Jaguars @ Vikings: Um Final de Cortar a Respiração

Paulo Pereira 2 de Outubro de 2012 Análise Jogos NFL Comments

Jacksonville Jaguars at Minnesota Viking

1 2 3 4 OT F
Jacksonville Jaguars 3 6 3 11 0 23
Minnesota Viking 0 7 7 9 3 26

Um Final de Cortar a Respiração

Blair Walsh. Blair Walsh. Blair Walsh. Blair Walsh. Blair Walsh.

É repetitivo, mas serve de penitência. Minha. Fui crítico da não renovação do contrato de Ryan Longwell, o fiável kicker que era um dos rostos emblemáticos dos Minnesota Vikings. E, confesso algo envergonhado, pratiquei bullying verbal sobre o rookie que os Vikings desencantaram no draft. Encontrei-lhe defeitos. Na postura. Na pretensa ausência de força. Nos pequenos erros no training camp. Mas hoje, vendo o embate contra os Jaguars, impróprio para cardíacos, dei por mim exuberantemente a comemorar os pontapés certeiros do antigo recruta de Georgia. Foram 4. 20, 38, 42 e 55 jardas. Fizeram a minha felicidade. E a de muitos seguidores dos purple & gold. Skol Vikings!

O Jogo

A recepção aos Jacksonville Jaguars não era daquelas de provocar ansiedade ao fã comum da NFL. Em confronto duas equipas em modo de reconstrução, ainda numa fase prematura de colarem os cacos da fragmentação anterior. Sabia-se, no entanto, que uma vitória, para qualquer dos lados, cimentaria a confiança no início da temporada. Liderando ambos os ataques, dois quarterbacks a entrarem no seu segundo ano. Ambos com problemas para resolver e muito para provarem. As similaridades nas equipas não terminam aí. O jogo corrido, com rostos definidos, vivia embrulhado em dúvidas. Se do lado dos Vikings Adrian Peterson regressava (sem se saber em que condições) duma traumática lesão, do outro era Maurice Jones-Drew que vinha duma paragem prolongada, forçada por ele mesmo, num braço-de-ferro com o clube devido a questões salariais.

1º Período

O primeiro quarto do encontro foi sensaborão, com as defesas a sobreporem-se com alguma facilidade aos ataques, numa irritante sucessão de punts que fazia antever uma tarde de péssimo futebol. O único destaque surgiu no no final do período, numa longa drive dos Jaguars (17 jogadas e 77 jardas), que culminou num field goal de Josh Scobee, depois de Blaine Gabbert falhar escandalosamente um passe para um isolado Justin Blackmon, na end zone.

2º Período

O segundo período mostrou algumas centelhas de dinamismo no ataque dos Vikings, com o aparecimento do irrequieto Percy Harvin (3 recepções e 32 jardas, nesses 15 minutos). Kyle Rudolph mostrou ser um dos alvos predilectos de Ponder, conquistando algumas recepções. A drive de sucesso dos Vikings permitiu o touchdown de Adrian Peterson, efusivamente comemorado no estádio.

3º Período

O intervalo parece que foi um mau conselheiro para os dois quarterbacks. Primeiro foi Blaine Gabbert, ainda atormentado pelos fantasmas do péssimo rendimento em 2011, a ter um fumble, recuperado por Kevin Williams, posteriormente culminado em novo touchdown de Adrian Peterson. Christian Ponder, por sua vez, não ficou atrás, nas dores de crescimento habitualmente associadas a quarterbacks jovens e inexperientes. Sofrendo um sack, Ponder perdeu a bola, numa jogada que terminou em novo field goal de sucesso de Scobee.

