Packers @ Vikings: De Cortar a Respiração

Paulo Pereira 5 de Janeiro de 2013 Análise Jogos NFL Comments

Green Bay Packers at Minnesota Vikings

1 2 3 4 F
Green Bay Packers 0 10 14 10 34
Minnesota Vikings 10 10 7 10 37

De Cortar a Respiração

Pode um escriba, nem que seja momentaneamente, perder a compostura, quando analisa – e assiste – a um espectáculo desportivo? Deve existir algum recato por parte do observador, com o fito de comunicar a mensagem, de forma isenta, aos seus leitores? Será que os laços emocionais, sempre ligados ao afecto clubista, podem ser espartilhados, sob pena de se subverter a crónica? São perguntas que, neste caso, têm resposta. Ou talvez não. A crónica que se segue pode estar inquinada. Contaminada por um entusiasmo pueril, um regozijo vibrante, exaltando pormenores e façanhas dos homens de purple & gold. Desculpar-me-ão todos aqueles que gostam de artigos contidos, factuais e isentos de comoção. Por um momento apenas, não terão isso. Não hoje. Não depois dum jogo – mais um – que roçou o épico por parte dos Vikings, conseguindo ultrapassar limitações para atingir um objectivo que poucos julgariam possível. Para se perceber minimamente o alcance do feito, convido todos a fazerem um rewind. Nem precisa de ser muito prolongado. Basta mergulhar no caos que foi a temporada de 2011, repleta de maus momentos, futebol confuso e ausência de esperança. A tónica era mesmo essa. Se num ano horribilis subtrairmos o único real motivo de crença, o que resta? NADA. Qualquer fã dos Vikings entraria na offseason com uma descrença do tamanho do Mundo. A equipa esteve na cauda da NFL e, para agudizar a sensação de frustração, o seu melhor atleta rompeu os ligamentos do joelho. Um running back com problemas no joelho? Apenas a mera menção do facto provoca uma onda amarga de náusea na boca. Se a isso adicionarmos o facto da franquia ter, finalmente, decidido empossar um general manager, na figura de Rick Spielman, tudo se conjugava para um ano de profunda reestruturação. Um início do zero, tentando criar condições futuras para se falar dos Vikings como sinónimo de dinastia, um pouco à imagem dos Patriots. Uma free agency sem grandes aquisições, com a opção por jogadores de low profile, vindos de lesões (casos de John Carlson) e numa aposta clara na juventude do draft não permitia ter um grande entusiasmo em relação ao futuro de curto prazo. Mas o desporto consegue surpreender-nos amiúde. Adrian Peterson regressou melhor do que antes, atingindo patamares de excelência. A secundária, já incorporando os talentos do draft, solidificou a defesa contra o passe. A linha ofensiva, responsável por amargos de boca, tornou-se coesa. O resultado destas pequenas vitórias tornou a franquia mais competitiva, dotando-a de armas que permitiram a luta por um objectivo maior. Mas, como foi visível neste encontro decisivo, nada surge por acaso. Os Vikings, para serem competitivos, têm que jogar no limite das suas capacidades, com as vitórias a serem resultado dum esforço tremendo. Existe ainda um longo caminho a percorrer…

O Jogo

Um duelo entre rivais de divisão é sempre um motivo excelente para se assistir a uma partida de futebol americano. Se esse embate acontece na última semana da regular season, assumindo contornos de importância vital para um dos contendores, temos um cenário repleto de intensidade febril. Os Vikings, jogando no seu emblemático estádio, dependiam apenas de si mesmos. Uma vitória e voilá: o bilhete mágico de acesso à fase seguinte era uma certeza. Existia apenas um senão. E dos grandes. O contendor provocava arrepios de temor, mesmo que esse receio fosse camuflado com a habitual bravata. Os Packers, donos dum ataque demolidor, comandados superiormente por Aaron Rodgers, que namorisca com o título de MVP, não iriam facilitar as coisas. Se isso era uma realidade, mesmo que o jogo nada trouxesse de extraordinário para a equipa de Green Bay, imaginem o estado de ânimo dos seus jogadores, sabendo que uma vitória selaria uma bye week nos playoffs? Os ingredientes eram estes. As duas equipas tinham motivos reais para desejarem o triunfo. Tudo correspondeu às expectativas. Um duelo intenso, com jogadas excelentes, decidido bem no final, mantendo um elevado suspense até ao derradeiro segundo. Não se pode pedir muito mais, quando nos é dado um jogo que merece ser degustado.

