49ers vs Ravens: O Vince Lombardi Trophy regressa a Baltimore

Paulo Pereira 5 de Fevereiro de 2013 Análise Jogos NFL Comments

San Francisco 49ers vs Baltimore Ravens

1 2 3 4 F
San Francisco 49ers 3 3 17 8 31
Baltimore Ravens 7 14 7 6 34

O Vince Lombardi Trophy regressa a Baltimore

Justin Tucker corre sobre o símbolo do Super Bowl

Justin Tucker corre sobre o símbolo do Super Bowl
Fonte da Imagem: AP PHOTO/Tim Donnelly

Natal e Festividades de Ano Novo, aliadas a festa de Aniversário e a férias de Verão. É esse o embrulho do Super Bowl. O dia dos dias. O Jogo. Mesmo assim, com letra maiúscula. Dia marcado com enorme antecedência, no calendário dos fãs da NFL, resume toda a felicidade que podemos encontrar em dias – e acontecimentos – avulsos. É a festa do futebol americano. A consagração de heróis. A honra dos vencidos. Encaro-o, se calhar, de forma diferente dos outros fãs. Sinto sempre uma pontada de nostalgia, com o aproximar da data. E, no dia, uma tristeza súbita que, pese os meus esforços, consegue esgotar um pouco do entusiasmo febril. Explico facilmente. O Super Bowl é a decisão final mas, ao mesmo tempo, constitui uma barreira ao resto do ano. Depois dele, é um imenso deserto, com um travo amargo a frustração. Sete longos meses de enfado, até ao regresso de nova temporada. Por isso, sentado no sofá, aprecio cada momento do Super Bowl como ele merece. Porque sei que serão os últimos, num longo hiato.

O Jogo

O que é que se pode escrever sobre a partida que não tenha sido já dissecada em tantos sites da especialidade? O aproveitamento dos media, roçando a obscenidade, não deixa nada escondido. Tudo é motivo de reportagem, de olhares atentos, de textos minuciosos. A história dentro da história é, claro, o embate entre dois irmãos, num evento à escala planetária. Jim e John. O clã Harbaugh enfrentando-se no derradeiro encontro, depois de terem protagonizado temporadas com qualidade. Mas o caminho trilhado durante 17 semanas na maratona regular de jogos, acrescido depois dos emblemáticos confrontos decisivos nos playoffs, trouxe-nos uma mão-cheia de momentos que merecem ser recordados e farão parte do anuário de 2012.

Os Ravens, vivendo um turbilhão de emoções, despediam-se de Ray Lewis, disposto a encerrar a sua carreira de forma inesquecível. Que época esta que a equipa de Baltimore viveu, como se viajasse numa montanha russa, repleta de emoções a cada subida. A época regular foi inconstante, parecendo por vezes que a equipa soçobraria. Depois, num passe de mágica, Cam Cameron foi despedido. O coordenador ofensivo tornou-se uma vítima colateral no mau momento da franquia. E mais dúvidas se levantaram. Quem é que despede um coordenador, num cargo de enorme importância, a meras 3 semanas do fim da fase regular, com tudo em aberto? Teriam os Ravens enlouquecido? Teriam eles, num momento fugaz de loucura, atirado a toalha ao chão? A resposta veio logo de seguida.

John Harbaugh, imagem de serenidade, agarrando o troféu mais apetecível

John Harbaugh, imagem de serenidade, agarrando o troféu mais apetecível
Fonte da Imagem: AP Photo/Darron Cummings

Dada de forma contundente, com o ADN guerreiro habitualmente associado à equipa. Jim Caldwell como que transfigurou o ataque, dando-lhe as big plays que faltavam e fazendo assomar um herói improvável. Joe Flacco, low profile, tido como mera peça no elaborado esquema táctico da equipa, assumiu a responsabilidade inerente ao posto de quarterback e impôs a sua lei, perante Peyton Manning e Tom Brady. Pelo caminho, uma linha ofensiva devastada por lesões encontrou o mojo, solidificando as exibições na altura crucial do ano. Com Bryant McKinnie transfigurado num left tackle provisório, mas consistente, Michael Oher empossado de funções como right tackle e um desamparado Kelechi Osemele usado como left guard (ele que sempre jogou como offensive tackle), a linha não implodiu, como preconizavam alguns, mantendo uma protecção pretoriana a Flacco e conseguindo ser um auxílio precioso ao jogo corrido. Querem melhor história de redenção do que esta, em que os patinhos feios se transformaram em belos cisnes?

