Saints @ Buccaneers: Até ao Último Segundo

João Malha 18 de Setembro de 2013 Análise Jogos NFL Comments
Saints vs Buccaneers Destaque

New Orleans Saints at Tampa Bay Buccaneers

1 2 3 4 F
New Orleans Saints  10 0 3 3 16
Tampa Bay Buccaneers 7 0 0 7 14

Até ao Último Segundo

Jogos entre equipas da mesma divisão têm sempre um aliciante extra. As vitórias e as derrotas parece que valem a dobrar. Muita tensão e electricidade no ar. E neste caso, a electricidade estava mesmo lá, pois uma forte tempestade abateu-se sobre o Raymond James Stadium, o que levou a que o jogo fosse interrompido no final da primeira drive, sendo apenas retomado uma hora e dez minutos depois.

Mas antes de irmos ao jogo propriamente dito, o que se esperava deste confronto entre dois rivais históricos da NFC South? De um lado uma equipa que entrou com o pé direito na temporada, os New Orleans Saints, que bateram o seu maior rival da divisão, os finalistas da Conferência do ano passado, Atlanta Falcons. Do outro, os Tampa Bay Buccaneers, vindos de uma derrota no último segundo em Nova Iorque, frente aos Jets, quando um disparate de Lavonte David, deixou a equipa de Rex Ryan em posição de field goal, que não desperdiçariam.

Com uma defesa muito reforçada, onde Darrelle Revis se destaca entre os reforços, a grande curiosidade desta partida era saber se os Bucs seriam capazes de travar o poderosíssimo ataque da equipa do Louisiana. Outro dos pontos de interesse era sem dúvida saber como reagiria a equipa da casa ao desalento de uma derrota que já não estava no programa na primeira semana, fruto de penalizações constantes que resultaram em perdas superiores a 100 jardas… Seria impensável repetí-lo! Mas se calhar há disparates que se conseguem superar sem grande dificuldade… (ler mais à frente).

Por fim, do lado dos Saints, o novo treinador defensivo, Rob Ryan, entrou com o pé direito na época, transformando uma lástima de defesa em 2012, que bateu o recorde máximo de jardas permitidas aos adversários, superior a 7.000, numa defesa minimanente competente, que valeu a vitória frente aos Falcons, ao travar no último minuto o ataque comandando por Matt Ryan, que com quatro downs na redzone não conseguiu fazer o TD que inverteria o resultado.

Serão os irmãos Ryan (Rex, treinador dos Jets, e Rob, Treinador Defensivo dos Saints) o pesadelo dos Bucs neste início de época?

O Jogo

 

A celebração dos Saints

A celebração dos Saints
Foto de Rob Foldy-USA TODAY Sports

Em qualquer jogo em que entram os New Orleans Saints espera-se um vendaval ofensivo, com muitos pontos no marcador. Mas a tradição já não é o que era e de facto o reforço da defesa dos Bucaneers nota-se rapidamente. Não só a dificuldade de pontuar dos Saints foi enorme, como os quatro sacks que Drew Brees sofreu demonstram a eficácia da defensiva dos piratas da Flórida. Saudades do LT Jermon Bushrod, Mr. Brees?

Os Saints até entraram melhor e no primeiro drive colocaram-se em vantagem com um Field Goal de Garrett Hartley. Rapidamente se percebeu também que se os Bucs estavam a contar com Freeman para inverter o rumo dos acontecimentos, dificilmente levariam o seu barco a bom porto. Apenas Doug Martin levava a equipa para frente, assim como Vincent Jackson. E seria de facto a defesa dos da casa a mudar o jogo. A primeira intercepção era conseguida por Dakota Watson, deixando a sua equipa a 35 jardas da end zone, quando até então ainda nem sequer tinham conseguido entrar no reduto dos Saints. Freeman, na única acção positiva do jogo, não falhou e colocou a bola nas mãos de Kevin Ogletree para o TD quando a equipa já tinha avançado até às 5 jardas dos Saints.

Apareceu então Jimmy Graham, que teria neste jogo o seu máximo de sempre em jardas numa só partida. Com três passes consecutivos para o TE dos Saints, os Saints retomavam a liderança, ainda no primeiro quarter. Daqui para a frente, o jogo tornar-se-ia num enorme bocejo.

Destaque apenas para duas situações. A ousadia de Sean Payton em tentar o fourth down a 1 jarda da endzone mesmo no final da primeira parte, quando já haviam decidido tentar o field goal (que Hartley converteu mas que uma falta da special team dos Bucs fez Payton aceitar a penalidade e mandar avançar Brees e companhia novamente). Contudo, a ousadia quase que saiu cara pois os Saints por pouco não perderam o jogo por causa desta brincadeira…

O outro destaque é bem negativo e é para a equipa dos Bucs. Depois de na primeira semana terem tido mais de cem jardas de penalizações, não satisfeitos, conseguiram superar a marca, atingindo as 118 jardas. É difícil uma equipa resistir a isto.
Regressando ao jogo, seria novamente a defesa dos Bucs, já no último período, a virar o encontro. Apenas os Saints tinham somado mais três pontos desde o primeiro quarter, e com seis de atraso, uma intercepção (a segunda que Brees permitiu) de Mason Foster e corrida de 85 jardas, levou os Bucs para a frente (14-13). Os Saints não conseguiram responder de imediato e tudo fico nas mãos de Freeman numa posse de bola que, já dentro dos últimos dois minutos, poderia terminar com o encontro, dado que os Saints já tinham esgotado os seus timeouts. Martin e Freeman não conseguiram o first down, já nas 30 jardas dos Saints e Greg Schiano, técnico da equipa de Tampa, arriscou o FG, para obrigar os Saints, no minuto que lhes restava, a tentar o TD para vencer. Porém, a audácia saiu-lhe cara. Rian Lindell falhou um pontapé de 47 jardas, o que permitiu aos Saints retomar a posse nas suas 37, com um minuto e seis segundos para jogar… e sem Timeouts…