1º Período

Jogo decisivo. Os Vikings não têm jogo aéreo? Só dependem de Adrian Peterson? Wrong. O running back foi usado apenas uma vez, na primeira drive, para um ganho de 10 jardas. O resto foi Ponder e Cª, com Jerome Simpson e Kyle Rudolph a produzirem instrumentais primeiros downs. A drive, que se iniciou frenética, terminou pouco depois do meio-campo. Parecia fadada ao insucesso quando Jerrod McMillan parou uma corrida de Ponder. Mas, quem assim pensou, não conhece o kicker dos Vikings. Compreende-se. É tolerável. Blair Walsh, nome de baptismo, é rookie. E joga numa das mais invisíveis e ingratas posições de futebol americano. Mas este rookie tem algo que o torna especial. Todos ouvimos histórias, na fase inicial da prova, sobre Greg Zuerlein e a sua perna poderosa, rapidamente alcunhada de LEGatron. Apetece perguntar, depois de ver Walsh chutar a bola oval a 54 jardas de distância da baliza dos Packers. Greg who?
Os Vikings só teriam sucesso neste jogo se a sua defesa fosse consistente e agressiva, não deixando Aaron Rodgers com tempo para criar estragos. A 1ª drive dos Packers foi rápida. In and out, parados sem honra nem glória. A equipa de Minnesota capitalizou e tratou de aumentar a vantagem no marcador. E começou a aparecer o Purple Jesus. Adrian Peterson, sozinho, rompeu linhas defensivas, quebrou tackles e galgou jardas. Sem descanso. Christian Ponder foi apenas o receptáculo da bola, no snap inicial. Apenas um passe, na drive, para um improvável Toby Gerhart, num ganho de 22 jardas. Apesar dum sack de Clay Matthews, que resultou numa perda de 7 jardas, a drive manteve-se activa e culminou da única forma possível. All Day, furando pelo meio, numa corrida de 7 jardas. Touchdown. 10-0 para os Vikings e o Mall of America em ebulição.

Esforço conjunto para parar Adrian Peterson

Esforço conjunto para parar Adrian Peterson
Fonte da Imagem: Charlie Neibergall/AP Photo

2º Período

A drive, novamente dos Vikings, que se tinha iniciado ainda no primeiro período, mostrou um facto que não constituiu novidade. Mesmo com a defesa dos Packers preparada para a monopolização do jogo do adversário por Adrian Peterson, não o conseguiam parar. Aquilo que no início parecia utópico começava a ganhar contornos de realidade. As 208 jardas que separavam Peterson do mítico recorde de Eric Dickerson diminuíam, a olhos vistos. Com Ponder a passar episodicamente (apenas uma tentativa, realizada com sucesso, para as mãos seguras de Kyle Rudolph), Peterson colocou novamente Blair Walsh em field goal range. O kicker não se fez rogado e despachou mais uma bomba, de 37 jardas. 13-0. Euforia? Nem por isso. Todos sabiam – e pressentiam – que o “monstro” podia despertar a qualquer momento. E ele acordou, logo de seguida.

