Detroit Lions: A Temporada à Lupa

Paulo Pereira 21 de Março de 2014 Análises, NFL Comments
Detroit Lions

Detroit Lions: A Temporada à Lupa

Maior Surpresa

Sem qualquer ponta de dúvida, a linha ofensiva. Foi má, durante anos a fio e existiam esperanças, mesmo que ténues, que o fluxo de sangue novo resultasse numa maior impermeabilização. Com 3 novos titulares (60% da linha) e um center com 35 anos (Raiola) não se esperava, no entanto, o salto qualitativo tão elevado, que colocou a unidade entre as melhores da competição. Larry Warford, escolha do 3º round no draft de 2013, foi uma decisão acertada, parecendo que ali está uma âncora na OL para a próxima década, na posição de right guard. Raiola jogou como nunca, provando que velhos são os trapos, merecendo uma renovação contratual. E até LaAdrian Waddle, right tackle, foi uma agradável surpresa.

Maior Desapontamento

O que vos parece? Ultrapassada a metade da temporada, os Lions seguiam triunfantes, na liderança da NFC North, com um 6-3 que parecia indiciar que era desta que o título de divisão não escaparia. Para aumentar ainda mais os índices de confiança, os principais rivais – Bears e Packers – debatiam-se com lesões nos quarterbacks titulares. Mas, num ápice, tudo se desmoronou. Os Lions perderam 5 dos últimos 6 jogos, falhando o título de divisão e os playoffs. Nesta recta final, os turnovers acumularam-se em todos os jogos (nunca menos de 3) e as suas principais estrelas claudicaram exibicionalmente.

Maior Necessidade

Depende das perspectivas. Um wide receiver talentoso e veloz, complementar a Calvin Johnson, era bem-vindo (e já contratado na free agency, com a escolha de Golden Tate). O mesmo se pode dizer de nova incursão na secundária, com um novo cornerback que possa emparelhar com Darius Slay, escolhido no draft do ano passado. O corpo de linebackers, que se exibiu em grande nível, poderia ter mais profundidade. E, claro, não se pode esquecer o declínio exibicional de Matthew Stafford, que aparenta ter problemas nas decisões que toma e na mecânica de lançamento. Nada que a presença de um guru, na equipa técnica, não consiga arranjar.

MVP

Se Calvin Johnson é, claramente, o melhor jogador da equipa e aquele mais difícil de substituir (basta ver a dificuldade em mover as peças, no ataque, quando Megatron está ausente), o jogador mais valioso na temporada foi um defesa. Mais precisamente um linebacker. Sendo ainda mais específico, um outside linebacker. DeAndre Levy teve o máximo de carreiras em tackles e intercepções, jogando como um verdadeiro demónio, realizando big plays e tentando empurrar a equipa para a vitória. Foi tremendo, na agressividade emprestada ao pass rush.

Posição a Posição

Quarterbacks

Já todos leram ou viram a história do Dr. Jekyll e o Mr. Hyde, não já? Matthew Sttaford encarnou na perfeição a dupla personalidade. Brilhante na primeira metade da temporada, levando os Lions à liderança da divisão…para depois descer ao abismo, com péssimas exibições e erros inacreditáveis. Nos últimos 9 jogos ele lançou sempre uma ou mais intercepções, coleccionando-as sobretudo no 4º período dos jogos, quando tudo estava por decidir. O ponto alto foi o comeback fabuloso contra os Cowboys, mostrando equilíbrio no pocket e uma capacidade de liderança notável. O pior foi o resto, com constantes lapsos nas decisões. Época medonha.

Running Backs

Reggie Bush é um jogador renascido, depois que saiu de Nova Orleães, indo já na sua 3ª temporada consecutiva acima das 1000 jardas, número que nunca tinha alcançado antes na sua carreira. Formou um tandem forte com Joiqe Bell, o seu backup, conferindo poder ao jogo corrido dos Lions. Os seus estilos diferentes – Bush é mais elegante e elusivo, para além de ser um bom receiver, enquanto Bell é um denodado RB que luta arduamente por todas as jardas – complementam-se na perfeição. Bush terminou com 1006 jardas no solo e Bell com 650. O único senão, que penaliza a apreciação geral, são os fumbles (cada um teve 3 perdidos), mas o sector está forte e recomendável.

