49ers @ Vikings: Surpresa? Só Para Quem Não Assistiu

Paulo Pereira 2 de Outubro de 2012 Análise Jogos NFL Comments

S.Francisco 49ers at Minnesota Vikings

1 2 3 4 F
S.Francisco 49ers 0 3 10 0 13
Minnesota Vikings 7 10 0 7 24

Surpresa? Só Para Quem Não Assistiu

Este jogo, entre os Vikings e os 49ers, podia ser usado pela NFL como material de propaganda, vincando a ideia estabelecida que, independentemente do valor atribuído a cada equipa, os jogos são competitivos, sem vencedores declarados por decreto. Imaginemos alguém fora do universo do futebol americano, por sugestão de um amigo, aterrasse em frente dum televisor para ver a partida. Sem qualquer ideia preconcebida. No final da contenda, o que acharia esse espectador casual das equipas intervenientes? Quem elegeria ele para candidato ao Super Bowl? E, por inerência, qual seria a escolha para equipa a não chegar aos playoffs?

Todos os dados que tínhamos, antes da partida, foram subvertidos. Agradavelmente, numa mostra evidente que numa fase regular com 16 jogos, todos os encontros são de carácter decisivo, assumindo foros de importância, este foi um encontro bem jogado, dotado de excelentes prestações individuais. Os 49ers chegavam a esta terceira jornada cumulados de elogios, lestos a elegerem a equipa liderada por Jim Harbaugh como aquela mais forte da actualidade. Sem ponta de exagero, pelo que foi feito em 2011 e neste início de 2012. Mas encontraram pela frente um adversário moralizado, bem organizado, agressivo na defesa e sem cometer erros no ataque.

O Jogo

49ers vs Vikings Highlights

Highlights do Jogo entre os San Francisco 49ers e os Minnesota Vikings

1º Período

A 7 minutos do fim do período, a longa drive conduzida por Ponder (16 jogadas e 82 jardas) chegou ao seu destino. Foi aqui que se começou a escrever a história e o destino da partida. Os Vikings foram parados no terceiro down, faltando apenas uma jarda, a apenas 10 da end zone. Leslie Frazier deu o sinal do que pretendia, insuflando um espírito combativo aos seus homens. Preteriu o field goal e foi para um 4-e-1. Momento crucial no encontro. A jogada pareceu fadada ao insucesso, quando Aldon Smith conseguiu romper a linha ofensiva, aparecendo na cara de Ponder. Este, revelando uma calma glacial, endossou a bola para a end zone, num arco que sobrevoou toda a concentração de jogadores e foi apanhada com facilidade por Kyle Rudolph.

2º Período

Os 49ers reduzem para 7-3, com um field goal certeiro de David Akers (29 jardas). A resposta, na drive seguinte, foi contundente. Nova drive bem congeminada (11 jogadas e 80 jardas), finalizada por Christian Ponder, numa bela corrida que colocou o marcador num 14-3 que assumia foros de escândalo. O período termina com uma bomba de Blair Walsh, a grande revelação da equipa de Minnesota. 52 jardas não constituíram obstáculo de monta para o jovem kicker.

3º Período

Recuperação dos 49ers, que conseguem o melhor período do jogo. David Akers marca novo FG, de 29 jardas. Depois, a drive mais bem conseguida pelo ataque vindo de S.Francisco. 9 jogadas e 86 jardas que terminam nas mãos de Vernon Davis. 17-13 e tudo em aberto para os decisivos 15 minutos finais.

4º Período

Terceira drive longa conduzida com mestria por Christian Ponder, revelando uma empatia na end zone por Kyle Rudolph. Os Vikings resistem à pressão e aumentam a vantagem. Os 29º do último Power Ranking derrotam inapelavelmente o 1º classificado dessa tabela.

As Nossas Escolhas

MVP: De forma inteiramente merecida, Christian Ponder foi o homem do jogo. Perfeito na condução do ataque e beneficiando duma protecção da linha ofensiva que merece aplausos, Ponder soube usar o jogo corrido como complemento para os seus passes, que invariavelmente encontravam receivers livres. Óptimo desempenho do quarterback, mantendo uma frieza perante o pass rush adversário e nunca se intimidando com a presença junto de si de Aldon Smith ou Justin Smith. 21/35 em passes, 198 jardas e 2 touchdowns passados, acrescidos de 35 jardas corridas e um touchdown seu, numa bela investida onde demonstrou agilidade e velocidade. Leslie Frazier merece igualmente uma menção honrosa, pela coragem evidenciada (apesar do jodo estar no seu início) ao preterir um field goal e optando por continuar num quarto down e 1 jarda. Ponder conseguiu o passe para Kyle Rudolph, num touchdown marcante para o rosto do desafio.

