College Football 2014: Week 11 Review

Paulo Pereira 12 de Novembro de 2014 Análise Jogos College Comments
Baylor Oklahoma Football

College Football 2014: Week 11 Review

E pronto. Mais uma jornada passada, fértil em acontecimentos, polvilhada de grandes momentos e sempre cheia de acção, pronta a ser dissecada. O que é que se pode dizer desta temporada, até ao momento? Acima de tudo, que não existe uma equipa dominadora, como em ocasiões anteriores. Sim, é um facto que Florida State, actual campeã, ainda permanece invicta, mas a equipa está longe de ser tão poderosa como a do ano passado. Sobrevive, com alguns sustos à mistura, mesmo com adversários débeis (como nesta semana, contra Virginia), mas mostra resiliência e frieza, nos momentos cruciais. Na SEC, semana após semana, os candidatos vão caindo, às mãos uns dos outros. A conferência é canibalesca, nesse campo. Desta feita foi Auburn, que muitos apontavam como repetente na final, a cair com estrépito, em casa, perante Texas A&M. Os Aggies, sem Kenny Hill e com a habitual defesa de qualidade duvidosa, sustiveram a reacção de Auburn e colocaram-nos provavelmente fora das cogitações para os playoffs. Alabama, rival figadal de Auburn, sobreviveu a um prolongamento e mantém acesa a chama da esperança. Notre Dame hipotecou, com nova derrota, essa mesma possibilidade, caindo perante uma sólida, e até agora pouco tida em conta, equipa de Arizona State. De resto, Mississipi State cumpriu o seu papel, aguardando pelos jogos que lhe restam. E que jogos. Para a semana, deslocação a Alabama. No jogo final da regular season, confronto entre vizinhos, contra Ole Miss. Mas a história da temporada não se faz apenas com estes protagonistas. Ohio State conseguiu uma vitória que lhe poderá assacar enorme simpatia. Vencer, fora de casa, o nº 8 do ranking, não está ao alcance de qualquer um. Os Buckeyes demonstram novamente que são uma força a ter em consideração, ao derrotarem Michigan State, rival da BIG 10, por 49-37. Belo e emotivo jogo, imagem de uma época que tem sido isso mesmo: empolgante, refrescante e imprevisível.

O Jogo da Semana

Baylor, 48 @ Oklahoma, 14

Uau. Que exibição personalizada da equipa de Art Briles. Não me canso de enaltecer as virtudes do programa futebolístico, que tem tido uma ascensão sustentada na Big 12, tornando-se actualmente um dos nomes de peso no panorama nacional. Depois deste desmantelamento, em casa dos Sooners, que eram os 12º no ranking, Baylor terá forçosamente que merecer ampla consideração por parte do comité que irá escolher os 4 felizardos para os playoffs. O jogo, que colocava frente-a-frente as duas mais poderosas equipas da conferência, era também um dos mais mediáticos do dia. Defrontavam-se o nº 15 e 12 do ranking, mas o equilíbrio preconizado não existiu. Baylor foi melhor. Muito melhor. Em todos os aspectos do jogo. O ataque foi mais explosivo. A defesa mais compacta e eficiente. Os playmakers fizeram mais jogadas. No final, 547 jardas totais, contra 319 do adversário, no habitual massacre ofensivo. A perder por 14-3, nos instantes iniciais do encontro, Baylor respondeu com 45 pontos consecutivos. Numa equipa em que é comum louvar nomes do ataque, nada como destacar um monstro defensivo, desta feita. O linebacker Bryce Hager foi precioso na recuperação, com um momento game-changing, ao interceptar um passe e a retorná-lo para TD, dando o mote para o que se seguiria. Para além disso, Hager esteve omnipresente em toda a parte, parando a corrida, auxiliando na coverage e dominando cada centímetro na parte defensiva do campo.

Alabama, 20 @ LSU, 13

Foi uma vitória sofrida, mas de qualidade. Foi um triunfo como tantos outros, mostrando a resiliência de Crimson Tide. Foi apenas mais um dia no escritório para Nick Saban. Perante uma assistência de 102.321 espectadores (não me canso de enaltecer esta fidelidade dos fãs do College), os dois velhos rivais defrontaram-se novamente, com muita coisa em jogo, sobretudo para Alabama. Uma nova derrota e a equipa ficaria fora das considerações dos playoffs. Ali, em Baton Rouge, onde Ole Miss começou a derrapar na rota até então vitoriosa, Alabama mostrou que não tem a força das anteriores equipas, que dominaram as temporadas, mas tem coração. E generosidade. Não é um grupo compacto, em termos de qualidade, mas tem playmakers. A vitória foi resgatada de forma quase impensável. Num jogo duro, com as defesas a jogarem num nível elevado, TJ Yeldon teve um fumble, na própria linha de 6 jardas. O marcador estava em 10-10. Faltava um minuto para o final. Pensou-se que era a jogada crucial. A decisiva. Não foi. Alabama conseguiu forçar LSU a um field goal. 13-10. 50 segundos no cronómetro. Foi o bastante para movimentar o ataque, ganhando 55 jardas e marcando um field goal para empatar a contenda. Depois, no prolongamento, Blake Sims teve um passe magistral para DeAndrew White, para um touchdown que lhes deu a liderança. Ao contrário da NFL, o prolongamento não termina com um TD. O adversário tem a possibilidade de ripostar. LSU foi parada, nesse intento. Quatro downs improdutivos. The End e mais um obstáculo ultrapassado por Alabama. Parece improvável que esta equip, com vitórias sofridas e com algumas carências gritantes, consiga atingir os playoffs. Mas semana a semana, estão mais perto. Sábado, dia 15, um embate que promete fazer faísca, com Alabama a receber Mississipi State, actual nº 1 do ranking.

