O Impacto da Troca Graham-Unger

João Malha 11 de Março de 2015 Jogadores, NFL Comments
Graham Unger

O Impacto da Troca Graham-Unger

O free agency arrancou esta terça-feira. E começou de forma bombástica. Nem o mais ousado dos apostadores arriscaria numa saída do TE dos New Orleans Saints a quem a franquia do Louisiana ofereceu um contrato milionário há oito meses fazendo de Jimmy Graham o mais pago na liga na sua posição. Dificilmente alguma troca terá tamanho impacto como teve esta. Mas o que representará exatamente para cada uma destas equipas?

Qual a Vantagem para os Seattle Seahawks

Comecemos pelos Seahawks. A equipa de Seattle tem sido sem dúvida a mais forte da NFL nas últimas duas épocas e a sua dinastia parece estar para durar. Não é bicampeã por causa do mais discutido play call da história do jogo. Mas poderá muito bem voltar ao jogo decisivo com esta adição de enorme qualidade. Graham passará a ser o alvo preferido de Russel Wilson. Os Seahawks conseguiram enormes feitos baseando o seu jogo numa defesa fortíssima, a melhor da Liga dois anos seguidos, e num ataque que viveu à base do imparável Lynch e do read option de Russel Wilson, que somou números impressionantes em corrida e passe. Porém, faltava à equipa um verdadeiro receiver. O lote de receivers cumpria o suficiente para a equipa ter sucesso, mas Jimmy Graham eleva os Seahawks para um nível que não tinha em termos de passe. A sua estrutura física, a sua capacidade atlética, serão decisivos na red zone e no 3º down. Sempre foi assim em New Orleans e não será diferente em Seattle. A formação de Pete Carrol fica com uma arma tremenda que levará os opositores à loucura pois não saberão se defendem o Wilson, o Lynch ou Jimmy Graham! Estivesse o TE já em Seattle no último Super Bowl e talvez a play call que deu o título aos Patriots não tivesse sido assim tão discutida… nem tivesse resultado em interceção. É preciso não menosprezar, ainda assim, a perda do Center Max Under. Apesar de ter perdido grande parte da época de 2014, voltou a tempo dos playoffs onde voltou a estar ao seu melhor nível. Era sem dúvida um trunfo na proteção a Wilson e um abre-latas para Lynch ter terreno para correr. Os Seahawks irão provavelmente encontrar uma alternativa no draft pois é uma posição fundamental na sua matriz de jogo.

Qual a Vantagem para os New Orleans Saints

Serve este elogio a Unger para tentar justificar o injustificável. Ou seja, a decisão dos Saints. Por muito que os Saints tenham que mudar para não repetir o desastre de 2014, quando antes do arranque da época eram apontados como um dos principais contenders, começar por despachar o mais importante alvo do ataque não parece a melhor das soluções! Estaremos provavelmente a assistir a uma mudança de paradigma em New Orleans. Os Saints são conhecidos desde a era Payton-Brees por serem uma equipa de passe. Basta ver os números impressionantes do QB texano. A saída de Graham e entrada de Under, a juntar à renovação que poucos acharam possível do RB Mark Ingram, levam à conclusão que o running game dos Saints vai passar a ser uma arma a ter em conta. Brees caminha para o fim da sua carreira e teve uma época menos consistente em 2014. Para tal, muito contribuiu a péssima proteção que teve, onde o Center Goodwin e os Guards Grubbs e Evans estiveram a um nível muito comprometedor.

Unger poderá garantir mais tempo no pocket a Brees e, simultanemante, mais “avenidas” a Ingram. Porém, é certo que falta um receiver forte fisicamente na equipa. Graham era mais um Receiver que um TE (daí a polémica do ano passado aquando da renovação de contrato, com Graham a exigir receber como um WR) e lote de opções é fraco em termos físicos. Apenas Colston tem dimensão física superior, mas não é particularmente robusto. Cooks, Stills e Toon são excelentes receivers mas não o são claramente em termos físicos. Irão os Saints encontrar um Receiver acima de tudo físico no Draft? E o Tight End? Ben Watson e Nick Toon são curtos. Irão ao Free Agency tentar suprir esta lacuna? Ou o Draft será também a opção para a posição? Maxx Williams parece encaixar no perfil. Mas a esta distância é difícil fazer previsões. Mickey Loomis, GM dos Saints, disse que esta era uma decisão difícil mas que depois da época falhada era fundamental tomar decisões drásticas. E deixou em aberto a hipótese de à imagem do draft de 2014, tentarem negociar a sua posição na primeira ronda para subirem ainda mais e conseguirem os alvos que pretendem. Não surpreenderia! O que surpreenderia era que o rumor que ontem circulou de trocar a primeira pick do draft com os Bucs, oferecendo Drew Brees, se confirmasse. Seria a hecatombe emocional de milhares de fãs da WhoDat Nation. Os próximos dias devem manter-se animados. E em New Orleans suspira-se por notícias animadoras depois do balde de água fria que foi ver Graham voar para Seattle (e resta saber como acaba a novela que ontem começou com o CB Keenan Lewis que se mostrou revoltado com a administração dos Saints por supostamente quererem impor cortes no seu contrato…).

About The Author

João Malha

Profissional da área de comunicação e marketing, e sempre ligado ao desporto, sempre me fascinou o conceito de showbiz dos norte-americanos no que toca à promoção de qualquer espectáculo desportivo. Quando em 2003, a SportTv transmitiu pela primeira vez o Super Bowl, com estrondosa vitória dos Buccaneers de John Gruden sobre os Raiders, a curiosidade cresceu e ano após anos comecei a seguir as transmissões do maior evento desportivo mundial. Mas como em tudo na vida (pelo menos na minha forma de estar), é preciso um motivo mais forte para nos agarrarmos às coisas. Uma paixão que nos alimenta. E foi isso que aconteceu em 2010, aquando da final de Miami, ganha pelos Saints frente aos Colts do lendário Peyton Manning. Nesse dia senti finalmente que aquela era a minha equipa! E o aparecimento da ESPN America ajudou a não mais largar este desporto espectacular, que sigo semanalmente. Na Week 1 da temporada 2012/2013, cumpri o sonho de ir ver um jogo dos Saints ao vivo, ao Mercedes-Benz Superdome. Não vi os Saints vencerem, mas quem sabe se não terei a oportunidade de dizer que assisti ao primeiro jogo na NFL de um dos maiores QB’s da sua história, Robert Griffin III. Ver os Saints ao vivo foi uma experiência única que me faz olhar para o desporto com outros olhos. Quero saber mais e mais sobre o jogo, a sua história, lendas, regras, tácticas, etc. Let’s play ball!!!!