Steelers @ Broncos: Há Um Novo Messias Em Denver

Paulo Pereira 2 de Outubro de 2012 Análise Jogos NFL Comments

Pittsburgh Steelers at Denver Broncos

1 2 3 4 F
Pittsburgh Steelers 0 10 3 6 19
Denver Broncos 0 7 7 17 31

Há Um Novo Messias Em Denver

A NFL não foge ao estereótipo dos outros desportos. Existem jogos chatos. Outros interessantes. Alguns que cabem no restrito grupo de encontros memoráveis. O embate entre os Pittsburgh Steelers e os Denver Broncos não entra em nenhuma dessas categorias. Não sendo memorável, foi empolgante, numa partida em que os minutos se esgotam sem darmos conta disso. Intenso, com cada jarda disputada como se dela dependesse o resultado final. Cativante, pelas performances de vários atletas, que brindaram a imensidão de espectadores com jogadas soberbas e momentos arrebatadores. Mas, dentre a panóplia de jogadores, cada um com um quinhão de responsabilidade no triunfo ou na derrota, um nome emerge. Ele personifica o próprio jogo, a verdadeira essência do futebol americano.

36 anos. Três operações ao pescoço. Uma nova equipa. Mas a mesma devoção na entrega, o mesmo ardor na disputa, a mesma paixão na procura da vitória. Peyton Manning está de regresso. Tão bom quanto antes. Em Denver, o reinado efémero de Tebow é apenas uma nota de rodapé, uma memória distante dum tempo excitante, mas facilmente substituído. A diferença é notória. Mesmo eu, admirador confesso do carismático jogador dos Jets, admito que a alteração provocou uma profunda remodelação em Mile High. Ela não se vislumbra apenas em campo, onde os passes teleguiados de Manning encontram quase sempre os seus alvos. Sente-se na euforia que trespassa as bancadas, onde bandos de fãs eufóricos sonham com altos feitos. E eles, sendo ainda algo improváveis, podem ser alcançáveis.

Steelers vs Broncos Highlights

Highlights do Jogo entre os Pittsburgh Steelers e os Denver Broncos

Num jogo de constantes alterações no marcador, um dos momentos alto veio no 3º período, com Manning a encontrar Demaryius Thomas para um touchdown insano, de 71 jardas, recolocando os Broncos na liderança. Depois, com os Steelers a passarem novamente para a frente, Manning liderou a reviravolta, numa empatia crescente com Jacob Tamme. O ponto final na contenda veio por parte de Tracy Porter, curiosamente o herói do Super Bowl vencido pelos Saints, onde conseguiu uma intercepção retornada para touchdown… de Peyton Manning. Ontem, numa jogada similar, antecipou-se ao receiver para marcar os pontos da consagração.

As Nossas Escolhas

MVP: Peyton Manning, de forma inquestionável. Porquê? Pergunta retórica. Ele foi a âncora do ataque, gerindo o jogo a seu bel-prazer, como se fosse um mestre de marionetas. 19 em 26 passes, 253 jardas e 2 touchdowns, num jogo quase isento de erros, como comprova o rating de 129,2.

Positivo: Dizem que Manning tem o dom de transformar os seus receivers em grandes jogadores. Se assim for, felizardos os wide receivers dos Broncos. Eric Decker, Demaryius Thomas e o tight end Jacob Tamme foram incisivos no jogo aéreo, todos com 5 recepções. A defesa, sobretudo o front seven, nunca deixou Ben Roethlisberger confortável, pressionando-o toda a noite. Von Miller colecionou dois sacks para a sua conta crescente. Sabia-se de antemão que Manning iria ter snaps limitados, evitando o uso abusivo do seu braço. O jogo corrido providenciou maneira de manter o ataque fluido. Com Willis McGahee a ser o principal corredor da equipa, Lance Ball e Knoshown Moreno mostraram alguns fogachos, mantendo a defesa contrária em sobressalto.

Do lado dos Steelers, nota máxima para Ben Roethlisberger, pese a pick 6. Mesmo assim, o quarterback dos Steelers aguentou estoicamente o correctivo da defesa, suportando a pressão constante devido à débil linha ofensiva. Criou inúmeras jogadas, encontrando receivers para cruciais 3rd downs (8 em 13), ou resolvendo com os pés. Heath Miller, o tight end, enquadrou-se bem no ataque, contribuindo com algumas recepções em downs importantes. A sua compleição física transformou-o numa arma difícil de parar pelos cornerbacks adversários.

Negativo: Esperava bem mais dos running back dos Steelers. Isaac Redman foi um não factor, defraudando as expectativas nele depositadas. Se a vinda duma lesão o pode, de alguma forma, ilibar duma prestação inócua, o mesmo não pode ser dito de Chris Rainey e Jonathan Dwyer. A linha ofensiva foi horrível, não dando garantias de protecção a Roethlisberger. Sem David DeCastro e com Marcus Gilbert, o right tackle, a sair lesionado, Mike Adams foi uma inutilidade, sendo demasiado permissivo contra Von Miller. O left tackle Max Starks sentiu sempre inúmeras dificuldades para suster Elvis Dumervil.

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.