E a Bola de Jogo Vai Para…: NFL 2015 Week 2

Paulo Pereira 23 de Setembro de 2015 Análises, NFL Comentários Desligados
JJ Watt

E a Bola de Jogo Vai Para…

Broncos, 31 @ Chiefs, 24

Aqib Talib. É um início de competição tremendo por parte do veterano, quase como se quisesse que o seu jogo falasse por si, quando é injustiçado na imprensa. Tremendo na coverage, transformando a secundária dos Broncos num reduto difícil de explorar, Talib leva já duas INTs, nos dois primeiros jogos. A do jogo contra os Chiefs veio numa altura crucial, já perto do intervalo, auxiliando a equipa que representa a manter-se por perto, no marcador. Cedeu apenas 3 recepções, pese ter sido “alvejado” 9 vezes, para meras 32 jardas. Menção honrosa para o expedito Bradley Roby, que estava no lugar certo, na altura certa, recuperando o fumble de Jamaal Charles (no melhor pano cai a nódoa) e marcando o TD da vitória.

Marcus Peters. Gosto de jogadores assim. Desinibidos. Intensos. Sem medo de falharem. O rookie cornerback, escolhido pelos Chiefs no 18º lugar do último draft, entrou na NFL sequioso de mostrar o seu talento. Em Washington, a universidade que o preparou para enfrentar o mundo profissional, era visto como um defensive back atlético, eminentemente físico, capaz de coberturas, sobre qualquer receiver, sem cedências. A sua estreia na competição foi de sonho. Os Chiefs venceram e Peters, lançado às feras contra os Texans, sobressaiu. Qual é a probabilidade de, no 1º snap da sua carreira na NFL, conseguir uma intercepção? Foi como se um sinal divino nos dissesse que está ali, em preparação, algo de grandioso. Peters tem ainda muito para trilhar. A sua posição é, hoje, numa liga pass-happy, uma das mais difíceis, se não mesmo a mais difícil, na defesa. A week 2 deu-nos novo vislumbre da qualidade do jogador. Contra os Broncos, rivais de divisão, Peters teve uma tarefa mais árdua. Bem mais árdua. Jogar contra Peyton Manning e ter que marcar Demaryius Thomas não é fácil. Peters cedeu. Algumas – poucas – vezes, com incidência nos minutos finais. Foram 6 catches, 55 jardas e um TD. Mas o que importa é o que ele fez, nos restantes minutos. E fez muito. Retornou uma INT para touchdown, numa leitura perfeita da jogada, cortando a rota e surpreendendo Manning. Defendeu 4 passes, 3 deles contra Thomas, fisicamente equivalente e com uns centímetros a mais. Foi um guerreiro na secundária, parecendo omnipresente. Não é – ainda – o shutdown corner que os Chiefs viram nele, mas está no bom caminho.

49ers, 18 @ Steelers, 43

Antonio Brown. Podia simplesmente despachar isto e dar a game ball a Ben Roethlisberger. O quarterback foi um colosso no ataque, com o seu braço canhão, a capacidade inventiva, os seus pump fakes que congelam a DL contrária. Big Ben falhou apenas 6 passes no jogo. Se isso, por um lado, mostra a docilidade da defesa vinda de S.Francisco, por outro exalta a qualidade do jogador. E este é um dos que mais gozo me dá ver jogar. Mas optei por quem correspondeu a esse esforço na condução do ataque. Não é um receiver qualquer. E tenho-o, orgulhosamente, numa fantasy league. Antonio Brown é reconhecido como um dos melhores na posição. É, igualmente, um speedster. Um velocista, com óptimas mãos. Tudo isso se sabe. Mas o que mais lhe admiro é a consistência. O Domingo a Domingo, sempre, como se mudassem apenas os adversários, porque ele joga da mesma forma. São já 35 jogos com, pelo menos, 5 recepções e 50 jardas. Pelo menos. No outside, ou saindo do slot, é um quebra-cabeças. Insolúvel, na maioria dos casos. Contra os 49ers, foram 9 recepções, 195 jardas e um TD. Magnífico. Nota de rodapé para a finalização de DeAngelo Williams. No 2º jogo de castigo de Le’Veon Bell, o running back capitalizou as suas oportunidades, anotando 3 touchdowns.