Oregon, 51 @ Utah, 27

Terceiro grande jogo do dia, num Sábado repleto deles. Os Ducks tinham aqui uma deslocação complicada. Finalmente em 4º lugar no ranking, que lhes franqueia a porta para os playoffs, jogavam fora de casa contra uma das melhores defesas da nação. Utah, em 17º do ranking, a realizar nova temporada assinalável, podia ter aqui uma daquelas exibições que obrigariam a olhar para este programa futebolístico de outra forma. No rescaldo do jogo, há um lance que figurará sempre no topo das análises. E que fará perguntar, uma e outra vez, “e se?”. E se, quando Utah vencia por 7-0, no início do 2º período, Kaelin Clay tivesse marcado touchdown e colocado o marcador em 14-0? Não é especulativo pensar-se que esteve neste lance a chave para o desenrolar do jogo. Tudo se resume facilmente: Travis Wilson, QB de Utah, enviou uma bomba de 70 jardas para Clay. Este recebeu a bola e fugiu para a end zone. Mas, depois, uma comemoração precoce. Clay comemora ANTES da entrada na end zone, largando a bola. O que se segue é insano. Nas bancadas festejos efusivos. No campo, os jogadores de Utah abraçam Clay. E quase ninguém repara que Joe Walker, defesa de Oregon, tinha recuperado a bola e retornado a mesma 100 jardas, para um TD. As imagens são elucidativas. Clay larga a bola, no que é um fumble, e tudo o que se segue é perfeitamente legal. Dum potencial 14-0, Utah vê o adversário empatar a 7, num momento que marca o encontro, em termos anímicos. No final, vitória justa dos Ducks, com mais uma exibição consistente de Mariota. 17/29, 239 jardas e 3 TDs, com as habituais jardas no solo. Desta vez, foram 114 e mais um TD. Os Duck têm agora o pássaro na mão. Faltam dois jogos, contra Colorado e Oregon State, as duas piores equipas da Pac-12. Duas vitórias e irão aos playoffs. Será desta que conquistam o título ambicionado?

O Quarterback da Semana

Já tinha aqui escrito, mas convém sempre reforçar a ideia. TCU é uma belíssima equipa, que caminha a passos largos para ser a grande surpresa da temporada, merecendo um lugar cativo nos 4 finalistas. A sustentar o crescimento da equipa tem estado um Trevone Boykin que merece, também ele, reconhecimento para o Heisman Trophy. Num mundo mediatizado e com as atenções quase todas centralizadas em Marcus Mariota e Jameis Winston, o quarterback de TCU tem dado semanalmente provas de que é um jogador acima da média, um playmaker capaz de ferir com o passe ou a corrida. Contra Kansas State, nº 7 do ranking, Boykin foi capaz de assumir a responsabilidade do jogo, levando TCU a mais um triunfo. Fê-lo, mostrando as qualidades do costume. Sem erros de pormenor no passe, conseguiu drives ritmadas, punindo a defesa contrária pelo ar e pelo solo. Kansas nunca encontrou forma de o travar. Se no passe Boykin foi produtivo, com um 23/23, 219 jardas e um passe para TD, foi na corrida que detonou o adversário. 17 corridas, 123 jardas ganhas e 3 TDs! Impressionante!

Menção Honrosa da Semana

JT Barrett, Ohio State. É a nova – e merecida – coqueluche nacional. Freshman talentoso, afastou os fantasmas que subsistiam sobre a equipa, quando Braxton Miller se lesionou. Capaz de suportar a pressão, tem evoluído de forma consistente, jogo a jogo, mantendo os Buckeyes na rota do título de conferência e assumindo uma candidatura aos playoffs. O embate deste Sábado era um daqueles que merecem ser vistos, colocando frente-a-frente as duas forças dominantes da Big 10. Michigan State, jogando em casa, perdeu por 49-37, num encontro repleto de big plays. Barrett terminou com 16/26, 300 jardas e 3 TDs, acrescentando mais 14 corridas no solo, 86 jardas e 2 TDs. Fenomenal!

