Steelers @ Bengals: Os Gatinhos de Cincinnati

Filipe Nunes 29 de Outubro de 2012 Análise Jogos NFL Comments

Pittsburgh Steelers at Cincinnati Bengals

1 2 3 4 F
Pittsburgh Steelers 3 11 7 7 24
Cincinnati Bengals 7 7 3 0 17

Os Gatinhos de Cincinnati

Duro, Intenso, Perigoso, “Feio”, Rigoroso, Severo, Forte, Grandioso e Esplêndido, são simples palavras que descrevem na perfeição um jogo entre os rivais Pittsburgh Steelers e Cincinnati Bengals.

Nos corações dos Pittsburgh Steelers prevalece a palavra vencer, pois só uma vitória diante dos Bengals visa possibilitar uma aproximação aos seus eternos rivais Baltimore Ravens, que lideram a AFC Norte. O mesmo se aplica aos Cincinnati Bengals, pois não se podem dar ao luxo de escorregar em sua própria casa deixando assim fugir os Baltimore Ravens e, porventura, os tão ambicionados Playoffs.

Vindos da Pensilvânia, os Pittsburgh Steelers chegam a Cincinnati liderados por Ben Roethlisberger, o seu quarterback. Com duas Super Bowl conquistadas em 3 presenças, Roethlisberger é um jogador dos mais experientes e respeitados na liga. Contudo esta equipa parte para este tão importante jogo com algumas relevantes baixas, entre elas o eletrizante Troy Polamalu e os seus 2 principais running backs, Isaac Redman e Rashard Mendenhall. O rush game é então confiado a Jonathan Dwyer.

Do outro lado do campo os Cincinnati Bengals, uma equipa particularmente interessante pelo facto de se tratar de um grupo jovem e com um grande potencial para as futuras épocas. Andy Dalton e A.J.Green, ambos ainda no segundo ano como jogadores profissionais, são já a dupla sensação da liga e os colossais argumentos ofensivos desta equipa.

Steelers vs Bengals 1

Dalton com o seu braço direito
Fonte da Imagem: US Presswire

O Jogo

Com o segundo lugar totalmente em aberto na AFC Norte, esperava-se por parte dos Cincinnati Bengals muito mais, principalmente com o fator casa a seu favor. Uma hipotética vitória frente aos Pittsburgh Steelers abonaria aos Bengals um lugar confortável, imediatamente atrás dos líderes Baltimore Ravens. Pois mas a NFL tem destas coisas, e principalmente na AFC Norte uma divisão altamente competitiva, onde todas a falhas são exploradas e os erros têm um elevado preço. Dalton-Green tem sido provavelmente a dupla mais sólida desta temporada na liga, portanto o trabalho defensivo por parte dos Steelers era óbvio, marcação cerrada a A.J.Green. Felizmente para a equipa de Pittsburgh, Ike Taylor com a ajuda de Ryan Clark e Keenan Lewis, conseguiram com êxito riscar Green do jogo, que com apenas uma receção para touchdown, tem o seu jogo mais desapontante desta época. Green não consegue sacudir os jogadores encarregues da sua marcação e encontrar espaço para o seu jogo de profundidade. Tudo bem, com uma equipa totalmente dedicada em eliminá-lo do encontro, mais oportunidades irão surgir para os seus parceiros de equipa. Errado, teoricamente os restantes receivers usufruiriam de mais oportunidade para “aparecer” no jogo, mas na prática isso não aconteceu. Nenhum jogador dos Bengals conseguiu assumir o jogo de pass de Dalton e carregar a equipa até um bom porto. Na primeira metade os Bengals chegaram a assustar os Steelers pois apresentaram um sólido jogo corrido, mas não demorou muito até isso lhes ser negado na segunda metade, algo que pode explicar os míseros 3 pontos em toda uma metade a 2ª parte do jogo. Talvez os Steelers tenham desmascarado realmente a ofensiva dos Bengals, que baseados numa dupla (Dalton-Green), possuam todo um suporte ofensivo. Desta feita, os bravos e fulgurosos Tigres de Cincinnati ficaram reduzidos a gatinhos inofensivos, sem capacidade de resposta.

Os Pittsburgh Steelers apresentaram-se neste jogo com o seu 3º running back, que com um jogo consistente, conseguiu exceder tudo aquilo que é pedido a um jogador com um escasso ritmo de jogo. Com uma primeira metade nada simples, depois de vários drops por parte do seu melhor receiver Mike Wallace e de um passe intercetado na end zone, os Steelers mesmo assim conseguem recuperar de um défice de 11 pontos, e partir para uma última metade apta a ser por eles dominada.

 

1º Período

O jogo começa com a posse de bola a pertencer à equipa visitante. Este drive inaugural é altamente influenciado pela negativa por dois drops consecutivos do wide receiver Mike Wallace que com estas perdidas obriga Shaun Suisham a aplicar-se num field goal de 42 jardas.

O que se segue é o melhor drive de todo o jogo por parte dos Cincinnati Bengals que com 15 jogadas em pouco mais de 8 minutos, conseguem percorrer 80 jardas e alcançar a tão apetecida end zone. Um excelente trabalho por parte de BenJarvus Green-Ellis, que com o seu rush game facultou uma grande estabilidade à ofensiva dos Bengals.