Difícil? Para Brees não parece. Três passes seguidos, que permitiram a equipa avançar 57 jardas no terreno, deixaram Hartley com a decisão nos pés a 5 segundos do final. O Kicker não se fez rogado e converteu o pontapé de 27 jardas que manteve os Saints na frente da NFC South.
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As Nossas Escolhas

MVP

Jimmy Graham

Jimmy Graham dos Saints após marcar um touchdown
Foto de AP

Jimmy Graham. O ex-basquetebolista é, sem dúvida, a par de Gronkowski, dos Patriots, o Tight End de referência da NFL. E este ano parece mais forte que nunca. Em Tampa, Graham bateu todos os seus recordes, somando dez recepções, para um total 179 jardas e um TD. Teve quase tantas recepções como o resto da sua equipa toda e parece um monstro quando o tentam interceptar, tal a sua capacidade física. Conseguiu também o seu mais longo TD, de 56 jardas.

Positivo

As defesas. Num jogo que não foi particularmente interessante, o ponto positivo tem de ir necessariamente para as defesas de ambas as equipas.Os Bucs, que muito se reforçaram neste sector, conseguiram parar um dos melhor ataques da NFL. Com duas intercepções, um TD e quatro sacks a Brees, a exibição da defensiva de Tampa foi suficiente para garantir a vitória… Tivesse a sua equipa um ataque digno desse nome. Doug Martin é um óasis num deserto de ideias…

Também a defesa dos Saints merece destaque. Rob Ryan introduziu um novo esquema e a equipa está a responder muito bem. Anulou o ataque dos Bucs (isso é um elogio??) e não fossem as intercepções que Brees permitiu, Tampa nem sequer teria pontuado! Dificuldade para parar Martin, mas apesar das 144 jardas que o baixinho RB conseguiu, a nota é muito positiva.

Negativo

Agressividade excessiva dos Bucs. 13 penalidades para 102 jardas na abertura da época em NY era difícil de superar, mas o excesso de agressividade (por vezes a roçar a violência) mata qualquer equipa. Brees primeiro, e Graham depois, foram castigados fortemente e no caso do TE, foi por pouco que não resultou uma lesão grave. Adrian Clayborn fez duas entradas duríssimas na mesma drive, o que resultou numa multa avultada de imediato para o jogador de Tampa. E para além da agressividade, os erros que resultaram em penalidades foram mais do que muitos, com destaque para uma formação ilegal que impediu Vincent Jackson de celebrar um TD de 73 jardas que seria fatal para os Saints.

Josh Freeman. Ano após ano acredita-se que é desta que Freeman rebenta. Primeiro a desculpa foi o excesso de peso. O ano passado regressou em forma, mas as melhorias foram poucas. Neste jogo frente aos Saints foi inexistente. Nove passes em 22 tentativas, para apenas 125 jardas, um TD e uma intecepção, é muito pouco para alguém que quer liderar uma equipa que ambiciona regressar aos Playoffs. Passou praticamente o jogo todo a dar a batata quente a Doug Martin, que teve 29 carries na partida. A bola queima cada vez mais nas mãos de Freeman e começa a ser desesperante para os fãs dos Bucs. Ou acorda ou será a última época de Freeman como QB dos Bucs!

Mark Ingram. Vencedor do Heisman Trophy em 2009, galardão que premeia o melhor jogador do College Football de cada época, continua a ser um flop na NFL. Há quem diga que não serve para um sistema tão rotativo como Payton tem nos Saints, onde são dadas poucas oportunidades seguidas ao mesmo RB. Depois de dois jogos nesta época, os números continuam a ser confrangedores, inferiores aos seus colegas Sproles e Thomas, que com menos carries conseguem mais jardas. Foi o protagonista do quarto down falhado a uma jarda da goal line no final da primeira parte, não conseguindo transpor a defensiva contrária.

About The Author

João Malha

Profissional da área de comunicação e marketing, e sempre ligado ao desporto, sempre me fascinou o conceito de showbiz dos norte-americanos no que toca à promoção de qualquer espectáculo desportivo. Quando em 2003, a SportTv transmitiu pela primeira vez o Super Bowl, com estrondosa vitória dos Buccaneers de John Gruden sobre os Raiders, a curiosidade cresceu e ano após anos comecei a seguir as transmissões do maior evento desportivo mundial. Mas como em tudo na vida (pelo menos na minha forma de estar), é preciso um motivo mais forte para nos agarrarmos às coisas. Uma paixão que nos alimenta. E foi isso que aconteceu em 2010, aquando da final de Miami, ganha pelos Saints frente aos Colts do lendário Peyton Manning. Nesse dia senti finalmente que aquela era a minha equipa! E o aparecimento da ESPN America ajudou a não mais largar este desporto espectacular, que sigo semanalmente. Na Week 1 da temporada 2012/2013, cumpri o sonho de ir ver um jogo dos Saints ao vivo, ao Mercedes-Benz Superdome. Não vi os Saints vencerem, mas quem sabe se não terei a oportunidade de dizer que assisti ao primeiro jogo na NFL de um dos maiores QB’s da sua história, Robert Griffin III. Ver os Saints ao vivo foi uma experiência única que me faz olhar para o desporto com outros olhos. Quero saber mais e mais sobre o jogo, a sua história, lendas, regras, tácticas, etc. Let’s play ball!!!!