Carolina Panthers: A Temporada à Lupa

Paulo Pereira 31 de Março de 2014 Análises, NFL Comments
Carolina Panthers

Carolina Panthers: A Temporada à Lupa

Maior Surpresa

“Riverboat Ron.” Rivera, o head coach dos Carolina Panthers, admitiu publicamente que deveria ter tido outra abordagem na derrota frente aos Bills, na week 2, por 24-23. Ron lamentou-se pela decisão de não ter optado por forçar o 4-and-1, a 1:42 do final, quando a sua equipa vencia por apenas 3 pontos. Nem sempre um treinador se desnuda assim, perante as TVs. Ron fê-lo, penitenciando-se por não ter mostrado a confiança necessária no seu ataque, para conquistar uma jarda. A transformação, a partir deste momento, foi radical. Rivera, um dos mais conservadores treinadores nos fourth downs, tornou-se agressivo. Começou contra os Vikings, em Minnesota, apostando duas vezes em forçar o 4º down, com sucesso. Tornou a fazê-lo contra os Dolphins, igualmente com sucesso, num 4-and-10 bem dentro do seu próprio território. A temporada regular terminou com um 10 em 13 nas tentativas em 4º down, mostrando o acerto na mudança de “chip” em Ron Rivera. Ironicamente, na derrota nos playoffs contra os 49ers, foi um 4º down tentado sem sucesso que esteve na génese da derrota.

Maior Desapontamento

A derrota nos playoffs contra os 49ers, no próprio terreno. O desaire surgiu, em grande parte, por causa dos evidentes problemas dos Panthers em converterem as idas à red zone em touchdowns. Se isso foi evidente nos últimos jogos da regular season, foi crucial contra a franquia de S.Francisco. Os Panthers tiveram 8 jogadas dentro das últimas 20 jardas do adversário, não concretizando nenhum TD. Quatro dessas oito oportunidades aconteceram na linha de 1 jarda. Uma mísera jarda para a glória. Falharam. Uma, duas, três, quatro vezes. Dois touchdowns bastariam para ter vencido o jogo.

Maior Necessidade

Armas. Armas e mais armas para Cameron Newton. O jogo aéreo, para lá de Steve Smith, pouca profundidade teve. Existiram alguns ocasionais fogachos de Ted Ginn Jr. Mas, de resto, a qualidade do grupo de receivers deixou a desejar. Brandon LaFell, qualidade mediana, mostrou ser apenas serviçal e não um WR2 no ataque. Como se isso não bastasse, a offseason de 2014 delapidou o que existia. Steve Smith encontrou novo porto de abrigo em Baltimore, enquanto LaFell se mudou de armas e bagagens para os Patriots. É previsível que a posição seja reforçada no draft, pois até agora os Panthers limitaram-se a retoques, com a chegada de Jerricho Cotchery.

MVP

É difícil eleger o MVP da equipa, em alguns casos. Este é um deles. Os Panthers beneficiaram de excelentes prestações de Greg Hardy, que aterrorizou os quarterbacks contrários, com 15 sacks e 38 pressões. Ficará para ele a menção honrosa, porque o título propriamente dito vai para Luke Kuechly, o linebacker que tomou a liga de assalto, em 2012 e 2013. O MLB foi instrumental, liderando a equipa (e a própria competição) em tackles, com 176. Verdadeiro cérebro da unidade defensiva, é exímio na defesa contra o jogo corrido e é ele que assume a responsabilidade de marcar os principais tight ends adversários. No jogo contra os Saints na regular season, que a franquia de Carolina venceu por apertados 17-13, os seus 24 tackles mostram de forma impressiva toda a qualidade e importância no esquema táctico da franquia.

Posição a Posição

Quarterbacks

2013 foi o primeiro passo na transformação de Cam Newton como quarterback. Mais maduro, tem sabido aprender com os erros passados, evitando a exposição permanente, numa clara prova de confiança nos companheiros. Teve a melhor percentagem de passe da sua ainda curta carreira, com 61,7% de acerto, bem como no rating (88,8%). Passou para 24 touchdowns (igualmente máximo na carreira) e correu para seis outros.