E do outro lado, tanto para contar, como se a realidade quisesse fazer pouco dos enredos ficcionais. Convenhamos. Se alguém realizasse um filme desportivo, tendo como pano de fundo a realidade quotidiana dos 49ers, no final de 2010, aproveitando a chegada do novo Messias à cidade, e terminasse a película com a equipa no Super Bowl, no curto espaço de 2 anos, todos abanariam a cabeça, em sinal de condescendência. Afinal, a história só era possível de acontecer na imaginação de argumentistas, não é verdade? Jim Harbaugh mostrou que, por vezes, a realidade ultrapassa a imaginação. A histórica equipa de S.Francisco estava moribunda, presa fácil na divisão, quando ele chegou vindo de Stanford. E, logo na época de estreia, título de divisão e final da NFC. No segundo ano, repetição do programa, numa sequela que terminou com a apoteótica vitória em Atlanta, frente aos Falcons, carimbando o regresso dos 49ers a um Super Bowl. O head coach não será um Messias, mas parece ter o toque de Midas. Não bastava ter recuperado o prestígio da franquia, como ainda lhes arranjou um potencial franchise quarterback num toque de prestidigitação, substituindo o aparente intocável Alex Smith pelo novato inexperiente. E assim, com enredos vários, se chegou a Nova Orleães.

Tivemos uma época regular recheada de grandes jogos, exibições memoráveis e atletas transcendentes. Seguiu-se uma postseason repleta de jogos dramáticos e envolventes, carregados de tensão e com suspense até ao último segundo. Apenas se podia desejar, depois disto, que a temporada encerrasse de forma similar, permitindo aos adeptos carregarem esse sentimento de magia pelos próximos meses. E foi o que aconteceu. Depois de fechadas as luzes e com o burburinho acalmado, o rescaldo feito do Super Bowl pode ser contido numa curta frase exclamativa: que grande jogo!

Foi mesmo. Duas equipas adeptas do antes quebrar que torcer, lutando até à exaustão pelo troféu, proporcionando um espectáculo inolvidável. No final, de forma justa, venceram os Ravens, premiando todo o trabalho que a franquia de Baltimore tem efectuado, mantendo a competitividade, ano após ano. Pese o travo amargo que a derrota sempre acarreta, os 49ers saem de cabeça erguida. Afinal, a recuperação da mística associada à franquia de S.Francisco foi recuperada, nos dois últimos anos, com Jim Harbaugh a encetar um meritório trabalho, que provavelmente não culminará aqui.

1º Período

6 jogadas, 51 jardas e 2: 29 minutos. São os números da drive que inaugurou o marcador, com Joe Flacco a encontrar Anquan Boldin na end zone, num passe de 13 jardas. 7-0.

Redução de David Akers, na conclusão duma drive longa (12 jogadas e 62 jardas), marcando um field goal de 36 jardas. 7-3.

2º Período

Joe Flacco on fire, sintonizando-se no final da drive (10 jogadas, 75 jardas e 4:43 minutos) com Dennis Pitta, aumentando a margem da liderança. 14-3.

Uma das big plays do encontro. Joe Flacco, pressionado no pocket, lançou com força, mas sem precisão, obrigando Jacoby Jones a travar na rota e a recuar. O receiver recebeu a bola de forma pouco ortodoxa, sentado no terreno. Mesmo assim, de forma ágil, concluiu a jogada e marcou o touchdown. 21-3.

Reacçao tímida dos 49ers, obrigados a concluir a drive, com o tempo a escoar-se, com um field goal. David Akers marcou (à segunda) e diminuiu o avanço do adversário para 21-6.

3º Período

Podia haver melhor maneira de abrir a segunda metade, para os Ravens, do que marcar um TD no retorno do kickoff? Jacoby Jones foi empolgante, recebendo a bola e correndo de forma desarvorada 108 jardas, fazendo explodir de alegria a enorme falange de apoio dos Ravens. 28-6.