Colin Kaepernick. Num jogo inteiramente dominado pelos Steelers, ficou difícil encontrar, do lado contrário, quem se tenha exibido num nível aceitável. Mas Kaepernick fez o suficiente para sair do jogo de cabeça erguida, mostrando também aos fãs dos 49ers que podem contar com ele. Esta temporada, tumultuosa em S.Francisco, é de enorme importância para o quarterback, que começa a ser questionado, mesmo que em surdina. Percebe-se o porquê. Numa liga em que o passe se transformou no mantra das equipas, possuir um QB que não é polido nesse quesito causa desconfiança. Kaepernick não terá, até à data, evoluído de forma consistente, continuando a apresentar os mesmos defeitos. Mas esses, aparentemente, podem ser limados. Ele nunca será um pocket passer puro, um jogador capaz de dissecar de forma automática as coverages, mas possui skills que o tornam único. Felino na corrida, tem melhorada, mesmo que gradualmente, na erradicação dos turnovers do seu jogo. Se isso se deve a um plano de jogo mais conservador ou à melhoria da sua decision making é algo que ainda terá que ser apurado. Com o jogo corrido a não conseguir implementar-se, ao contrário do embate inaugural contra os Vikings, Kaep foi obrigado a passar. Muito. Foram 46 tentativas, acertando 33, para 335 jardas e 2 TDs. O seu passer rating, quando não sofreu blitzes (o seu calcanhar de Aquiles) foi de 126,8. No solo adicionou mais 51 jardas, sendo o elemento mais produtivo no ground game. E isso diz muito do desequilíbrio verificado na partida.

Buccaneers, 26 @ Saints, 19

Jameis Winston. Finalmente, uma resposta às dúvidas. Finalmente, uma centelha da sua qualidade. Gosto de jogadores assim, que reagem à adversidade, mostrando resiliência mental. Winston teve uma estreia de pesadelo, contra os Titans. A má performance foi ampliada por ter jogado contra Marcus Mariota. E ali, naqueles 60 minutos iniciais da temporada, tiraram-se conclusões. Precoces, como tantas. Onde Winston tinha sido mau, foi agora melhor. Muito melhor. Num ambiente hostil, frente ao putativo candidato à conquista da divisão, o quarterback não encheu o olho, nem colocou números dignos de vídeo game. Mas fez a exibição que o staff técnico queria. Cirúrgico, erradicando os turnovers do seu jogo, melhorando na consistência, evitando os lançamentos forçados, a tentativa heróica de salvar a jogada. Com pequenos passos, manteve o ataque funcional, progredindo no terreno, aproveitando as benesses contrárias. 14 em 21, no passe, com 207 jardas e um TD, num laser para a end zone, onde Dorial Green-Beckham mostrou as suas skills. E, no solo, sem se expor, conseguindo jardas importantes, fosse para um 1st down, ou para marcar um TD, num bootleg que lhe correu de feição.

Terron Armstead – Não é difícil, pese a desilusão instalada na legião de adeptos dos Saints, encontrar pontos positivos na equipa. São poucos, com a franquia a viver um período turbulento, depois duma offseason de pesadelo, feita de calculadora na mão, procurando poupar uns milhares como forma de respeitar o cap space. Os Saints pagam por asneiras passadas, sendo obrigados a quase fazer um reset total, para começar de novo. Sem Jimmy Graham e Kenny Stills, o ataque parece anémico e nem Drew Brees salva a honra do convento, voltando a mostrar alguma inconsistência no seu jogo. Mas se há algo que o quarterback não se pode queixar é da solidez do seu left tackle. Armstead é um nome emergente, quando se fala na posição. Ainda não aflorou todo o seu potencial, mas tem sido uma agradável revelação como pass protector. Para alguém que teve que enfrentar um front 7 com nomes como Gerald McCoy, Lavonte David e Jacquies Smith, a sua performance foi excelente. Pena que o conjunto não lhe tenha seguido as pisadas.

