Bills @ Saints: Uma Vitória Imperfeita

João Malha 30 de Outubro de 2013 Análise Jogos NFL, NFL Comments
Bills vs Saints

Buffalo Bills at New Orleans Saints

1 2 3 4 F
Buffalo Bills 0 10 0 7 17
New Orleans Saints 7 14 7 7 35

Uma Vitória Imperfeita

À entrada para a oitava semana, este parecia um jogo fácil de prever. O primeiro classificado da NFC South, que apenas tinha uma derrota em seis partidas, contra o último da AFC East, que somava três vitórias e quatro derrotas. Contudo, a curiosidade maior ia para saber como iriam os Saints reagir à primeira derrota da temporada, no último segundo do jogo no terreno dos Patriots, seguida da bye week. Ao invés, os Bills vinham de uma importante vitória divisional, em Miami, frente aos Dolphins.

O favoritismo estava totalmente do lado dos Saints, ainda para mais com as duas importantes baixas que os Bills apresentavam, o rookie Quarterback (QB), EJ Manuel, e o Running Back (RB), CJ Spiller. Em dúvida estavam do lado dos Bills o outro RB, Fred Jackson, enquanto do lado dos Saints, foram dados como questionáveis dois importantes jogadores, o defesa Cameron Jordan, e o Tight End (TE), Jimmy Graham. Felizmente para a qualidade do jogo, todos puderam alinhar.

E era precisamente sobre Graham que recaíam muitas das atenções do jogo. Depois de ter tido um brilhante início de época, sendo o alvo privilegiado dos passes de Brees, e somando 6 Touchdown’s (TD) e cinco jogos consecutivos com mais de 100 jardas de passe, o TE dos Saints eclipsou-se frente aos Patriots, sendo completamente anulado pela defesa contrária, não conseguindo receber um único passe e terminando o jogo a coxear.

Do lado dos Bills, seria Lewis, o QB suplente, capaz de fazer frente a uma defesa dos Saints que melhorou como da noite para o dia da época passada para esta? Clara seria a maior aposta dos Bills em jogar pelo chão, dado ser, não só mais forte nesse tipo de jogo, como os Saints apresentarem maiores lacunas a defender o running game adversário. No passe, os Bills são o terceiro pior ataque pelo que nada de bom se poderia prever a este nível.

Em termos defensivos, até agora, ninguém conseguiu parar eficazmente o ataque de Brees, nem mesmo os Patriots na única derrota dos Saints. Pensar que os Bills o conseguiriam parecia uma utopia…

O Jogo

No último jogo, há duas semanas, os Saints entraram de forma lenta, como que se o seu motor de arranque tivesse uma peça gripada. 15 dias depois, claramente, o técnico Sean Payton não conseguiu resolver a engrenagem em termos ofensivos. A meio do segundo período, Brees e companhia tinham menos de 100 jardas conseguidas, números que deixavam o Superdome estupefacto e nervoso. E os Bills lideravam por 7-10. Teria a primeira derrota dos Saints causado danos a nível psicológico, levando a equipa até um estado emocional vivido há um ano?

Mas nada faria prever este começo. Após o kickoff, na primeira jogada do ataque dos Bills, Lewis sofreu um sack de David Hawthorne, que o fez perder a bola, recuperada pelos Saints. Porém, apesar de estarem na redzone, Brees não conseguiu avançar no terreno e para cúmulo, Hartley falharia a conversão do field goal (FG). O mesmo se sucederia com os Bills, com Carpenter a falhar um FG. Com a pontaria mal afinada, o jogo continuava a zero. Com mais um three and out dos Saints, que pareciam totalmente bloqueados em termos ofensivos, seria a defesa coordenada por Rob Ryan a puxar dos galões e a provocar mais um Fumble a Thad Lewis, o segundo em três posses de bola.

Desta feita, Brees não perdoaria e com um passe de 15 jardas para Lance Moore, estava aberto o marcador, com o primeiro TD do Wide Receiver (WR) esta época, ele que regressava após lesão que o afastou durante três jogos.

