Saúdem o Campeão da Preseason, Bitches!

Paulo Pereira 1 de Setembro de 2015 Equipas NFL, NFL Comments
Minnesota Vikings

Saúdem o Campeão da Preseason, Bitches!

Dou por mim a falar sozinho. Ok, isto soa estranho. Muito estranho. Mas é a forma encontrada de temperar as expectativas. Como se tivesse um grilo falante (continua estranho, certo?) no ombro, que vai dando conselhos. Vários. Do tipo:
“É preseason. Os jogos são a brincar. Não contam para nada”. Etc, etc, etc. Perceberam a ideia, correcto?

É difícil não ficar empolgado na offseason. É a altura do ano em que sonhamos. Alto. Caraças, até os fãs dos Jaguars devem imaginar como é ver o Vince Lombardi Trophy a ser erguido, naquela profusão de confetis, com as suas cores a serem coroadas como vencedoras do Super Bowl. Mas depois da offseason, com o regresso do Adrian Peterson, veio a preseason. E as quatro vitórias em quatro jogos.

[O grilo ia dizer qualquer coisa, mas levou um estoiro e ficou esmagado. Para sempre, espero eu, que isto de andar a ouvir vozes é cansativo].

Contra os Cowboys, mais um triunfo. 28-14 e muitos motivos para sorrir. Não de forma tímida. Ou afectada. Mas de satisfação, excitação e qualquer outra coisa acabada em ão. Bater os Brokeback Mountain Guys [ok, peço desde já perdão pela piadola homofóbica, em nome do politicamente correcto, mas aposto que o Donald Trump concorda comigo], mesmo em jogo treino, merece comemoração. A preceito. E eles também podem comemorar. O Darren McFadden conseguiu fazer um jogo. Sem se aleijar. Pensem nisto. Outra vez. Na mesma frase consegui o impensável. Colocar o McFadden e a ausência de lesão. É mesmo uma preseason estranha mas, se calhar, enquanto escrevo estas alarvidades o running back é bem capaz de ter torcido um pé, a descer do automóvel. Ou a fazer o pequeno-almoço.

Quanto ao que interessa, que é tudo o relacionado com os purple & gold, tenho que confessar:
ESTOU PROFUNDAMENTE APAIXONADO PELO TEDDY BRIDGEWATER.

Pronto. Já desabafei. Não é uma coisa sexual. Mas vivo num permanente e febril estado de adoração. Acho-o um dos quarterbacks mais cool da competição. Caramba, quem é que permanece impávido, com o rosto sereno, enquanto é protegido pela montanha adiposa de nulidade em que se transformou o Matt Kalil? Qualquer outro viveria aterrado de morte, bem antes do snap, imaginando horrores. E dores. Mas ele não. Analisa calmamente a jogada, os olhos perscrutando os limites do campo, examinando as rotas, escrutinando as defesas. E, quando vê alguns colossos gordos a correrem na sua direcção, como comboios desgovernados (façam é análises anti-doping ao Randy Gregory, que aquilo não é normal), olhos raiados de sangue, e nós fechamos os olhos, imaginando o pior, ele safa-se. Sem um arranhão. É o Houdini metido num uniforme de futebol americano. É o Aaron Rodgers, mas em versão negra. É o Brett Favre, sem os erros estúpidos. É o Peyton Manning, com 20 anos a menos e um pescoço intacto. É o Brady, mas com as bolas com a pressão correcta. É o futuro MVP, Hall of Fame e Prémio Nobel da Paz. Tudo na mesma altura. É o Teddy, caramba! Verguem-se à sua genialidade. [Aviso desde já que este texto pode ser revisto futuramente, se ele começar a lançar intercepções, como o Jay Cutler].

Segunda coisa de que gostei no jogo contra a malta do Jerry Jones [agora a sério, o homem pode ser podre de rico, mas tem um ar um bocado tarado, não tem? Parece um daqueles parentes afastados, que todos temos, que gosta de apalpar as miúdas à mínima oportunidade. Repugnante]: Cordarrelle Patterson. Não. Not so fast. Gostei… em situações específicas. Mas, ao vê-lo retornar aquele kickoff para 107 jardas, fomos transportados no tempo. Para o seu ano rookie, quando ganhou a alcunha de Flash e parecia mesmo isso. Um super-herói imparável. Algum idiota deve ter descoberto a poção para o travar, porque nunca mais deu nada, desde aí. Mas, nos retornos, esperamos sempre que aconteça algo. Um lance de génio. Uma correria insana. E ele não nos defraudou. TOUCHDOWN, BITCHES!

Agora, mais a sério. Ainda sinto palpitações cardíacas sempre que imagino as possibilidades existentes no ataque. Antes, era só Adrian Peterson. Com ele de licença sabática em 2014, pensando em novas e engenhosas formas de castigar os filhos, vimos que afinal até temos jogo aéreo, cortesia do até então anónimo Charles Johnson. Se adicionarmos a essa equação um Kyle Rudolph e um Mike Wallace, é difícil não ficar [o que se segue é só para maiores de 18] com uma erecção.

