Alinhamentos Ofensivos e Defensivos

Paulo Pereira 25 de Março de 2014 Formações, Playbook Comentários Desligados
Alinhamentos ofensivos e defensivos

Alinhamentos Ofensivos e Defensivos

Já deram por vocês a ver um jogo da NFL ou a ler um artigo e a exclamar, com profundo ar confuso, “mas de que é que este tipo está a falar?”. Os jargões usados na abordagem a uma partida de futebol americano podem parecer, ao fã casual, uma espécie de linguagem científica ou um elaborado código para nos manter a nós, comuns mortais, fora do contexto.
Sempre achei, contrariando a tese de quem nunca perdeu um minuto sequer a analisar um jogo de futebol americano e o apelida de sem interesse, que é um dos desportos mais ricos, estimulantes e complexos que existe. Uma gigantesca partida de xadrez, com cada peça a ser substituída por um jogador com funções distintas, mas importantes no conceito colectivo. Se não gostarem desta analogia, podem sempre pensar num elaborado espectáculo de dança, coreografado ao milímetro, onde cada alinhamento, cada passo, tem que acontecer no tempo e espaço indicado. Quem consegue vencer a resistência natural de ver um desporto inicialmente estranho, fica viciado. E, com a adição, tem sempre necessidade de mais. De aprender. De conhecer. O futebol americano é isso mesmo. Uma formação continua, uma aprendizagem sistemática, sem folgas. Hoje, neste espaço, pretende-se apenas desmistificar alguns conceitos intrincados de jogadas e esquemas tácticos.

As Trincheiras

Comecemos pelas trincheiras. A linha de scrimmage, dominada de um lado e outro por verdadeiros mastodontes, músculos e gordura em acção explosiva. Algo que se ouve/lê/vê amiúde, seja nos alinhamentos ofensivos ou defensivos, é o termo “gap”. O que é isso, dei por mim a perguntar, quando comecei a escavar este mundo tão atractivo.
“Isso” é algo que qualquer treinador ou coordenador tenta implementar e ensinar, quando começam os treinos. É a forma como tudo se desenrolará, a partir do momento em que se inicia um jogo. É a aprendizagem de conceitos básicos, verdadeira fundação para toda a acção que nos empolga.

Diagrama

Alinhamentos ofensivos e defensivos

O diagrama acima representado mostra praticamente todos os alinhamentos possíveis numa defesa da NFL. Pelo menos, em termos primários, porque depois surgirão as variações complexas engendradas por mentes mais sapientes. É aqui que o conceito de “gap” começa a fazer sentido. A azul estão representados os gaps ofensivos. A vermelho, as técnicas diferentes usadas pelas linhas defensivas. Vamos lá então ver se isto tudo começa a fazer sentido…

Em termos genéricos, quando se fala num defensive tackle one gapper, significa essencialmente que é um defensor que tem apenas a missão de tapar/cobrir um “gap”. E o que é isso do gap? Imaginem os cinco elementos da linha ofensiva, lado a lado, ombro a ombro. O espaço entre eles, representado no diagrama acima em azul (as letras azuis) é um gap, ou espaço, que terá que ser coberto pelo defensor contrário. Neste caso do DT one gapper significa que ele é responsável por gerir apenas um gap, ou espaço. Geralmente isso ocorre quando o DT é mais ágil e leve, logo com maiores possibilidades de ser disruptivo pelo interior. Um DT mais pesado fisicamente é, geralmente, responsável por cobrir dois gaps. Tem, neste caso, mais uma função de ancora na DL, evitando que os dois elementos da OL consigam criar espaços para uma jogada de corrida ou, se for uma tentativa de passe, darem demasiado tempo para que o lance se desenvolva.

Se perderem algum tempo a analisar relatórios de scouts – e agora, com a aproximação do draft, é a altura indicada para o fazer – vão verificar que, nas análises a defensive ends, tackles ou outside linebackers, são feitas referências a “3-technique pass rush”, por exemplo. O que é que isso significa? Geralmente, se verificarem o diagrama, os scouts referem-se a um defensive tackle que pode jogar num esquema 4-3 (4 defensive linemen e 3 linebackers), cujo trabalho principal é pressionar o quarterback (rush the quarterback) através do B gap. Ou seja, furar entre o tackle e o guard, seja do lado direito ou esquerdo, colocando pressão no backfield.
As denominações mais usadas e comummente aceites, são:

9-Technique

Conhecida também por wide 9 é geralmente usada pelos Eagles. O que a distingue? A existência de um outside pass-rusher bem aberto, for a do alinhamento da OL adversária, procurando criar uma distância entre ele e o blocker na linha de scrimmage.

6-Technique

A 4-3 defensive end que emparelha com o tackle ou mesmo com o tight end, caso este permaneça na OL com a função de bloqueio, atacando o gap C ou D, conforme se vê na imagem abaixo.

5-Technique

Geralmente refere-se a um 3-4 defensive end, cujo trabalho é parar a corrida, nos gaps C e B. É também por esse motivo que os DEs de 3-4 são conhecidos por “two-gap players”.

3-Technique

Explicado mais acima.

0-Technique

Esquema 3-4, com a [forte] presence de um nose tackle, a quem é pedido que preencha os dois gaps A, entre o center e os guards, limitando os blockers e os running backs que apareçam pelo meio.

Isto são meros conceitos básicos, dado que as defesas não são unidades hermeticamente fechadas, antes constituindo, tal como o ataque, sectores sempre abertos a inovações. Tem sido tendência recente a mudança de 4-3 para 3-4, com os modelos a sofrerem sempre modificações implementadas pelos coordenadores. As defesas hoje em dia são produtos híbridos, capazes de jogarem em aparentes 4-3 e, noutras situações de jogo, colocarem em campo algo parecido com um 3-4.

Nota: Inspirado no sempre excelente Football 101, de Matt Miller

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.

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