O “monstro” é Aaron Rodgers, o mais cool quarterback da actualidade, com uma capacidade sobrenatural de colocar a bola nas mãos dos seus receivers. Faltavam 4 minutos para o intervalo quando ele se sintonizou com o seu alvo da noite: Greg Jennings. O touchdown, mais do que encurtar distâncias, mostrou que a defesa do passe, por parte dos Vikings, teria uma noite complicada pela frente. Jennings, refeito da lesão, esteve imparável, conquistando muitas jardas após as recepções. Esta drive permitiu ver, igualmente, a criatividade do ataque dos Packers. Usando a spread offense, espalhando 4 receivers pelo campo, obrigavam a marcações ao homem, por parte dos Vikings. A estratégia era simples, mas terrivelmente eficaz. Rodgers colocava a bola junto das linhas laterais, com os receivers que corriam pelo centro do terreno a serem o engodo. O papel deles, para além de confundir a defesa, era activo nos bloqueios, limpando as rotas para os efectivos alvos de Rodgers.

No período mais animado do jogo, os Vikings não sentiram o golpe de verem encurtada a liderança, respondendo de imediato. Adrian Peterson não teve que carregar a responsabilidade de liderar o ataque, contando com uma única corrida (e que corrida, num ganho fantástico de 18 jardas). Surgiu um herói improvável, adquirido no draft de 2012. Jarius Wright, wide receiver, surgiu felino na end zone, a finalizar um passe de 8 jardas. Momento importante psicologicamente, permitindo a manutenção duma liderança confortável. O problema é que o minuto e 13 segundos que faltavam eram suficientes para Rodgers ferir essa segurança aparente. E ele fê-lo, com a ajuda inesperada do veterano Mason Crosby. O kicker dos Packers, numa temporada desastrada, acumulando falhanços em série (leva 12 field goals falhados, liderando a NFL nesse item), marcou à beira do fim, num impressionante pontapé de 51 jardas. Recordo que nos últimos 8 FGs acima das 50 jardas, Crosby apenas tinha marcado com sucesso um deles.

3º Período

O momentum que os Packers traziam, após o field goal, manteve-se. Com a posse de bola inicial, no pós-intervalo, Rodgers teve dois passes fenomenais, levando a bola das próprias 20 jardas até à red zone adversária. O primeiro, para James Jones, teve um ganho de 30 jardas. O segundo, num magistral trabalho de Greg Jennings, conquistou 45 jardas. Foi o próprio Jennings que finalizou, numa recepção de 5 jardas, marcando o seu segundo TD da partida. Num ápice os Packers colocaram-se a míseros três pontos dos Vikings. 20-17 e tudo em aberto.

Depois de uma drive dos Vikings sem sucesso, com os Packers já com a bola e na linha de 50 jardas, apareceu um dos momentos culminantes do desafio. Rodgers já tinha sido sacado, anteriormente, por Everson Griffen. Desta feita foi Brian Robinson o autor do sack, provocando um fumble, recuperado por Jared Allen. Quando os Packers pareciam determinados a ultrapassarem o rival no marcador, a intensidade defensiva dos Vikings deu um novo fôlego à equipa. Ponder agradeceu. E penalizou o adversário.

O momento final do sack sofrido por Aaron Rodgers, com o fumble a ser recuperado por Jared Allen

O momento final do sack sofrido por Aaron Rodgers, com o fumble a ser recuperado por Jared Allen
Fonte da Imagem: AP Photo/Genevieve Ross

Primeiro num passe acima das 20 jardas, para o veloz Jerome Simpson. Logo depois, mostrando uma segurança e confiança que estiveram ausentes grande parte da época, dando a bola ao fullback Jerome Felton, que teve um precioso ganho de 17 jardas. A jogada finalizou numa play action, que permitiu ampla liberdade a Adrian Peterson, isolado na end zone. Ponder limitou-se a lançar, num passe de 2 jardas, e os Vikings aumentaram distâncias. 10 pontos, a meio do 3º período, pareciam indiciar uma vitória. Certo? ERRADO. O jogo estava louco, trepidante de emoções e repleto de big plays. Lembram-se do que escrevi acima? Do “monstro”? Pois bem, ele regressou. E com estardalhaço.

