West Coast Offense

Paulo Pereira 31 de Janeiro de 2016 Formações, Playbook Comentários Desligados
West Coast Offense

West Coast Offense: O Que É?

Para alguns um palavrão ininteligível, para outros território desconhecido, mas quantos de nós, seguidores atentos das transmissões de futebol americano, já não ouvimos falar da West Coast Offense? Não sou profundo conhecedor de tácticas nem de sistemas ofensivos e defensivos. Não é uma matéria que, sinceramente, me provoque muita curiosidade. O jogo tem tantas facetas que nos preenchem que, durante algum – muito – tempo, negligenciei o aprofundar de conhecimentos. Mas o tema, para quem venera, respira e destila NFL, não pode ser contornado, exigindo sempre um estudo, nem que seja ligeiro, sobre as maquinações dentro de campo. Aquele caos no relvado, muitas vezes parecido com um bailado descoordenado, obedece a uma lógica. Sempre. Com movimentos coreografados ao segundo.

Não esperem, nas linhas que se seguem, o desvendar de um segredo complexo, nem um mergulho às raízes mais profundas desta filosofia ofensiva. Quando muito, será uma dissecação light, apenas uma breve partilha de conhecimentos. A West Coast Offense tem deixado, ao longo dos anos, a sua marca e foi criada/magicada por uma das mentes mais lendárias da história da prova. Bill Walsh. Tudo começou em 1969, quando Bill Walsh era o técnico dos quarterbacks e playcaller dos Bengals, então treinados por outra lenda da NFL, Paul Brown. O ataque de Cincinnati era profundamente sedutor, baseado num ataque vertical, aproveitando as características do QB rookie Greg Cook (tido em enorme consideração por Walsh). No entanto, uma lesão contraída pelo jogador (um colosso de 6’4’’ e 220 pounds), limitou-o fisicamente para o resto da carreira, obrigando Walsh a reinventar a sua filosofia ofensiva. A partir daí, mesmo com Walsh a apelidar o seu novo ataque de nickel-and-dime, surgiu a WCO e, com ela, um capítulo extraordinariamente importante na história da competição.

Sumariamente, um ataque WCO pretende:

  • Favorecer um determinado tipo de quarterback, com braço menos potente e limitado no vertical attack, mas com alguma mobilidade e um excelente footwork, extremamente preciso;
  • Erradicar os turnovers, optando por um tipo de jogo de passe mais curto – 3 ou 5 dropbacks – privilegiando os ganhos mais reduzidos, em detrimento da big play. O comum aqui são os passes curtos, no máximo de 10/15 jardas, pontualmente tentando a deep ball, inesperadamente, como forma de surpreender a defesa;
  • Sincronização perfeita no ataque, onde a palavra-chave é a precisão, com timings de execução devidamente ajustados;
  • Exploração do passe vincadamente para o centro do campo, nas referidas rotas curtas, optando por criar matchups favoráveis a receivers velozes, que são defendidos nessas zonas por linebackers menos atléticos, colocando esses mesmos jogadores em situações de tensão, onde são claramente menos eficazes;
  • A utilização de receivers e running backs mais atléticos, capazes de conquistarem jardas após a recepção. É comum ver, em ataques destes, o running back fora do backfield com regularidade, incorporado no jogo aéreo. Igualmente é costume o uso da play action e do logro (bem como slants e swing passes), após o snap, privilegiando a velocidade de receivers para ganhos maximizados, com estes a saírem do backfield [uso do jet sweep, por exemplo]. É crucial para a WCO o uso de receivers que sejam óptimos route-runners, nomeadamente na árvore de rotas que privilegia o centro do campo. Os tight ends também são usados nesta filosofia ofensiva, desde que possuam background de blockers;
  • Conforme referido no ponto d) a premissa básica da WCO é a utilização da árvore de rotas curtas, com destaques para a “dig”, a “shallow cross” e a “spot”, que permitem a exposição de linebackers pesados, criando os mismatches com jogadores velozes.
  • Os movimentos no backfield, atrás da linha de scrimmage, ou motions, são elementos decorativos e facilmente identificáveis na WCO. Esses, juntamente com um dinâmico running game e com um sistema de zone-blocking permitem a fluidez do ataque, em ganhos curtos.

A influência de Walsh no jogo de hoje é ainda visível, sendo possível criar uma árvore “genealógica” de todos aqueles que beberam da sua experiência e conhecimentos. Andy Reid, Lovie Smith, John Harbaugh, Mike McCarthy, Mike Tomlin são apenas alguns exemplos de quem usa, mesmo que com variações, a WCO. Não como antigamente, de forma tão vincada, mas com elaborações que usam os esquemas inerentes à filosofia ofensiva. Li, na altura da conquista do Super Bowl pelos Seahawks, em 2014, uma entrevista de Darren Bevell, o coordenador ofensivo. Ao Seattle Times, Bevell falou da admiração por Walsh, referindo que usou muitos dos seus conceitos, incorporando Marshawn Lynch e Percy Harvin no sistema ofensivo, de forma igual à idealizada, décadas antes, pelo treinador Hall of Famer. No fundo, não existe um ataque totalmente West Coast Offense, mas sim uma mistura de conceitos, em que se misturam jogadas e se tenta adaptar o playbook ao talento que se tem disponível.

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.

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