Seattle Seahawks – NFL Champions

João Malha 3 de Fevereiro de 2014 NFL, Superbowl Comments
Super Bowl Seahawks

Seattle Seahawks vs Denver Broncos

1 2 3 4 F
Seattle Seahawks 8 14 14 7 43
Denver Broncos 0 0 8 0 8

O Novo Gang de Nova Iorque

Nova Iorque foi fundada com base em guerras de gangues, como o famoso filme de Martin Scorsese, protagonizado por Leonardo Di Caprio e Daniel Day-Lewis, demonstra. Esta noite um novo gang parece ter nascido na cidade que nunca dorme. O seu nome? Legion of Boom e viajou desde a outra ponta do país, a milhares de kms, para amedrontar a noite gelada de NYC. E a vítima tinha um nome: Peyton Manning.

Russel Wilson NFL Champion

Russel Wilson NFL Champion
Foto de Dean Rutz/ The Seattle Times

Foi um verdadeiro massacre. Um jogo sem história, o que infelizmente não é o mais interessante para quem espera um ano inteiro por este momento. Toda a noite a defesa dos Seahawks demonstrou porque é a melhor da NFL. Pete Carroll conseguiu atingir a excelência no trabalho que desenvolveu em Seattle em termos defensivos. Líderes em takeways (roubos de bola) na Liga, passaram toda a noite a somar mais alguns. E tudo começou a ser escrito aos 12 segundos, num impensável safety no primeiro snap da final.

O momentum ficou do lado dos Seahawks de forma madrugadora e por lá se manteve toda a noite. Pelo ar, pelo chão, através da defesa ou das special teams, houve TD’s para todos os gostos. E nem foi preciso a estrela maior da defesa dos Seahawks, o polémico Cornerback Richard Sherman, aparecer no jogo. Não somou nenhum dado estatístico relevante, até porque os adversários já evitam atirar a bola na sua direcção.

Percy Harvin somou mais jardas hoje que em toda a época e Lynch, tal como Sherman, foi um actor menor desta nova trama, não de Scorsese, mas engendrada por Pete Carroll.

Foi a terceira vitória mais folgada da história dos Super Bowls e uma noite com alguns recordes ofensivos, curiosamente, ambos para os Broncos. Estranho? Nada disso! This is Football!! Não é grande consolação, mas os 34 passes completos de Manning e as 13 recepções de Demaryius Thomas, são o melhor registo de sempre em ambas as categorias, num Super Bowl.

1ª parte

Nunca ninguém pensou que o Center Manny Ramirez dos Broncos se tornasse no homem mais falado do Super Bowl no primeiro snap (colocar a bola em jogo) da partida. O barulho era muito (será que Seattle se mudou para NYC?) e Ramirez atirou a bola quando Peyton Manning tinha saído da sua posição para dar indicações ao seu ataque. A bola voou para a endzone e resultou num safety. A pontuação mais rápida de sempre de um Super Bowl, com apenas 12 segundos de jogo no cronómetro.

E com um momentum destes, os Seahawks continuaram a dominar. Na posse de bola seguinte, numa drive longa, onde o destaque foi uma jogada de Percy Harvin, de 30 jardas, a recolher a bola das mãos de Wilson, depois de uma simulação de entrega a Lynch. A jogada acabaria com um pontapé de Hauschka para aumentar o resultado para 5-0.

Como os Broncos inexistentes. Rapidamente os Seahawks voltaram a atacar e concluíram mais uma drive com um pontapé a pouca distância dos postes de Steven Hauschka. O destaque desta posse foi o passe em balão de Wilson para o Wide Receiver Doug Baldwin, de 37 jardas, que deixou a equipa a menos de 10 de distância do TD. Contudo, um holding fez a equipa recuar e não conseguir mais que o segundo Field Goal do jogo, apesar de mais uma vez Russell Wilson ter estado ao seu melhor nível, com um grande passe para o WR Kearse, mas que Nate Irving, no último momento conseguiu tirar das mãos deste último, evitando o TD.

Depois de ter feito o primeiro jogo da postseason sem conseguir pontuar nas duas primeiras posses de bola. Um afectado Manning voltou a meter água. Passe mal medido e o Safety Kam Chancellor a conseguir a intercepção (nada de novo dado o tremendo número de intercepções ao longo da época) e a deixar os Seahawks a menos de 30 jardas da endzone contrária. Assim terminou o primeiro período com os de Seattle a jogarem sozinhos!

Sem surpresa, os Seahawks voltaram a pontuar e desta vez conseguiram mesmo o primeiro TD da partida. Um pass interference na endzone sobre Golden Tate, deixou os Hawks a uma jarda do TD e Lynch, à segunda tentativa não perdoou. 15-0 e com ainda 12 minutos por jogar no segundo quarter.