Lions, 16 @ Vikings, 26

Linval Joseph. Algins estarão agora a murmurar: who?Pois. É que os jogos também se ganham – e perdem – na luta das trincheiras. Era fácil entregar a game ball a Teddy Bridgewater. E o miúdo até o mereceria. Não apresentando estatísticas de encher o olhos, Teddy foi sereno, lúcido e equilibrado, conduzindo várias drives até à end zone. O mais impressionante, na sua exibição, foi a maturidade e a calma com que enfrentou as blitzes do adversário. Em quase todas elas o quarterback dos Vikings conseguiu encontrar uma linha de passe, um alvo a quem endossar o esférico. Mas, na análise do encontro, há um número que sobressai. E esteve na génese do triunfo. 38. Foi esse o total de jardas corridas pelos Lions. 38. Vinte delas foram conquistadas em scrambles de Matthew Stafford. O responsável por isso é o senhor lá de cima. Linval Joseph foi um monstro no meio da linha defensiva, tapando todos os caminhos, extirpando qualquer possibilidade de êxito aos running backs, com a sua capacidade disruptiva a levar os Lions a desistirem de jogar pelo solo (apenas 16 tentativas, contra 53 de passe).

Ezekiel Ansah – O defensive end, que joga preferencialmente pelo lado direito, foi uma força hercúlea, a remar contra a maré. O jogador, agora a entrar no seu 3º ano na liga, tem evoluído desde a saída da universidade. Visto como um talento, mas draftado essencialmente pelo seu potencial, face às evidentes limitações com que entrou na NFL (apenas com um ano de futebol em BYU), Ansah subiu a pulso a hierarquia da equipa, agora transformado na ameaça mais válida no pass rush dos Lions. Contra o rival de divisão, mesmo num dia de acerto da OL, Ansah conseguiu desbaratar em algumas situações a réplica dada, conquistando um sack e vários hits. Pena que o seu exemplo não tenha galvanizado o resto da DL, onde apenas Stephen Tulloch conseguiu acompanhá-lo.

Rams, 10  @ Redskins,24

Matt Jones. O rookie, vindos dos Gators da Florida, já tinha mostrado o seu valor, na preseason. Jogador eléctrico, elusivo e com uma capacidade de, em open field, ligar o turbo e adicionar jardas em cima de jardas, foi a surpresa bem guardada por Jay Gruden, na recepção aos Rams. Usando um combo de Alfred Morris, punitivo na forma como corre, e o referido Jones, mais fresco, os Redskins extraíram muita pressão dos ombros de Cousins, levando o jogo para um território menos propício a turnovers. No solo, Gruden foi quase simétrico, a distribuir os snaps, dando 18 a Morris, o seu cavalo de trabalho, e 19 a Jones. E este capitalizou a confiança recebida, dando profundidade ao jogo, conseguindo escapulir-se à castigadora DL dos Rams. Foram 123 jardas no solo, dois touchdowns, e mais 23 jardas em 3 recepções, aparecendo fora do backfield como mais um alvo confiável para Cousins. Jogadores de fantasy, eis o aviso: corram para a waiver wire da vossa liga e tentem caçar Matt Jones.

Aaron Donald. É um prodígio. Undersized, mas poderoso, o defensive tackle dos Rams entrou, logo no ano rookie, numa das defesas mais brilhantes, merecendo cada snap que lhe foi dado. Um pequeno pittbull, que ataca de forma feroz, consegue ser disruptivo pelo centro, a atacar o quarterback. E é isto que ele trás para a linha defensiva. Uma capacidade tremenda de criar o caos pelo centro, fuçando por cada nesga de terreno. Anotou mais um sack e 2 hits em Kirk Cousins, para além de manter a habitual produtividade como run defender. Vai ser um caso sério na NFL e não se intimida em jogar ao lado de Chris Long, Nick Fairley ou Michael Brockers.

Patriots, 40 @ Bills, 32

Tom Brady.  Despertaram a besta. A história do deflategate parece ter provocado um desejo enorme no quarterback dos Patriots de mostrar o seu valor. Brady teve um duro teste contra os Bills, de Rex Ryan, e o seu emaranhado de blitzes, coverages mascaradas e outros truques na manga do head coach que chegou a Buffalo nesta offseason. E a tudo respondeu Brady de forma sublime, numa espécie de clinic ministrada a todos os que quiserem ver. Cirúrgico e letal, o homem dos 4 anéis de campeão suportou-se na linha ofensiva, pejada de rookies, para elevar o seu jogo. A OL soube suster a brutal DL dos Bills e Brady foi espalhando os seus passes, benemérito, não deixando ninguém de fora do jogo. O seu jogo está já num estágio apurado, feito de rápidos drops, não deixando ensejo aos pass rushers de lhe tocarem, sequer. Mas Brady faz, para além disso, uma leitura de tudo o que se passa no campo, como se a sua visão processasse o que vê de forma mais rápida do que os seus pares. Ora com Edelman, ora com Gronkowski, Brady dilacerou a secundária contrária, usando e abusando do passe. Foram 38 em 59, impressionantes, 466 jardas e 3 TDs. Brady vintage!