4º Período

O melhor estava guardado para o final da contenda. Com os Vikings a comandarem por 5 pontos, Mike Mularkey, o head coach, apostou no risco, preterindo um quarto down em detrimento do punt. O relógio mostrava menos de dois minutos para o final do encontro. Com os Vikings a possuírem dois descontos de tempo, bastaria um first down para o assunto ficar encerrado. Parecia uma decisão de elevado risco, por parte dos Jaguars. Mas a confiança na defesa valeu a pena. Os Vikings não conseguiram avançar as 10 jardas necessárias, sendo obrigados a devolver a bola. E aí, novamente Blaine Gabbert deu mostras de estar num franco processo de recuperação da sua auto-estima, comandando uma drive que culminou num bem medido passe para Cecil Shorts marcar o touchdown que se julgava sentenciar o encontro. Faltavam 20 segundos. Muitos optaram por abandonar o estádio, esquecendo a velha máxima de que tudo é possível, na NFL. Foi a vez de Christian Ponder usar da calma glacial, apanágio dos veteranos. Com o tempo a escoar-se usou Devin Aromashodu como receptor improvável, conseguindo uma sucessão de passes que colocou a bola nas 55 jardas. O cronómetro parado nos 4 segundos. A tensão era palpável. E foi aí que surgiu um novo herói. Blair Walsh colocou os Vikings no prolongamento. E aí, na primeira drive, terminou o seu dia de trabalho com novo field goal certeiro, nas 38 jardas. Estava encontrado o vencedor.

Jaguars vs Vikings

O rookie Blair Walsh converte um field goal de 55 jardas somente com 0:04 segundos para o final da partida, garantindo assim o overtime
Fonte da Imagem: Hannah Foslien/Getty Images

As Nossas Escolhas

MVP: Blair Walsh. Sereno. Frio. Cirúrgico. O que sente um rookie, a 4 segundos do final do tempo regulamentar, com a sua equipa a perder por 3 pontos, e tendo ele um field goal para empatar a contenda? Um pontapé de 55 jardas, sendo que o seu máximo de carreira era de 56? Pressupõe-se que, pela inexperiência, o jogador estará aterrado. Blair Walsh, provavelmente vivendo um turbilhão de emoções internamente, disfarçou profissionalmente o que sentia, não permitindo que existisse qualquer interferência no seu jogo. No seu primeiro encontro na NFL, Blair Walsh viveu uma tarde de glória. Merece claramente ficar com os louros do triunfo.

Positivo: Nos Vikings, o regresso de Adrian Peterson, 8 meses após uma lsão devastadora, já seria por si só motivo de regozijo. Mas o running back mostrou que não perdeu potencialidades. Foi igual a si mesmo. 88 jardas conquistadas naquele seu jeito único de correr, contribuindo com 2 touchdowns para manter a equipa na corrida. Chad Greenway, linebacker, mostrou os pergaminhos dum Pro Bowler. Imperial contra o jogo corrido (vejam só as míseras jardas que Maurice Jones-Drew ou Rashad Jennings conquistaram), cooperativo no jogo aéreo, foi um monstro polivalente, aparecendo em inúmeras áreas do terreno, ora para fazer um tackle em campo aberto, ou deflectindo um passe do adversário. Nos Jaguars destaque óbvio para Blaine Gabbert. A tarde dele não foi perfeita (teve dois fumbles) mas mostrou encorajadores sinais de progresso, depois dum ano de 2011 péssimo. Gabbert conseguiu260 jardas passadas e dois touchdowns.

Negativo: A vencer por 3 pontos a 20 segundos do fim torna incompreensível como é que Cecil Shorts aparece na zona de finalização com uma cobertura simples. Não sei qual terá sido a jogada programada e se dela fazia parte a assistência na jogada por parte dum safety, mas Chris Cook foi batido inapelavelmente (e de forma infantil) num erro que poderia ter custado muito caro. Nos Jaguars o jogo corrido nunca foi o factor de desequilíbrio que se esperava. Após uma promissora pré-temporada, Rashad Jennings viu-se preterido na maioria dos snaps por Maurice Jones-Drew, com ambos a revelarem dificuldades em conseguir jardas. Justin Blackmon passou literalmente ao lado do jogo, nunca parecendo em sintonia com Gabbert.

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.