Raiders @ Broncos: The One

João Morão 26 de Setembro de 2013 Análise Jogos NFL Comments
Raiders vs Broncos

Oakland Raiders at Denver Broncos

1 2 3 4 F
Oakland Raiders 0 7 7 7 21
Denver Broncos 10 17 3 7 37

The One

  • Quando falamos de um desporto americano e estamos tão embrenhados na cultura americana, é no mínimo normal que surjam comparações dentro da chamada cultura Pop. É assim sem surpresa que voltamos às analogias cinematográficas para contar a história deste jogo. Lembram-se do filme Matrix? Lembram-se do Neo? Aquele que era chamado o “The One”? Senão se lembram, eu relembro. Num futuro apocalíptico, dominado por máquinas. O The One era uma espécie de escolhido que aparecia para salvar os humanos e reconquistar o planeta. Era uma história de David contra Golias onde os mal-amanhados humanos combatiam o poder imenso das máquinas. Ora também o jogo de segunda-feira era um David contra Golias. De Humanos contra Maquinas. Sendo as maquinas os poderosos Denver com um poder ofensivo destruidor contra os “humanos” Raiders uma equipa de mal-amanhados mais destruída que outra coisa.
  • Então se a difrença era tão grande e se já sabíamos quem ia ganhar o jogo porquê escrever sobre este jogo? Porque assim como nos filmes, mesmo quando sabemos o fim, existem muitos pontos interessantes na história. E aqui existiam muitos mesmo: Como seria o comportamento de Peyton Manning? Continuaria a ser ou não uma máquina infernal destruidora? E Wes Welker continuaria a haver química na nova equipa? E a órfã Defesa de Denver que tem sofrido bastantes baixas ultimamente quer por castigo (Von Miller) quer por lesão (Derek Wolf e Champ Bailey). Teria um bom comportamento em campo? Assistiríamos ao ressurgimos do ataque de Oakland baseado no Running Game de Darren Mcfadden? Em resumo: muitas perguntas por responder que faziam valer muito a pena estarmos umas horas sentados à frente da televisão a descobrir as respostas.
  • Mas voltemos à ligação com o filme Matrix. Não sei de repararam mas no parágrafo de cima não existem alusões ao filme e a razão é simples. Para mim, o herói da história o “The One” que vem salvar os mal-amanhados ainda não tinha aparecido no enredo. Ele é Terrelle Pryor. O herói improvável, que passou agruras no passado e que está ligado a uma profecia. Improvável porque estava já no clube desde 2011 como 3ª escolha do draft e a entrar na sua terceira época na NFL. Especialmente porque depois da compra de Matt Flynn aos Seahawks nada fazia prever que Pryor fosse titular (alguém teve uma sensação de dejá vú?). Passou agruras porque foi suspenso por 5 jogos em 2011 por ter vendido alguma “memorabilia” dos seus tempos no college. E finalmente está ligado à profecia de ter sido a ultima escolha do mítico Al Davis antes de morrer e que logo lhe deixou o rotulo de profeta. Assim e como no filme. Seria Pryor o escolhido? O “Neo” que contra as piores probabilidades conseguiria vencer as poderosas maquinas e trazer a felicidade para a nação dos Raiders?

O Jogo

A resposta a se Terrelle Pryor conseguiu vencer é: Não. As máquinas de Denver entraram a bombar e no fim do segundo quarter estavam já a dar uma cabazada de 27-07 aos Raiders. E aqui temos que levar o seu a seu dono e começar a responder as perguntas que deixamos em aberto acima. Primeiro o comportamento de Peyton Manning. Alguém ainda se lembra que esteve lesionado? Eu já nem tenho memória disso. É um jogador fantástico. Neste momento de longe, não é apenas o melhor quarter back, mas sim o melhor jogador da NFL. Se conseguir fechar a época como está a começar creio mesmo que pode eclipsar John Elway para aqueles lados. Já numa fase adiantada e quase final da sua carreira Manning bate records: 86,5% de passes conseguidos. Quebra um record de 12 TD nos primeiros 3 jogos sem uma única intercepção. Dá para adivinhar quem vai ser o MVP deste jogo? Não dá?

Mas vamos ao jogo que se pode dividir em duas partes completamente destintas: Os dois primeiros quarters foram um massacre da equipa de Denver. Aos 10’ do 1st quarter o primeiro TD de Denver com Eric Deker a receber um passe de Manning. Depois aos 7’ do 2º quarter foi Wes Welker a receber a mesma oferta do mesmo remetente para TD. Isto com uns pontapés aos postes e mais um TD pelo meio para Denver. Nota positiva para a fácil e produtiva adaptação de Welker a Denver que veio reforçar um já fortíssimo corpo de wide outs.

Depois o primeiro momento do jogo com um pass extraordinário de Pryor para Moore que deu a Oakland um TD de 73 jardas. Assim chegamos ao intervalo com 27-07 e uma insofismável superioridade dos Broncos.

