
Mock Draft 2014

Mock Draft 1.0: Parte III

Entramos na 2ª metade do round 1. Relembro, para os mais desatentos, que a ordem deste draft não é aleatória (ver Parte I e Parte II), tendo tido em conta a classificação no final da week 11. Logicamente que os acontecimentos recentes, na week 12, tornaram-no obsoleto… mas nada que contribua para estragar o gozo das escolhas. Elas aí estão, procurando desvendar um pouco as carências de cada franquia.

17. Miami Dolphins – Antonio Richardson, Offensive Tackle, Tennessee

Os Dolphins, que apostaram em grande na free agency de 2013, continuam débeis num sector crucial: a OL. Proteger Ryan Tannehill, o quarterback eleito para ser o franchise, é prioritário. Se a situação já não era estanque quando Johnathan Martin estava na equipa, como left tackle, a rocambolesca história que levou ao auto-afastamento do jogador, com acusações de bullying, apenas veio adensar o drama. Numa altura em que lutam desesperadamente pela 6ª seed na AFC, os Dolphins estão sem 60% da sua linha ofensiva original. A lesão de Mike Pouncey, center, apareceu na pior altura, devido ao afastamento de Martin, LT e da suspensão de Richie Incógnito, left guard. Martin, independentemente do resultado do inquérito que a própria NFL levou a cabo, dificilmente regressará a um balneário onde a cultura desportiva, que venera a superação física, abomina os “queixinhas”. Incógnito deverá ser o bode expiatório da novela, levando a um corte de laços com a entidade patronal. Por isso, a pick nº 1 terá que procurar um prospect de qualidade, que supra a carência do lado esquerdo da linha ofensiva. Richardson tem feito um excelente trabalho protegendo o blind side de Tyler Bray, em Tennessee, tendo relegado Dallas Thomas, o anterior OT de qualidade na equipa, para guard.

18. Dallas Cowboys – Louis Nix, Defensive Tackle, Notre Dame

Um agressivo e poderoso defensive tackle, que se una ao fantástico Jason Hatcher, é o sonho dos Cowboys. Louis Nix poderá ser esse jogador, se bem que o seu stock no draft possa descer, por causa de lesões num joelho, que o têm afastado do campo em 2013. A sua temporada de 2012 roçou o lendário. Intimidante contra o jogo corrido, Louis Nix consegue ser uma força disruptiva no centro, provocando o caos nas OL’s. Manti Te’o e Stephom Tuitt construíram o seu status, em parte, pelo trabalho de sapa de Nix. O mesmo efeito seria esperado aqui, com Nix e Hatcher a serem bestas indomáveis, estraçalhando as OL’s, abrindo caminho para DeMarcus Ware e Georgie Selvie completarem o ataque.

19. Chicago Bears – Ra’Shede Hageman, Defensive Tackle, Minnesota

A defesa dos Bears roça o anedótico, contra o jogo corrido, permeável até à medula. A equipa, incapaz de parar alguém, sente a saída do emblemático Brian Urlacher. A escolha de Jon Bostic, no draft do ano passado, carente de desenvolvimento, poderá levar a equipa a apostar no complemento para a linha imediatamente à frente. Hageman é um valor emergente, na excelente temporada de Minnesota, enfrentando várias vezes double-teams, nunca se intimidando. Falta-lhe, segundo a maioria dos scouts, alguma consistência, mas tem habilidade para ser um pass rusher interior, devido à sua capacidade de explosão. Temerário nos tackles, pode constituir o tampão urgente contra a defesa do jogo corrido.

20. Arizona Cardinals – Cyrus Kouandjio, Offensive Tackle, Alabama

O jogo de ataque de Bruce Arians, que explora o fundo de campo, de forma agressiva, com passes verticais, carece de suporte. Esse terá que ser dado pela OL, obrigada a conceder tempo a Carson Palmer para ajustar a sua movimentação às rotas longas. A franquia de Arizona, na luta por um lugar nos playoffs, sofreu um rude golpe ainda antes da temporada começar. A sua principal necessidade, que passava por reforçar a OL, foi fortemente penalizada com a lesão de Jonathan Cooper, guard que era o prospect nº 1 na posição, no draft de 2013. Kouandjio é excelente, quer como run-blocker, quer no pass protection, tendo levado inclusive a equipa a apostar nele, para a função de LT, passando Barrett Jones para center, em 2012.

