Pittsburgh Steelers: A Temporada à Lupa

Paulo Pereira 3 de Março de 2014 Análises, NFL Comments
Pittsburgh Steelers

Pittsburgh Steelers: A Temporada à Lupa

Maior Surpresa

Kelvin Beachum, a escolha nº 248 no draft de 2012. E porquê? Simples. Os Pittsburgh Steelers têm sentido, nos últimos anos, alguns problemas em transformar a linha ofensiva numa unidade protectora, sólida na cobertura a Ben Roethlisberger e competente a criar espaços para o jogo corrido. Beachum assumiu a importante posição de left tackle, nos últimos 11 jogos da temporada, substituindo o fiasco que foi Mike Adams. A diferença foi notória. Big Ben sofreu apenas 7 sacks nos últimos 7 jogos, com Beachum a ser um excelente guarda pretoriano, com os seus 6-3 de altura e 306 pounds a impressionarem. A ascenção de Beachum permite aos Steelers mudarem a estratégia de aproximação ao próximo draft. A posição de left tackle deixa de ser prioritária, podendo a pick do round 1 ser gasta na defesa, onde as carências são várias.

Maior Desapontamento

LaMarr Woodley jogou bem, mas fê-lo de forma intermitente, devido a um acumular de mazelas físicas que lhe abrandaram o ritmo e o fizeram perder tempo de jogo. Globalmente, os Steelers extraíram pouco da sua performance, se a análise abranger o contrato de Woodley. 61,5 milhões de dólares, o defesa mais bem pago de sempre na história da franquia. E a ascensão de Jason Worilds, que se transcendeu como OLB, dá garantias aos Steelers, se eventualmente se quiserem livrar de Woodley e do seu contrato.

Maior Necessidade

Dependerá sempre da abordagem dos Steelers na offseason. Woodley e Worilds são free agents, não estando ainda certo que a franquia de Pittsburgh fará algum esforço para trazer um, ou ambos. Pass rushers são cruciais no esquema táctico 3-4, nunca sendo de mais ter alguma profundidade na posição. Jarvis Jones, aposta forte no draft de 2013, teve uma época mediana, mas poderá ter um breakout year em 2014. Mesmo assim, se Woodley sair e Worilds ficar, mais uma aquisição para a posição seria importante. O reforço da secundária, em especial nos safeties, também parece prioritário. Subsiste a dúvida quanto à manutenção de Troy Polamalu, um dos ex-libris da franquia mas, independentemente do desfecho dessa novela, seria inteligente começar a rejuvenescer a posição.

MVP

Ben Roethlisberger. Questionável a escolha? Se repararmos na importância crescente da posição, no jogo de hoje, e o nível de jogo de Big Ben em 2013, é a escolha certa. Antonio Brown também sobressaiu, com algumas big plays e transformado na maior ameaça no ataque, após a saída de Mike Wallace. Roethlisberger jogou todos os snaps da temporada, estatisticamente uma das melhores da sua carreira, sendo uma presença confiante no pocket, mesmo após o início desastroso de temporada. A introdução do no-huddle no ataque levou a equipa para outro patamar competitivo.

Posição a Posição

Quarterbacks

Acima escrevi que foi uma das melhores temporadas de Roethlisberger. E foi. Factos? Passes completos na temporada, chegando aos 375 (recorde nos Steelers). Logicamente que isto é a chamada faca de dois gumes. Alguns poderão dizer, “e os turnovers”? Point taken. Eles ainda estão presentes regularmente no jogo, com epicentro no embate contra os Bears, em que Roethlisberger foi responsável por quatro. Terminou a época com 14 intercepções, mas todos estes erros devem ser lidos dentro do argumento correcto. Ele é um quarterback que arrisca, que gosta de analisar as defesas, não largando a bola de imediato, na ânsia de encontrar sempre a melhor solução. Isso penaliza-o, por vezes, mas continua com as suas características intactas.

Running Backs

Finalmente, depois dum running game insosso e estéril, em 2012, os Steelers encontraram ouro, na figura do rookie La’Veon Bell. Este, pese ter perdido os 3 primeiros jogos da temporada, por causa duma lesão no pé, revolucionou a posição, dando-lhe energia, velocidade e a capacidade de romper tackles. Bell bateu o recorde de Franco Harris, de maior número de jardas conquistadas por um rookie na franquia, e terminou a época em grande nível, correndo 214 jardas nas duas últimas partidas. A óptima notícia é que a produção, salvo lesões, apenas tenderá a melhorar. Os Steelers encontraram o seu running back do futuro.

