Brian’s Song

Matthieu Rego 13 de Dezembro de 2013 Comentários Desligados
Brian's Song
Overall Score
4

Realização

Argumento

Interpretação

Realismo

Foco no FA

Brian’s Song

Brian's Song

Em 1971 o cinema americano continuava a sentir os efeitos de um furacão dramático, hoje um filme de culto, chamado “Love Story”.

Esta história de dois amantes desafiados pela mortalidade carregava na sua apresentação, interpretação e tema uma singularidade que cativou a audiência da altura. É nesse quadro artístico que um aparentemente vulgar telefilme da ABC resolve apresentar a história real de dois runnings backs dos Chicago Bears dos anos 60: Brian Picollo (James Caan) e Gale Sayers (Billy Dee Williams).

Inspirado na autobiografia de Sayers, o filme conta a história de profunda amizade entre dois rivais que tudo separa. Enquanto Brian Picollo é um fala-barato optimista de origem Italiana, Gale Sayers é um discreto e pragmático afro-americano numa América ainda dividida nas questões de raça. Na verdade a química entre os dois acaba por funcionar precisamente pela plena consciência das diferenças de ambos. As provocações mútuas vão por vezes para além de tabus ainda actuais (uma sequencia hilariante com o “N Word” é exemplo disso) mas acabam precisamente por ser neutralizados pelo seu próprio ridículo. Apesar de todas as adversidades a boa disposição do Picollo torna-se tal forma avassaladora que qualquer tentativa por parte de Sayers em mantê-lo à distância é absolutamente inútil.

É com base nesta “bromance” que a narrativa segue o seu percurso dramático até um desfecho que a história real não consegue dissimular. Sem querer revelar demasiado, estamos mais uma vez num tema recorrente nos filmes desportivos: A doença. Se o tópico racial está também presente a escolha do realizador Buzz Kulik passa por minimizar os seus efeitos. A América racista nas suas breves aparições é portanto um ruído de fundo sem grande poder de perturbação no decorrer da história, algo que poderíamos facilmente ter antecipado já que as questões de emancipação racial são extremamente frequentes neste tipo de filmes.

Brian's Song

O Casting que na altura não brilhava pelo seu mediatismo acabou por revelar caras hoje conhecidas como é o caso de James Caan e o seu papel no Padrinho e Gale Sayers, eterno Lando Calrissian, o rival e amigo de Han Solo na saga Star Wars. Embora as interpratações estejam claramente marcadas pelo estilo da época, os dois actores conseguem transcrever a cumplicidade entre as duas personagens de uma forma particularmente comunicativa. Quando os ânimos estão leves rimo-nos com facilidade e quando o drama entra em jogo só nos resta justificar-nos pelo particularmente incómodo pó no olho que nos saca lágrimas de aço.

Nitidamente a atenção do filme está mais centrada na história pessoal dos dois runnings backs do que nos seus feitos no terreno. Porém nem tudo está mau nesse aspecto pois nas suas sequências de futebol o filme utiliza imagens dos jogos reais o que nos permite apreciar o talento impressionante de Gale Sayers. Se o dever de memória torna a visualização deste filme obrigatório para qualquer fã dos Bears, o filme foi concebido para todas as audiências incluindo as que não se interessam minimamente pela modalidade.

Obviamente o filme reflecte a sua época e muito do seu guião tem uma certa previsibilidade para qualquer espectador moderno, para além de carregar um sentido de dramatismo exacerbado à semelhança do Love Story. Ainda assim o filme ganhou muito depressa o seu estatuto de filme de culto e continua a ser um dos filmes preferidos de futebol americano do inconsciente colectivo estado-unidense, o que merecerá sem dúvida a atenção de qualquer fã.

About The Author

Matthieu Rego

Apaixonado pelo Extremo Oriente e a Cultura Americana, o Futebol Americano estendeu-me muitas vezes a mão sem eu nunca agarrá-la. Desde um misterioso boné dos Panthers aos 6 anos passando pelos jogos Madden dos 90 apanhados em feiras da ladra ou o anime Japonês Eyeshield 21, decidi um dia renovar a minha cultura desportiva enfrentando esta modalidade muitas vezes presente na cultura americana mas raramente explicada. O vício não tardou em nascer e é com o mago Brady que o meu coração de adepto dos Patriots formalizou a minha união com esta fantástica modalidade.

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