Atlanta Falcons: A Temporada à Lupa

Paulo Pereira 3 de Abril de 2014 Análises, NFL Comments
Atlanta Falcons

Atlanta Falcons: A Temporada à Lupa

Maior Surpresa

É a habitual fábula, um conto de fadas à moda da NFL. Paul Worrilow chegou aos Atlanta Falcons como undrafted rookie, proveniente de Delaware, tendo como intenção primária sobreviver aos cortes e fazer o roster final. Quando isso aconteceu, estava-lhe destinado um mero papel de integrante do special team, num daqueles tirocínios no mundo profissional. Com as lesões a avolumarem-se, Worrilow teve a possibilidade de se estrear e, depois, de cimentar a sua titularidade, mostrando a utilidade, sobretudo num par de jogos, contra os Carolina Panthers e Seattle Seahawks, onde conseguiu 19 tackles, em cada um dos encontros. Paul Worrilow mostrou igualmente ter a capacidade de jogar em várias posições, impressionando o staff técnico. Conseguiu mais de 10 tackles em 6 partida, entre as semanas 9 a 14. Com o decorrer dos jogos evoluiu naturalmente como blitzer e na cobertura. Tem ainda um longo caminho a percorrer mas foi sem dúvida uma agradável revelação.

Maior Desapontamento

Toda a linha ofensiva, que foi porosa e medíocre ao longo da temporada. Se a unidade tinha perdido Todd McClure (retirou-se), Tyson Clabo (ida para os Dolphins) e Mike Johnson (lesão na preseason), era expectável que mostrasse sinais de evolução e melhorias, com o decorrer das semanas. Como na maioria dos casos que veremos, nas outras unidades, a OL pode deixar uns queixumes por conta das lesões. Sam Baker, left tackle, cedeu a uma lesão num joelho, que obrigou a cirurgia. E todos os outros – os tackles Lamar Holmes e Jeremy Trueblood, o guard Garrett Reynolds e o center Peter Konz – foram, num ponto ou outro da temporada, colocados no banco, sinal evidente de desconforto quanto às suas exibições. A única forma encontrada, por parte de Dirk Koetter, o coordenador ofensivo, para ultrapassar a inépcia no pass block foi usar um estilo de jogo de passe mais curto, obrigando Matt Ryan a ser mais rápido na libertação da bola.

Maior Necessidade

Ler o parágrafo anterior, se faz favor. A maior necessidade, pelos motivos enunciados, é o reforço da linha ofensiva. As carências, no entanto, não se esgotam desse lado da bola. A linha defensiva também deverá merecer a atenção por parte de Thomas Dimitroff, o general manager da franquia. Os Falcons falharam quase sempre em gerar pressão sobre os quarterbacks contrários, especulando-se que a aposta no round 1 passará pela aquisição de um pass rusher puro. Estará Jadeveon Clowney no horizonte próximo dos Falcons?

MVP

Numa temporada em que nada correu conforme o previsto, não foi muito difícil eleger o MVP da equipa. Há dúvidas? Tony Gonzalez, naquela que deveria ser a sua última temporada, tinha como clara intenção perseguir um anel de campeão. A época encarregou-se de destruir os sonhos do veterano tight end que, no entanto, foi sempre um enorme exemplo de profissionalismo, jogando a um nível elevado, semana após semana, sem indícios de frustração ou abrandamento provocado pela decepção. Gonzalez jogou, aos 37 anos, através da dor, não falhando um único encontro. Excelente no jogo aéreo, onde demonstrou sempre a elevada qualidade, mesmo enfrentando duplas marcações, Gonzalez deixará saudades. Muitas.

Posição a Posição

Quarterbacks

O único aspecto positivo na temporada de Matt Ryan, depois de ter assinado um contrato milionário (6 anos e 103 milhões) foi ter-se tornado o líder da franquia em jardas passadas, com 23.472. Isso de pouco servirá, face às altas expectativas que os Falcons tinham para 2013. Ryan lançou 17 intercepções, o seu máximo na NFL, sofrendo uma quantidade absurda de sacks (44), demonstrando que a culpa na derrocada não lhe pode ser unicamente assacada.

Running Backs

A queda dos Falcons deveu-se a um conjunto de factores anormais, com um peso significativo nas lesões em jogadores cruciais. Steven Jackson, sonante aquisição na offseason, foi uma das vítimas do infortúnio, raramente conseguindo continuidade dentro de campo, com o ritmo abrandado por sucessivas lesões. Apenas com o final da temporada a aproximar-se se assistiu aquilo que o jogador podia trazer à equipa, mas o balanço entre o passe e a corrida está longe do ideal. O jogo corrido foi último na NFL, com apenas 77,9 jardas por jogo.

