Preseason Game – Week 2: Cardinals @ Vikings

Paulo Pereira 17 de Agosto de 2014 Análise Jogos NFL, NFL Comments
Minnesota Vikings

Preseason Game – Week 2: Cardinals @ Vikings

Here’s come Teddy!

Ah, o doce sabor da vitória. Sim, é preseason. Sim, os jogos não contam para nada. Mas não, não é um triunfo irrelevante. Os Minnesota Vikings são um bebé, a dar os primeiros passos, com um novo head coach, novos coordenadores e, claro, novos conceitos tácticos. Num processo demorado de maturação, qualquer sinal de evolução é encorajador. E, neste aprender a caminhar de forma ainda titubeante, um triunfo sobre um rival da NFC West, claramente mais adiantado nos seus processos de jogo, é sempre algo satisfatório. Se uma equipa, dizem os entendidos, por muita qualidade que possua só sobrevive numa dura competição como a NFL se tiver um quarterback, não há como ficar indiferente ao que o rookie Bridgewater fez, ontem à noite. A titularidade é de Matt Cassel. Ponto. O veterano tem mais experiência e conexão com os alvos de que dispõe. Não se discute isso. Mas será sempre um remendo, uma medida de curto prazo. Teddy foi draftado para ser o franchise quarterback que a franquia de Mineapolis anseia, faz anos. O rookie, como tantos outros, tem acumulado bons momentos no training camp com erros, normais quando o volume de trabalho e dissecação das defesas atinge um ponto complexo. Será neste processo de aprendizagem e análise que residirá a chave futura do êxito. Agora, o que importa, é ver a curva evolutiva a subir, de forma estruturada. Teddy, ontem, foi calmo no pocket, preciso nos seus lançamentos, nunca se deixando atingir pelo ambiente. E aquela drive final, com apenas 1 minuto e 11 segundos para o derradeiro apito, catapultando os Vikings para a vitória, foi um trabalho de mestre. Arrepiante na sua simplicidade, empolgante na concepção de cada lance.

Aizona Cardinals

1 – Testes e mais testes. É disso que se trata e ninguém embandeira em arco com uma vitória ou fica depressivo por um desaire na pré-temporada. Se existiam dúvidas no roster, uma delas é no jogo corrido. Andre Ellington ganhou as medalhas meritórias virtuais de running back titular, após o tirocínio feito no ano passado. O que interessava avaliar, frente aos Vikings, era a restante unidade, para ver quem dividiria os snaps com Ellington. Jonathan Dwyer, Stepfan Taylor e Robert Hughes mereceram o seu quinhão de oportunidade. A maioria dos pontos veio do jogo terrestre, com Dwyer a marcar um TD, numa curta corrida, imitado por Robert Hughes, que terminou o jogo como o líder nas jardas amealhadas, com 26 em 9 tentativas. Não existiu, no fundo, um vencedor incontestado, se bem que Hughes aproveitou o tempo de antena para reivindicar mais oportunidades. E Jonathan Dwyer é um back que, pela imponência física, pode sempre dar jeito, em situações no third down ou na goal line.

2 – Jay Feely, mesmo sendo o kicker incumbente, tem tido competição no campo, com o rookie Chandler Catanzaro a desafiá-lo por um lugar no roster. O primeiro jogo foi de Catanzaro, que marcou os 3 field goals de que dispôs. Ontem, foi a desforra de Feely, que seguiu à risca o que Bruce Arians pretende nos kickoffs. Profundos e altos. Dos 5 que teve, 3 foram touchbacks, não permitindo qualquer oportunidade para retornos, e os outros dois foram retornados para ganhos de 26 e 31 jardas. No restante, Feely cumpriu, sem erros de pormenor e mantendo a vantagem que a sua veterania lhe confere.

3 – Com um roster repleto de qualidade, serão poucos os lugares ainda em aberto, mas um deles deverá contemplar Jaron Brown. O receiver continua a impressionar, obtendo 2 recepções para 86 jardas, uma delas num movimento espantoso sobre Xavier Rhodes. Mesmo numa unidade que conta com Larry Fitzgerald e Michael Floyd, Jaron deverá conseguir uma vaga, trazendo algo de refrescante ao jogo. Quem ganhou pontos foi Darren Fells. O tight end, que iniciou o training camp na bubble (designa quem está em riscos de ser cortado), tem mostrado ter mãos seguras e mostrou a sua mais-valia numa jump ball na edn zone, ganhando o duelo a Chad Greenway.