Até aqui era um jogo sem história. Onde a Superioridade de uma equipa sobre a outra fazia antever a falta de interesse na segunda parte do jogo. Quem pensava que era assim, enganou-se. Pois se para o resultado do jogo tivesse contado apenas a segunda parte, os Raiders tinham ganho. Isto fruto de nascimento e perseverança de T. Pryor que meteu em linha a defesa de Denver e imprimiu um ritmo à equipa como há muito tempo não se via. Com um Mcfadden a voltar às tardes de glória quer a marcar quer a passar (!). O facto é que os Raiders conseguiram mais dois TD no 3º e 4º quarter. (Além de Mcfadden, também Reece marcou), isto contra apenas um TD adicional para a equipa de Denver marcado pelo running back Hilman no quarter final do jogo.

Em resumo. Ganharam os melhores mas o jogo dos Raiders e a capacidade de jogar e fazer jogar do seu quarter back deixaram água na boca. A rever no futuro! Consigam os Raiders ter uma defesa mais agressiva e equilibrada e estamos perante uma equipa não apenas em construção. Mas uma equipa que começa a estar equilibrada e completa depois do forte terramoto que quase a destruiu nos últimos anos.

As Nossas Escolhas

MVP

Peyton Manning, Quarterback dos Denver Broncos está em grande forma

Peyton Manning, Quarterback dos Denver Broncos está em grande forma
Foto de Ron Chenoy, USA TODAY Sports

Peyton Manning – Com 3 TD neste jogo. Com 86,5% de passes conseguidos. Quebra um record de 12 TD nos primeiros 3 jogos sem uma única intercepção. Dava para adivinhar quem seria o MVP deste jogo? Não dava? Uma máquina oleada que junta a precisão de passe com capacidade de ler e resolver o jogo. No jogo de ontem, por vezes fiquei com a ideia que mesmo sem O-Line ele conseguia ganhar as jardas para 1st down.

FABULOSO!

Numa época de quarter backs que são meio running back devido às read options. Ver esta qualidade a trabalhar do pocket é uma raridade mais valiosa que a Mona Lisa.

Positivo

A já referida reconstrução da equipa dos Raiders que parece começar a dar frutos e o facto de terem encontrado um Quarterback com classe e dinâmica. O novo profeta da nação e bênção de Al Davis dos céus. “The One”.

Uma segunda nota para o corpo de Receivers de Denver. Só posso dizer uma coisa como fã de outra equipa: Inveja! Decker, Welker, Thomas superam em muito todas as outras equipas como um todo nesta posição. Inclusive os Falcons que para mim e até ver este jogo eram que detinha essa honra.

Positivo também ter sido um jogo de ataque que em muito superou as defesas. Os Broncos são de longe a melhor equipa ofensiva da liga em todos os indicadores. E quando a melhor defesa é o ataque. Mesmo com uma defesa a meio gás conseguiram tornar-se na melhor equipa da NFL neste momento. Quem ainda diz que quem ganha os jogos são as defesas. É porque não viu o ataque dos Broncos jogar.

Negativo

Muito pouco ou nada. Apenas a lesão do Pryor que sofreu uma concussão no 4th quarter fruto de uma placagem do Linebacker Wesley Woodyard dos Broncos. Voltou a entrar em campo, apenas para sair segundos depois quando os médicos perceberam a sua situação clínica. Já não voltou mais ao jogo.

Finalmente uma nota negativa para o autor desta crónica. Ou seja: Eu próprio. Para efeitos dramáticos nesta cronica equiparei os Raiders a humanos. Isto é ter o descrédito dos leitores em geral e o desprezo dos fãs de Oakland em particular. O “Black Hole” e os Raiders não são humanos. São “Bad Asses” que se estão a borrifar para a minha opinião e na realidade para a de todos. Se o Charles Woodson me apanha também me arranca um dedo e acabo com safety em Arizona. Safa!!!

Perdoem-me! 🙂

About The Author

João Morão

As causas são múltiplas: Primeiro em 1998 colocado pela minha empresa na Alemanha, passei alguns fins-de-semana a jogar flag futebol numa base militar americana maioritariamente com a boa gente de Seattle. Desta altura vem o gosto. Depois em 2005 em Jackson Hole (Wyoming) assisti em directo à transmissão do Super Bowl XL dos meus Seahawks contra os Steelers. Foi um jogo de má memória e de pior arbitragem que me deixou um amargo permitido apenas pela perda de algo de que gostamos muito. Desta altura vem a militância. Finalmente: A desilusão e desgaste causado pelas assimetrias, manobras, golpadas e falta de fair-play do soccer, viraram-me definitivamente para um desporto mais justo, mais sério, mais competitivo, mais brutal (é certo), mas de maior entrega e de incomparavelmente maior emoção: O Futebol Americano. Nas horas “vagas” sou pai de 4 filhos (Um deles é dos Giants vai-se lá saber porquê!?).