Necessidades das Equipas: Minnesota Vikings

Paulo Pereira 16 de Fevereiro de 2013 Equipas NFL Comments

Necessidades das Equipas: Minnesota Vikings

Depois duma inesperada – mas merecida – viagem até aos playoffs, em 2012, o que falta aos Minnesota Vikings para se tornarem um sério candidato a vencer a divisão? Quando Rich Spielman tomou conta das rédeas directivas da franquia de Minnesota, não se esperaria que o trabalho do general manager desse frutos tão rápidos. Foi notória a abordagem conservadora do recém-empossado no mercado de jogadores livres, escolhendo apenas free agents low profile, que custassem pouco no cap space, enquanto se desenvolvia a estratégia de médio/longo prazo, com o draft a ser o campo de ataque preferencial. A offseason que antecedeu o início de época em 2012 foi, por isso, pouco especulativa, com a escolha de jogadores inexpressivos a ser vista como mera solução de retocar o roster. O único jogador com algum apelo mediático, o TE John Carlson, revelou-se um desapontamento tremendo, sucumbindo a constantes mazelas físicas e a nunca conseguir impor-se como alternativa credível no ataque.

O recorde final de 10-6, acima das expectativas de toda a gente, apenas veio fortalecer a estratégia previamente definida. O roster continuará a ser alimentado com jovens vindos do draft, procurando com estes colmatar os buracos existentes. E quais são esses?

Quarterback

Este será o ano crucial para Christian Ponder. A sua 3ª temporada na franquia irá ser escrutinada minuciosamente, avaliando-se a decisão de o tornar franchise QB. Ponder continuará a merecer a confiança do corpo técnico, pese a temporada pouco entusiasmante. O jogo final, na época regular frente aos Packers, deu um enorme alento a quem ainda acredita na potencialidade do recruta resgatado à universidade de Florida State. Nessa partida decisiva, Ponder mostrou pormenores empolgantes, lançando para o fundo do campo e parecendo sempre equilibrado. Com Adrian Peterson num momento transcendental de forma, o coordenador ofensivo Bill Musgrave optou por uma abordagem que privilegiou o jogo corrido, evitando sistematicamente o recurso ao mediano corpo de receivers. Se o lugar de titular não parece em causa, é provável que surjam novidades, dada a inaptidão demonstrada pelo backup Joe Webb, nos playoffs. A busca por um veterano em fim de carreira ou alguém relegado para o banco de suplentes (Matt Moore, dos Dolphins, por exemplo), para aumentar a competitividade no roster, deverá ser uma realidade.

Wide Receiver

Uma das principais necessidades, com muitas dúvidas a surgirem em relação à permanência de Percy Harvin, a estrela do grupo. O WR é um talento inato, contribuindo em inúmeras situações de jogo, ora arrancando do slot, ou aparecendo como potencial ameaça no backfield. Ameaça nos retornos, Harvin tem tanto de talentoso como de problemático no relacionamento com os treinadores. Depois de quase ter chegado a vias de facto com o anterior head coach, Brad Childress, violentas discussões com Leslie Frazier parecem ter esgotado o arsenal de paciência do corpo técnico. Não sendo uma certeza a sua saída, com os Vikings a sondarem apenas o mercado, os reforços deverão chegar via draft. Do ano passado, o rookie Jarius Wright mostrou estar algo cru, mas com algumas centelhas de talento. Quanto ao resto, nada de aproveitável, com Jerome Simpson a ser um erro de casting e Stephen Burton e Devin Aromashodu a fazerem apenas número. Michael Jenkins consegue ter utilidade, mas nunca passando uma fasquia de mediania. Com um lote razoável de atletas na posição, vindos do College, contem com aquisições, de forma a fortalecer a unidade. Os adeptos dos Vikings sonham, no entanto, com algo mais. Um talento inato, vindo da free agency. Mike Wallace ou Greg Jennings podem ser nomes associados ao clube, quando abrir (em Março) o mercado, mas os seus valores proibitivos devem afastar qualquer hipótese de vestirem a camisola purple & gold. Jennings é um nome apetecível, por vir dos rivais Packers. Algumas lesões recentes podem ajudar a esfriar o interesse, mas seria sempre um alvo confiável para Ponder.

Defensive Tackle

Longe vão os tempos da muralha constituída por Pat e Kevin Williams, que tornavam esta unidade temível para os adversários. Com Pat retirado e Kevin a sentir as agruras da passagem do tempo, a frente defensiva dos Vikings tem vivido sobretudo da inspiração dos seus ends. O sucessor de Pat Williams foi Letroy Guion que nunca conseguiu corresponder às expectativas mínimas. Fred Evans, usado como backup, superou o expectável, mas carece de observação mais demorada, perante uma utilização sistemática. Uma coisa é certa. Os Vikings terão que reforçar a depth da unidade, preferencialmente apostando no draft, onde o talento na posição impera. Será provável a vinda dum veterano, nos termos acima descritos. Um jogador sólido, pouco reconhecido pelos adeptos, mas com qualidade e ética de trabalho. Um dos nomes sussurrados nos fóruns afectos ao clube é o de Vance Walker, um backup dos Falcons que atingirá o mercado de jogadores livres. Competente contra o jogo corrido, com capacidade disruptiva, pode ser uma solução de curto prazo.

Linebacker

Num esquema táctico de 4-3 e com o uso da Cover2, a posição de middle linebacker é transcendente. É requerido um jogador veloz, competente no coverage e capaz de ser um elemento intransponível no jogo corrido. Jasper Brinkley, no seu primeiro ano como titular no posto, falhou, registando um número abissal de tackles falhados e de primeiros downs concedidos, na cobertura. Com Erin Henderson a atingir o mercado de free agents, a posição terá que ser quase totalmente reestruturada. Novamente aqui existe a possibilidade de se confiar a tarefa a um veterano, enquanto do draft se colhe talento para ir crescendo, dentro do roster. Um dos nomes aventados é um jogador do rival de divisão. Brad Jones, dos Packers, foi uma aposta falhada como outside linebacker no 3-4, mas ressurgiu como um excelente linebacker interior, jogando quase todos os downs. Revelando capacidade para as duas vertentes – run game e coverage – pode ser uma aposta fiável.

Uma coisa parece certa. Pese terem as suas doses significativas de problemas para resolver, as novidades no roster virão essencialmente do draft. Foi aí que a franquia cresceu em 2012, com alguns dos reforços (Blair Walsh, Matt Kalil, Harrison Smith) a serem titulares imediatos, elevando o jogo do conjunto. Se o mesmo critério for seguido em 2013, e os recrutas seguirem os passos dos antecessores, os Vikings poderão ameaçar a hegemonia divisional.

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.