4 – Quem aparenta ter perdido terreno como third stringer QB é Ryan Lindley. A sua performance não entusiasmou ninguém,  jogando sempre pelo seguro, com passes curtos e alguns lançamentos mal executados. Depois de Logan Thomas, o rookie que tem intangibles interessantes, ter rubricado uma boa exibição contra os Texans,  Lindley pode ter assinado os seus últimos snaps em Arizona. É bem mais provável que os Cards dêem uma oportunidade a Thomas, pelo seu potencial, do que a Lindley, que ainda não demonstrou nada de relevante no tempo que já leva na NFL.

5 – O último TD dos Cardinals, que quase lhes valia a vitória, foi caricato.  Lindley teve um fumble, ao receber o snap, e na confusão subsequente a bola foi parar, quase por milagre, às mãos de Zach Bauman, que correu com ela até à end zone. Não foi um lance bonito, mas valeu pontos e quase provocava uma apoplexia aos broadcasters afectos aos Vikings, que comemoravam a vitória, achando que o lance estava “morto”.

Minnesota Vikings

1 – De Teddy já falei, no parágrafo de abertura. 16 passes certeiros em 20 tentados, 177 jardas e duas conclusões com sucesso, para  Allen Reisner e Rodney Smith. Foi excelente, não foi? Mas, conforme já frisei, não existirá uma duvida existencial sobre quem iniciará a week 1, a titular. Matt Cassel é esse homem. Frente aos Cardinals, mostrou mais do mesmo. 12 em 16, 153 jardas, 1 TD e, mais importante, uma insuspeita capacidade de decisão, ao adicionar 30 jardas corridas, para preciosos first downs. Cassel esteve decidido, concentrado, tornando o seu jogo imune a erros. E aquele strike para Kyle Rudolph foi qualquer coisa de belo.

2 – Nem tudo correu de feição no jogo, para os purple & gold. A primeira drive dos Cardinals pareceu uma faca a cortar manteiga quente, entrando no território dos Vikings com imensa facilidade. Em apenas 9 jogadas os Cardinals galgaram 93 jardas. Não foi a excepção à regra, infelizmente. As big plays sucederam-se, como numa bomba de Carson Palmer para Jaron Brown, que desnudou a deficiência na cobertura de Xavier Rhodes. A jogada levantou os fantasmas habituais: estará esta secundária dos Vikings preparada para Aaron Rodgers e Cª?

3 – A vitória no jogo inaugural da preseason, frente aos Raiders, mostrou que a agressividade requerida no front 4 está longe dos parâmetros básicos desejáveis. Ontem, apesar de só ter havido um sack (crédito para o rookie Anthony Barr), já se viu uma pressão mais consistente, com Everson Griffen bastante activo. A ausência de stats mais relevantes ainda não é preocupante. Os jogos de treino servem fundamentalmente para testar novos esquemas. E, nesse campo, Zimmer não tem poupado os seus homens. Já se percebeu que a constituição da DL não funcionará de forma híbrida. Griffen tanto actuou do lado esquerdo como do direito, funcionando como um vagabundo na DL. E, quando Barr actuava como end do lado direito e Griffen do lado esquerdo, Brian Robinson aparecia no meio, tentando trazer disrupção pelo centro.

4 – Se a DL esteve no centro das atenções, na semana que antecedeu este jogo, pelos motivos mencionados acima, também a OL mereceu uns puxões de orelhas. Mas quem é que concede 6 sacks aos Raiders? A OL, que tem um potencial incrível e pode ser uma unidade de topo, na competição, melhorou drasticamente a sua performance, permitindo apenas um sack aos Cardinals, a que não será alheia a forma rápida que os quarterback se livraram da bola.

5 – Quanto a lugares em aberto, Rodney Smith teve uma excelente prestação na drive final dos Vikings, obtendo 4 recepções e marcando o TD crucial. Numa luta por um posto na unidade de WR, Smith mostrou que pode ser uma opção válida, tal como Adam Thielen, novamente com bons apontamentos. A posição de MLB aparenta ter novo dono, com Audie Cole a jogar – e bem – ultrapassando Jasper Brinkley, mesmo que Zimmer tenha afirmado que continuará a testar ambos, nos próximos dois jogos. Com a inclusão da nickel rush package que Zimmer trouxe, com Anthony Barr a descair para DE, a posição de MLB torna-se crucial, não só na defesa do jogo corrido, mas igualmente no passe, obrigando o starter a ter skills de coverage.

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.