2º Período

Dando continuação a um drive iniciado no 1º quarto, os Pittsburgh estão a evoluir no terreno e a procurar a tal jogada que lhes vai conceder a liderança do jogo. Todo o estádio sustem a respiração quando o surpreendente Antonio Brown executa um esplêndido deep pass, com vista à desmarcação de Baron Batch, que não aproveita em nada esta jogada criativa e deixa a bola passar-lhe pelo meio dos dedos. Sem dúvida um drive promissor, mas que se extingue numa interceção arremessada pelo Big Ben, bem dentro da end zone… 1st down Bengals!

Dalton e companhia tomam posse do relvado com um drive inicial neste 2ºquarto extremamente frouxo. Não obtendo o 1ºdown os Bengals devolvem a bola aos seus rivais.

A falta de atitude do ataque da equipa da casa é compensada com um fumble da sua defesa, dentro da red zone. A.J.Green entra em ação e pontua com um TD. Dalton atira um pass potentíssimo, firmando o porquê da sua alcunha ser red rifle.
Os Steelers depois de conseguirem uma intersecção frente a Dalton, alcançam, depois de tantas ameaças, o tão merecido touchdown através de Heath Miller. Seguidamente o mesmo empata o jogo com uma conversão de 2 pontos.

3º Período

Um terceiro quarto muito ameno por parte das duas equipas. Um field goal para cada um é tudo aquilo que conseguem arrecadar deste quarto. A defesa dos Steelers domina por completo o ataque dos Bengals, na medida em que depois de controlar e limitar as ações de A.J.Green, dá início a um outro plano, parar o rush game de BenJarvus. Este quarto expira com uma excelente jogada protagonizada por E.Sanders, que embala a sua equipa para o tão necessitado triunfo.

4º Período

H.Miller abre o caminho para o rookie Chris Rainey e para o seu 1º touchdown na NFL. Nos seguintes drives Jonathan Dwyer encarrega-se em deixar Andy Dalton quieto na sideline. A equipa de Pittsburgh limita-se neste fim de jogo a administrar o resultado e os Bengals a verem jogar.

O último quarto acarreta o inevitável para a equipa da casa que sem uma identidade de ataque perde o jogo. Ficam assim em pé de igualdade com os Steelers na sua divisão a AFC Norte.

As Nossas Escolhas

MVP: O prémio de jogador mais valioso deve de ser entregue ao running back dos Pittsburgh Steelers Jonathan Dwyer, que se estreou como titular na NFL. Revelou a sua fibra, e acabou com as miseráveis exibições no que toca ao jogo corrido dos Steelers. Este muito contribuiu para os assoladores 37min e 30seg de posse de bola da sua equipa. Correu para 122 jardas e o mais impressionante nestes números fora o facto de 114 das mesmas terem sido após contacto, revelando uma enorme resistência aos tackles durante todo o jogo. As suas relevantes corridas finais selaram o resultado do jogo.

Dwyer a nova arma ao serviço dos Steelers

Dwyer a nova arma ao serviço dos Steelers
Fonte da Imagem: US Presswire

Positivo: Heath Miller o tight end dos Pittsburgh Steelers mostrou que, para além de ser um excelente alvo na end zone, é também um excelente blocador. Estamos diante de uma liga que cada vez mais valoriza TE que sejam bons no jogo aéreo e ajudem a colocar pontos no quadro. Neste jogo os Steelers foram contra a corrente e decretaram que a primordial função de Miller neste jogo seria o apoio na proteção do pocket de Ben, tarefa que desempenhou com a melhor performance possível.

A generalidade dos defesas de Pittsburgh, que juntos criaram um notável coletivo e o seu benéfico serviço lhes permitiu domar as ações dos Bengals durante o jogo. Excluindo o bom 1º drive por parte de Cincinnati, com 80 jardas, durante todo o restante jogo, a defesa dos Steelers apenas cedeu mais 105 jardas. Impressionante esforço defensivo, mesmo com a pesada ausência de Polamalu.

Negativo: Passividade da defensive line dos Bengals, que diante uma offensive line composta por dois suplentes e um RB sem ritmo de jogo cedeu um total de 167 jardas corridas. Números inaceitáveis para este grupo.

Andy Dalton também foi protagonista de uma fraca exibição, com 105 jardas em 14 tentativas de 28 realizadas. Perante uma marcação cerrada a A.J.Green por parte da secondary dos Steelers, Dalton revelou a sua incapacidade em jogar e confiar nos seus restantes receivers. Colocar todo o seu jogo de pass em Green começa a ser um ponto fraco para esta equipa.

About The Author

Filipe Nunes

Foi em 2009 que vi o meu primeiro jogo de Futebol Americano. O jogo opunha Eagles aos Giants. Muito rapidamente fiquei fã do Tackle, do Quarterback, do Touchdown e do Running Back. Cresceu também a minha grande admiração pela cultura Norte Americana, onde o desporto é visto como parte integrante da sua tradição, e um grandioso espetáculo. Nunca tive com quem partilhar esta minha paixão, até que encontrei esta Grande Comunidade, que complementa o meu vício pelo Jogo. Sou fã dos Patriots e dos Cowboys. Para além da NFL sigo sempre ao Sábado o College Football, sendo fã das equipas Michigan Wolverines, Oregon Ducks e Notre Dame.