Richie Incognito. O bad boy, o vilão da história de bullying no balneário dos Dolphins, que teve como vítima Jonathan Martin, teve a sua travessia do deserto e procura agora a redenção, nesta sua segunda oportunidade. Colocado numa OL já de si robusta e sólida, a sua presença no lado esquerdo, como guard, tem sido uma agradável surpresa. Frente aos Patriots, exibiu-se em excelente nível, se bem que as estatísticas pareçam penalizadoras para a sua unidade, com os 8 sacks cedidos. Mas os números não explicam, nem ilustram, tudo. Alguns desses sacks vieram de blitzes, onde a inferioridade numérica e o rápido aparecimento de adversários, ditou o desfecho. Outros podem – e devem – ser assacados a Tyrod Taylor, que jogou de forma errática, fugindo de pockets limpos para se aventurar fora do backfield, onde foi presa fácil para os predadores vindos de Boston. O lado esquerdo da OL, constituido por Incognito e Cordy Glenn, foi quase perfeito na missão de guarda pretoriana, protegendo Taylor até ao limite do sustentável.

Texans, 17 @ Panthers, 24

Cameron Newton.  Vá, vamos lá dar um bocadinho de crédito a Cameron. O homem ficou sem o seu alvo predilecto, Kelvin Benjamin (sim, eu sei que o Greg Olsen continua funcional, mas…). É obrigado a suportar uma linha ofensiva remendada, repleta de journeymens e enjeitados da liga. E, mesmo assim, tem 2 vitórias, suadas é um facto, mas merecidas e suportadas no seu jogo. O ataque é funcional por causa dele. Passa, corre e apenas lhe falta ir receber os próprios passes. Mas isso deve estar para breve. As stats podem não ser brilhantes, mas são cruas e mostram bem o grau de dificuldade suportado, tendo que passar para tipos chamados Philly Brown e Tedd Ginn. 18 em 37, 195 jardas, 2 TDs e uma INT, mostrando o caminho também no solo, ao correr 76 jardas em 10 tentativas, com o seu TD habitual. Enfrentando uma dura DL, provocou uma faísca no jogo, quando a equipa estava tão necessitada, numa read option perfeita, em que correu 15 jardas para um 1st down. Foi o mote necessário, com a drive a terminar num lançamento lindo para o TD de Tedd Ginn. Ah, e já nem falo do TD corrido de Newton. O homem, que gosta de emular o gesto do Super-Homem, depois de marcar, travestiu-se novamente de super-herói, voando sobre a end zone…para aterrar de pé, após uma cambalhota no ar. Cam é diversão, pura, que adocica um pouco a imagem da NFL como uma indústria trituradora, sem espaço para a diversão.

JJ Watt. Não, não é um fetiche com o defensive end, mas Watt continua a ser a única coisa positiva a retirar dos jogos dos Texans, que fariam melhor em transformar-se num perene participante em reality shows, do que em continuar a jogar de forma medíocre. Com Brian Hoyer sentado compulsivamente no banco, Ryan Mallett copiou as más exibições do colega, falhando lançamentos, errando passes fáceis e não sendo a resposta esperada. Se a isso juntarmos uma OL orfã de Duane Brown, demasiado permissiva, um jogo corrido inconsistente e um grupo de receivers que larga mais bolas do que aquelas que apanha, vemos que é na defesa que está o sustentáculo da franquia. JJ Watt não vive sozinho. Jadeveon Clowney, usado esparsamente, já começa a mostrar alguma qualidade, Brian Cushing continua punitivo e parece um guerreiro insano…mas continua a ser Watt a apresentar produção. E isto apesar de double teams, que o tentam infrutiferamente parar. Foram mais 9 tackles, dois passes defendidos, 3 tackles for loss, dois quarterback hits e o sack da praxe. É uma máquina infalível, um motor a trabalhar sempre em altas rotações. Merecia uma equipa melhor.