Wide Receivers

Um ano atípico, marcado pela irregularidade de Stafford, com Calvin Johnson a não conseguir ser a mais-valia de épocas anteriores. Se existe uma imagem que se cola na perfeição ao grupo foram os drops. Inúmeros. Até à 15ª jornada, o número de passes não recebidos/falhados foi de 21, contra 17 touchdowns. Está aí uma das chaves para a queda dos Lions, na 2ª metade da temporada.

Tight Ends

No computo geral, a unidade portou-se melhor do que a dos wide receivers, no capítulo recepções. Brandon Pettigrew teve a sua quota parte de drops, mas conseguiu uma temporada sólida, quer como catcher, quer como blocker. O seu backup, Joseph Fauria, não viu muita acção, mas acabou por ser uma ameaça válida na red zone, terminando a época com uma boa produção, sobretudo se nos lembrarmos que foi undrafted free agent.

Linha Ofensiva

Durante anos, foi o cancro da equipa e responsável máximo por algumas das lesões que Stafford teve. Contudo, em termos de ataque em 2013, a linha ofensiva foi a melhor unidade. O rookie guard Larry Warford foi excelente, enquanto Dominic Raiola, no ocaso da sua carreira, conseguiu ser impressivo, comandando a unidade com a sua experiência. Até LaAdrian Waddle acabou por ser uma óptima aquisição, num conjunto que esteve sempre entre as melhores OLs da prova.

Linha Defensiva

Surpreendentemente, foi irregular. Era reconhecidamente a unidade mais talentosa do roster e aquela de quem mais se esperava. O peso das expectativas colidiu com a dura realidade. A run defense foi uma das melhores da NFL e a unidade, quando focada, era dominante e brutal, como no jogo contra os Packers, no Thanksgiving Day. Nos outros, no entanto, a DL foi inconsistente, desaparecendo dos jogos, com clara influência negativa na produção da defesa.

Linebackers

DeAndre Levy, conforme escrito mais acima, teve um ano para relembrar, excedendo-se na cobertura e contra a corrida. Jogou a um nível Pro Bowl. Stephen Tulloch esteve igualmente em bom plano, com a unidade a ser a grande razão para a run defense ter estado em óptimo nível. Foi o melhor sector da defesa.

Secundária

Esperava-se mais e melhor, depois do esforço feito na free agency, de onde veio Glover Quin. O safety esteve globalmente bem, mas a secundária foi sempre penalizada pelas lesões, com Chris Houston, Rashean Mathis e Darius Slay a perderem tempo de jogo. Louis Delmas, o free safety, entrou em grande forma na época, mas depois decaiu substancialmente, permitindo demasiadas jogadas aos adversários. Um sector inconsistente, que beneficiaria da adição de um shutdown cornerback, para substituir Houston.

Special Team

David Akers foi irregular, para usar um eufemismo. Com um novo punter, vindo do draft (Sam Martin, escolhido na 5ª ronda), a exibir-se agradavelmente, terminando no top-10, a unidade foi consistente na cobertura dos retornos e beneficiou da adição de Jeremy Ross, a meio da época, para dinamizar os retornos. Ross foi empolgante, com alguns duelos inesquecíveis, como no jogo na neve contra os Eagles, ou no Thanksgiving Day, contra a ex-equipa.

Coaching

Jim Schwartz foi despedido. É preciso dizer algo mais? O head coach pareceu sempre assoberbado pelos acontecimentos, nunca encontrando forma de os estancar. Desde colapsos no 4º período, passando por penalidades escusadas e comprometedoras, culminando numa pobre gestão do cronómetro, múltiplas vezes, os Lions tiveram de tudo. E imputaram isso ao staff técnico. Justamente.

Inspirado no original de Rich Cimini | ESPN.com

About The Author

Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.