Após o apagão (felizmente não ligaram a rega automática) os 49ers começaram um comeback. Drive de 80 jardas, concluída com um passe de Kaepernick para Michael Crabtree finalizar, num lance de 31 jardas. 28-13.

Capitalizando um fumble (mais um) de Ray Rice, a read-option dos 49ers deu resultado. Frank Gore correu as últimas 6 jardas e colocou o marcador num ameaçador 28-20.

Drive dos 49ers a esbarrar na red zone. David Akers, chamado a converter o seu 3º field goal, não desperdiçou a oportunidade e fez o 28-23.

4º Período

12 jogadas, 71 jardas e 5:46 minutos retirados ao cronómetro. Drive cirúrgica dos Ravens, finalizada pelo rookie Justin Tucker, um dos kickers mais fiáveis da NFL. FG de 19 jardas e 31-23.

Nova drive longa dos 49ers, finalizada por Kaepernick, correndo 15 jardas. 31-29, com a opção pelos 2 pontos a ser desperdiçada.
Flacco não merece ser lembrado apenas pelas grandes jogadas protagonizadas. O seu trabalho metódico, na condução do ataque, retirando preciosos segundos ao cronómetro, revelou-se fundamental no final. A drive, de 10 jogadas, roubou 5 minutos e meio. O FG, com Justin Tucker a marcar das 38 jardas, obrigava os 49ers a irem em busca dum TD. 34-29.

Ameaçaram…mas não foram bem-sucedidos. 4 downs na red zone, a meras 5 jardas da goal-line, defendidas pela defesa dos Ravens. A bola, na posse dos Ravens, levou a uma jogada pouco usual, mas de enorme engenho. Um safety propositado, com o special team a esgotar cerca de 10 segundos nessa rábula. 34-31 e punt, mas com apenas 4 segundos para que acontecesse alguma coisa. O milagre não aconteceu e os Ravens venceram o Super Bowl.

As Nossas Escolhas

MVP: Só se pode eleger um? É pena, porque vários atletas mereciam ser contemplados, face a exibições transcendentes. Fico-me por aquele que, no cômputo geral, mais sobressaiu, com nova demonstração de classe, que muitos julgariam não estar ao seu alcance. Falo, claro, de Joe Flacco, o quarterback dos Ravens, saído de nova portentosa exibição. Flacco coleccionou a sua dose de detractores, nestes seus anos de liga, que nunca viram nele um atleta de elite, capaz de rivalizar com Brady, Brees ou Rodgers. Paulatinamente, o jogador foi capaz de suportar o peso acrescido de ser o líder numa equipa com pretensões, levando-a invariavelmente aos playoffs. Nunca saiu da postseason de mãos a abanar, vencendo pelo menos um encontro em cada ano de permanência na NFL. Mas, pese isso, o seu empenho e qualidade nunca mereceram o beneplácito da crítica, que apontava a defesa invariavelmente como o baluarte de épocas bem conseguidas. Isso terá findado em 2012. Flacco apareceu na postseason totalmente rejuvenescido, abusando dos passes longos e explorando de forma cirúrgica as secundárias dos opositores. E que adversários ele ajudou a tombar. Andrew Luck e os seus Colts. Peyton Manning e os Broncos, em Denver. Tom Brady e os Patriots, em Boston. O jogo do quarterback teve momentos empolgantes, como no milagre conseguido em Denver, na bomba de 70 jardas lançada para Jacoby Jones. Pressentia-se, face aos problemas que a secundária dos 49ers vinha evidenciando, que Flacco teria um terreno fértil para explorar. Ele fê-lo, com a mestria dum veterano. Nunca se coibindo de arriscar, manteve a parceria de sucesso com Anquan Boldin, massacrando a equipa de S.Francisco na 1ª parte do encontro. Terminou com 3 touchdowns esses 30 minutos iniciais, mas manteve a precisão posteriormente, alongando as drives de forma competente e esgotando o tempo, que se revelaria crucial. Num jogo isento de erros, Flacco mostrou todos os seus recursos, numa altura em que negoceia novo contrato com a franquia de Baltimore. A discussão sobre se ele é de elite ou não esgotou-se num ápice. Pode não ser, mas a um QB é apenas pedido isto. Precisão, equilíbrio e domínio integral de todos os aspectos do jogo. 124,2 de rating e 11 TDs, sem nenhuma intercepção, nos playoffs. Flacco foi frio e impiedoso. Como dizem os americanos, CLUTCH.