Cardinals, 48 @ Bears, 23

Larry Fitzgerald.  Velhos? Velhos são os trapos, parte 2. Os Cardinals continuam a apresentar o seu futebol cheio de encanto, ofensivamente repleto de big plays, comandados de forma superior por Carson Palmer. O quarterback resguardou-se, optando por um estilo mais low profile, sem exagerar nas tentativas downfield. Fê-lo apenas pela certa, procurando assertivamente os seus alvos. Entre eles, aparecendo de forma relevante pela primeira vez nesta temporada, o veterano Larry Fitzgerald mostrou que continua com as suas qualidades incólumes. Felino, desmarcando-se com propriedade, recorrendo ao seu vasto conhecimento de rotas, apareceu sempre que era necessário, cruzando o campo, fugindo das coberturas no outside, desnudando de forma precisa a secundária opositora. Foram 8 recepções, 112 jardas e 3 TDs, todos eles merecedores de repetição. Uma menção honrosa e merecida a quem tenha ganhar notoriedade: David Johnson. O rookie parece ter um objectivo, que é tomar a liga de assalto. Num roster competitivo, está no bom caminho. Dinâmico, parece um playmaker nato, cavalgando a onda de produtividade recente. No jogo da semana 1, marcou um TD, numa corrida desenfreada de 50 jardas, liquidando as pretensões dos Saints. Agora, em Chicago, começou a minar a confiança adversária logo no início do jogo, retornando o kick para um touchdown de 108 jardas. Terminou o dia de trabalho com mais um score, no jogo corrido, mostrando que pode ser uma opção válida para os próximos jogos.

Jay Cutler. Cutler é um quarterback radioactivo, um verdadeiro saco de pancada dos fãs e um favorito dos media quando o assunto é falar mal. O veterano quarterback não tem uma personalidade dócil, simpática ou empática, sendo fácil desprezá-lo, não só pelo eterno ar mal-humorado que carrega no rosto, como por algumas jogadas, cada vez mais regulares, dentro de campo, avolumando turnovers. Mas, numa liga onde arranjar um quarterback competente é mais difícil do que descobrir uma agulha num palheiro, Cutler é, ainda, a melhor solução para a posição, nos Bears. O staff técnico, que o herdou sem o desejar ardentemente, sabe isso, e deverá ter levado as mãos à cabeça quando ele saiu lesionado. Até esse fatídico momento, Cutler estava quase perfeito. Quase. Parece ser essa a sina do jogador. Há sempre algo que acontece, impedindo o seu sucesso. O encontro parecia poder ser um shootout, com Cutler a responder às investidas dos Cardinals com uma precisão contundente no passe. 8 em 8, 120 jardas e um TD. Até ao 9º passe, interceptado. E, nesse turnover, Cutler deu o corpo às balas, tentando parar o adversário com um tackle. Má decisão. A lesão, de que ainda não se sabe a extensão, colocou-o fora do jogo. E, com isso, esfumaram-se as possibilidades dos Bears vencerem. Se com ele ao leme a vida estava difícil, imaginem o que será do ataque sem ele. É motivo para ficar depressivo…

Chargers, 19 @ Bengals, 24

Danny Woodhead.  Recuperado da lesão, o running back começou a mostrar, novamente, o seu valor. E as suas skills. É assim a vida para alguns, na NFL, sempre subestimados, permanentemente obrigados a demonstrarem, jogo após jogo, que merecem os snaps recebidos. A vida de Woodhead foi sempre vivida sob o olhar da desconfiança, fosse por vir da 3ª divisão universitária, sem pedigree ao pé dos seus pares, fosse por parecer demasiado pequeno e frágil para a função. É quase como a reedição do american way of life, que valoriza a subida a pulso, a conquista de algo de valor pelos seus próprios meios, onde nada é herdado, tudo é conquistado. Ele fê-lo. Nos Patriots, onde rapidamente se tornou um dos preferidos da massa adepta, que lhe admirava o esforço denodado, até à última centelha de suor, em cada partida. E é agora assim em San Diego, mesmo vendo a franquia eternamente à procura de outros nomes, para o jogo corrido. Woodhead pode não ser o protótipo do running back para todos os downs, mas é precioso pela dimensão extra que confere ao ataque. Não é um óptimo blocker, que auxilie o jogo corrido, mas é elusivo, difícil de parar. E produz. Seja no solo, onde as suas 7 corridas renderam 36 jardas, ou fora dele, assumindo-se como o mais prolífico receiver receiver ao dispor de Phillip Rivers, com 6 recepções para 68 jardas.