21. San Francisco 49ers – Paul Richardson, Wide Receiver, Colorado

Numa equipa talhada para vencer, sem grandes necessidades no roster, a aposta num novo alvo para Kaepernick não é de todo irreal. O ataque aéreo dos 49ers sofreu bastante, com a ausência de Crabtree, por lesão, e a incapacidade de Greg Roman de arranjar uma solução. A equipa tornou-se, a espaços, previsível e com a pior média de jardas no jogo de passe na NFL. Richardson, mesmo jogando na fraca equipa de Colorado, é um receiver de enorme talento e qualidade, podendo ser usado no slot ou mesmo em posições mais laterais. Não é um WR de grande porte, ou um bigger target como Anquan Boldin, mas é explosivo, podendo complementar as skills de Boldin (mais dominante no jogo vertical, vencendo muitas bolas no catch point).

22. New York Jets – Austin Seferian-Jenkins, Tight End, Washington

Os Jets têm sido regulares…na irregularidade. Geno Smith só se poderá desenvolver no desejado franchise QB se tiver reunido, em seu redor, um grupo fiável de receivers. Actualmente, isso não acontece. A saída de Dustin Keller, para os Dolphins, deixou um lugar vazio, preenchido parcialmente por Jeff Cumberland e o veterano Kellen Winslow. Mas é no grupo de receivers que existe a maior lacuna do roster. Santonio Holmes passou mais de metade da temporada a debelar mazelas. Stephen Hill é inconstante e recordista no número de drops. Salva-se Jeremy Kerley, actualmente lesionado, como um dos únicos fiáveis alvos. Seferian-Jenkins teve um ano de 2012 fabuloso, tornando-se um dos mais empolgantes jogadores do College. Atlético, parece imparável quando lançado em open field, com o seu 6-6 de altura e as 266 pounds a serem difíceis de travar. Tem aquela rara combinação de tamanho, velocidade e atleticismo. Pode tornar-se uma super-estrela na NFL.

23. Carolina Panthers – Justin Gilbert, Cornerback, Oklahoma State

A equipa dos Panthers, claramente num momento ascendente e ameaçando a hegemonia de Falcons e Saints na NFC South, tem sabido usar o draft par air modelando o roster, com aquela pitada de juventude e talento requerida. O draft de 2012 assistiu ao reforço da DL, com Star Lotulei e Kawann Short a tornarem-se, quase de imediato, titulares (Short usado de forma intermitente e coadjuvando Dwan Edwards). Neste draft, os Panthers usariam a sua primeira escolha para fortalecer a secundária (que viu chegar, em 2013, o CB Melvin White), que agora vive ao sabor da inspiração – ou falta dela – de Captain Munnerlyn. O último jogo, contra os Dolphins, mostrou o que um WR rápido, como Mike Wallace, pode fazer a uma secundária, com as suas big plays (sempre abusando de Munnerlyn) a perigarem o triunfo dos Panthers. Gilbert tem o tamanho para desafiar os receivers, em man coverage, podendo igualmente ser usado no slot. Tem, segundo os scouts, excelentes ball skills. Curiosamente, já interceptou Andrew luck, RG3 e Ryan Tannehill, na época de 2011.

24. Kansas City Chiefs – Cameron Erving, Offensive Tackle, Florida State

Dois OTs, em dois anos seguidos, com escolhas do 1º round? Parece forçado, eu sei. Mas Eric Fisher, escolha nº 1 do draft de 2013, tem sido um desapontamento, agora em tarefas de right tackle. Os Chiefs, que procuraram “despachar” numa tarde o LT Branden Albert, podem emular o mesmo comportamento, em 2014, enviando Albert para uma franquia necessitada, livrando-se do salário do jogador, substituído por um rookie, mais barato e com curva de aprendizagem mais acentuada.

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.