Momento emblemático na carreira de Flacco, com Roger Goodell a entregar o troféu de MVP do Super Bowl

Momento emblemático na carreira de Flacco, com Roger Goodell a entregar o troféu de MVP do Super Bowl
Fonte da Imagem: AP Photo/Darron Cummings

Positivo: Nos Ravens, outro nome surge associado a um cenário redentor, para além de Flacco. Anquan Boldin, wide receiver que já tinha disputado um Super Bowl pelos Cardinals, foi instrumental nesta caminhada de sucesso, tornando-se uma arma letal. É, hoje em dia, o WR mais físico da NFL, quase impossível de ser contido. Marcou o touchdown da praxe, mas fez bem mais do que isso, conquistando recepções em condições difíceis. Na retina, servindo de momento definidor de toda a sua temporada, fica o lance dos Ravens num 4-and-inches, em que ele recebe a bola, junto à linha lateral, todo no ar, mesmo contando com uma marcação impiedosa de Carlos Rodgers. Terminou esgotado, com 6 recepções, 104 jardas e um TD.

Uma frase, dita antes do jogo, nas habituais sessões com os media, merece figurar aqui, pois revela a confiança que a equipa sentia em Jacoby Jones. Tracy Smith, o treinador do special team dos Ravens, foi elucidativo: “He takes everything out of the end zone … (even) with his back foot on the line, because he feels good and he’s playing good.”. Profético, não? Jones marcou, logo após o intervalo, um kickoff return, numa corrida de 108 jardas, momento de exaltação que merece ser relembrado. Podia ter-se limitado a isso e teria o seu nome gravado, em letras douradas, na história da final. Mas, tal como fez na postseason, Jacoby Jones foi o alvo confiável do costume, aparecendo como deep threat, numa jogada em que Flacco, pressionado e num 3-and-10, lançou a bola de forma algo deficiente, obrigando Jones a ajustar-se à trajectória. Conseguiu-o com tal sucesso que a recebeu e escapuliu dos dois últimos defensores, marcando um TD memorável. Kelechi Osemele, o rookie adaptado a guard, foi importante ao suster Justin Smith e, com isso, tolhendo grande parta do pass rush adversário. Osemele, exalando confiança, não se limitou a papel de protector do passe, tendo alguns blocos devastadores sobre Sopoaga e Ricky Jean-François. Também Jimmy Smith, que passou grande parte da temporada lesionado, regressou em boa forma, ajudando a secundária a segurar o resultado. Pode-se argumentar que tanto Michael Crabtree e Vernon Davis fizeram estragos, mas nenhum deles pelo lado do jovem cornerback.

É um daqueles nomes que permanece na sombra, não atraindo elogios e passando despercebido. Injustamente. Ele é o obreiro destes Ravens. Falo do seu general manager, o único na história da franquia. Ozzie Newsome, antigo tight end, que mereceu a ampla confiança de Art Modell para ser o 1º (e único, até à data) general manager dos Ravens, tem sido precioso ao manter a competitividade da equipa. 16 anos de existência e dois títulos de campeão são um pecúlio digno de registo. As suas escolhas são, quase sempre, criteriosas, tendo vivido uma semana fantástica. A primeira escolha de sempre dos Ravens no draft, o left tackle Jonathan Ogden, foi induzido ao Hall of Fame, tornando-se o 1º atleta dos Ravens a merecer essa distinção. Ray Lewis, a 2ª escolha nesse longínquo draft de 1996, saiu pela porta grande, igualmente a caminho do Hall of Fame. E trouxe com ele novo anel de campeão. Ozzie é o arquitecto desta equipa, merecendo bem mais do que meras referências nos rodapés das notícias.