Geno Atkins. A franquia até pode nem ser respeitada pelo fã comum, que vê nela apenas a fraqueza das grandes decisões, o tremor dos playoffs. Mas os Bengals cresceram. E como. Numa divisão em que vivem paredes meias com os Steelers e os Ravens, crónicos vencedores, equipas com um palmarés invejável, os Bengals parecem o patinho feio da história. Até que se fartaram. Ok, ainda não venceram mais do que títulos de divisão. Mas isso, mesmo já não satisfazendo os próprios adeptos, mostra o crescimento sustentado, a qualidade investida, o trabalho feito. O potencial está lá. O mesmo potencial que lhes permite ter, nesta altura, um recorde de 2-0, mesmo sem terem jogado bem em nenhuma das partidas. E talvez seja esse o melhor elogio que se pode dar. A capacidade criada de, quando uma unidade claudica, a outra conseguir produzir de forma a não hipotecar o triunfo. Foi assim contra os Chargers. Atkins, recuperado da lesão que o afastou em 2014, tornou a ser uma força dominante, no centro da DL, conseguindo penetrações constantes, na defesa contra a corrida, e mostrando os seus predicados como pass rusher interior, anotando 2 sacks e 2 hits. Grande jogo, numa tarde em que o ataque merece uma referência elogiosa, pelo trabalho de Giovani Bernard. Atrás de Jeremy Hill, na depth chart, aproveitou os dois fumbles deste, para assumir o protagonismo no solo, anotando 123 jardas, muitas delas pavimentadas pela excelente prestação da OL.

Titans, 14 @ Browns, 28

Dexter McCluster.  Não será motivo de regozijo, mas num jogo em que nada correu bem aos Titans, numa diferença abissal para o encontro inaugural contra os Bucs, McCluster providenciou os únicos flashes de qualidade no ataque. Mais reconhecido pelos seus dotes de returner, McCluster é um jogador que nunca correspondeu às expectativas do seu potencial. Pressente-se que está lá, naquele estilo gingão de correr, na forma como ludibria os adversários, na velocidade imprimida quando tem espaço para ganhar asas. Mas McCluster não é um jogador regular, do ponto de vista competitivo. Aparece e desaparece, como um vulcão que entra em erupção de forma involuntária, sem poder prever os acontecimentos. Os Titans foram batidos, mas Dexter manteve-os na luta, dentro do possível. No solo foram impressionantes 9,8 jardas por corrida (10 snaps e 98 jardas), provando, desta vez, que é melhor do que todos os que procuram um lugar ao sol na unidade de running backs (mau jogo de Bishop Sankey e apenas 3 snaps para Terrance West). Mas, naquele estilo dinâmico, que o podia tornar em alguém especial, ele também apareceu no jogo de passe, oferecendo um alvo confiável a Mariota. Foram 4 recepções e mais 26 jardas.

Travis Benjamin. O fã que há em mim queria dar, ardentemente, a bola de jogo a outro jogador. Sou, confessadamente, um seguidor fundamentalista da religião “manzeliana”. E o quarterback, pura diversão no College, dentro de campo, até mostrou, a espaços, aquilo que pode trazer para o mundo profissional. Mas o palco, a ribalta, foi roubada por outro. Por um velocista imparável, uma deep threat que representa o sonho de muitos coordenadores ofensivos. Benjamin foi um quebra-cabeças, o playmaker desta equipa, pela segunda semana consecutiva. Reivindicou, com as suas acções, o seu quinhão de respeito, mostrando que está mais maduro, mais confiante, disposto a assumir o relevante papel de macho alfa nesta alcateia. É ainda cedo para dizer se Benjamin pode ser aquilo que os Browns sonharam para Josh Gordon. Os estilos são diferentes, mas a irreverência é a mesma. Benjamin é explosivo. E isso até é um eufemismo. Um jogador que termina o jogo com um total de 269 jardas merece uma ovação em pé. No jogo de passe, deu profundidade ao jogo, facilmente aproveitando as debilidades na secundária que Dick LaBeau tenta consertar. Três recepções para espantosas 115 jardas e 2 touchdowns. São os highlights do jogo. Manziel a retroceder no pocket, a arranjar espaço para lançar e, depois, a bomba, sobrevoando jardas e mais jardas, até encontrar Benjamin. A conexão entre este duo promete mais cenas futuras. Benjamin é, para já, uma das revelações da competição. Os Browns, sequiosos por talento, agradecem.

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.

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