Este arranque lento dos Saints parecia não atrapalhar a vitória, dada a inoperância dos Bills em termos ofensivos. Com Lewis a ser dizimado nestas primeiras posses. O jogo arrastou-se, sem qualidade e sem jogadas de relevo. Só no segundo período é que os Bills pareceram acordar, logo após Hartley falhar o segundo FG que tentou converter (não teria mais nenhum até final do jogo). Primeiro com Lewis a encontrar o WR Steve Johnson com um passe de 13 jardas para empatar o encontro. E depois Carpenter a converter o primeiro FG do encontro (e único), virando o jogo para 7-10 a favor dos Bills.

E se o jogo pareceu relançado neste momento, a resposta dos Saints foi tão avassaladora que os números ridículos inferiores a 100 jardas que a equipa da casa apresentava, rapidamente foram transformados para valores habituais da formação de Sean Payton.

Bastaram dois passes na posse de bola seguinte para os Saints voltarem à frente do marcador para não mais largarem a vantagem. 17 jardas para o TE Ben Watson e 69 para o WR Kenny Stills, no mais longo TD da partida, com a defesa dos Bills completamente a dormir e a permitir ao rookie dos Saints o seu segundo TD, depois da estreia a marcar no jogo anterior, frente aos Pats.

Faltavam menos de quatro minutos para o intervalo. Uma eternidade para quem tem Brees pela frente. Com a bola recuperada, os Saints tinham 77 jardas pela frente e 3m18s no cronómetro. 10 jogadas mais tarde, Brees encontrava o seu alvo predilecto, Jimmy Graham, que voltava assim aos TD’s numa recepção de 15 jardas.

Os Bills tentaram alterar o rumo dos acontecimentos, mas sempre sem causar grandes danos. Com Steve Johnson a jogar todo o jogo a coxear, logo após o TD, Lewis procurava vezes sem conta o TE Chandler, que apesar de um bom jogo era pouco para colocar em sentido a defesa contrária.

Seria o RB Fred Jackson a conseguir o segundo e último TD dos Bills, já depois de Graham ter somado o seu segundo TD, mesmo só sendo utilizado em jogadas perto da end zone, dado estar limitado em termos físicos.

O jogo terminaria com mais um TD de Kenny Stills de 42 jardas, concluíndo um passe de Brees, o quinto para TD, que o torna no jogador com mais jogos a somar 5 TD’s da história da NFL. Este foi o seu oitavo.

E Lewis terminaria como começou.. mal, permitindo uma intercepção, a Keenan Lewis, a primeira e única do jogo.

Stills-Brees

Stills-Brees, uma dupla de sucesso
Foto de David Grunfeld, NOLA.com | The Times-Picayune

As Nossas Escolhas

MVP

Drew Brees: Brees, Brees e sempre Brees. Vai amontoado recordes. Uns atrás dos outros. Com os seus 5 passes para TD, bateu mais um, tornando no jogador com mais jogos (8) com cinco ou mais passes para TD da história da NFL. Se a isso somarmos tantos outros que possui, como o conseguido em 2012, batendo o lendário Johnny Unitas, no número de jogos seguidos com passes para TD (atingiu os 54), Drew Brees é inquestionavelmente um Hall Famer e um dos melhores jogadores de sempre.

Frente aos Bills começou lento, com dificuldade em entrar na partida. O problema para o adversário foi mesmo quando Brees arregaçou as mangas. Com um passer rating de 146.1, o 14º jogo da carreira acima dos 140, 26 passes completos em 34 tentativas, 332 jardas, 5 passes para TD e zero intercepções. Os números falam por si…
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Positivo

Kenny Stills: Esteve quase a ser o herói do jogo no terreno dos Patriots, com uma enorme recepção que colocava os Saints na frente a poucos segundos do fim. Brady estragou-lhe os planos. Desta vez o rookie proveniente de Oklahoma foi mesmo o protagonista do jogo, a par de Brees. Somou três recepções, para 129 jardas e 2 TD’s. Ambos de mais de 40 jardas! Começa a ser, cada vez mais, um alvo da confiança de Brees e, seguramente, mais uma dor de cabeça para as defesas adversárias, que por certo começaram a ter dificuldade em saber quem marcar, tal a variedade e qualidade dos receivers de Louisiana.

