Eagles @ Redskins: Um Ataque em Fast-Forward

Paulo Pereira 11 de Setembro de 2013 Análise Jogos NFL Comments
Eagles vs Redskins

Philadelphia Eagles at Washington Redskins

1 2 3 4 F
Philadelphia Eagles 12 14 7 0 33
Washington Redskins 7 0 7 13 27

Um Ataque em Fast-Forward

Num dos clássicos da NFC East, Washington Redskins e Philadelphia Eagles defrontam-se, num embate com tanto para ver e analisar. Antes do encontro, aquilo a que eu estaria atento:

  1. Aos quarterbacks, por motivos distintos. Robert Griffin III regressa, depois de longa e grave lesão. Estará ele em forma, o mesmo jogador que entusiasmou os adeptos na sua temporada de estreia? E, se sim, qual será o plano para mantê-lo seguro? Iremos assistir a um RG3 mais estático, permanecendo no pocket, ou a read-option, com clara ênfase na corrida, voltará a colocá-lo à mercê dos defensores? Do outro lado, Michael Vick aparece renascido, após uma preseason onde voltou a mostrar as suas qualidades. A isso não será alheia a competição com Nick Foles e Matt Barkley, que obrigou o veterano jogador a empenhar-se a proteger melhor a bola. Será Vick capaz de incorporar os conceitos tácticos de Chip Kelly, no seu ataque rápido?
  2. Brian Orakpo. O linebacker dos Redskins é um dos meus jogadores predilectos, desde os tempos dos Texas Longhorns. Regressado de lesão (torn pectoral), o pass rusher quererá provar que mantém a plenitude das qualidades, revitalizando a pressão sobre os quarterbacks contrários. Curiosamente, regressa num jogo em que terá como adversário directo Jason Peters, left tackle dos Eagles, igualmente de regresso de uma arreliadora lesão.
  3. Inspirados, o trio constituído por Vick, LeSean McCoy e DeSean Jackson é imparável. Existe enorme curiosidade em ver como Kelly extrai as melhores habilidades de cada um e as coloca ao serviço do colectivo. LeSean pode ter um breakout year. O running back não é unidimensional no papel que tem no ataque. Com óptimas mãos e movimentando-se bem fora do backfield, McCoy pode ser um quebra-cabeças para as defesas. Ainda no ataque, como será incorporado Riley Cooper? O receiver é uma das opções para substituir Jeremy Maclin, lesionado, mas o seu incidente “racista”despoletou uma guerra surda no roster, conforme se viu na cena de pugilato com Cary Williams, num treino. Terá isso reflexo na produção colectiva?
  4. Com novo coordenador, como funcionará a defesa dos Eagles? Não é só a novidade na coordenação, mas também a forma como a equipa assimilará os novos conceitos, resultantes da transição de 4-3 para 3-4. Esta transição, regra geral, tem as suas dores de crescimento. Trent Cole, por exemplo, passará de defensive end para outside linebacker. Terá reflexos na sua produção? Isaac Sopoaga, o novo nose tackle, terá um papel fundamental na solidez da DL, mas a preseason foi algo decepcionante. Jogando contra uma equipa com um jogo corrido poderoso, conseguirá ele elevar o seu jogo e ser a barreira necessária para minimizar as jardas terrestres? Não é só Sopoaga que se estreará nos Eagles. Com ele, serão 5 novos recrutas a terem que provar o seu valor, nos jogos a “doer”.

O Jogo

Philadelphia Eagles

A exibição categórica dos Philadelphia Eagles silenciou Washington
Foto de AP Photo/Nick Waas

Pronto. Desvendado o mistério dos Eagles de Chip Kelly. Para amostra, com a opinião formatada por um mero jogo, posso dizer que fiquei impressionado. E com dores de cabeça. A rapidez do ataque, um hurry-up offense em fast-forward, levava a execuções contínuas, jogadas consecutivas, sem pausas pelo meio, num caos visual difícil de acompanhar. Se para alguém refastelado num sofá era difícil, imaginem para a defesa dos Redskins. Chip Kelly não descobriu a pólvora, limitando-se a reutilizar conceitos existentes e dando-lhes um ar mais profissional. Em Oregon, local onde Kelly era um Rei, o ataque era assim. “Speedado”. Mas no College, com o playbook mais rudimentar, isso é expectável. A curiosidade residia em saber como se transferiria esse ataque para o mundo profissional. Kelly tem jogadores perfeitos para as suas extravagantes opções tácticas, não necessitando de os moldar. Vick parece ter regressado ao nível de 2010, completamente integrado num ataque onde as jogadas são, quase sempre, tiradas a papel químico umas das outras. Handoffs, passes laterais, alguns slants, a OL a usar bloqueios zonais, numa harmonia que prova que os treinos foram levados a sério. Para uma defesa – qualquer defesa – torna-se difícil acompanhar o ritmo deste acelerado ataque. Sem huddle, limitando o tempo entre jogadas ao mínimo, a defesa enfrenta sempre dificuldades nos realinhamentos, nos ajustamentos e, claro, na durabilidade física. Defensores pesados – nomeadamente o trio da frente – obrigados a contínuos esforços, sem substituições, levam a um cansaço extremo, com consequências óbvias na produtividade. A 1ª metade do encontro não teve grande história. Os Eagles pareciam um martelo pneumático, encontrando sempre uma forma de conquistar jardas. Por sua vez, o ataque dos Redskins mostrou-se enferrujado. O contraste entre as duas unidades de ataque foi elevado. Se os Eagles pareciam uma máquina oleada, perfeita na movimentação, os Skins mostraram-se desconexos, sem ritmo e com erros patéticos. As três primeiras drives da equipa da capital acabaram num fumble (Alfred Morris, na sua primeira corrida), numa intercepção (RG3 a forçar um lançamento para Santana Moss, num 3º down longo) e num safety (com Morris a dropar o pitch). O resto é história. 443 jardas ofensivas e 77 jogadas são números elucidativos que mostram que os Eagles podem fazer furor na liga, este ano. Não fosse a 1ª drive ter culminado num TD defensivo do adversário (DeAngelo Hall a aproveitar o passe deflectido por Ryan Kerrigan) e o resultado seria bem mais confortável. A reacção dos Redskins, na 2ª parte, mesmo que tenha sido inglória, permitiu retirar algumas ilações quanto ao que esperar, este ano. O jogo corrido, base do sucesso do ano anterior, tem Morris e Roy Helu, que irão produzir estragos. A única dúvida incide sobre RG3. O seu notório resguardo na corrida levanta dúvidas quanto ao estado real do joelho. Estará recuperado? É que a permanência no pocket exige uma precisão no passe que RG3 não mostrou, nesta partida.

