College Football: Week 4

Paulo Pereira 27 de Setembro de 2013 Análise Jogos College, College Comments
College Football

College Football: Week 4

Bahhhhh. O College afinal também tem fins-de-semana sensaborões. Boring. Num Sábado repleto de confrontos desinteressantes, onde as diferenças de qualidade raiavam o obsceno, houve poucos motivos de interesse. Ei. Mas não desesperem. Não é caso para levar as mãos à cabeça, descarregar a frustração num jogo de consola ou ir mais cedo para a cama. Mesmo com parcos motivos para seguir a acção contínua, há sempre algo que merece referência. E é aí que nós entramos. Num esforço supremo para dar o máximo de bem-estar aos nossos leitores, condensamos o que de realmente importante aconteceu. Tudo isto em 10 minutos de leitura. Somos tipos porreiros, não somos? Aí têm uma revisão da matéria, em 7 pontos nucleares.

  1. Longe vão os tempos de Kellen Moore, em Boise State. A equipa nunca foi conhecida pela estanquicidade da sua defesa, vivendo sobretudo do génio do seu quarterback e de um ataque que mereceu reconhecimento nacional. Mas essa época é passado. Ponto. Boise, que sempre enfrentou a acidez de críticos deselegantes, por jogar numa conferência modesta, passa agora por uma travessia de deserto, à procura do novo Messias. Enquanto esse não chega, a defesa vai vegetando no lugar 66 a nível nacional e mostra-se incapaz de colocar pressão sobre as linhas ofensivas contrárias. O resultado: A MWC já não é um feudo da universidade. O jogo contra Fresno State ajudou a desnudar esse dogma. Num apertado 41-40, favorável a Fresno, Derek Carr, QB dos Bulldogs, abusou da frágil defesa de Boise. Foram 460 jardas e 4 TDs. Foi a primeira vitória de Fresno, desde 2005, sobre o rival, num jogo emotivo e que parecia resolvido a favor de Fresno. Falsa percepção. Boisa marcou 3 TDs, em apenas 9 minutos, apagando o deficit de 34-19 e colocando emoção na partida. Apenas a drive final de Derek Carr, culminada num touchdown corrido, evitou a derrota e lançou a celebração no campo. Highlights: http://scores.espn.go.com/ncf/recap?gameId=332630278
  2. Dizem que o suspiro de alívio de Mack Brown se ouviu nos lugares mais recônditos do estado do Texas. Os Longhorns evitaram um início de 1-3, conseguindo vencer Kansas State, por 31-21, colocando um ponto final em duas derrotas seguidas. A vitória, frente ao actual campeão da Big 12, dá algum alento à equipa e ao seu decano treinador, ainda no hot seat pela série de maus resultados. A equipa, suportada por Johnathan Gray, que correu 141 jardas e marcou 2 TDs, sobreviveu à perda do QB Davis Ash, com uma concussão (não sem antes ter efectuado um passe de 63 jardas, para um TD), para vencer, numa espécie de redenção da defesa, com um esforço notável neste jogo. Com muitos fãs dos Longhorns a usarem t-shirts com os dizeres “Saban 2014”, numa alusão à notícia que marcou a semana antecedente, os jogadores dos Longhorns deram uma mostra do talento que Brown sempre afirmou existir, em quantidades enormes. Destaque ainda para o fantástico jogo de Tyler Lockett, wide receiver de Kansas, com 13 recepções e 237 jardas ganhas. Impressionante! Highlights: http://espn.go.com/video/clip?id=9707334
  3. O embate entre LSU e Auburn era claramente o mais interessante da jornada. Um confronto entre equipas da SEC, com Auburn a conseguir, sob o comando de Gus Malzahn, uma melhoria significativa. Numa noite chuvosa, existiam expectativas para alguns dos duelos particulares do jogo: Zach Mettenberger, QB de LSU, que melhorou significativamente como legítimo passer, contra Nick Marshall, QB de Auburn, inspirado pela winning drive que venceu o jogo contra Mississipi State (a primeira vitória, nos últimos 11 encontros, contra um rival da conferência). Mettenberger esteve melhor. Não realizando uma exibição de ofuscar outros intervenientes, foi mais sólido no passe, contribuindo para avançar o jogo, em momentos importantes. Mesmo assim, as 229 jardas no ataque foram o pecúlio mais baixo da época. Ao invés, Marshall teve uma noite difícil, frente a uma defesa que nunca lhe deu descanso, obrigando-o a cometer erros. As suas duas intercepções foram cruciais no equilibrado 35-21. A grande estrela do encontro foi o running back de LSU, Jeremy Hill, que correu 184 jardas (máximo de carreira) e marcou 3 touchdowns (igualando o seu máximo). Correndo com uma combinação de poder, agilidade e velocidade, Hill conseguiu algumas corridas estonteantes, como a do TD de 49 jardas ou a outra jogada, em que correu 54 para ser parado a 1 jarda da end zone. Auburn conseguiu, mesmo com alguns erros básicos no ataque, mostrar qualidade e resistência, conferindo interesse ao jogo. Suportada por Tre Mason, RB com 132 jardas e dois scores e Sammie Coates (139 jardas em 4 recepções), a ex-equipa de Cameron Newton tem tudo para ser regressar às Bowls, no final da época. Highlights: http://espn.go.com/video/clip?id=9707127
