Minnesota Vikings: Glimmer of Hope

Paulo Pereira 25 de Novembro de 2014 Análises, NFL Comments
Minnesota Vikings

Minnesota Vikings: Glimmer of Hope

Qualquer esperança no apuramento para os playoffs, por mais remota que fosse, diluiu-se por completo após novo desaire. Os Vikings estão agora com um 4-7 que desnuda, acima de tudo, as carências efectivas do roster. Num embate de enorme rivalidade contra os Packers, fica a sensação de que a equipa lutou, até ao limite das suas forças, impondo um jogo bem mais competitivo do que o esperado. Perder, por qualquer margem, nunca é bom, nem pode ser sinal de regozijo perder por poucos.Mas, estranhamente, este desaire deixa uma confortável sensação de esperança. Parece uma contradição, certo? Sentir esperança quando não se vence? Mas é o que acontece. Num imenso mar de dificuldades que tem sido esta temporada, a nau dos Vikings consegue manter um rumo. E mostrar qualidade para o futuro imediato. É pouco o que temos para nos agarrar, mas sempre é alguma coisa…

A equipa comandada superiormente por Aaron Rodgers é uma versão futebolística duma pessoa com dupla personalidade. Dominadora e impiedosa em casa, onde leva por triunfos todos os jogos disputados, e titubeante, trapalhona e errática quando sai de Lambeau. Com 3 desaires fora de portas e um triunfo milagroso em Miami, independentemente dos problemas que afectam estes Vikings, pressentia que podia haver uma surpresa. Esteve quase…

Numa semana complicada para as cores de Minnesota, com a derrota em Chicago e as recentes notícias sobre Adrian Peterson, ficou a sensação que tudo se poderia ter composto, com um triunfo animicamente importante. Mas, no panteão de desapontamentos, este é apenas mais um capítulo. Desaire após desaire, Mike Zimmer enfrenta um ano complicado, na sua estreia como head coach. A equipa, fragilizada desde o início de temporada, tem dado alguns sinais encorajadores, revelando trabalho e pontos-fortes para o futuro a curto prazo. Contra os cabeças de queijo, quem sobressaiu, pela positiva e negativa, com a belíssima purple & gold vestida:

Aplausos

  • A secundária. Tem sido o calcanhar de Aquiles em anos recentes, mas aparece de cara lavada esta época, mercê do background defensivo de Zimmer, que tem sabido dar-lhe consistência. Depois do péssimo jogo contra os Bears, onde Josh Robinson foi exposto, eis que a unidade apareceu em grande plano, frustrando a conexão entre Aaron Rodgers e Jordy Nelson. Manter o explosivo ataque aéreo de Green Bay em 209 jardas não é um sinal desprezível. Xavier Rhodes, FINALMENTE, exibiu-se ao nível de uma pick de 1º round, secando quase por completo o dinâmico Jordy Nelson, nunca lhe permitindo a habitual separação para receber as bombas do seu quarterback.
  • Gosto, já o disse várias vezes, de Mike Zimmer. Do ar sereno e competente que exala, da capacidade que dá mostras em montar uma defesa agressiva, mesmo tendo perdido Jared Allen. Remendou a secundária, recuperando animicamente Rhodes, acreditando em Munnerlyn e recebendo de braços abertos Harrison Smith. O recorde actual pode nem mostrar isso, na sua plenitude, mas esta equipa dos Vikings é MUITO MELHOR do que a que no ano passado se arrastou dentro de campo. Acredito firmemente que boas coisas virão, já a partir de 2015…
  • Não teve um impacto grande no jogo, mas é importante ver Kyle Rudolph em campo, mesmo que seja visível que o atleta não está recuperado totalmente da hérnia que o tem atormentado. Rudolph, um tight end poderoso, com uma enorme capacidade atlética, conseguiu mostrar a espaços as suas qualidades, sobretudo num par de recepções onde adicionou jardas ao fugir dos defensores. Pode ser um elemento em destaque, nos 5 jogos que faltam.
  • Teddy Bridgewater é um rookie, e nunca se esqueçam disso, quando ele falhar um receiver aberto, ou revelar falta de precisão num passe. Foi um jogo de altos e baixos, mas julgo que, nesta altura e face ao que enfrenta, não é possível exigir mais do quarterback. Sem um jogo corrido consistente e com uma OL deficitária, Teddy é quase sempre mantido sobre enorme pressão no pocket. Sim, falhou uma série de passes que me deixaram exasperado, mas teve sempre a resiliência de superar os momentos menos bons – como a sua intercepção –, naquela indómita vontade de nunca desistir. Dois passes para TD e uma drive final excelente mostram a continuidade do seu processo de aprendizagem e maturação. Está no bom caminho.
  • Charles Johnson. Por mim, é aposta clara e vincada até ao final da temporada. Fez o percurso mais difícil até chegar ao roster, vindo da practice squad, e o que se pode dizer é que tem recompensado a aposta que fizeram nele. Foi o elemento mais destacado e produtivo no ataque, quer contra os Bears (87 jardas) quer contra os Packers (52 jardas e um TD). Rápido e com altura para desafiar os corners mais corpulentos, pode produzir alguns mismatches nos jogos futuros.

