Saint Louis Rams: A Temporada à Lupa

Paulo Pereira 6 de Março de 2014 Análises, NFL Comments
St Louis Rams

Saint Louis Rams: A Temporada à Lupa

Maior Surpresa

A partida, na offseason, do histórico Steven Jackson deixou muitos adeptos apreensivos quanto à orfandade no jogo corrido. Especulou-se sobre quem seria o eleito, com as opiniões a dividirem-se entre Daryl Richardson, o 2º na depth chart da posição, ou outro qualquer. Após as quatro primeiras jornadas, a resposta certa foi o outro qualquer. Daryl nunca rendeu o que se esperava, cedendo o lugar ao rookie escolhido no 5º round do draft, Zac Stacy. E pronto. Com simplicidade ficou resolvido um dos problemas da franquia, com a explosão de um running back desconhecido, uma pérola encontrada nos rounds finais que se desenvolveu com rapidez para ser titular. Stacy foi um dos mais prolíficos e produtivos RBs da competição, terminando com 973 jarda.

Maior Desapontamento

Acho que se consegue imaginar o general manager dos Rams com uma dúvida shakesperiana. É ou não é? Eis a questão que assola a mente, quando se pesa a influência de Sam Bradford no ataque dos Rams. É ele o franchise quarterback que levará a equipa à glória? Será ele a resposta de longo termo que esteve na génese da sua escolha? 2013 não conseguiu responder a essa dúvida existencial. Parecia que sim, que Bradford, finalmente com armas em seu redor, poderia ter o melhor ano da sua carreira. No seu 4º ano na NFL, o infortúnio bateu à porta do jogador, que sofreu um torn ACL em 20 de Outubro, acabando por perder os últimos 9 jogos da temporada. Pese isso, tudo aponta para que os Rams permaneçam fiéis à escolha, mantendo a confiança em Bradford. Mas que ninguém se iluda. Até ao momento, a sua passagem por Saint Louis tem sido feita de frustração e expectativas estilhaçadas. 2014 surgirá como a derradeira oportunidade para Bradford provar que tem o que é necessário para ter sucesso, no mais alto nível.

Maior Necessidade

Pese o esforço feito nos drafts recentes para adquirir um receiver nº 1, os Rams continuam mergulhados num mar de dúvidas, face à real produção que é extraída do seu quadro de jovens jogadores. O talento está lá, pelo menos no campo teórico, com uma quantidade apreciável de atletas que podem fazer a diferença. Mas, para já e até ao momento, não fazem. Os Rams têm tentado emular o sucesso dos Saints no passing game, com o luxo de Drew Brees lançar para uma quantidade enorme de alvos. Os Rams não têm, no entanto, um único receiver que possam dizer que é O TAL, o nº 1. Gastaram uma pick elevada (nº 8) no ano passado em Tavon Austin, um jogador explosivo e dinâmico, mas que não foi consistente o suficiente. Por isso teremos nova incursão em 2014, seja no draft ou, mais provavelmente, na free agency.

MVP

Um dos casos mais fáceis. Robert Quinn, defensive end, fez uma temporada colossal, um verdadeiro monstro no pass rush. Foi, sem qualquer ponta de controvérsia, o jogador mais valioso e imprescindível na franquia. Quinn foi o pass rusher mais dominante, na NFL, marcando o tom nas grandes vitórias dos Rams contra os Colts, Saints e Bears. A sua acção não se limitou à agressividade no ataque ao quarterback, tendo evoluído como run defender, parecendo imparável nas suas acções, muitas vezes enfrentando double-teams.

Posição a Posição

Quarterbacks

A época ficou marcada pela lesão de Sam Bradford, que perdeu os últimos 9 jogos, obrigando a equipa a socorrer-se do seu backup, o veterano Kellen Clemens. Este, apoiando-se no jogo corrido, que o libertava para as acções atacantes, ainda conseguiu alguns flashes de qualidade, mas foi pouco para meter a equipa na corrida aos playoffs, conseguindo apenas um 4-5 nos jogos em que foi titular. A posição continuará a ser de Bradford, que enfrenta em 2014 um ano crucial para a sua carreira.

Running Backs

Zac Stacy foi uma revelação, correspondendo na perfeição ao que a franquia desejava, no pós-Steven Jackson. O papel de Stacy foi importante, sobretudo após a perda de Bradford. Destaque ainda para o bom jogo de Benny Cunningham, contra os Bears, mostrando que pode estar ali um sólido RB2. A posição está garantida, para 2014, com profundidade suficiente e qualidade acima da média.