  4. Vamos falar de QB’s, um dos meus tópicos predilectos. Como se saíram os mais badalados, numa semana de jogos contra adversários desequilibrados? Comecemos por Kenny Guiton, QB de Ohio State. Se estão recordados, teve a sua primeira titularidade na semana passada, devido à lesão de Braxton Miller. E Guiton quis deixar marca. No seu ano senior, contra California, Guiton foi excelente com os pés e braços, terminando com 4 passes para TD. Aproveitando novamente a ausência de Miller e a debilidade de Florida A&M, Guiton voltou a brilhar, aproveitando todos os minutos para fazer uma declaração de qualidade. Algo comedido nas jardas passadas (215, com um 24/34) passou para 6 touchdownd, sofrendo uma INT, ajudando Ohio a passear frente ao adversário, a quem aplicou um rotundo 76-0. Quem tem andado desaparecido, mas que deu um ar de sua graça neste fim-de-semana, foi Sean Mannion, o QB dos Beavers de Oregon State. Depois da boa prestação do ano passado, Mannion esteve em grande contra San Diego State, passando para 365 jardas e 3 TDs, excelente ajuda numa renhida vitória por 34-30. Quem desapareceu dos radares, perdendo o hype do ano passado, é Jordan Lynch, QB de Northern Illinois. A universidade até está invicta, mas Lynch esteve algo desastrado no jogo contra E.Illinois, com duas intercepções a mostrarem uma tarde de desacerto. Falamos do mesmo Lynch que teve apenas 6 intercepções durante a temporada passada toda, levando a equipa a uma das Bowls oficiais, pela 1ª vez na sua história. Johnny Manziel, depois da estratosférica exibição contra Alabama, regressou à Terra. No caso dele, significa apenas números ligeiramente mais modestos. 14/21 no passe, 244 jardas, 1 TD e uma INT. Pouco? Sim, se nos abstivermos de ver o resto. A dupla ameaça, que este ano ainda não tinha aparecido em toda a sua plenitude. Manziel, mais contido no pocket, fez esquecer-nos que é tão ou mais perigoso com os pés. Frente a SMU, em 12 corridas, fez 102 jardas, marcando dois touchdowns. Johnny Football em grande. Como sempre! Na ressaca desse jogo aguardado por todos, também AJ McCarron voltou a ser algo titubeante. O adversário, Colorado State, não augurava nada de preocupante. Talvez isso tenha relaxado em demasia McCarron. 20/26, 258 jardas, 1 TD e uma INT. Alabama venceu. E isso era o mais importante. Stephen Morris, QB de Miami, teve um jogo azarado, jogando apenas o 1º quarto e saindo por lesão. Teve ainda a possibilidade de passar para um TD, frente à débil Savannah State. Mesmo sem Morris, os Hurricanes bateram os recordes de pontos da universidade (chegaram aos 77), com os backups quarterbacks a mostrarem predicados para a função. Uma das novas conqueluches do College joga na Florida, nos Seminoles. James Winston, freshman, completou o 3º jogo a titular. Obteve a terceira vitória e mostrou novamente segurança. Comedido no passe (apenas 148 jardas), mas certeiro e preciso, como atestam o 10/19 e os 2 TDs. Tahj Boyd, que entrará no draft em 2014, teve um começo lento contra North Carolina State. Lento e desinspirado. Mas o quarterback de Clemson acordou a tempo, conseguindo um comeback que permitirá a manutenção do 3º lugar no ranking. 244 jardas e 3 passes para TD, numa evidente mostra de maturidade, cada vez mais crescente em Boyd. Parece talhado para vencer, na NFL. Aaron Murray, QB de Georgia, também conseguiu números interessantes, passando para 408 jardas, na vitória dos Bulldogs sobre North Texas, por 45-21. Murray ainda conseguiu 3 passes para 3 TDs, mantendo a equipa à espreita duma oportunidade de melhorar o ranking, actualmente 9º. Quem parece renascido das cinzas é Keith Price, QB de Washington, a viver um dos seus melhores momentos no College. Com a universidade em 17º no ranking, Price conseguiu nova prestação sólida contra Idaho, falhando apenas 5 passes durante o encontro, passando para 213 e 3 TDs. A prestação do dia, a nível estatístico, foi de Tom Savage, QB senior de Pittsburgh, com 23/33, 424 jardas e 6 passes para TD, na apertada vitória por 58-55 contra Duke.