Wide Receivers

Se o jogo corrido viu as lesões a afectarem a produção global, o que dizer do jogo de passe, com a perda de Júlio Jones? A falta do jogador fez-se sentir, logo após o impacto da lesão ser conhecida em toda a plenitude. Roddy White, também a contas com mazelas físicas, tinha deixado a equipa órfã, o que levou a um acréscimo de trabalho para Harry Douglas. Este, habitualmente usado no slot, capitalizou os minutos, conseguindo a primeira temporada da sua carreira acima das 1000 jardas, mas foi muito pouco para o que era esperado. Roddy White ainda regressou, nos últimos jogos, deixando um “cheirinho” do seu jogo: 43 recepções, 502 jardas e 2 touchdowns, nos últimos 5 jogos. Em 2014, se o infortúnio desaparecer de Atlanta, este será um grupo temível.

Tight Ends

Contou com a experiencia e qualidade de Tony Gonzalez. Este foi sempre constante no ataque, terminando a temporada como quase sempre: com números que ilustram a sua entrega. 83 recepções e 8 touchdowns, uma verdadeira arma letal na red zone. Gonzalez foi poupado ao trabalho suplementar de bloqueios, tarefa que ficou a cargo do rookie Levine Toilolo, mas de forma minimal. Será uma unidade totalmente diferente, agora que Gonzalez parece ir gozar um merecido período de reforma.

Linha Ofensiva

Não foi apenas o pior sector do ataque. Foi igualmente a pior unidade de toda a equipa. Uma unidade porosa, que nunca protegeu devidamente o seu quarterback (Matt Ryan foi o 3º QB a sofrer mais sacks) e sem qualquer influência positiva no running game. Quase todos foram alvo do desagrado técnico, passando da titularidade para o banco, com a honrosa excepção do left guard Justin Blalock. A OL terá que sofrer uma completa transformação, com pouco a aproveitar-se de 2013. O rookie right tackle Ryan Schraeder deverá ser um dos únicos a merecer uma 2ª oportunidade, pelo upside que demonstrou. A free agency trouxe, para já, o guard ex-Chiefs Jon Asamoah.

Linha Defensiva

Uma equipa que permite aos adversários converterem 45% dos seus 3º downs é ineficaz. A unidade mais directamente ligada a esse número é a DL, falha de agressividade e com um pass rush inefectivo, que figurou nos últimos lugares da liga, quando comparado com as outras equipas. O único jogador que jogou de forma consistente foi o defensive tackle Jonathan Babineaux. Da free agency chegaram reforços. O excelente DT Paul Solial e o DE Tyson Jackson.

Linebackers

Um grupo com enorme potencial, devastado por lesões. Kroy Biermann e Sean Weatherspoon falharam jogos cruciais, nunca conseguindo dar o seu contributo pleno. As lesões colocaram à prova a profundidade da unidade, que viu emergir dois undrafted rookies – Paul Worrilow e Joplo Bartu – com performances acima do expectável. Stephen Nicholas e Akeed Dent perderam os seus lugares, afectados igualmente por mazelas físicas.

Secundária

O melhor sector defensivo, que beneficiou do forte contributo do rookie cornerback Desmond Trufant e do impacto do safety William Moore. Mesmo assim, existiram demasiadas falhas, visíveis nas big plays concedidas (41 jogadas, de mais de 25 jardas e 26 jogadas, de mais de 40 jardas). 2013 assistiu a um retrocesso inesperado de Thomas DeCoud, habitualmente sólido no posto de safety. Robert Alford, rookie cornerback, demonstrou qualidade, pese alguns erros cometidos.

Special Team

Algumas penalidades, que prejudicaram bons retornos, um punter (Matt Boscher) sólido, um kicker fiável, mas que já conheceu melhores dias (Matt Bryant) e Robert McClain a ter alguns retornos que ficaram perto da glória. No meio de tudo isto, destaque para Antone Smith, um daqueles típicos jogadores de special team, com um coração de guerreiro.

Coaching

A péssima temporada dos Falcons, que passaram de contenders a busts num ápice, tem que ser devidamente calibrada, quando se medirem as culpas. O staff técnico não fica imune a críticas, mas o trabalho foi dificultado ao limite pela quantidade de lesões. Mike Nolan e Dirk Koetter, ambos os coordenadores, receberam um voto de confiança e regressam em 2014. A mesma sorte não tiveram os técnicos das linhas ofensiva e defensiva, penalizados e despedidos pelas más prestações das respectivas unidades.

Inspirado no original de Adam Teicher | ESPN.com

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.