Positivo: Nos Vikings, Christian Ponder foi o homem do jogo, mas não merece os créditos todos pela vitória. Começa a ser repetitivo, mas Chad Greenway continua a campanha para a melhor época da carreira. Indomável, uma verdadeira força da natureza, Greenway foi agressivo, parecendo levitar em todo o campo. 13 tackles e 2 sacks são reveladores do jogo impressionante do linebacker. Com a defesa toda a jogar num nível elevado, algo que não se via para aqueles lados à muito tempo, Antoine Winfield esteve excelente na cobertura aos receivers dos 49ers, nunca cedendo jardas extras e conseguindo secar o jogo aéreo, pelo seu lado. Letroy Guion, o defensive tackle titular ao lado do perene Kevin Williams, tem estado sólido, quer como run stopper, quer como disruptivo pelo centro da defesa. Mas foi no special team dos Vikings que conseguiu, esta semana, o seu momento de glória, bloqueando o field goal de David Akers. No ataque, a utilização de Kyle Rudolph começa a render dividendos acrescidos. O tight end é sempre um quebra-cabeças na red zone, pela envergadura física e pela dificuldade de marcação que os adversários sentem. Isso foi visível em ambos os touchdowns que marcou, com Ponder a lançar a bola num arco denunciado, mas facilmente recebida por Rudolph. Três outros momentos, relevantes no jogo, merecem ser destacados. Jamarca Sanford, o safety suplente, forçou o fumble de Frank Gore, numa jogada crucial no 4º período e Josh Robinson, o cornerback rookie vindo de Notre Dame, finalizou a partida com uma intercepção. Finalmente, Jared Allen conseguiu o almejado sack. A produção do defensive end dos Vikings não se ficou por esse momento de glória. Allen foi sempre um estorvo para Joe Staley, o left tackle dos 49ers, batendo-o algumas vezes ao longo do encontro.

Nos 49ers poucos merecem crédito pelo que foi feito no jogo, mas existiu uma pequena redenção por parte de Kyle Williams. O wide receiver e especialista nos retornos foi o vilão na final de conferência, em 2011, permitindo que os Giants capitalizassem dois erros crassos cometidos por si. Contra os Vikings, Kyle Williams conseguiu dois empolgantes retornos, um de 50 jardas e outro, mais explosivo, de 94. Seria fácil crucificar o jovem atleta, após a decepcionante derrota que impediu a equipa de comparecer ao Super Bowl. A sua manutenção no roster, mais do que uma evidente prova confiança nas suas qualidades, constituiu uma 2ª oportunidade. E ele tem feito por a justificar. A conexão entre Alex Smith e Vernon Davis, na drive do 3º período que culminou num touchdown, foi perfeita, mostrando uma máquina de ataque poderosa e oleada. O futebol americano é feito de pequenos momentos, que convém ser retidos e degustados. O tackle de Justin Smith sobre Adrian Peterson, impedindo o running back dos Vikings de atingir a end zone, é fantástico. Uma imagem de raça, poder e força descomunal, culminando nesse momento de rara beleza cénica. Ahmad Brooks, o outside linebacker, manteve o nível habitual de ferocidade do grupo. Dois fumbles forçados, no derradeiro período, ainda deram uma nota de esperança e permitiram que os 49ers se mantivessem na discussão do resultado.

Negativo: Toby Gerhart dos Vikings não conseguiu capitalizar os poucos snaps que lhe deram, revelando um comprometedor problema de fumbles. Em apenas 8 corridas, o running back suplente largou duas bolas (após tackles de Ahmad Brooks), quase comprometendo o bom jogo da equipa. Quando se pede que o tempo passe, é crucial manter a bola firme nas mãos. Regra básica, esquecida no calor da batalha por Gerhart.

No caso dos 49ers houve demasiadas penalidades cometidas, atípicas na equipa. Alguns lançamentos desajustados de Alex Smith, falhando várias vezes Randy Moss totalmente livre de marcação (incluindo uma presença do receiver na end zone), mostrando que ainda falta empatia entre o duo. Donte Whitner, para além de várias faltas cometidas, com o consequente custo em jardas, foi batido por Kyle Rudolph, por duas vezes na end zone. O habitualmente fiável David Akers viu um field goal seu ser bloqueado.

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.