  5. Nem só de jogos insípidos viveu a jornada. Um duelo Notre Dame versus Michigan State é sempre um cartaz aprazível. O resultado final de 17-13, favorável aos Fighting Irish diz quase tudo sobre o jogo. Duro, aguerrido, com as defesas a serem as protagonistas. Notre Dame conseguiu vencer, pela 3ª vez consecutiva, o seu opositor, numa drive final enervante. Primeiro, a equipa tirou partido duma trick play que manteve a jogada viva. Depois, 4 interference calls, que permitiram a manutenção da bola, penalizando os erros do adversário. Logicamente que a quantidade de penalidades tornou-se, no pós-jogo, o verdadeiro motivo de conversa, com trocas de acusações entre a equipa técnica dos Spartans e os árbitros. Sem grandes destaques individuais (Tommy Rees, por exemplo, acabou com um rating de 59, tendo completado apenas 45% dos seus passes), a vitória foi transcendente para Notre Dame, proibida de perder mais partidas, após a derrota contra Michigan.
  6. Não tenho nenhuma fixação pela SEC, mas a conferência é terrivelmente atraente. Se fosse uma pessoa, era uma loura (ou morena, conforme as preferências) estonteante e curvilínea, femme-fatale capaz de enfeitiçar um eunuco. Esta jornada mostrou-nos várias coisas. Entre elas, que LSU é um legítimo contendor, com uma exibição impressionante contra Auburn. A manutenção da invencibilidade apenas serviu para aumentar o interesse no jogo da próxima semana, fora de portas, contra Georgia. Duas das mais poderosas equipas do College, ambas no top-10 nacional, num embate que promete ser intenso. A não perder. Olhos atentos a Jeremy Hill, em grande forma. Alabama, por sua vez, vai cumprindo o estritamente necessário, continuando a vencer. Não impressiona ninguém, dá a ideia de que é uma equipa imperfeita e longe do brilhantismo das antecessoras que validaram os títulos nos dois últimos anos. Mas ganha. Se contra Texas A&M foi o ataque a prevalecer, contra Colorado apenas conseguiram um offensive touchdown e correram para apenas 66 jardas. Os Gators, por sua vez, deparam-se agora com uma nova realidade. Jeff Driskell, com altos e baixos exibicionais, lesionou-se para o resto da temporada. O signal-caller agora é o junior Tyler Murphy, que nunca tinha lançado um passe. Até este fim-de-semana, contra Tennessee. A estreia foi auspiciosa, não só pela vitória, mas pelos números apresentados. Para primeira vez, nada mau: 8/14, 134 jardas, 1 TD e 84 jardas corridas. Veremos como lhe correm as coisas para a semana, on the road, contra Kentucky.
  7. Coloquem uma roda no calendário. O jogo do ano na Big Ten é para a semana. É prematuro apelidar um mero jogo de decisivo? Talvez não. Wisconsin x Ohio State. O embate tem história e peripécias mil, e este ano não será diferente. Ohio State é a melhor equipa da conferência. Wisconsin pode bem assumir-se como a 2ª melhor. O jogo corrido dos Badgers continua a fazer estragos, independentemente de perder os seus running backs, ano após ano, para a NFL. Contra Purdue, nova exibição demolidora pelo chão, num quesito que pode ser a chave da vitória. Ohio State também faz do ground & pound uma religião. É provável que o jogo assista ao regresso de Braxton Miller, mas quem irá atrair os olhares da maioria é Melvin Ingram, running back de Wisconsin. 4 jogos, 624 jardas e 7 touchdowns. É preciso mais para arranjarem um stream e verem o jogo? Espectador privilegiado será Michigan, a outra força da conferência, que vive um estranho momento. Vence, mas de forma sofrida, perante adversários medíocres. Nas duas últimas semanas foram necessários esforços épicos nos últimos segundos, por parte da defesa, para impedir uma surpresa de bradar aos céus. Com Devin Gardner em derrapagem exibicional, após a fantástica prestação contra Notre Dame, Michigan irá assistir ao jogo, torcendo por uma derrota dos Buckeyes, a quem terá que enfrentar brevemente.

Jogador da Semana

Jeremy Hill, running back de LSU. Máximo de carreira, com as suas 184 jardas, dando dimensão ao ataque dos Tigers, que tiveram uma prestação menos conseguido de Mettenberger. Hill parece atravessar um daqueles momentos em que o jogador se mostra imparável. A sua combinação de força, a raça com que corre e a velocidade, tudo atributos expectáveis na posição, tornam-no num atleta superior. Será a peça-chave de LSU, no ataque esperado ao título da SEC.

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.