Necessidades das Equipas: New York Giants

Paulo Pereira 18 de Fevereiro de 2013 Equipas NFL Comments

Necessidades das Equipas: New York Giants

A vida dos New York Giants parece uma montanha russa, plena de emoções. Vencedores do Super Bowl em 2011, num improvável trajecto e, depois, afastados dos playoffs, em 2012, ano em que defendiam o título. Em defesa da equipa de New York o facto de estarem numa divisão de enorme rivalidade e com adversários poderosos. A NFC East é, descontando já aqui a subjectividade de opinião própria, a divisão mais árdua da NFL. Aliado a isso veio um calendário que obrigou os então vigentes campeões a defrontarem adversários de topo (Ravens, Falcons, 49ers, Steelers), tornando a sua presença na postseason algo imprevisível. O falhanço vai obrigar Jerry Reese e Tom Coughlin, respectivamente o general manager e o head coach, a aturado trabalho de preparação da próxima temporada. Mas, tal como a tantas outras franquias, o trajecto está pejado de dificuldades. Um cap space que não permite desafogos e várias áreas a merecerem reparação, de forma a evitar a inconsistência e a frustração, elementos-chave na época agora finda. Quais são as áreas/sectores que terão que ser reforçados?

Ataque: OL, TE e RB

Os drafts mais recentes focalizaram a atenção em wide receivers, com as escolhas de Hakeem Nicks, Rueben Randle e Jerrel Jernigan. A junção desses nomes a Eli Manning e à revelação Victor Cruz, transformou radicalmente o jogo aéreo na franquia, arma letal que conduziu a várias e importantes vitórias. O problema é mesmo a guarda pretoriana, em redor do principal activo do ataque, Eli Manning. Se o lado esquerdo é competente e atravessa um bom momento de forma, com Will Beatty (left tackle) e Kevin Boothe (left guard) a serem sólidos, o lado direito constitui o elo mais fraco, com o peso da idade a afectar as performances de Chris Snee e David Diehl. A prioridade é rejuvenescer – e fortalecer – a linha ofensiva, escolhendo jogadores que permitam o regresso a um jogo corrido mais agressivo. Os Giants têm vegetado pelos últimos lugares, no que respeita a jardas conquistadas no solo. Com um draft que se aproxima pleno de empolgantes jogadores, para as posições referidas, a palavra cabe aos scouts, que terão detalhados relatórios sobre os principais prospects. Alguns mock drafts colocam os Giants no caminho de Eric Fisher, OT de Central Michigan e de Lane Johnson, outro OT de Oklahoma.

As necessidades no ataque não se esgotam aqui. Com a rábula em redor da lesão de Jake Ballard, no Super Bowl de 2011, que levou o excelente jogador às waiver lists e consequente perda para os Patriots, a posição de tight end é prioritária. Martellus Bennett, “roubado” aos rivais Cowboys, foi uma agradável surpresa, quer como blocker, mas sobretudo como catcher, onde se revelou instrumental para Eli Manning. O seu sólido ano permite garantias de futuro, mas a profundidade na posição é diminuta. A adição dum rookie seria bem vinda, permitindo que este crescesse sem grande pressão no intrincado game plan dos Giants.

Finalmente, no ataque, não será surpresa se a posição de running back merecer uns retoques. Ahmad Bradshaw está de saída, evitando que os cerca de 4 milhões reservados para ele, em 2013, pesem no salary cap. A dispensa do jovem jogador abre as portas da titularidade a David Wilson, cuja segunda metade da temporada permitiu perceber a qualidade existente. Como 2º no depth chart está André Brown, uma revelação na época 2012, até à lesão. Devido a essa mesma lesão e à dúvida sobre se a mesma afectará o desempenho futuro de Brown, poderão surgir surpresas no draft. Eddie Lacy, um bulldozer de Alabama, seria um nome que cairia na perfeição neste ataque, mas parece ser apenas um sonho, nesta fase. A dispensa de Bradshaw é ilustrativa da evolução contínua do jogo. A posição de running back, anteriormente imprescindível, é agora quase acessória, com os clubes a optarem por jogadores mais novos…e baratos.

Defesa: DE e LB

É, claramente, a principal necessidade dos Giants, na defesa. O reforço da secundária. As aquisições recentes de Prince Amukamara e Tyles Sash não colmataram totalmente a necessidade, conforme foi visível com a onda de lesões em 2012. Kenny Phillips atinge a free agency, Corey Webster padece cada vez mais de problemas físicos, sendo imperioso reforçar a unidade. A derrocada no jogo com os Falcons, onde os wideouts de Atlanta humilharam repetidamente os corners dos Giants, desnudou essa urgência. É mais fácil escrever do que fazer, mas o que os Giants precisam é de um shutdown corner, uma espécie de Darrelle Revis, vestido de azul flamejante. Um duro, físico e imponente CB que faça a cobertura dos WR1 dos adversários. De onde virá esse reforço? Provavelmente, do draft. Qualquer outra opção – leia-se mercado de free agents – sairia mais cara, levando a que a exploração de jogadores universitários surja como o mais natural. Xavier Rhodes, de Florida State, ou Johnthan Banks, de Mississípi State, são nomes aventados nos referidos mocks, andando na órbita do pretenso interesse da franquia. Abril ajudará a desvendar esse mistério…

A posição de linebacker assistiu à saída dum histórico. Michael Boley, com um decréscimo assustador de produção, foi uma vítima da gestão rigorosa que tem que ser aplicada, na análise produção/custo. A profundidade não é muita e, para além de Chase Blackburn, que parece intocável, existe a necessidade de rejuvenescimento. O draft parece a solução óbvia, com alguns mocks a colocarem os Giants a escolherem, com a pick 19, Manti Te’o. O recruta de Notre Dame, cujo stock parece algo abalado depois da rocambolesca história em redor da namorada, tem qualidade insuspeita.

Em resumo, os Giants parecem equilibrados a nível de ataque, mas claramente deficitários na defesa. Se os retoques no ataque podem ser facilmente resolvidos, a defesa exigirá escolhas altas no draft, dotando-a de qualidade, sobretudo na secundária.

 

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Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.