Running Backs

Funcionou, com o one-two punch protagonizado por DeAngelo Williams e Mike Tolberto. Williams conseguiu 843 jardas corridas, participando activamente no jogo de passe, onde obteve 26 recepções e 333 jardas (maioritariamente em screens). Tolbert adicionou 361 jardas e 5 touchdowns corridos, usado primariamente como aríete nas curtas distâncias.

Wide Receivers

Sólida temporada de Steve Smith, com 64 recepções e 745 jardas. Ted Ginn teve uma produção melhor do que o ambicionado, com 36 recepções e 5 touchdowns. LaFell foi mediano, não se assumindo como capaz de sustentar um ataque, como quando Steve Smith falhou o último jogo, em que foi mantido sem qualquer recepção pelos defesas contrários.

Tight Ends

Greg Olsen tem um problema: joga na mesma divisão que Tony Gonzalez e Jimmy Graham. Não fosse isso, teria maior protagonismo do que aquele que, actualmente, tem beneficiado. Greg Olsen foi o principal destaque no jogo de passe, com 73 recepções (máximo da equipa e máximo da sua carreira), para 816 jardas e 6 touchdowns. Excelente prestação!

Linha Ofensiva

Ryan Kalil (center) voltou a ir ao Pro Bowl e o left tackle Jordan Gross (entretanto retirado) realizou uma época excelente. A unidade conseguiu sobreviver e ser consistente, apesar do número de lesões na posição de guard. Mesmo assim, demasiados sacks cedidos, incluindo na derrota nos playoffs (5).

Linha Defensiva

Disruptiva. É esse o termo que marca a temporada da DL, uma das melhores (senão mesmo a melhor) na NFL. Se os Panthers foram a segunda defesa nos rankings, devem-no em grande parte ao trabalho de sapa contra a corrida e passe da linha dianteira da defesa. A DL conquistou 40 dos 60 sacks finais da equipa, com Greg Hardy a assumir maior protagonismo (2º na liga, com 15 sacks). Charles Johnson foi um óptimo coadjuvante, com 11 sacks, num grupo que viu emergir Star Lotulei, uma das novas estrelas da competição.

Linebackers

De Luke Kuechly já se falou. Jogou como Defensive Player of the Year. Ao seu lado, o outside linebacker Thomas Davis conseguiu o máximo de carreira de 151 tackles, adicionando 4 sacks, numa excelente prestação. Foi, a par da DL, o melhor sector do roster.

Secundária

Contra o passe, os Panthers foram sextos na prova. Nada mau. A secundária conseguiu 14 das 20 intercepções. Nada mau, parte II. O grupo foi eminentemente físico e duro, correspondendo ao esperado. Nada mau, parte III. O pior é que, nas derrotas, algumas big plays concedidas comprometeram a reputação do sector que, não fosse isso, seria francamente melhor.

Special Team

Boa temporada do kicker Graham Gano e do punter Brad Nortman. Gano evoluiu bastante, sobretudo nos field goals mais longos, acertando 6 em 6 acima das 50 jardas. Conseguiu, nos kickoffs, a percentagem mais alta de touchbacks (79,9%) da liga.

Coaching

Com um início de 0-2 e, depois, de 1-3, a pressão sobre os Panthers e o seu staff técnico era imensa. Ron Rivera manteve-se consistente, não se intimidando com as dificuldades e mantendo o rumo escolhido. Sean McDermott levou a sua unidade defensiva a colher elogios atrás de elogios, terminando no top-3 da competição. Mike Shula, por sua vez, ajudou ao crescimento, consistência e maturidade de Cam Newton. Uma boa equipa técnica.

Inspirado no original de David Newton | ESPN.com

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.