Wide Receivers

Continua a procura por um receiver fiável. Nenhum dos que faziam parte do roster atingiu sequer as 600 jardas. Chris Givens foi um desapontamento, Brian Quick nunca entrou efectivamente no jogo e Tavon Austin teve altos e baixos. Apenas no final da temporada, com o aparecimento de Stedman Bailey, existiu alguma consistência. Mas o sector foi, ao contrário do que se esperava, demasiado fraco. Terão que vir reforços em 2014, preferencialmente um nome consagrado ou um rookie que seja uma certaza (Sammy Watkins?).

Tight Ends

Supriu, na medida do possível, a carência no jogo aéreo. Jared Cook, que os Rams tinham conseguido na free agency, estabeleceu o recorde da franquia para jardas recebidas (671) e recepções (51), assumindo-se como o alvo mais confiável na red zone. Cook não foi perfeito, com alguns drops, mas a unidade esteve sólida, graças ao desempenho de Cory Harkey e Lance Kendricks, que foram instrumentais como blockers no run game.

Linha Ofensiva

Marcada pelas lesões, conseguiu sempre, graças ao trabalho criativo do treinador da linha (Paul Boudreau), ser uma unidade sólida. A inclusão, na free agency, do left tackle Jake Long foi importante, enquanto Joe Barksdale foi uma revelação como right tackle. Rodger Saffold serviu na perfeição como guard, ele que tem feito as posições todas na OL (desde left tackle e right tackle, até guard), mas atinge o mercado de free agents este ano. A sua perda pode ser dramática para a unidade que, no computo geral, resistiu bem às defesas eminentemente físicas e agressivas da NFC West.

Linha Defensiva

Bastava a produção de Robert Quinn para alavancar o êxito da unidade, mas o sector, que foi o melhor da equipa, não viveu apenas da inspiração do defensive end. Chris Long volrou a ter uma época sólida, tal como a dupla de defensive tackles, Michael Brockers e Kendall Langford. William Hayes voltou a ser imprescindível no papel de “tapa-buracos” ao longo da linha. A unidade foi uma das melhores da competição.

Linebackers

A defesa dos Rams foi híbrida, não funcionando amiúde no tradicional 4-3. Isso foi visível no uso dos linebackers, com apenas dois normalmente em campo. Esses dois – James Laurinaitis e Alec Ogletree – jogaram acima da média, coleccionando o seu número de big plays e acumulando tackles. Outro dos habituais integrantes da unidade, Jo-Lonn Dunbar, cumpriu bem o seu papel.

Secundária

É um daqueles casos em que os números até podem enganar. A equipa terminou em 19º contra o passe. Não é bom. Mas também não é mau. Será mediano, quanto muito. Mas é uma mediania fictícia. Os Rams foram maus, globalmente, na defesa contra os quarterbacks opositores, que terminaram com um rating de 94,7, evidenciando a facilidade de fazer jogadas contra a secundária. Demasiado suaves na abordagem os Rams terão que rever processos de jogo ou arranjar ajuda, para 2014.

Special Team

Tem uma das estrelas da companhia, o punter Johnny Hekker, que estabeleceu um novo recorde na competição na média de jardas obtidas. O kicker Greg Zuerlein esteve sólido e eficaz, com apenas dois field goals desperdiçados e Tavon Austin foi eléctrico e empolgante nos retornos. O único aspecto a rever são as penalidades, que tiveram influência, sobretudo no início da temporada, na anulação de alguns dos retornos de Austin.

Coaching

Jeff Fischer e a sua tripulação merecem óbvio crédito por terem mantido a equipa competitiva, quando perderam o franchise quarterback. Jogar com um backup e vencer 4 jogos dá bem a ideia da criatividade e consistência de métodos. Por outro lado, foi decepcionante não assistir a um desenvolvimento eficaz dos jogadores, nomeadamente na posição de wide receiver. Os Rams foram igualmente penalizados por alguma falta de disciplina, com penalidade patetas e algumas jogadas non-sense, mas é ainda um grupo em franco desenvolvimento e que pode, com algumas alterações, intrometer-se na liderança da divisão.

Inspirado no original de Nick Wagoner | ESPN.com

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.