Peyton Manning estava obrigado a pôr a sua equipa a funcionar pois nem um first down tinham conseguido até então. Finalmente conseguiu-o e a equipa pareceu começar a carburar. Outro após outro, os first downs sucederam-se mas quando chegaram pela primeira vez à metade do campo do adversário (já os Seattle Seahawks tinham feito 20 jogadas no reduto contrário), voltou a nossa senhora da asneira. Primeiro uma rasteira custou 10 jardas e atirou os Broncos para a perto da linha de meio-campo novamente. Depois, Manning voltou a falhar, assim como a sua protecção da Offensive Line. Muito tempo para soltar a bola permitiu que Clint Avril chegasse ao QB dos Broncos e tocasse no braço no momento do passe. A bola saiu curta e Malcolm Smith interceptou-a. O linebacker correu 69 jardas e disparou o score para uns impensáveis 22-0!

E com este resultado terminou a primeira parte, apesar de mais uma drive ter deixado os Broncos nas últimas 20 jardas, mas um 4º down e 2 jardas não correu da melhor maneira e a formação de Denver foi para o balneário a pensar se não seria melhor ir para a bancada ver o concerto do Bruno Mars e mostrar a bandeira branca.

2ª parte

Com tão grande desvantagem, só uma reacção forte dos Denver Broncos poderia reanimar um jogo que desde os doze segundos pareceu começar a ficar escrito. E no kickoff return dos Seattle Seahawks… tudo ficou decidido. Percy Harvin até deixou a bola bater no chão, agarrou-a e com uma péssima cobertura da special team de Denver, correu pelo relvado fora, durante 87 jardas, para o terceiro TD da noite para os Seahawks, levando o placard para uns increditáveis 29-0!!

Já nada parecia haver a fazer para mudar o rumo da noite. Psicologicamente a equipa estava morta e em definitivo ficou logo de seguida. Demaryius Thomas, que estava a ser o único a conseguir exibir-se próximo do seu nível, foi desarmado por Byron Maxwell, que lhe tirou a soco a bola das mãos, após receber um passe de Manning e ter corrido várias jardas, no que seria uma excelente jogada ofensiva. Terceiro takeway da noite e o ponto final.

Sem pressão, Russell Wilson apareceu no jogo, conduzindo a drive seguinte, de 58 jardas, que em seis jogadas, três delas em passe, levou os Seahawks a mais um TD, com a conclusão a ser brilhante de Jermaine Kearse. O WR sofreu dois tackles de defesas contrários, mas conseguiu aguentar e fugir terminando a jogada no quarto TD da noite. 36-0!!! Leu bem, não é engano!

A questão que se levantava agora era se os Broncos iriam conseguir pontuar. A humilhação estava garantida. A derrota também. Ao menos que não fossem a primeira equipa a sair a zero de um Super Bowl (a pior pontuação de uma equipa era dos Miami Dolphins, apenas três pontos, em 1976, na sexta edição do maior evento desportivo do mundo, numa derrota 24-3 perante os Dallas Cowboys). Isso foi conseguido graças à parceria Manning-D.Thomas. Uma drive de 70 jardas concluída com um passe de 14 jardas do QB para o seu WR que assim bateu o recorde de recepções num Super Bowl (na altura 12, terminaria o jogo com ?????). A conversão de dois pontos foi conseguida por Wes Welker, deixando o resultado em 36-8.

Os Broncos tentaram o on-side kick mas sem sucesso deixando os Seahawks próximo da linha do meio-campo. E cinco jogadas depois, Doug Baldwin recebia de Wilson um passe de dez jardas, fugindo a um tackle para fazer o quinto TD, já depois de Kearse ter tido mais uma grande recepção para um ganho de 24 jardas. Subia para 43 a pontuação dos novos campeões.

A história do jogo acabou aí (se é que houve história). Registo apenas para mais um fumble dos Broncos, agora de Manning, provocado por Chris Clemons e recuperado por McDonald.

Marshawn Lynch quase nem apareceu no jogo e na segunda metade quase nem jogou, tal a vantagem. Até o QB suplente Jackson teve direito a dois snaps. Estava feita história! E conhecida 19ª equipa campeã da NFL!

Jermaine Kearse

Dos cinco TD da noite, este foi sem dúvida o melhor! Jermaine Kearse punha fim a qualquer ambição de reviravolta dos Broncos
Foto de John Lok, The Seattle Times

As Nossas Escolhas

MVP

Defesa Seahawks: O MVP do jogo foi Malcolm Smith, mas acreditamos que se o voto oficial não tivesse que ser dado a um jogador, a escolha seria idêntica à nossa. A defesa de Seattle esteve perfeita. Anulou o melhor ataque da história da NFL numa regular season, somando duas intercepções, dois fumbles com recuperação de bola e um Touchdown. Foram muitos os destaques, mas sem dúvida que se alguém teria de ser destacado, esse alguém era o linebacker Malcolm Smith, dado que foi ele quem marcou o TD defensivo após uma intercepção a um passe de Peyton Manning, para além de ainda ter recuperado um fumble.

É injusto nomear um jogador quando uma defesa inteira foi perfeita em todo o jogo. Por isso, na nossa análise, o melhor do jogo foi sem dúvida a defesa de Seattle, a coroar uma época de ouro, fechada com chave de ouro.

