Saída do Percy Harvin dos Seahawks para os Jets

André Novais de Paula 18 de Outubro de 2014 Jogadores, NFL Comments
Percy Harvin

Saída do Percy Harvin dos Seahawks para os Jets

A saída do Percy Harvin dos Seattle Seahawks para os New York Jets tomou todos de surpresa. Aqui estão as opiniões dos nossos especialistas do Futebol Americano.

Opinião João Morão

Como o comentador seahawk residente do blog e sem influência no negócio pois nem o Schneider nem o Carroll me ligaram a explicar (Palhaços!!!), fica a minha primeira opinião.

Esta aventura com o Harvin foi um desastre: Pagou-se demais e recebeu-se pouco. Um jogador lesionado em 2013 e mal utilizado em 2014. Um corpo de WO que fica orfão da estrela. Fica memoria do KO return no SB que não há bom ou mau negocio que apague.

Os pontos de ruptura: O preço do homem vs o retorno e potencialmente ser um tipo problemático.

Os pontos de beneficio: Norwood e Richardson como futuro e salary cap para manter a verdadeira corner stone do franchise: Wilson. Em resumo: Next man up! We all we got we all we need! ‪#‎GOHAWKS‬

Opinião Paulo Pereira

A trade de Harvin é um daqueles acontecimentos bombásticos, inesperados, que envolve um nome facilmente associável ao adepto casual…mas pouco mais do que isso. A mudança de cenário geográfico do enfant terrible não alterará o status quo divisional. Pelo menos, na AFC East, onde os Patriots ainda são os senhores feudais. Harvin é um daqueles raros talentos, cujo potencial parece infindável. Desde os tempos dos Gators, na belíssima mostra de talentos que Urban Meyer coleccionou, que se pressentia a possibilidade de existir ali algo especial. E essa opinião foi validada. Mas apenas parcialmente. Foi assim, de forma intermitente, que Harvin mostrou o seu talento na NFL. Primeiro, nos Vikings. A espaços, lá vinha a capacidade explosiva. A velocidade. A pureza do futebol simples, mas eficaz. Por inúmeros motivos, desde enxaquecas que abrandavam a sua competitividade, até altercações com colegas e técnicos, a regularidade exibicional ressentiu-se. Pensou-se que o salto para os Seahawks fosse a oportunidade ideal. Numa equipa de campeões, Harvin podia não ser apenas mais um. Mas sim o TAL. Mostrou isso, novamente de forma latente, ao aparecer em grande no Super Bowl. E, depois, no jogo inaugural desta nova temporada, contra os Packers. Uma arma letal, usada sabiamente, para a qual não existia aparente defesa. Mas nós, que vemos futebol na TV, não sabemos o resto. E o resto conta muito.

Harvin é problemático. Num grupo homogéneo, disciplinado, pode ser um cancro, que gangrena tudo o que é saudável. Um bom general manager admite o erro. Faz mea culpa quando falha. John Schneider não é um bom GM. É um EXCELENTE GM. Montou cirurgicamente um roster que pode ser uma dinastia. E achou que, no deve e haver, perdia mais do que ganhava em manter um jogador assim. Deu, por ele, duas picks altas aos Vikings. Receberá, quando muito, uma pick de 4º round dos Jets. Perdeu a aposta em Harvin? Sim, mas reconheceu isso a tempo de ainda poder vencer. Sem ele. Para os Jets o movimento é meramente mediático, trazendo uma lufada de excitação a uma base de fãs farta de levar porrada. John Idzik é um general manager novato. Guardou perto de 22 milhões no cap space. Fê-lo por desejar construir um roster jovem, via draft. Mas também por desconfiar de Rex Ryan. O técnico foi herdado. Não foi escolha sua. Idzik cometeu, quanto a mim, um erro de apreciação. Os Jets tinham – e têm – um roster pejado de talento. Faltava pouco para ser competitivo. E Rex Ryan pediu-lhe isso. O pouco. Elementos para a secundária. Idzik, analisando a situação, optou por não fazê-lo. A estratégia era simples. A equipa ganharia, mas sem o número suficiente de vitórias que permitisse a Ryan manter-se na equipa. E, depois, com um técnico escolhido por si, Idzik abriria os cordões à bolsa. O problema é que os Jets não venceram. Aliás, fizeram-no, mas apenas uma vez, em 7 jogos. Muito pouco. A contestação não atinge apenas Ryan. E Idzik podia sair chamuscado. Harvin é um produto assim tão apetecível? Nesta fase, NÃO. Uma equipa que vegeta num medíocre 1-6 não retirará grande benefício do receiver. Harvin é um brinquedo novo, dado a Rex Ryan e tendente a ser usufruido por quem paga bilhete, em Nova Iorque.

No fundo, Harvin será um mico de circo, mantendo os espectadores empolgados com um sem número de truques, até o fecho das cortinas da temporada 2014.

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André Novais de Paula

Sempre gostei de desporto e sempre senti uma grande curiosidade em relação a desportos Americanos, mas infelizmente o contacto com essa realidade era escasso e intermitente. Cheguei mesmo a jogar InLine Hockey (semelhante ao Ice Hockey, mas com patins em linha) durante vários anos nos Sharks de Oeiras, mas mesmo seguir a NHL era complicado. Tudo mudou quando a televisão por cabo começou a transmitir canais com estes desportos. O Futebol Americano foi Amor à primeira vista. Para que eu ficasse completamente viciado bastou ver o primeiro jogo. Depois disso já não havia volta atrás. O passo seguinte foi começar a descobrir cada vez mais sobre este incrível desporto. Rapidamente constatei que não havia muita informação em Português e juntamente com o Paulo Silva Curto abri uma página no Facebook para juntar outros fãs de Futebol Americano. Não sonhávamos na altura que este pequeno projecto iria crescer desta forma e que um dia iríamos ter um Blog dedicado somente a este desporto que nos tem dado tantas alegrias e horas bem passadas. Aproveito para confessar que sou fã dos Green Bay Packers. Go Packers!