San Diego Chargers: A Temporada à Lupa

Paulo Pereira 21 de Fevereiro de 2014 Análises, NFL Comments
San Diego Chargers

San Diego Chargers: A Temporada à Lupa

Maior Surpresa

Várias, passando pela reabilitação de Philip Rivers, que colocou um ponto final no seu aparente processo de decadência exibicional, e culminando na prestação superior do rookie Keenan Allen. Allen, produto made in Califórnia, foi escolhido no 3º round, tendo pela frente uma espécie de ano sabático de aprendizagem. Mas a vida na NFL dá imensas voltas e as lesões graves de Malcom Floyd e Danario Alexander obrigaram ao lançamento prematuro de Allen, na alta-roda. O miúdo correspondeu, terminando com 71 recepções, 1046 jardas e 8 touchdowns. Nos playoffs Allen não diminuiu a sua produção, conseguindo 8 recepções, 183 jardas e mais dois touchdowns, aparecendo como putativo candidato a rookie ofensivo do ano (prémio que acabou por ser ganho por Eddie Lacy) e assumindo-se como o principal destaque no jogo aéreo na equipa.

Maior Desapontamento

Escolher jogadores no draft é um pouco como ir ao supermercado e escolher melões. Nunca sabemos realmente a qualidade do produto, antes do experimentarmos. Se isso se passa no draft, onde residem rookies nunca testados fora do ambiente do College, não se deveria passar na free agency. Aí é possível saber o histórico de um jogador, pelo tempo anterior passado num ambiente competitivo. Mas, mesmo assim, existem alguns busts. Os Chargers comprometeram-se, na free agency de 2013, com Derek Cox, que tinha jogado em bom nível nos Jaguars. O acordo, de 4 anos e 20 milhões, pretendia fazer de Cox o top cornerback da franquia. Este, no entanto, falhou em corresponder ao esperado, nunca atingindo um patamar de qualidade relevante, tendo acabado por ser substituído na titularidade por Richard Marshall.

Maior Necessidade

A adição de maior talento, na secundária, é algo que a equipa terá que conseguir, nesta offseason. Shareece Wright foi uma agradável revelação, como corner no lado direito e o free safety Eric Weedle jogou ao nível esperado mas será necessário pelo menos um corner de qualidade acima da média, de forma a estancar a permeabilidade aérea. Os Chargers conseguiram apenas 11 intercepções (26º lugar na NFL) e cederam demasiados touchdowns no jogo aéreo na primeira metade da temporada (18 TDs). Depois de resolvido o problema na secundária, a necessidade imediata poderá passar por conseguir ajuda no pass rush, como auxilio para Kendall Reyes e Corey Liuget.

MVP

Philip Rivers, claro. O veterano quarterback conseguiu elevar o seu jogo e, com isso, melhorar substancialmente todo o ataque. Na sua 10ª temporada, Rivers beneficiou da experiência de Ken Whisehunt e da transformação do ataque dos Chargers num jogo de passes curtos, ao contrário do ataque vertical a que estava habituado, mais permissivo ao erro. Rivers terminou o ano no top-5 em passes completos (69,5%), jardas passadas (4478), média de jardas por passe (8.23), touchdowns (32) e rating (105,5). Com 32 anos, Rivers mostrou que não está acabado e que pode levar a franquia ao sucesso.

Posição a Posição

Quarterbacks

Excelente época de Rivers, exorcisando alguns demónios, com notáveis exibições. Nos 3 últimos anos, antes da chegada de Mike McCoy, Rivers tinha lançado 48 intercepções. Terminou 2013 com apenas 11 e nenhuma nos playoffs. Os Chargers continuam a ter um franchise quarterback.

Running Backs

A adição, na offseason, de Danny Woodhead revelou-se instrumental para o crescimento do jogo corrido, que foi uma agradável surpresa. Ryan Matthews correu para o seu máximo de carreira, com 1255 jardas, mostrando finalmente as qualidades de que vinha revestido do College, enquanto o “minorca” vindo dos Patriots foi sempre uma ameaça, quer no solo, onde foi um complemento perfeito para Matthews, quer como alvo para Rivers, tendo finalizado a época com os seus máximos pessoais: 76 recepções, 605 jardas e 8 TDs.