Jimmy Graham: Depois do eclipse em New England, regressou debilitado, com uma lesão num pé, o que motivou uma utilização mais intermitente e apenas em jogadas decisivas, no último terço do terreno. E Graham não se fez rogado e demonstrou que mesmo a espaços, pode ser fundamental. Conseguiu dois TD’s em 3 recepções num total de 37 jardas. E lá foram mais dois afundanços para Graham.

Defesa Saints: Tem sido habitual colocar a defesa dos Saints em destaque. Mas para quem bateu todos os recordes negativos da história da NFL em 2012, continua a ser difícil acreditar na qualidade exibida. Entraram a matar no jogo, com dois fumbles recovery em três posses de bola dos Bills. Somam-se mais quatro sacks ao longo do encontro e uma intercepção de Keenan Lewis, já no último período.

Negativo

Thad Lewis: Claramente não está à altura do desafio de substituir o rookie EJ Manuel, que por lesão continua fora das opções. Entrou no jogo a ser atropelado e a demonstrar dificuldade em proteger a bola, pois nos dois primeiros sacks provocou turnovers à sua equipa. Culpas também, naturalmente, para a sua ofensive line, mas foi pouco inteligente na abordagem dos lances.

Falhou muitos passes, mas conseguiu ainda assim um TD passe e 234 jardas. Pior que ele só mesmo o seu técnico, Doug Marrone, que permitiu que o WR Steve Johnson ficasse em campo todo o jogo, a coxear, claramente sem condições para ser levado a sério pelos adversários, dado que não conseguia correr.

Corey White: Apenas o destacamos para dar conta de uma pequena curiosidade. Ser penalizado duas vezes de seguida por Roughing the Passer (penalização quando o QB é atacado violentamente por um adversário, neste caso foi por choque de capacetes) é demasiadamente ridículo para ficar impune. Um pouco de água com açúcar para acalmar talvez ajude…

Gareth Hartley: Tem sido um dos pontos fortes da equipa dos Saints. O kicker Hartley tem tido uma percentagem elevada de concretização, praticamente nunca falhando as oportunidades que tem. Claramente este domingo foi um dia não, felizmente sem consequências para a sua equipa. Falhou dois FG logo a abrir, um de menos de 40 jardas, e limitou-se depois a concretizar os pontapés de ponto extra após os 5 TD’s dos Saints.

About The Author

João Malha

Profissional da área de comunicação e marketing, e sempre ligado ao desporto, sempre me fascinou o conceito de showbiz dos norte-americanos no que toca à promoção de qualquer espectáculo desportivo. Quando em 2003, a SportTv transmitiu pela primeira vez o Super Bowl, com estrondosa vitória dos Buccaneers de John Gruden sobre os Raiders, a curiosidade cresceu e ano após anos comecei a seguir as transmissões do maior evento desportivo mundial. Mas como em tudo na vida (pelo menos na minha forma de estar), é preciso um motivo mais forte para nos agarrarmos às coisas. Uma paixão que nos alimenta. E foi isso que aconteceu em 2010, aquando da final de Miami, ganha pelos Saints frente aos Colts do lendário Peyton Manning. Nesse dia senti finalmente que aquela era a minha equipa! E o aparecimento da ESPN America ajudou a não mais largar este desporto espectacular, que sigo semanalmente. Na Week 1 da temporada 2012/2013, cumpri o sonho de ir ver um jogo dos Saints ao vivo, ao Mercedes-Benz Superdome. Não vi os Saints vencerem, mas quem sabe se não terei a oportunidade de dizer que assisti ao primeiro jogo na NFL de um dos maiores QB’s da sua história, Robert Griffin III. Ver os Saints ao vivo foi uma experiência única que me faz olhar para o desporto com outros olhos. Quero saber mais e mais sobre o jogo, a sua história, lendas, regras, tácticas, etc. Let’s play ball!!!!