As Nossas Escolhas

MVP

LeSean McCoy

A exibição de LeSean McCoy merece uma celebração condigna
Foto de AP Photo/Nick Wass

LeSean McCoy, o running back dos Eagles já tinha mostrado, na preseason, que está num belo momento de forma. Rápido, ágil a encontrar o buraco nas defesas (os seus cutbacks são fantásticos), foi sempre um tormento em movimento, massacrando a defesa adversária. 31 corridas e 184 jardas, com o touchdown da praxe mostram bem quão especial foi a noite para a estrela dos Eagles.

Positivo

Nos Eagles merece menção o bom desempenho de Michael Vic. O QB, completamente confortável no ataque, geriu de forma excelente o ritmo elevado do jogo (53 jogadas e 322 jardas, na 1ª parte), mostrando segurança e erradicando os lapsos do seu jogo. Dois passes para touchdown, mais um obtido numa curta corrida, ao estilo de 2010, temporada em que foi empolgante. Vick, no entanto, absorveu demasiados hits, algo a que fisicamente não reage bem, com o seu histórico de lesões. Em claro destaque esteve também DeSean Jackson, wide receiver. Fazendo uso da sua velocidade, ele foi sempre imparável, conseguindo 7 recepções para 104 jardas e um TD. Na defesa, elogios para Cary Williams, cornerback que, vindos dos campeões Ravens, esteve envolvido numa cena de pugilato no treino, com Riley Cooper. Refeito da refrega, Williams conseguiu uma intercepção, participando activamente em blitzes e perseguindo os seus alvos, por todo o campo. Terminou com um sack no pecúlio e um passe deflectido, no 4º período, pondo fim à tentativa de recuperação dos Redskins. Se Pierre Garçon passou despercebido no jogo, a culpa foi de Williams e a sua marcação cerrada. Nota final para a linha ofensiva, responsável directa pelo brilhante desempenho de LeSean McCoy. Jason Kelce, Evan Mathis e o rookie Lane Johnson foram instrumentais a criar espaço com os seus bloqueios, criando condições favoráveis ao jogo corrido.

Nos Skins alguém se destacou positivamente? É difícil encontrar alguém que tenha escapado ao descalabro colectivo, mas o backup de Alfred Morris, Roy Helu Jr, foi um deles. Correu de forma destemida, catapultando a equipa para a frente, em preciosos primeiros downs. Ainda no ataque, Trent Williams continua a ser uma muralha inexpugnável. Resistiu a Trent Cole e Cª, nunca cedendo pressões pelo seu lado. A única vez que RG3 sofreu um sack, vindo do lado esquerdo, foi numa blitz, com Cary Williams a aparecer liberto, falha que não pode ser assacada ao left tackle, na altura a conter Cole. Na defesa, o rookie CB David Amerson estreou-se, podendo sair de campo de consciência tranquila. Apenas cedeu uma recepção, para 8 jardas, conseguindo sobreviver numa exibição colectiva má da sua equipa.

Negativo

Patrick Chung foi um dos únicos destaques negativos nos Eagles, sobretudo pela sua personificação de Rahim Moore, o safety dos Broncos que cometeu a gaffe contra os Ravens, nos playoffs do ano passado. A forma como Chung foi batido, no primeiro TD de Leonard Hankerson, é quase anedótica. O passe de RG3 não tinha a força nem o arco suficiente para ter sucesso, não fosse a deficiente colocação de Chung, espectador privilegiado no lance.

Nos Redskins, a defesa foi francamente má, nunca encontrando antídoto para parar o ataque dos Eagles. Os dois safeties (o rookie Bacarri Rambo e o incumbente EJ Biggers) viveram uma noite de pesadelo, falhando clamorosamente em campo aberto, com os seus tackles a serem infrutíferos para parar LeSean McCoy. No ataque, Robert Griffin III esteve longe do quarterback excitante de 2012. Com duas intercepções, em lançamentos forçados para alvos que estavam cobertos, permaneceu quase sempre no pocket, nunca fazendo os scrambles a que nos habituou. O seu jogo, contido, perde muito da explosividade. Alfred Morris esteve longe igualmente do que mostrou em 2012. Um fumble, na primeira jogada de ataque, mais um drop que culminou num safety foram ilustrativos da sua exibição. Conseguiu melhorar na 2ª metade, mas longe do fulgor de outrora.

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.