[Acabei de receber uma chamada do Mark Zuckenberg, que me alertou para a ordinarice que impera geralmente nos meus escritos, contrariando a política familiar do facebook. Se quiser mostrar criancinhas cobertas de chagas, ou feridas aberrantes, tudo ok que é para o bem mundial, mas fui alertado para me conter nas brejeirices. Point taken].

Vou tentar escrever isto de outra forma. Ver Teddy lançar para Wallace é o sonho molhado de qualquer coordenador (What? Isto não é asneira, caraças!). Finalmente, temos uma deep threat. E aquela conexão de 39 jardas foi qualquer coisa de bonito. A rapidez do receiver (continua a ser uma prima-donna, mas é a nossa prima-donna agora) fez a diferença, mas a maturidade do quarterback, mudando a jogada na linha de scrimmage, bem como a suavidade do lançamento, tornaram aquele momento digno de um loop contínuo. Perfeito!

Para isto não parecer um resumo duma novela, naquelas revistas cor-de-rosa (nunca li nenhuma, mas sei que existem), também há coisas para emendar. Pudera. É preseason. Somos praticamente os vencedores do Super Bowl da preseason, mas há alguns – poucos – motivos de desconforto. O primeiro é que continuo a achar que Trae Waynes vai ser um bust. Com letra gigantesca. Mike Zimmer acha que não. Mas o cornerback tem denotado inúmeras dificuldades neste patamar mais elevado e, no meio das asneiras que tem cometido, tem valido aquele ar paternal do head coach. Quase como um pai a guiar o seu filho com problemas cognitivos pelas vicissitudes da vida, Zimmer tem dado várias oportunidades ao rookie. Uma após outra. Contra os Cowboys, jogou a 2ª parte toda…e voltou a ser batido por quem tinha que defender. Sim, Terrance Williams é rápido, mas quem é que não é, naquela posição, hoje em dia? Da forma como as coisas estão, até um tipo com esclerose múltipla passava pelo Waynes. Ao pé-coxinho. Junte-se a isto o debilóide do Captain Munnerlyn e temos motivos de sobra para socar alguém, com a frustração. Imaginem o cenário. Os Cowboys num 3-and-13. E o Munnerlyn faz um holding. Really? Deviam existir castigos corporais para estes erros mentais. Do género do treinador puder entrar em campo e mandar um par de bofetadas ao jogador. A mim apeteceu-me. Pelo ar de Zimmer, que parecia um louco homicida a quem tinham acabado de estragar o peluche predilecto, também lhe apetecia. Mas pronto. Vivemos num mundo civilizado e temos que ser pacientes. Aquela cena do zen e tudo o que a envolve.

A secundária, aliás, teve um jogo duro (expectável) contra os Cowboys, com a dupla de safeties (Harrison Smith e Robert Blanton) a serem ridicularizados no TD de 60 jardas de Williams. Assim, vai ser difícil. Os Lions têm artilharia pesada, com o Calvin Johnson e o Golden Tate. Os Packers também, mas à velocidade com que os seus receivers se lesionam, é provável que quando jogarem contra nós o Aaron Rodgers tenha que lançar a bola…e vir a correr recebê-la. Ia falar do perigo que são os Bears, mas depois lembrei-me que eles têm o Cutler e comecei a rir-me. De forma descontrolado que até tive um ataque de tosse de seguida. Ainda hão-de dizer que escrever não é radical.

E, finalmente, chegamos ao motivo de real preocupação. Botão de pânico já accionado. Blair Walsh. Por falar em esbofetear alguém, o kicker falhou novo field goal. 43 jardas. Um dos mais precisos e certeiros kickers da NFL, em 2013 e parte significativa de 2014, parece ter sido enfeitiçado. Faz-me recordar aquela história do Sansão e do seu cabelo que, depois de cortado, lhe retirou a força sobre-humana (ah pois, estive ou não atento nas aulas de catequese?). Alguma coisa se passa com ele. Não é normal. Ponto. 4 em 9 na preseason? Alguém que lhe diga que a vida dum kicker, ao mais alto nível, não é feita desta forma. Se calhar, estava na hora de trazer alguma competição, para a última semana de training camp. Just saying, não lhe vá dar a tremideira na final da NFC, quando estivermos empatados a 28, com os Seahawks, e o field goal de 30 jardas, no último segundo, bater no poste. É que se isso acontecer (Deus te livre, pá), as ameaças que o Billy Cundiff sofreu, quando falhou o FG dos Ravens contra os Patriots, foram uma brincadeira de crianças. Não te metas com malta que tem sangue de antepassados vikings nas veias.

A caminho do Super Bowl.

Artigo publicado originalmente na página de Facebook Minnesota Vikings Portugal

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.