Wide Receivers

Quando a equipa perdeu Floyd e Danario Alexander, temeu-se o pior. Na primeira metade da temporada, Eddie Royal jogou a um nível elevado, como slot receiver, decaindo depois exibicionalmente, devido a uma lesão num pé. Felizmente, para os Chargers, esse desaparecimento de Royal coincidiu com o aparecimento de Keenan Allen. O resto da história já é conhecida, com o rookie a ser um dos destaques do ano. O grupo, em 2014, beneficiará da complementaridade deste duo, mas precisa da infusão de mais talento. A franquia, provavelmente, desistirá de Danario Alaexander, regularmente lesionado.

Tight Ends

A unidade assistiu ao ressurgimento de Antonio Gates, depois dum 2012 para esquecer, pontuado por sucessivas lesões. Gates foi um líder, dentro de campo, ajudando Rivers a manter o ataque à tona, ultrapassando as lesões e dores de crescimento de Allen. 78 recepções, 872 jardas e 4 touchdowns, dão bem a ideia da importância de Gates no esquema táctico da equipa. Foi com agrado que os Chargers assistiram ao amadurecimento de Ladarius Green, que foi preponderante na 2ª metade da época, mostrando que a unidade tem profundidade suficiente para lá de Antonio Gates.

Linha Ofensiva

Contrariamente ao que se esperava, a unidade sobreviveu e não comprometeu as aspirações da equipa. Do quinteto titular, apenas Nick Hardwick conseguiu resistir à maratona de jogos, totalizando os obrigatórios 16 na regular season. As baixas levaram ao uso de 7 diferentes combinações na OL, com essa variedade a não empenhar as aspirações do grupo. A OL cedeu 30 sacks e foi importante ao pavimentar o jogo corrido (122,8 jardas corridas por jogo), tendo terminado a época num respeitável 13º na NFL.

Linha Defensiva

Se a OL cerceou o número de sacks, o que é abonatório, a linha defensiva bateu-se com o oposto: a necessidade de criar mais movimentos disruptivos, de forma a aumentar a pressão e consequente número de hits nos QBs contrários. A DL conseguiu apenas 35 sacks na temporada, revelando fragilidade na obrigação de, regularmente, atingirem o adversário. Corey Liuget foi o mais consistente elemento da linha da frente, com 50 tackles e 5,5 sacks. Foi coadjuvado por Kendall Reys, que melhorou o seu jogo com o decorrer da época, tendo terminado com 5 sacks. É visível que a equipa precisa de reforços para este sector.

Linebackers

O que mais marcou a unidade foi a inconsistência contra o jogo corrido, um dos problemas que terão que ser resolvidos nesta offseason. Donald Butler foi o líder do grupo, com 84 tackles, mas perdeu tempo devido a uma lesão, enquanto o rookie Manti Te’o revelou alguns pormenores interessantes, sem ter sobressaído do conjunto. Ainda em período de luto pela perda da namorada (just kidding) Te’o terminou a época com 61 tackles.

Secundária

Já foi escrito acima: a secundária terá que elevar o seu jogo e, provavelmente, será um sector prioritário na offseason. Derek Cox foi uma desilusão tremenda, Shareece Wright e Jahleel Addae foram revelações e Eric Weedle jogou a um nível de Pro Bowler. Pese isso, não chega.

Special Team

Bom grupo, mas com uma evidente falha: precisam dum playmaker explosivo nos retornos. De resto, Nick Novak igualou o recorde da franquia, ao converter 34 field goals e Mike Scifres, o punter, conseguiu uma média por punt de 48.3, recorde na história do clube.

Coaching

Mike McCoy chegou, viu e venceu, se considerarmos a ida aos playoffs, que os Chargers não atingiam desde 2009, uma vitória. Na sua primeira aventura como head coach, McCoy mostrou os predicados que lhe tinham rendido elogios, enquanto coordenador ofensivo nos rivais de divisão, os Broncos. John Pagano merece igualmente crédito por ter mantido a sua unidade, a defesa, a jogar num nível elevado, durante toda a temporada.

Inspirado no original de Eric D. Williams | ESPN.com

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.