Wide Receivers

Saiu Mike Wallace mas a mossa foi marginal. O grupo conseguiu colmatar a baixa do proeminente receiver, com Antonio Brown a assumir a batuta de WR1. Brown foi tremendo, quer como receiver, quer como retornador, sendo seleccionado em ambas as funções para o Pro Bowl. Jerrico Cotchery continua com as suas qualidades intactas, conseguindo um número de touchdowns inesperado (10). Emmanuel Sanders continuou a demonstrar a sua utilidade, com flashes de talento, mas usados de forma irregular. Atingirá o mercado de free agents este ano e, provavelmente, não regressará. A sua eventual saída será colmatada por Markus Wheaton, rookie, que mostrou enorme talento no training camp e preseason, mas que teve pouco espaço na temporada para jogar.

Tight Ends

Faltou profundidade na unidade, algo que foi desnudado quando Heath Miller falhou os jogos iniciais. Numa temporada em que o veterano esteve debilitado, jogando após uma reparação cirúrgica ao joelho, e nunca conseguiu ser a ameaça esperada (apenas um TD e um anormal número de drops), a equipa ficou órfã, pois o backup Matt Spaeth perdeu a maior parte dos jogos por lesão.

Linha Ofensiva

Um case study, pois as lesões não tiveram influência na forma como a unidade jogou, mantendo Roethlisberger protegido e evoluindo no run-blocking com o desenrolar da época. Uma boa – e algo inesperada – prestação, que dá algum ânimo para 2014.

Linha Defensiva

Uma má prestação na defesa contra o jogo corrido, permitindo 115,6 jardas em média por jogo. Uma exorbitância que desnudou a unidade e colocou em cheque o nose tackle Steve McLendon, claramente deficitário e a necessitar de um upgrade na função. Cameron Heyward emergiu, na semana 4, tornando-se o elemento mais sólido na linha defensiva. Ziggy Hood tarda em demonstrar que tem utilidade, para além de mero serviçal. Poderá ser uma das áreas a merecer um facelift na offseason.

Linebackers

Lawrence Timmons jogou em alto nível, terminando com 126 tackles, máximo na equipa. Jason Worilds secundou-o, com 8 sacks, recuperando a titularidade, depois de a ter perdido no início da época. Larry Foote foi uma baixa inesperada, logo no início da época, obrigando os Steelers a lançaram às feras o rookie Vince Williams. Como esperado, este alternou bons momentos com outros menos conseguidos, tal como a escolha de primeiro round, Jarvis Jones. Será sobre este que recairá a exigência duma maior produção, em 2014. A unidade é o núcleo duro da defesa.

Secundária

É uma unidade que começa a acusar o peso da idade. Troy Polamalu jogou bem, na maioria do tempo, mas evidencia dificuldades crescentes na coverage. Curiosamente, Polamalu recebeu significativos snaps como inside linebacker, quando os Steelers usavam um esquema táctico destinado a uma maior incidência na coverage. William Gay, no primeiro ano após o seu regresso, esteve sólido e Cortez Allen continuou a debater-se com lesões, que afectam o seu potencial. No cômputo geral, a secundária concedeu demasiadas big plays, que obscureceram o que de bom fez.

Special Team

Antonio Brown foi ao Pro Bowl como punt returner, o que diz tudo da excelência da temporada. O special team foi sólido na cobertura, nunca permitindo big plays e Shaun Suisham falhou apenas dois field goals, se bem que estes tenham sido custosos (derrota em Oakland por 3 pontos). Uma unidade competente, que apenas atravessou dificuldades na primeira fase da época na posição de punter.

Coaching

Mau início de temporada, com 0-4 e 2-6, mas Mike Tomlin conseguiu manter a estrutura unida para, como é apanágio na franquia, lutar até ao fim pelos playoffs. Excelente segunda metade da temporada, com um 6-2 que, no entanto, não permitiu o apuramento para a fase a eliminar. Tomlin continua a merecer total confiança por parte dos Steelers, pese ter falhado a postseason nos dois últimos anos.

Inspirado no original de Scott Brown | ESPN.com

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.