Vikings @ Colts: O Digno Sucessor de Peyton Manning

Paulo Pereira 19 de Setembro de 2012 Análise Jogos NFL Comments

Minnesota Vikings at Indianapolis Colts

1 2 3 4 F
Minnesota Vikings 3 3 0 14 20
Indianapolis Colts 7 10 3 3 23

Existia alguma expectativa no confronto entre os Indianapolis Colts e os Minnesota Vikings. Não se prevendo que nenhuma das equipas consiga o apuramento para os playoffs, dado tratar-se de duas franquias em claro processo de renovação, os motivos de interesse eram, mesmo assim, variados. Desde logo tínhamos a estreia em casa de Andrew Luck. Como se comportaria, perante os seus fãs, aquele que foi eleito como o sucessor de Peyton Manning? Reagiria, após uma exibição que roçou o desastre, no confronto inaugural contra os Chicago Bears? E do outro lado, conseguiriam os Vikings dar continuidade ao bom jogo caseiro efectuado contra os Jaguars, com Adrian Peterson a fazer as delícias dos jogadores de fantasy football?

O jogo respondeu a grande parte das questões, tornando-se num espectáculo com todos os ingredientes associados à NFL. Emoção a rodos, um final electrizante e um comeback que quase resultava. Entre heróis e vilões, importa destacar a ideia de que Andrew Luck, mesmo com as dores de crescimento associadas aos novatos na liga, é uma confirmação. Sereno, com uma presença no pocket que lhe confere ares de veterano, soube gerir o jogo com alguma mestria, mostrando um braço forte e preciso nos lançamentos, bem como uma leitura correcta das tácticas defensivas do adversário.

Vikings vs Colts Highlights

Highlights do Jogo entre os Minnesota Vikings e os Indianapolis Colts

O Jogo

1º Período

Blair Walsh inaugurou o marcador, num field goal de 51 jardas. A resposta dos Colts veio na drive seguinte, com Luck a encontrar o rookie Dwayne Allen na end zone, num passe de 3 jardas. Colts a liderar, por 7-3.

2º Período

À imagem do período anterior, foi novamente Blair Walsh a encurtar distâncias para os Vikings. O field goal, de 29 jardas, colocou o marcador em 7-6. Até ao intervalo só deu Colts. Primeiro por Adam Vinatieri que, não querendo perder a batalha particular entre kickers, marcou um FG de 26 jardas. Depois através de nova acção de Andrew Luck, na sua primeira bomba, acertando em Reggie Wayne, num passe de 30 jardas. O touchdown colocou o marcador em 17-6.

3º Período

Novamente um field goal a abrir as hostilidades, mas desta feita para os Colts. Vinatieri, de 45 jardas. 20-6 no final do período.

Sack a Andrew Luck dos Colts realizado por Erin Henderson e Brian Robison dos Vikings

Sack a Andrew Luck dos Colts realizado por Erin Henderson e Brian Robison dos Vikings
Fonte da Imagem: AP Photo/Michael Conroy

4º Período

Foram 15 minutos frenéticos, num comeback dos Vikings que quase conseguia levar o jogo a prolongamento. Christian Ponder, nos últimos 6 minutos, liderou duas drives longas, com sucesso. No primeiro touchdown a sorte protegeu os visitantes. A bola, lançada por Ponder, é desviada na linha do scrimmage por Corey Redding, levando esta a elevar-se, num estranho efeito. Na end zone, num aglomerado de jogadores, a elevada estatura de Kyle Rudolph, o tight end dos Vikings, foi crucial. Numa espécie de ressalto digno dum qualquer jogo de basquetebol, a bola é tocada para trás, onde um atónito Stephen Burton a vê aterrar literalmente nas suas mãos. 20-13 no marcador. A dois minutos do fim, a conexão entre Ponder e Rudolph resulta na perfeição, num curto passe de 6 jardas. Touchdown e resultado empatado a 20. Prolongamento? Nada disso. Os Vikings provaram um pouco do seu próprio remédio. Se venceram na semana 1 os Jaguars, com um field goal no final da partida, o destino pregou-lhes uma rasteira, desta feita. Boa drive de Luck, conseguindo colocar a bola a 53 jardas dos postes. Adam Vinatieri não tremeu e marcou, sentenciando o encontro. 23-20.