Aaron Rodgers é assim. Um ser omnipresente no coração do ataque da sua equipa, sereno perante a tormenta, mantendo sempre um notável sentido de equilíbrio e sabendo, a cada instante, onde estão os seus companheiros. Com os Packers a enfrentarem um terceiro down e 4 jardas, Rodgers não se limitou ao óbvio. Podia ter optado por um passe lateral, chamado uma slant ou tentado uma curta corrida. Isso não é para ele. Olhou para o fundo do campo e lançou a bola, numa espiral perfeita de força e precisão. Ela caiu nas mãos de Jordy Nelson, num ganho de 73 jardas. 73 jardas! O resto é fácil de adivinhar. Passe seguinte, de 8 jardas, e James Jones a aparecer para finalizar, reduzindo novamente para 3 pontos a diferença no marcador. Emoção ao rubro, para todos os privilegiados que assistiam ao encontro. Que jogo!

4º Período

Os Vikings pareciam soçobrar, não produzindo nada de relevante no ataque, a não ser as tentativas de Peterson na corrida. A distância que separava o running back do recorde ia diminuindo. Jarda a jarda. Era como se este fosse um outro desafio, dentro da partida maior, mantendo os espectadores presos à possibilidade de assistirem a um feito inolvidável. Mason Crosby foi chamado a intervir, num field goal de 40 jardas. O veterano disse presente, mostrando que está apto para os desafios dos playoffs. Field Goal concretizado e empate no marcador. Pressentia-se a reviravolta. Os Packers pareciam melhores, animicamente, produzindo jogadas de ataque com facilidade, ao contrário das esforçadas tentativas do rival.

Pois bem, é nestas alturas, em que o objectivo da temporada está em jogo, que se fazem heróis e se criam vilões (que o diga Tony Romo, depois do jogo com os Redskins). Christian Ponder conseguiu, provavelmente, o seu melhor passe da temporada. Uma bomba, quando a equipa estava encostada às cordas, parecendo à deriva e prestes a sofrer um KO. Um passe de 65 jardas, procurando a única deep threat consistente do ataque. Jarius Wright apareceu solto, com uma bem conseguida separação dos dois últimos defensores, conseguindo receber em esforço e colocando a equipa a 14 jardas da glória. Ponder, confiante, resolveu de seguida a questão, num lance abençoado pela sorte. Num third-and-goal Ponder saiu do pocket, que se dilacerava, sem alvos visíveis. Poderia ter optado por correr, mas era uma acção fadada ao insucesso, face à densidade de jogadores naquela restrita zona. Poderia, em última instância, ter colocado a bola fora, permitindo um FG fácil ao seu kicker. Mas Ponder arriscou. E foi bem sucedido. Um passe em arco, sobrevoando os linebackers, que atingiu a end zone. Aí, num mergulho heróico, Michael Jenkins, um mero tarefeiro, resgatou a bola que parecia ir ser interceptada. É, claramente, o momento que define o jogo. Uma espécie de linha virtual, com a acção daí resultante a poder fazer a felicidade de qualquer um dos contendores. Por milímetros, os Vikings comemoraram o precioso TD. Assim se escreve, muitas vezes, a diferença entre a glória e o fracasso.

Os Vikings tinham ainda que sofrer. A história não estava totalmente escrita. O persistente Aaron Rodgers, mesmo sofrendo novo sack brutal de Everson Griffen, foi explorando as capacidades dos seus receivers. James Jones e Greg Jennings tiveram finalmente a companhia de Jermichael Finley, o tight end, num ganho de 20 jardas, novamente com a equipa dos Packers a enfrentar uma decisão complicada, num 3-and-21. O 4º down, que se seguiu, foi ultrapassado com sucesso, mostrando o inevitável. Os Packers iriam empatar a contenda. E isso aconteceu mesmo, com Jordy Nelson a ser o eleito para a comemoração. Tudo igual, a 2 minutos e 57 segundos do fim. Pairava o espectro dum prolongamento, criando crises de ansiedade nos fãs dos purple & gold que lotavam o estádio. De cortar a respiração…