Menção Honrosa da Semana 2

Kevin Sumlin deve ser um técnico contente, esta semana. Texas A&M claudicou, depois deter iniciado a época em grande estilo. Fê-lo, mostrando as fraquezas que têm atormentado a equipa, nos últimos anos. A ausência de uma defesa com os pergaminhos requeridos pela SEC impedem os Aggies de ir mais além. Mas, esta jornada, encheram de orgulho os seus fãs, ainda em fase de adaptação à realidade da nova conferência. Jogando fora, contra Auburn, finalista derrotada do ano passado e grande candidata a ir aos playoffs, Texas A&M obteve um triunfo histórico e épico, sustendo uma reacção desesperada do adversário. Tudo isso foi conseguido sem Kenny Hill, o seu quarterback titular, suspenso por duas partidas. No seu lugar, o freshman Kyle Allen, de quem são esperadas grandes coisas no futuro. Ele mostrou o porquê dessas expectativas, exibindo-se a grande altura. Sereno no pocket, nunca se deixou abalar pela enorme pressão, dentro e fora do campo, conseguindo drives sustentadas e ritmadas. 19/29 no passe, 277 jardas, 4 TDs e uma INT são o corolário duma exibição para mais tarde recordar.

O Wide Receiver da Semana

É um nome repetido. Por bons motivos. Actualmente, torna-se indissociável falar de Baylor e do seu jogo aéreo demolidor, e não referir Corey Coleman. O sophomore tem vindo a ascender na depth chart, beneficiando duma conjuntura que envolveu várias lesões, até se tornar no que é hoje. Uma arma letal. Rápida e confiável. Contra Utah, foi a válvula de escape de Bryce Petty, apanhando tudo o que foi lançado na sua direcção. Foram 15 recepções. Quinze, o seu máximo pessoal. 224 jardas, rasgando campo, movimentando o ataque, destroçando coberturas. O TD marcado surge apenas como o prémio, justo, para quem tanto deu.

Menção Honrosa da Semana

Foi cansativo ver o esforço titânico de Tyler Lockett, nome sobejamente conhecido por quem acompanha o College. O receiver de Kansas State, no seu ano senior, tem sido um dos baluartes da bela temporada da universidade. Mas o embate contra TCU era demasiado exigente. Lockett não se intimidou e lutou. Lutou e lutou, colocando a nu algumas fragilidades na defesa de TCU, explorando a secundária e conseguindo, com o seu esforço individual, manter a equipa na luta pelo triunfo. Não chegou, mas merece o devido reconhecimento. 11 recepções, 196 jardas e um TD. Deixou tudo em campo. Quando assim é…

O Running Back da Semana

Numa jornada sem grandes feitos pelos homens que transportam a bola no solo, excepção feita a Melvin Ingram, com colossal exibição contra Purdue, o destaque tem que ser dado a Johnathan Gray, running back dos Longhorns, precioso na excelente vitória da turma de Charles Strong. O técnico, reputado pelo bom desempenho conseguido em Louisville, não tem tido vida fácil no Texas, mas tem mostrado mão-dura para a indisciplina, procurando ao mesmo tempo criar as bases necessárias para a ressurreição dos Longhorns. O embate contra West Virginia era instrumental, não só por ser um jogo de caracter divisional, com impacto nas contas finais da Big-12, mas porque uma vitória colocaria a universidade mais perto de obter o acesso a uma Bowl, no final da época. O triunfo, que lhes dá um 5-5, mantém a esperança matemática de terminar a temporada com pelo menos 50% de vitórias. Para combater West Virginia, nada melhor do usar armas fiáveis. O jogo corrido, que erradicou erros no passe e permitiu drives sustentadas, foi deixado a cargo de Gray. Não foi um cavalo de trabalho, como é habitual nestes casos. Bastou-lhe ser cirúrgico. 10 corridas, 101 jardas e 3 TDs. O trabalho ficou feito.

O Defesa da Semana

Geron Holliman, safety de Louisville. É um predador, na defesa. Um verdadeiro ball hawker, tremendo na capacidade de leitura dos ataques contrários, feroz perseguidor da bola. Apelidado de terror dos quarterbacks, Holliman deu nova mostra do seu talento no jogo contra Boston College. Beneficiando de um pass rush agressivo, que obrigou Tyler Murphy a lançar de forma rápida e pouco cuidada, Holliman conseguiu TRÊS intercepções, elevando o total da temporada para inacreditáveis 13. Treze intercepções, igualando um recorde FBS e estando apenas a mais uma de fazer história.

Menção Honrosa da Semana

Cedric Reed, defensive end de Texas. Finalmente, o senior dos Longhorns deu sinais de vida. E de que forma. Reed foi brutal em campo, contra West Virginia, como que querendo relembrar as pessoas de que é um dos mais afamados defensive linemen da conferência. Até este jogo, Reed atravessava um período complicado, pouco promissor, com apenas 2 sacks no pecúlio. Transformou-se num monstro. Nem foram os 12 tackles que mais chamaram a atenção. Foi mesmo a sua capacidade disruptiva, entrando na OL dos Mountainners de forma regular. Reed coleccionou 3 sacks, um deles para safety, 3 tackles-for-loss e um forced fumble. Espantosa exibição!

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.