As Nossas Escolhas

MVP: Adam Vinatieri kicker dos Colts que não vacilou no momento de levar a sua equipa à vitória

Positivo: Nos Colts, Andrew Luck. 20 em 31 passes, 224 jardas e 2 touchdowns. Era isto que se esperava dele, quando foi eleito com o nº 1 no draft passado. Adam Vinatieri, um veterano habituado a grandes momentos e a pontapés certeiros nos instantes decisivos, voltou a atacar. O kicker de Indianapolis, cujos dedos estão decorados com os anéis de campeão que conquistou com os Patriots, aproveitou o ensejo para decidir mais uma contenda. O field goal, de 53 jardas, a 12 segundos do fim, parece fácil saído dos seus pés. No ataque Donnie Avery teve uma grande tarde, beneficiando do facto de Reggie Wayne ter sofrido uma marcação impiedosa. 9 recepções e 111 jardas mostram bem que Avery pode ser um confiável alvo para Luck. Na defesa destaque óbvio para Jerraud Powers que, mesmo permitindo recepções aos seus adversários, limitou os ganhos a míseras jardas. Vontae Davis, vindo dos Dolphins, realizou uma agradável exibição, mas o mérito defensivo vai quase por inteiro para Corey Redding e Robert Mathis, fantásticos na pressão sobre a OL dos Vikings.

No ataque dos Vikings poucos. Percy Harvin seria o MVP da partida, se a equipa de Minnesota tivesse regressado a casa com um triunfo na bagagem. Ele foi o maior dinamizador das iniciativas atacantes dos Vikings. Apanhou passes, retornou kicks e punts, correu com a bola ao melhor estilo de um running back. 12 recepções para 104 jardas, mais uma quantidade apreciável delas em retornos, no bom estilo da formiguinha incansável. Foi a única ameaça visível, colocando sobre os seus ombros a responsabilidade de carregar a equipa. Merecia melhor sorte. Blair Walsh continua a deslumbrar. Não é comum, nem normal, o vulgar adepto de futebol americano ficar enamorado dum kicker, cuja presença em campo é requerida de forma irregular e rápida. Mas o rookie com as cores purple & gold vestidas tem sido claramente uma mais valia para a equipa. Frio e nada intimidado, Blair Walsh cumpriu o seu papel, marcando dois field goals nas suas únicas oportunidades, um deles num belíssimo pontapé de 51 jardas. Christian Ponder aparece aqui, nos destaques positivos, unicamente pelos dois passes para touchdown (um deles completamente fortuito). De resto, a impressão que se fica vendo jogar o quarterback dos Vikings, é de que ele está mais preocupado em não cometer erros grosseiros do que em explanar o jogo ofensivo da equipa. Ponder não tem, em dois jogos, uma intercepção, factor benéfico. Mas a sua postura conservadora tem reflexos nas consecutivas drives em que a equipa não avança, como aconteceu durante grande parte do jogo. Logicamente que a culpa não é inteiramente sua. As formações e o Play calling são demasiado tolhidos pelo medo do fracasso. Falta claramente aos Vikings uma ameaça de fundo de campo. Kyle Rudolph passou ao lado do jogo, até ao final do 4º período. Mas é evidente que o grupo de receivers não tem ninguém que possa “esticar” o jogo, obrigando as secundárias a trabalho redobrado. Talvez Jerome Simpson possa desempenhar esse papel, quando regressar do castigo (semana 4). Na defesa destacaram-se dois jogadores, verdadeiros monstros dentro do campo, imperiais contra a corrida. Kevin Willians, o veterano defensive tackle, e Chad Greenway, o linebacker que conseguiu igualmente colocar sempre alguma pressão sobre o pocket adversário.

Negativo: É quase um crime lesa-majestade falar mal do sector dos Vikings que, em 2011, carregou a honra e o orgulho da equipa. Mas a exibição da defesa, frente aos Colts, foi globalmente má. Qualquer acção positiva realizada era quase de imediato corrompida pelo inverso, com uma penalidade estúpida ou um erro grosseiro a deitarem por terra os esforços do conjunto. Houve de tudo:

  1. Uma enorme percentagem de terceiros downs permitidos ao adversário;
  2. Enormes ganhos tolerados, pela secundária, na última drive dos Colts, que de forma inacreditável conseguem chegar à distância de um field goal fácil;
  3. Penalidades. Penalidades. E mais penalidades. No pós-intervalo, numa sucessão de erros mentais, os Vikings cometeram faltas que foram oferecendo jardas e primeiros downs aos Colts. Exemplos? Andrew Luck corria desesperado para conseguir passar, num 3º down. Rodeado de adversários, sem qualquer alvo a quem endossar a bola, preferiu sair pela linha lateral. E aí, sem qualquer explicação, foi literalmente atropelado por um frustrado Jared Allen. 15 jardas resultantes da falta e, ao invés da bola ficar para os Vikings, uma concessão imediata de um primeiro down. Andrew Sendejo, safety dos Vikings, imbecilmente atingindo o punter dos Colts, dando nova oportunidade ao ataque, dado que a falta migrou a posse de bola para o adversário.
  4. Onde está o pass rush da equipa? Por onde anda o intimidante Jared Allen? Se Brian Robinson, o outro defensive end titular, tinha deixado boas indicações na partida frente aos Jaguars, apenas Everson Griffen mostrou alguma exuberância, num sack que deu aos Vikings 22 jardas. De resto a pressão foi facilmente anulada pela linha ofensiva dos Colts.

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.