Rookie sensação, o kicker Blair Walsh é cumprimentado pelos companheiros, após mais um field goal de sucesso

Rookie sensação, o kicker Blair Walsh é cumprimentado pelos companheiros, após mais um field goal de sucesso
Fonte da Imagem: AP Photo/Genevieve Ross

Desta feita, Aaron Rodgers foi emulado do lado oposto. Ponder travestiu-se de quarterback de qualidade e, tal como o adversário, mostrou que sabe lidar com o nervosismo dos grandes momentos. Os Vikings, enfrentando um 3-and-11, na linha de 48 jardas, sairam-se airosamente. O autor da proeza? O duo Christian Ponder e Michael Jenkins, num passe e recepção de 25 jardas. Explodiu o estádio. A equipa estava na distância em que Blair Walsh é efectivo. Adrian Peterson ainda correu 11 jardas, encurtando a distância e aumentando a possibilidade de sucesso do colega de equipa. E depois, fez-se silêncio. Um manto de mutismo que cobriu os mais de 64 mil espectadores. Blair Walsh tinha milhares de olhos colados nos seus movimentos. De forma graciosa, rematou a bola, bem segura pelo holder. Ela levantou-se, percorrendo as curtas 29 jardas. Até que veio o veredicto final do árbitro. The field goal is GOOD. Os Vikings regressam, de forma imprevista, aos playoffs.

As Nossas Escolhas

MVP: All Day. Purple Jesus. Ou, simplesmente, Adrian Peterson. Sustenham a respiração. O homem é um semi-deus no relvado, uma verdadeira força da natureza, imparável fisicamente e inquebrável no espírito. Desafiando as leis do corpo humano, com uma capacidade de regeneração que o coloca num patamar de super-herói, um mutante equipado com roupa desportiva, Adrian Peterson pareceu sempre, este ano, estar possuído. Um homem com uma missão, transformando os seus actos em momentos robóticos, como se corpo e alma se tivessem fundido e vivessem apenas para saciar a compulsão de conseguir jardas. E mais jardas. Ele conquistou 12 pelo ar, em 2 recepções, mas provocou enorme mossa no opositor no jogo terrestre, onde as suas 199 jardas são um marco que comprova o estado de forma galáctico. Verdadeiro jogador de equipa, privilegiou sempre os interesses colectivos em detrimento de conquistas pessoais. Mesmo assim ficou a míseras 8 jardas de igualar o recorde de Dickerson. MVP! MVP! MVP!

Homem do jogo e candidato a melhor jogador da temporada regular. Adrien Peterson é a alma dos Vikings

Homem do jogo e candidato a melhor jogador da temporada regular. Adrien Peterson é a alma dos Vikings
Fonte da Imagem: AP Photo/Genevieve Ross