Nos 49ers, destaque para Kaepernick, no pós-apagão. O QB de S.Francisco, que até aí tinha sido um não-factor, nunca conseguindo fazer mover o ataque, soltou-se para uma exibição globalmente positiva. Cometeu dois pecadilhos, na 1ª parte: falhou um passe em corrida, quando tinha Crabtree e Randy Moss soltos na end zone, levando a equipa a apenas um field goal e depois, numa altura em que o momentum estava nos Ravens, lançou uma intercepção grosseira, falhando claramente o alvo. Num jogo de enorme pressão anímica, conseguiu acalmar-se e foi o motor da recuperação. Lançou para um TD e correu para outro, mostrando qualidades ímpares no pocket, com os seus lançamentos laser. Frank Gore foi um trabalhador incansável, nunca permitindo ao adversário a sua contenção. Excelente a ganhar jardas, após contacto, terminou com 19 corridas, 110 jardas e um TD. No jogo aéreo, destaque para dois homens. Vernon Davis explorou devidamente o centro do terreno, infernizando a noite a Ray Lewis, que nunca o conseguiu travar. Michael Crabtree, mesmo alvo duma marcação férrea, apareceu nos momentos cruciais, marcando um TD (e conseguindo 109 jardas) e cimentando a ideia de que corre rapidamente para se afirmar como um dos melhores receivers da prova.

Colin Kaepernick, imagem de desalento, no final da contenda

Colin Kaepernick, imagem de desalento, no final da contenda
Fonte da Imagem: AP/David Goldman

Na defesa, a dupla de linebackers interiores voltou a demonstrar que é a melhor da prova. Patrick Willis e NaVorro Bowman liquidaram qualquer pretensão de jogo corrido dos Ravens, numa clara demonstração de superioridade nesse campo.

Negativo: É difícil encontrar alguém, nos Ravens, que deva ser penalizado. A carreira de sucesso de Ray Lewis, com longos 17 anos, merece ser elogiada. O linebacker alterou profundamente a forma de jogar, na exigente posição de middle linebacker, tornando-se ao mesmo tempo num ícone da franquia. Merece, claramente, sair pela porta grande, com novo anel brilhante a decorar-lhe os dedos. Mas chegou a ser confrangedor verificar a nulidade de Lewis, na partida. Claramente sem ritmo, desajustado nas marcações e revelando uma lentidão exasperante, foi a imagem do declínio físico, situação explorada devidamente por Vernon Davis. Felizmente, a exibição não será analisada minuciosamente, devido à vitória dos Ravens. E isso, claramente, é o que conta. Ray Lewis despede-se como CAMPEÃO e futuro Hall of Famer. Ray Rice finalizou uma postseason decepcionante, revelando um novo e preocupante problema com fumbles. Cometeu uma perda de bola, que poderia ser desastrosa, ao permitir uma aproximação dos 49ers. Foi o seu 3º fumble nas últimas partidas, passando claramente ao lado do jogo.

Ray Lewis, na desejada despedida de sonho

Ray Lewis, na desejada despedida de sonho
Fonte da Imagem: AP/Matt Slocum

Nos 49ers, mais do que penalizar alguém, aponto o dedo ao play-calling. Achei estranho que, tendo um atleta do calibre de Colin Kaepernick, capaz de encontrar buracos em qualquer defesa, não se tenham criado condições para ele usar as pernas, em situações específicas. A tentativa de conversão de dois pontos, que se revelaria decisiva nos instantes finais, pareceu mal preparada, com a OL a ceder facilmente perante a pressão. Com Gore e Kaepernick em campo, não seria mais inteligente optar por uma corrida, sabendo que as probabilidades de êxito seriam maiores? Finalmente, nos momentos decisivos, com a equipa a meras jardas de passar para a frente no marcador (faltavam apenas 5), novamente se reprimiu o jogo corrido, optando sem sucesso por três tentativas de passe. O resto da história já é conhecido.

Chirs Culliver, cornerback e Donte Whitner, safety, são dois dos rostos associados à derrota. De forma inteiramente justa. As suas performances individuais foram manchadas por sucessivos erros, bastante permeáveis na cobertura e concedendo sempre enorme liberdade a qualquer alvo escolhido por Flacco.

Nota final: Impossível ficar indiferente ao “America The Beautiful”, cantada pelo coro constituído por alunos da Sandy Hook School. O Super Bowl é, mais do que uma final de futebol americano, uma máquina industrial bem oleada, com o único fito de encaixar milhões nas já gordas contas da NFL. Mas, por momentos, a pureza e inocência assentaram arraiais no relvado, num tributo que mostrou existirem coisas bem mais importantes do que qualquer competição desportiva.

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.