Marcus Mariota: Heisman Trophy Winner

Paulo Pereira 26 de Dezembro de 2014 College, Jogadores College Comments
Marcus Mariota

Marcus Mariota: Heisman Trophy Winner

Marcus Mariota. Heisman Trophy Winner. Líder dos Oregon Ducks. Futura estrela da NFL? É especulativo afirmá-lo, mas não parece existir nada em contrário. Mariota é o protótipo do good guy, por contraponto aos caracteres marginais que roubam os cabeçalhos das notícias. Miúdo calmo, circunspecto, avesso a mediatismos, é uma espécie de Johnny Football, mas sem o hype em redor. É o estereótipo do líder, que lidera e inspira o grupo meramente pelo exemplo. E o padrão para os seguidores é de luxo: 67% de percentagem de passes certeiros, em 39 titularidades. 101 touchdowns. 12 intercepções. Sim, as estatísticas valem o que valem, sobretudo  vindas duma realidade tão distinta como a universitária, cuja competição apresenta extremos. Mas Mariota – e Oregon – jogam numa das principais conferências do College, a Pac 12, regularmente defrontando adversários de topo. Como UCLA. Ou USC. Stanford. Arizona. A sua precisão, aliada à capacidade de decisão, tornam-no num caso à parte. Quem é que lança apenas 12 intercepções, na passagem pela NCAA?

Há muito que gostar no quarterback nº 1 do próximo draft:

  • A altura – 6’4’’
  • O braço, forte e capaz de fazer os lançamentos requeridos
  • O footwork
  • Os scrambles, como Russell Wilson

Importa dissipar, pelo que se vê dos jogos dele, qualquer preconceito sobre os quarterbacks “corredores” que inundaram a NFL nos últimos anos. Mariota não é um desses. É um quarterback com enorme capacidade atlética, que pode jogar em qualquer sistema táctico, e não apenas produzindo numa read-option. Se pedirem a Mariota para permanecer no pocket, como um QB clássico, ele poderá fazê-lo, pelo que foi referido acima. Um bom braço, que não se inibe de lançar downfield, com uma inata capacidade de dissecação das defesas. O que é que isso significa? Essencialmente, que poderá ter uma carreira produtiva e com sucesso na transição para a NFL. Mas, como qualquer elementar nota de bom senso dirá, é preciso deixá-lo maturar. Em Oregon, Mariota não jogava no clássico ataque pro-style. A sua rápida aclimatação ao mundo profissional dependerá sempre da equipa que o escolher, e da necessidade que a mesma terá em dar-lhe as rédeas do ataque.

Comparemo-lo a Johnny Manziel, que tenta agora singrar ao comando dos Browns, depois de ter sido suplantado por Brian Hoyer, prova evidente que ainda não estava preparado para o jogo mais rápido e intenso da NFL.

Mariota é menos impulsivo, nas suas decisões, capaz de permanecer mais tempo no pocket e não se refugiando tanto na corrida como forma de sair de situações complicadas, usando-a meramente como complemento. Parece também, nesta fase, mais refinado num quesito importante: a leitura das intenções dos adversários. O sucesso de Mariota representa igualmente o sucesso da sua alma mater: Oregon. E que história a da universidade…

A caminhada de Oregon rumo ao topo

Foi um longo percurso até à aceitação. Oregon subiu a pulso a hierarquia das universidades, no que respeita ao programa futebolístico. Impulsionada pelo mecenato via Nike, a universidade cresceu. Sempre sôfrega por reconhecimento. Tudo começou, se quisermos traçar uma linha divisória, um antes e um depois, em 2001. Nesse início de década, Oregon começou a tentar roubar os escaparates, a procurar os holofotes, a atrair a atenção. Não o fez de forma púdica, não se escondendo atrás duma falsa ingenuidade. Mostrou ao que vinha. Um ano antes Mike Belotti conseguiu a primeira temporada com 10 triunfos, nos anais da equipa. Foi o pontapé de partida. O arranque. Depois, com pompa e circunstância – e pouco recato – começou uma campanha para coroar Joey Harrington como candidato ao Heisman. A subtileza não foi o forte mas, nesta caminhada árdua, não se olhou a meios para atingir o fim. Madison Square Garden viu nascer um anúncio, enorme, bem ao padrão americano, apelando ao voto e frisando os méritos de Harrington. Não se pode dizer que os intentos tenham sido frustrados. Harrington conseguiu merecer o beneplácito dos decisores e visitou mesmo Nova Iorque, como finalista do Heisman, terminando em 4º lugar. Não venceu, mas recolheu elogios. E atenção. Acima de tudo isso. Oregon procurava escapar ao anonimato. Conseguiu-o e, ao fazê-lo, colocou-se no mapa. Tornou-se visível. E isso tem importância acrescida, quando se sabe que o recrutamento é a única fonte de alimentação e qualidade para criar um roster competitivo.  Nesse arco temporal, de 2001 até agora, à actualidade, a universidade foi crescendo, ganhando importância, tornando-se sólida e ganhando pontos, dentro e fora de campo. 146 vitórias em jogos. 6 títulos de conferência. Dois atletas no top-5 da votação do Heisman (Dennis Dixon e LaMichael James). Mas o sucesso será sempre relativo, enquanto não se torna tangível, com algo de concreto para se mostrar. Vencer a divisão ou mesmo a conferência já não chega para saciar a ambição. Isso foi conseguido, mas algo permaneceu em falta. Nestes 13 anos, a ideia foi maturando, mas sofreu reveses. A Oregon faltava um Heisman Trophy Winner. E um título nacional. O primeiro, finalmente, foi alcançado. Marcus Mariota, produto made in Hawaii, tornou-se o primeiro atleta da universidade a vencer o prestigiado galardão. Conseguiu-o quase por total unanimidade, recolhendo 90,92% dos pontos possíveis, a segunda percentagem mais alta na história do galardão. Falta o resto. A legitimação como contendor. O título de campeão. Esteve perto, naquela final contra Auburn de Cam Newton. Está outra vez à mão de semear. Para isso, um confronto que promete ser épico, contra os Seminoles. Frente-a-frente, os dois últimos vencedores do Heisman, Jameis Winston e Mariota. Quase como uma passagem de testemunho, com Winston a ceder o seu lugar ao jovem de Oregon, permitindo que os escaparates celebrem uma nova rising star. Se dentro de campo prevalecer a lógica, os Ducks prevalecerão e irão à final. Contra quem? Ohio State ou Alabama. É ainda um final árduo de temporada, mas os astros parecem perfeitamente alinhados para coroar um novo imperador. E dotar Oregon, finalmente, com as faixas de vencedor. Seria a conclusão de um conto de fadas.

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Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.