Positivo: Nos Vikings existem muitos – e bons – motivos de destaque. Michael Jenkins. É disto que é feita a essência dos anónimos tarefeiros, aquele tipo de jogadores sem qualidades excepcionais, vegetando imersos num mundo de mediania, mas mantendo sempre um forte vínculo com a competência. Jenkins teve apenas 3 recepções, para um ganho de 37 jardas. Mas foram intervenções preponderantes, em momentos dramáticos, mostrando uma assinalável segurança. Merece ser louvado, ficando indelevelmente ligado ao resultado, com o seu TD. O seu colega de posição, o rookie Jarius Wright, foi precioso, dando a Ponder um alvo confiável nas bolas longas. Rápido e conseguindo desmarcar-se das coberturas, Wright apareceu na 2ª fase da temporada como elemento a ter em conta, dando mostras de ir ter um futuro risonho com o emblema dos Vikings na lapela. Foram 90 jardas e um TD, para mais tarde recordar. Christian Ponder respondeu aos críticos da única forma que podia. Com uma exibição segura e serena, mostrando não ter qualquer receio em explorar as rotas longas e conseguindo rivalizar com o experiente adversário. Sem a sua muleta predilecta, Percy Harvin, Ponder parece que rompeu o espartilho táctico, passando a usar mais todos os outros alvos de que dispõe.16/28 no passe, 265 jardas, sem erros e com 3 preciosos passes para touchdown. Blair Walsh parece imune aos elogios com que é presenteado. O kicker esteve, mais uma vez, brilhante, marcando o seu 10º field goal acima das 50 jardas. Não tremeu no momento decisivo, marcando os pontos cruciais que colocam a franquia na fase seguinte da competição. Uma palavra final para Bill Musgrave, o coordenador ofensivo. Geriu, de forma sapiente, os pontos fortes da equipa, explorando logicamente o fantástico momento de forma de Adrian Peterson, erradicando os erros do game plan de Ponder. Surpreendeu o adversário, várias vezes, usando o habitual play action e dando liberdade ao seu quarterback para lançar downfield. Mais importante: retirou Ponder da mira de Clay Matthews, criando uma guarda pretoriana que protegeu sempre o principal activo no jogo aéreo.

Nos Packers who else? Aaron Rodgers.

Aaron Rodgers, comemorando um passe perfeito para TD

Aaron Rodgers, comemorando um passe perfeito para TD
Fonte da Imagem: AP Photo/Jim Mone

Mesmo com um fumble, sofrido após o impacto do sack de Brian Robinson, Rodgers mostrou como joga um QB de elite.28/40 no passe, 365 jardas e 4 TDs. É preciso dizer mais alguma coisa? O homem parece que nasceu com MVP colado na testa. Passes teleguiados, explorando qualquer sinal, por mais fraco que fosse, de debilidade alheia. Portentoso. Coadjuvado, no ataque, por Greg Jennings, que realizou a melhor exibição do ano. O wide receiver foi sempre um quebra-cabeças para a defesa contrária, beneficiando dum plano de jogo criativo. Foram 8 recepções, 120 jardas e 2 TDs. O jogo corrido, como complemento ao do passe, nunca foi uma arma usada amiúde pelos Packers, que logicamente pretendem a bola nas mãos de Rodgers. Sem Cedric Benson e Alex Green, coube a vez ao desconhecido DuJuane Harris assumir a batuta da unidade, algo que ele fez sem qualquer constrangimento. Foram 14 corridas para um ganho de 70 jardas, num jogo consistente, que eclipsou Ryan Grant para um papel secundário.

Negativo: Nos Vikings o único facto de preocupação é a lesão de Antoine Winfield. A sua saída, ao intervalo, coincidiu com a exploração da secundária, por Rodgers, que aproveitou a debilidade existente. No seu lugar jogou Marcus Sherels, que simpaticamente podemos dizer que foi desastroso. Nunca acertando com as marcações, foi o alvo preferencial de Rodgers, que lançou na sua direcção 10 vezes. Sherels permitiu 9 recepções, um obsceno número de 160 jardas conquistadas, incluindo o lance em que Jordy Nelson ganhou 73. Se jogar a titular contra estes mesmos Packers, vai ser um festim…

Nos Packers, o elo mais fraco na linha ofensiva foi o rookie Don Barclay, right tackle. Viveu uma noite desassossegada, com a sua inexperiência a ser aproveitada pelo front four dos Vikings. Barclay cedeu 3 sacks (dois a Griffen e um a Robinson), cometendo duas penalidades que custaram 15 jardas à própria equipa. Tramon Williams, um dos cornerbacks mais experientes da competição, foi vítima da criatividade do ataque contrário. Não cedeu grande número de jardas, mas todas as que permitiu serviram para o adversário ganhar primeiros downs. Permitiu a recepção de 65 jardas a Jarius Wright e a escapadela do fullback Jerome Felton.

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.