Seahawks Defense

Seahawks Defense
Foto de Bettina Hansen, The Seattle Times

Positivo

Russell Wilson: Não é aquele monstro que atira passes consecutivos para um número de jardas impressionantes. Contudo, é de uma fiabilidade impressionante. Parece um relógio suíço. Pouco falha no passe, sabe quando arriscar e quando ser conservador. E ao contrário do QB adversário, muito experiente, não tremeu nem um segundo na sua estreia num SB. Somou 18 passes em 25 tentativas, para um total de 206 jardas e 2 passes para Touchdown. A estes números acrescentou ainda 26 jardas em três corridas.

Está na sua segunda época na NFL e promete ser um caso sério da Liga, assim como a equipa que lidera, dada a baixa média de idades que apresentam.

Doug Baldwin e Jermaine Kearse: A equipa dos Seahawks é acusada de viver em demasia de Marshawn Lynch e de ter poucas soluções no seu slot de receivers. Se é verdade que os números ao longo da época não entusiasmaram, hoje Baldwin e Kearse mostraram-se à altura no momento da verdade. O primeiro somou 66 jardas e o segundo 65, tendo cada um conseguido concretizar um TD. Para quem não é grande solução, os dois fizeram questão de revelar que muita gente andava enganada… Nota para o TD de Kearse, o momento mais espectacular do jogo, com o WR a fugir a dois tackles e só parar na endzone, ao melhor estilo de Lynch.

Demaryius Thomas: Bateu o recorde de recepções num Super Bowl, somando 13, e foi o jogador com mais jardas da partida (118), tendo conseguido o único TD da sua equipa. Acabou por ser o único que esteve à altura do grande jogo nos Broncos. Esteve quase, melhor dizendo, pois acabou por manchar a sua exibição com um fumble numa altura em que os Broncos ainda tentavam reentrar no jogo. No naufrágio que a equipa do Colorado sofreu esta noite em Nova Iorque, acabou por ser o único sobrevivente, mas com várias marcas traumáticas no corpo.

Percy Harvin: É o herói improvável. Não fez um jogo completo toda a época e só tinha 75 jardas somadas. Hoje foram 137, com destaque para o kickoff return no início do segundo tempo, que terminou em TD após uma impressionante cavalgada de 87 jardas. O homem de vidro de Seattle encontrou em NYC a redoma que lhe faltou ao longo da temporada.

Negativo

Peyton Manning: Queria entrar na história como o primeiro QB a vencer o SB por duas equipas diferentes. Queria… Noite de pesadelo para o veterano QB dos Broncos. Apesar de tudo bateu o recorde de passes completos num Super Bowl, atingindo os 34 passes com êxito em 49 tentativas, para um total de 280 jardas, mais 74 que Wilson. Porém, estes números são manchados pelas duas intercepções e o fumble que sofreu. O seu lugar no Hall of Fame está garantido. Mas quem dizia que esta noite ia tornar-se no melhor QB da história, pode começar a pensar no próximo prognóstico pois este falhou rotundamente.

Knowshon Moreno: Foi peça importante dos Broncos ao longo da época e em especial nos playoffs. Num clima frio como o do Super Bowl, os olhares caiam sobre Moreno, como alternativa de poupar Manning a expor-se em demasia à famosa Legion of Boom. A verdade é que Moreno nunca conseguiu entrar na partida somando umas míseras 17 jardas em cinco carries. Pior só o seu colega, o rookie Montie Ball que em seis carries conseguiu uma (é mesmo!!!) jarda.

Erik Decker: Era a par dos dois Thomas e de Welker a grande arma e alvo de Manning. Fez uma época memorável mas pareceu que não esteve em Nova Iorque. Conseguiu receber uma única bola, falhando algumas recepções, pelo que terminou com umas ridículas seis jardas. Para esquecer!

About The Author

João Malha

Profissional da área de comunicação e marketing, e sempre ligado ao desporto, sempre me fascinou o conceito de showbiz dos norte-americanos no que toca à promoção de qualquer espectáculo desportivo. Quando em 2003, a SportTv transmitiu pela primeira vez o Super Bowl, com estrondosa vitória dos Buccaneers de John Gruden sobre os Raiders, a curiosidade cresceu e ano após anos comecei a seguir as transmissões do maior evento desportivo mundial. Mas como em tudo na vida (pelo menos na minha forma de estar), é preciso um motivo mais forte para nos agarrarmos às coisas. Uma paixão que nos alimenta. E foi isso que aconteceu em 2010, aquando da final de Miami, ganha pelos Saints frente aos Colts do lendário Peyton Manning. Nesse dia senti finalmente que aquela era a minha equipa! E o aparecimento da ESPN America ajudou a não mais largar este desporto espectacular, que sigo semanalmente. Na Week 1 da temporada 2012/2013, cumpri o sonho de ir ver um jogo dos Saints ao vivo, ao Mercedes-Benz Superdome. Não vi os Saints vencerem, mas quem sabe se não terei a oportunidade de dizer que assisti ao primeiro jogo na NFL de um dos maiores QB’s da sua história, Robert Griffin III. Ver os Saints ao vivo foi uma experiência única que me faz olhar para o desporto com outros olhos. Quero saber mais e mais sobre o jogo, a sua história, lendas, regras, tácticas, etc. Let’s play ball!!!!