Assobios

  • Era impossível conseguir mais, num apertado 24-21, quando a run defense foi tão desastrosa. Por momentos o campo pareceu o playground privado de Eddie Lacy, que voltou a conseguir mais de 100 jardas contra os Vikings. Quando se pedia um último forcing, após o 24-21, e era imperativo parar o ataque dos Packers, foi no solo que se claudicou. Mais uma vez. Não existiu antídoto para travar o running back (Lacy tem 2 jogos este ano acima das 100 jardas, ambos contra Minnesota), sentindo-se a falta de Sharrif Floyd, que falhou a partida por lesão.
  • Já nem sei o que diga mais sobre Matt Kalil. Como é que é possível retroceder tanto em relação ao ano de estreia? Kalil tem sido um buraco na OL, no que respeita ao pass protection. Verdade seja dita, o jogador tem sido coerente, ao longo do ano. Não tem jogado nada, semanalmente, não alimentando expectativas a ninguém. Foi nisto que se gastou a pick nº 3 no draft de 2012? Para além da porosidade em travar quem quer que seja, Kalil resolveu inovar. Nele, isso não é bom. A sua lentidão torna-o uma presa fácil para as faltas, recurso de que se tem socorrido, para evitar males maiores. Foram 3 penalidades (dois holdings e um facemask), que impediram jogadas positivas. Acredito, nesta altura, que os Vikings irão usar a pick do round 1 em 2015 num offensive tackle, de forma a estancar a mediocridade que tem imperado na linha ofensiva.
  • É sempre mais fácil falar e ditar sentenças depois de conhecer os efeitos de decisões com as quais não concordamos. Mas detesto uma atitude conservadora, quando não há nada que legitime essa forma protectora de actuar. Os Vikings, depois da drive final do jogo que os colocou em 24-9, tentaram (e bem) a conversão de dois pontos. Bem sucedida, tirada a papel químico da jogada antecedente que culminou no touchdown, meteu-os a apenas um field goal de distância. 24-21. Pouco mais de dois minutos para o final. Mas existe uma adenda. Houve um roughing the passer, bem antes da conversão dos 2 pontos. Ora, essa penalidade, se os Vikings tivessem optado não pelo kickoff, mas por um onside kick, colocava a bola nas 50 jardas. Então, porque raio não tentar? Porque é que se não se arriscou? O que é que poderia correr mal? Não recuperar a bola no onside kick? E? Na linha das 50 jardas obrigaria sempre os Packers a movimentá-la, à procura dum 1st down para congelar o jogo. Em vez disto, os Vikings limitaram-se a um destino certo. Kick para o adversário, que acabou por não dar qualquer hipótese de recuperação, comendo todo o tempo ainda disponível no cronómetro. Aceitaria esta decisão se a run defense tivesse dado mostras de parar Lacy, o que nunca aconteceu. Ou se, mesmo sofrendo a derrota, existisse uma ténue esperança de atingir os playoffs. Mas com um 4-6, em riscos de sofrer o sétimo desaire, suprimiu-se a ousadia, a coragem, a audácia, em detrimento dum plano pré-elaborado? Falta-vos big balls, é o que é…

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Paulo Pereira

O meu epitáfio, um dia mais tarde, poderá dizer: “aqui jaz Paulo Pereira, junkie em futebol americano”. A realidade é mesmo essa. Sou viciado. Renascido em 2008, quando por mero acaso apanhei o Super Bowl dos Steelers/Cardinals, fiz um reset em [quase] todos os meus dogmas. Aquele desporto estranho, jogado de capacete, entranhou-se no meu ADN, assumindo-se como parte integrante da minha personalidade. Adepto dos Vikings por gostar, simplesmente, de jogadores que desafiam os limites. Brett Favre entra nessa categoria: A de MITO.